Ácaro-rajado no Morango: Guia para o Manejo Eficaz [2025]

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Índice

Como Evitar que o Ácaro-Rajado Acabe com seu Morangueiro?

Você já entrou na estufa em um dia quente e seco e percebeu as folhas do morango perdendo a cor? Esse é o cenário perfeito para o ácaro-rajado. Quando a temperatura bate nos 30 °C e a umidade baixa, ele faz a festa.

O estrago é silencioso, mas pesado. O ácaro fura as células da folha e suga o conteúdo. O resultado? A planta perde a capacidade de fazer fotossíntese. Se não cuidar, o pé de morango morre.

Para não deixar chegar nesse ponto, o manejo começa muito antes do veneno:

  1. Compre mudas sadias: Não traga problema para dentro de casa.
  2. Cuidado com o Nitrogênio: Adubo nitrogenado demais deixa a planta “suculenta” para o ácaro.
  3. Atenção aos produtos: Evite inseticidas piretroides, eles costumam piorar a situação do ácaro.

O Que Fazer Quando as Folhas Novas do Morango Nascem Enfezadas?

Uma dúvida que tira o sono de muito produtor é: “Por que minha planta parou de crescer e as folhas novas estão deformadas?”. O culpado provável é o ácaro-do-enfezamento.

Diferente do rajado, esse ácaro é difícil de pegar com os venenos comuns permitidos para a cultura. Ele tira o vigor da planta e atrasa tudo.

A solução é drástica, mas necessária: Como o controle químico é complicado, o jeito é arrancar o mal pela raiz.

  • Elimine as plantas infestadas imediatamente.
  • Só plante mudas que você tem certeza que estão limpas.

E as outras pragas do morango?

Não é só ácaro que dá dor de cabeça. Fique atento a estes três problemas comuns:

  1. Tripes: Eles atacam a flor e deixam o fruto com aquele aspecto bronzeado. Mas calma: estudos mostram que eles não deformam o fruto. O prejuízo financeiro só vem se tiver muita praga (mais de 5 tripes por flor). Menos que isso, não precisa se desesperar.
  2. Lagartas: Elas comem as folhas e os frutos. Como elas atacam à noite, o segredo é pulverizar no final da tarde.
  3. Pulgões: Eles sugam a seiva e soltam um “melaço” que traz a fumagina (aquele pó preto). Pior ainda: transmitem viroses. Se a infestação subir, use neonicotinoides registrados.

Broca-do-Morangueiro: Como Monitorar Gastando Pouco?

Seu vizinho já perdeu frutos porque não viu a broca chegar a tempo? O monitoramento dessa praga é barato e você mesmo faz na fazenda.

A receita da armadilha caseira (tipo pit fall):

  1. Pegue um pote de margarina com tampa.
  2. Faça furos de meio centímetro na lateral.
  3. Enterre no canteiro até a borda (nível do solo).
  4. A isca: Misture suco de morango (use frutos descartados) com água (1 parte de suco para 2 de água) e adicione um pouco de inseticida malatiom.

Coloque pelo menos 4 armadilhas por hectare nas bordas da lavoura. Troque o atrativo toda semana. Se começar a cair muita broca, aumente para uma armadilha a cada 10 metros e recolha todos os frutos estragados do chão.


Mirtilo e Amora: Abelha Pode Ser Praga?

Parece estranho, mas na cultura do mirtilo (blueberry), a abelha-irapuá pode ser uma vilã. Ela não quer polinizar, ela quer fibra e resina para o ninho.

O que ela faz:

  • Danifica flores e folhas.
  • Causa o abortamento da flor (menos fruta no pé).
  • Se a fruta vinga, fica pequena.

Para afastar a irapuá sem matar tudo ao redor, o uso de repelentes à base de Nim (Azadiracta indica) ajuda a reduzir o ataque.

Cuidado com a Broca na Amora

Na amora, o perigo é a broca-da-amoreira. A larva come a haste de cima para baixo. O galho amarela e seca.

Como resolver na prática: O controle é na tesoura. Na poda pós-colheita, retire e queime todos os ramos danificados. Mantenha a planta bem nutrida para ela aguentar o tranco.


O Jeito Certo de Usar Defensivos (Sem Jogar Dinheiro Fora)

Você sabia que aplicar o produto na hora errada é o mesmo que jogar dinheiro no lixo? Seja para ácaro, pulgão ou broca, a regra de ouro é a tecnologia de aplicação.

Não adianta comprar o melhor produto se a cobertura da planta for ruim. E tem mais:

  • Não use preventivo: Aplicar veneno “só para garantir” cria pragas resistentes. Só aplique quando o monitoramento mostrar que precisa.
  • Rotacione os produtos: Não use sempre o mesmo grupo químico.
  • Respeite a carência: Cumpra o prazo entre aplicar e colher.

E as formigas cortadeiras?

Para formiga, a isca tóxica é a melhor aliada. Mas tem um detalhe que muita gente esquece: aplique com tempo seco. Se a isca molhar, a formiga não carrega e você perdeu o produto.


Glossário

Controle Biológico: Uso de inimigos naturais, como o ácaro predador Neoseiulus californicus, para reduzir a população de pragas de forma sustentável. Essa técnica ajuda a manter o equilíbrio do ecossistema na lavoura e diminui a dependência de defensivos químicos.

Fumagina: Fungo de aspecto escuro que se desenvolve sobre a substância pegajosa liberada por insetos sugadores, como os pulgões. Embora não seja uma doença direta da planta, a camada preta bloqueia a luz solar e reduz a capacidade de fotossíntese.

Armadilha McPhail: Equipamento plástico utilizado para o monitoramento de moscas-das-frutas, que utiliza atrativos alimentares para capturar os insetos. É essencial para determinar o nível de infestação e o momento exato de iniciar o controle.

Manejo Integrado de Pragas (MIP)

Tecnologia de Aplicação: Conjunto de técnicas que envolvem a escolha correta de bicos, pressão e volume de calda para garantir que o produto atinja o alvo com eficiência. Uma boa aplicação evita desperdícios e reduz o risco de resistência das pragas.

Período de Carência: Intervalo de tempo obrigatório entre a última aplicação de um defensivo e o dia da colheita. Respeitar esse prazo é fundamental para garantir a segurança do consumidor e assegurar que os frutos não possuam resíduos químicos acima do permitido.

Neonicotinoides: Classe de inseticidas químicos que agem no sistema nervoso dos insetos, sendo muito eficazes no controle de pragas sugadoras. Devem ser aplicados seguindo rigorosamente a bula para evitar danos a polinizadores e o surgimento de populações resistentes.

Rotação de Grupos Químicos: Prática de alternar defensivos com diferentes modos de ação para combater a mesma praga na lavoura. Essa estratégia evita que os insetos e ácaros sobreviventes se tornem resistentes aos produtos, preservando a eficácia dos tratamentos.

Veja como o Aegro pode ajudar a superar esses desafios

Manter o controle rigoroso sobre o monitoramento de pragas e o calendário de aplicações é um dos maiores desafios do dia a dia no campo. O software de gestão agrícola Aegro facilita essa tarefa ao permitir o registro de infestações e atividades operacionais diretamente pelo celular, centralizando os dados para que você saiba exatamente o momento certo de agir, evitando perdas na produtividade.

Além disso, para garantir que o manejo fitossanitário não comprometa seu orçamento, o Aegro oferece uma visão clara do estoque e do custo por hectare em tempo real. Isso ajuda a evitar aplicações desnecessárias e desperdícios de insumos, garantindo que cada investimento em defensivos ou biológicos seja feito com precisão e traga o retorno esperado na colheita.

Vamos lá?

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Perguntas Frequentes

Por que o excesso de nitrogênio é prejudicial no controle de pragas como o ácaro e o pulgão?

O excesso de adubação nitrogenada torna os tecidos da planta mais macios e suculentos, o que facilita a alimentação e acelera a reprodução de pragas sugadoras. Além disso, o desequilíbrio nutricional altera o metabolismo da planta, tornando-a um alvo mais atrativo para esses insetos. Manter uma adubação equilibrada é, portanto, uma das formas mais eficazes de prevenção indireta na lavoura.

Qual é a melhor estratégia para o controle biológico do ácaro-rajado no morangueiro?

A estratégia mais eficiente é a liberação de ácaros predadores, como o Neoseiulus californicus, logo no início da infestação. Recomenda-se utilizar de 5 a 7 predadores por metro quadrado quando forem detectados, no máximo, 5 ácaros-rajados por folíolo. Essa abordagem biológica ajuda a manter o equilíbrio do ecossistema e reduz drasticamente a necessidade de intervenções químicas pesadas.

Como diferenciar o ataque do ácaro-rajado do ácaro-do-enfezamento?

O ácaro-rajado geralmente causa a descoloração e o aspecto seco das folhas em condições de calor intenso. Já o ácaro-do-enfezamento ataca diretamente os brotos novos, resultando em folhas deformadas, pequenas e uma planta com crescimento estagnado. Enquanto o rajado pode ser manejado com predadores, o enfezamento é mais severo e muitas vezes exige a remoção e destruição imediata das plantas afetadas.

Como funciona a armadilha caseira para monitorar a broca-do-morangueiro?

A armadilha é do tipo pitfall, feita com um pote de margarina enterrado ao nível do solo e contendo uma isca de suco de morango, água e inseticida. Os furos laterais permitem que a broca entre atraída pelo aroma do fruto e fique retida na mistura líquida. Esse método é de baixíssimo custo e permite ao produtor identificar a presença da praga nas bordas da lavoura antes que ela se espalhe por todo o plantio.

Por que o uso preventivo de defensivos químicos não é recomendado?

Aplicar venenos sem a presença confirmada de pragas elimina inimigos naturais e favorece o surgimento de populações resistentes, tornando o controle futuro muito mais difícil. O manejo ideal deve ser baseado no monitoramento constante, aplicando produtos apenas quando a praga atinge um nível de dano econômico. Além disso, a aplicação desnecessária aumenta os custos de produção e os riscos de resíduos nos frutos.

Qual é o momento ideal para realizar o controle de lagartas e formigas cortadeiras?

Para as lagartas, a aplicação de defensivos deve ser feita preferencialmente no final da tarde, pois é o período em que elas saem para se alimentar e ficam mais expostas ao produto. No caso das formigas, as iscas tóxicas devem ser aplicadas obrigatoriamente em dias de tempo seco. Se a isca molhar ou for aplicada em solo úmido, ela perde a atratividade e as formigas não a carregarão para o formigueiro.

Artigos Relevantes

  • Ácaro-Rajado: Guia Completo para Identificação e Manejo na Lavoura: Este artigo é a extensão natural do conteúdo principal, fornecendo um guia técnico detalhado sobre o Tetranychus urticae. Ele aprofunda a identificação e o ciclo de vida da praga, complementando as dicas práticas de manejo e controle biológico apresentadas no texto sobre o morangueiro.
  • Controle Biológico de Pragas: O que é e Como Aplicar na Sua Lavoura: Como o texto principal enfatiza fortemente o uso de ácaros predadores como solução inteligente, este artigo oferece a base teórica e metodológica necessária para implementar o controle biológico. Ele ajuda o produtor a entender a dinâmica entre inimigos naturais e pragas, validando a estratégia sugerida para o morango.
  • Ácaro-Branco: Guia Completo para Identificar, Diferenciar e Controlar na Lavoura: O artigo principal diferencia o ácaro-rajado do ácaro-do-enfezamento; este candidato expande esse conhecimento ao tratar do ácaro-branco. É uma leitura essencial para que o agricultor saiba diferenciar as diversas espécies de ácaros que atacam folhagens e brotos, evitando diagnósticos errados no campo.
  • Manejo Integrado de Pragas (MIP): Uma Abordagem Estratégica e Sustentável: Este artigo fornece a estrutura estratégica (MIP) que sustenta todas as recomendações do texto principal, como níveis de dano econômico para tripes e monitoramento de brocas. Ele ajuda o leitor a organizar as táticas isoladas em um plano de gestão agrícola mais robusto e sustentável.
  • Lagarta Enroladeira das Folhas: Guia Completo de Identificação e Manejo: Considerando que o texto principal cita as lagartas como uma das três dores de cabeça comuns no morangueiro, este guia oferece um detalhamento técnico sobre identificação e manejo desse grupo. Ele complementa a dica prática de pulverização ao final da tarde com informações sobre estádios de ataque e controle eficiente.