Índice
- O Que é Adubação Orgânica e Por Que Ela é Diferente de Só “Jogar Esterco”?
- Posso Usar Adubo Mineral na Produção Orgânica?
- O Perigo do Esterco Fresco: Não Cometa Esse Erro
- Composto Orgânico: Como Fazer o “Ouro Negro” da Fazenda
- Biofertilizante: O Adubo Líquido que Nutre e Protege
- Bokashi: Vale a Pena o Custo?
- Quanto Adubo Usar? (Pare de Chutar)
- Deu Ruim no Meio da Safra: O Que Fazer?
- Glossário
- Como a tecnologia Aegro potencializa sua adubação orgânica
- Perguntas Frequentes
- É permitido utilizar qualquer tipo de adubo mineral na agricultura orgânica?
- Por que o uso de esterco fresco é perigoso para a horta?
- Como saber se a umidade da minha pilha de compostagem está correta?
- Qual a diferença prática entre o composto orgânico comum e o Bokashi?
- Posso utilizar lodo de esgoto tratado como adubo em hortaliças?
- Como o biofertilizante ajuda a recuperar plantas com deficiência nutricional no meio da safra?
- Artigos Relevantes
O Que é Adubação Orgânica e Por Que Ela é Diferente de Só “Jogar Esterco”?
Você já viu vizinho reclamando que o adubo não funcionou ou, pior, que queimou a lavoura de hortaliças? O problema muitas vezes não é o produto, é a falta de conhecimento sobre o que realmente estamos colocando na terra.
Na prática, fertilizantes orgânicos são aqueles feitos de matéria-prima animal ou vegetal. Pode vir do seu sítio (restos de cultura, esterco do curral) ou de fora (agroindústria). Mas atenção: nem tudo que é natural está pronto para ir para o canteiro.
Eles se dividem, basicamente, em quatro tipos que vamos detalhar abaixo: adubos sólidos (como o composto), líquidos (biofertilizantes), adubos verdes e os enriquecidos.
Posso Usar Adubo Mineral na Produção Orgânica?
Muita gente acha que na agricultura orgânica é proibido qualquer coisa que venha de minério. Isso é um mito que pode estar limitando sua produtividade.
A regra é clara: sim, você pode usar fertilizantes minerais, desde que sejam de origem natural e de baixa solubilidade.
O que é permitido:
- Fosfatos naturais
- Calcário
- Pó de rocha
E se a análise de solo mostrar que a coisa está feia? Com autorização da certificadora e comprovada a necessidade, você pode usar em situações restritas:
- Termofosfatos
- Sulfato de potássio e magnésio (origem natural)
- Micronutrientes
- Guano (fosfato de excremento de aves marinhas)
O Perigo do Esterco Fresco: Não Cometa Esse Erro
Seu João, produtor antigo, perdeu uma entrega inteira de alface porque as folhas estavam “queimadas” e com cheiro forte. O motivo? Esterco fresco direto no canteiro.
Esterco fresco é problema por dois motivos:
- Pode conter microrganismos que causam doenças na gente (coliformes, salmonela).
- Pode queimar as plantas.
O segredo é o curtimento. Você precisa deixar o esterco envelhecer.
- Tempo: Cerca de 90 dias.
- Local: Coberto (lona ou telhado). Se chover em cima, a água leva os nutrientes embora.
- Ponto ideal: Massa escura, aspecto gorduroso, cheiro agradável de terra molhada. Se tiver cheiro ruim, não está pronto.
Composto Orgânico: Como Fazer o “Ouro Negro” da Fazenda
O composto orgânico é muito melhor que o esterco puro. Ele é estável, desinfetado pelo calor da fermentação e melhora a estrutura do solo, ajudando no enraizamento.
Receita Prática de Composto
Para fazer uma pilha equilibrada, você precisa acertar a mistura de Carbono (mato seco) e Nitrogênio (esterco). A proporção ideal é 75% de restos vegetais e 25% de esterco.
Passo a passo:
- Faça camadas alternadas: uma de capim/folhas/galhos picados, outra de esterco.
- Se tiver só material pobre (capim velho, serragem), misture com leguminosas.
- A pilha deve ter entre 1,5m e 1,8m de altura.
- Molhe cada camada sem encharcar.
O Pulo do Gato: O Teste da Mão Como saber se a umidade está certa (entre 50% e 60%)? Pegue um punhado do composto e aperte na mão:
- Se escorrer água entre os dedos: Está muito molhado.
- Se o bolo desmanchar assim que abrir a mão: Está muito seco.
- Se formar um torrão firme e deixar a mão úmida sem escorrer: Está no ponto.
Revire a pilha aos 15, 30 e 45 dias para entrar ar. Em cerca de 90 dias, o material deve estar pronto: cor escura, cheiro de terra e temperatura ambiente.
Biofertilizante: O Adubo Líquido que Nutre e Protege
Você já ouviu falar no Supermagro ou no Vairo? São biofertilizantes famosos. Eles são o líquido resultante da fermentação de esterco em água, podendo ser enriquecidos com minerais.
Eles funcionam de dois jeitos:
- Nutrição: Fornecem micronutrientes direto na veia (via foliar ou gotejamento).
- Defesa: Ajudam a controlar pragas e doenças, tonificando a planta.
Como Preparar um Biofertilizante Simples na Propriedade
Não precisa de fábrica. Você precisa de uma bombona plástica (200L) e uma mangueira fina.
- Misture volumes iguais de esterco fresco e água na bombona.
- Deixe um espaço vazio de 15 a 20 cm no topo (não encha até a boca!).
- Feche a tampa hermeticamente (tem que vedar bem).
- Faça um furo na tampa e passe a mangueira. A ponta de dentro fica no espaço vazio (no ar).
- A ponta de fora mergulhe numa garrafa com água. Isso é vital: o gás sai, mas o ar não entra.
- Espere de 30 a 40 dias. Quando parar de borbulhar na garrafa de água, está pronto.
Coe em um pano fino antes de usar para não entupir o pulverizador.
Bokashi: Vale a Pena o Custo?
O Bokashi (ou composto de farelos) é considerado um adubo nobre. Ele usa ingredientes mais caros como farelo de arroz, soja, farinha de osso e farinha de peixe, inoculados com microrganismos (como o EM).
Vantagens: Fica pronto rápido (3 a 21 dias), é muito rico em NPK e ativa a vida biológica do solo violentamente. Desvantagem: Custa mais caro que o composto comum.

É ideal para culturas de alto valor agregado ou para dar um “arranque” na planta. O segredo do preparo é revirar todo dia, pois ele esquenta muito fácil e pode queimar os nutrientes se passar de 50°C.
Quanto Adubo Usar? (Pare de Chutar)
Uma dúvida que sempre aparece: “Quantos quilos eu jogo por canteiro?”. Se você não faz análise de solo, está jogando dinheiro fora ou deixando de colher.
A análise química (aquela de rotina: pH, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e matéria orgânica) é o mapa da mina. É ela que diz se precisa de calagem (limitada a 2 toneladas/ha no orgânico) e quanto falta de nutriente.
Exemplo Real de Cálculo (Simplificado)
Vamos imaginar que você vai plantar cebola e a análise pediu:
- 120 kg de Nitrogênio (N)
- 300 kg de Fósforo (P)
- 180 kg de Potássio (K)
Você tem no galpão: Esterco bovino, Cinzas e Fosfato Natural.
- Comece pelo Nitrogênio (Esterco): O esterco tem cerca de 5% de N na matéria seca. Para conseguir os 120 kg de N, você precisaria de 2.400 kg de esterco.
- Veja o que sobra: Esse esterco também fornece um pouco de P e K. Digamos que ele forneceu 120 kg de K.
- Complete com Cinzas: Faltam 60 kg de K (180 necessários - 120 do esterco). Você calcula a quantia de cinzas para cobrir essa falta.
- Finalize com Fosfato: O que faltar de Fósforo, você completa com o fosfato natural.
Deu Ruim no Meio da Safra: O Que Fazer?
Mesmo planejando, às vezes a planta amarela. Se aparecer deficiência nutricional no meio do ciclo, o sistema orgânico permite correção rápida?
Sim. A solução são os biofertilizantes. Como são líquidos, a absorção é mais rápida. Você pode ajustar a receita enriquecendo com o nutriente que falta (ex: sulfato de magnésio se faltar magnésio).
E se for toxidez (excesso)? É raro no orgânico, mas pode acontecer com Manganês ou Ferro em solos do Cerrado recém-abertos. A correção é feita com calagem e adição de muita matéria orgânica para “amortecer” esse efeito.
Glossário
Biofertilizante: Adubo líquido obtido pela fermentação de materiais orgânicos em meio aquoso, rico em microrganismos benéficos e nutrientes prontamente assimiláveis. É utilizado via foliar ou gotejamento para nutrir a planta e aumentar sua resistência natural contra pragas e doenças.
Baixa Solubilidade: Característica de fertilizantes minerais que liberam nutrientes de forma lenta e gradual no solo, como os fosfatos naturais e o pó de rocha. Essa propriedade é exigida na agricultura orgânica para evitar o desequilíbrio químico do solo e a lixiviação excessiva.
Curtimento: Processo de maturação e estabilização de estercos frescos através do tempo e controle de umidade. O objetivo é eliminar gases tóxicos, microrganismos patogênicos e sementes de plantas invasoras antes da aplicação na lavoura.
Proporção Carbono/Nitrogênio (C/N): Relação entre materiais secos (ricos em carbono) e materiais úmidos/estercos (ricos em nitrogênio) na compostagem. O equilíbrio entre esses elementos determina a velocidade da decomposição e a qualidade nutricional do composto final.
Bokashi: Adubo orgânico fermentado, geralmente composto por farelos vegetais e farinhas de origem animal, inoculado com microrganismos eficazes. É valorizado pela rápida disponibilidade de nutrientes e por estimular a atividade biológica do solo em curto prazo.
Calagem: Prática que utiliza calcário para corrigir a acidez (pH) do solo e fornecer cálcio e magnésio às plantas. Um solo com pH corrigido é fundamental para que a matéria orgânica e outros fertilizantes sejam aproveitados de forma eficiente pelas raízes.
Termofosfatos: Fertilizantes fosfatados produzidos por meio de tratamento térmico de rochas, sem a utilização de ácidos químicos. São fontes de fósforo e magnésio permitidas em sistemas orgânicos para correções específicas quando autorizadas pela certificadora.
Lixiviação: Processo de lavagem e perda de nutrientes do solo devido ao excesso de água da chuva ou irrigação. O uso de matéria orgânica e adubos de baixa solubilidade ajuda a reduzir esse problema, mantendo a fertilidade por mais tempo.
Como a tecnologia Aegro potencializa sua adubação orgânica
Manter a disciplina nos ciclos de curtimento do esterco e nas reviradas da compostagem é essencial para evitar doenças na lavoura e garantir a qualidade do adubo. Com o Aegro, você pode agendar essas atividades operacionais e receber alertas diretamente no celular, garantindo que o composto esteja pronto e seguro no tempo certo para o plantio.
Além disso, para não ‘chutar’ na hora de calcular as doses de nutrientes, o sistema permite registrar os resultados das suas análises de solo e monitorar o histórico de aplicações por talhão. Isso facilita o controle de estoque de insumos orgânicos e minerais, ajudando você a visualizar o custo real da produção e a manter toda a documentação organizada para processos de certificação, eliminando a dependência de anotações em papel que podem se perder.
Vamos lá?
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Perguntas Frequentes
É permitido utilizar qualquer tipo de adubo mineral na agricultura orgânica?
Não. Na produção orgânica, apenas fertilizantes minerais de origem natural e de baixa solubilidade são permitidos, como o pó de rocha, calcário e fosfatos naturais. O uso de fontes mais solúveis, como micronutrientes ou sulfato de potássio, é restrito e exige comprovação de necessidade técnica e autorização da certificadora.
Por que o uso de esterco fresco é perigoso para a horta?
O esterco fresco pode queimar as raízes das plantas devido ao calor gerado em sua decomposição inicial e à alta concentração de amônia. Além disso, ele oferece riscos graves à saúde humana, pois pode conter patógenos como Salmonella e coliformes, tornando o processo de curtimento por 90 dias indispensável para a segurança sanitária.
Como saber se a umidade da minha pilha de compostagem está correta?
Você pode usar o ’teste da mão’: aperte um punhado do composto; se escorrer água, está muito úmido; se o bolo desmanchar ao abrir a mão, está muito seco. O ideal é que se forme um torrão firme que deixe sua mão úmida sem gotejar, indicando o nível perfeito para a atividade dos microrganismos.
Qual a diferença prática entre o composto orgânico comum e o Bokashi?
O composto comum é feito majoritariamente de restos vegetais e esterco, levando cerca de 90 dias para estabilizar. Já o Bokashi utiliza farelos nobres e inoculantes de microrganismos, ficando pronto em até 21 dias; ele é mais rico em nutrientes e funciona como um potente ativador da vida biológica do solo, embora tenha um custo de produção superior.
Posso utilizar lodo de esgoto tratado como adubo em hortaliças?
Não, o uso de lodo de esgoto é expressamente proibido no cultivo de hortaliças, independentemente de ser uma produção orgânica ou convencional. O risco de contaminação por metais pesados e microrganismos resistentes é muito alto, e a legislação brasileira veda essa prática para garantir a segurança dos alimentos consumidos frescos.
Como o biofertilizante ajuda a recuperar plantas com deficiência nutricional no meio da safra?
Por ser um adubo líquido, o biofertilizante permite uma absorção muito mais rápida pelos tecidos da planta, seja via foliar ou fertirrigação. Ele atua como um ‘soro’ nutricional, podendo ser enriquecido com minerais específicos para corrigir carências detectadas visualmente, ajudando a planta a recuperar o vigor sem interromper o ciclo de crescimento.
Artigos Relevantes
- Adubo Orgânico na Lavoura: Guia Completo para Aumentar a Fertilidade do Solo: Este artigo funciona como uma extensão técnica do conteúdo principal, aprofundando-se nos processos de mineralização de nutrientes e na biologia do solo. Ele complementa a discussão sobre hortaliças ao trazer uma visão macro sobre como a matéria orgânica recupera a fertilidade de solos degradados em diferentes escalas.
- Análise de Solo: O Guia Completo para Coleta, Interpretação e Manejo: O artigo principal enfatiza fortemente a importância de ‘parar de chutar’ e usar análises de solo para calcular a adubação, e este candidato fornece o guia prático necessário para isso. Ele preenche a lacuna operacional sobre como realizar a coleta e interpretar os índices de fertilidade mencionados no texto de hortaliças.
- Plantas de Cobertura: O Guia Completo para Proteger e Enriquecer seu Solo: Enquanto o artigo principal cita a ‘adubação verde’ como um dos tipos de adubação orgânica, este texto oferece um mergulho profundo na técnica, explicando a diferença entre gramíneas e leguminosas. Ele adiciona valor prático ao ensinar como usar essas plantas para ciclagem de nutrientes e proteção do solo, pilares da agricultura orgânica.
- Calagem: Guia para Corrigir Acidez do Solo e Aumentar Produtividade: O texto sobre hortaliças destaca que a calagem é fundamental para que a matéria orgânica seja bem aproveitada, e este artigo detalha o ‘como fazer’ técnico desse processo. Ele é essencial para o leitor que precisa corrigir a acidez do solo antes de investir tempo e recursos na produção de composto ou Bokashi.
- Guia de Fertilizantes: Como Escolher o Melhor Adubo para sua Lavoura: Este artigo oferece uma visão comparativa entre adubos minerais e orgânicos, ajudando o produtor a entender as classificações técnicas de solubilidade discutidas no texto principal. Ele é útil para o leitor que ainda está em transição ou que deseja combinar fontes orgânicas com minerais de baixa solubilidade de forma eficiente.

![Imagem de destaque do artigo: Adubação Orgânica de Hortaliças: 6 Passos na Prática [2025]](/images/blog/geradas/adubacao-organica-hortalicas.webp)