Biológico no RS: uma em cada quatro fazendas que pulverizam já leva no tanque

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O Aegro Insights rastreou cinco safras de registros de pulverização e semeadura no Rio Grande do Sul para medir como a adoção de biológicos mudou — não pelo que foi comprado, mas pelo que entrou na operação. O resultado: uma em cada quatro fazendas gaúchas que pulverizam já leva biológico no tanque, mais que o dobro do que era quatro safras atrás. E o perfil de quem usa mudou junto.

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O biológico saiu da fase de curiosidade

Medir bioinsumo pela compra tem um problema conhecido: boa parte do que se usa na lavoura gaúcha é multiplicado na própria fazenda e nunca passa por nota fiscal. Por isso o Aegro Insights foi olhar outro registro, o do manejo. Cada pulverização e cada semeadura lançada no Aegro traz os produtos que entraram na operação. Quando o produto tem Trichoderma, Bacillus, Beauveria, rizóbio ou qualquer outro organismo vivo na composição, a operação conta como uso de biológico, não importa de onde o produto veio.

E o que esse registro mostra é claro: entre as fazendas gaúchas que pulverizam, uma em cada quatro já leva biológico no tanque. Quatro safras antes, era cerca de uma em cada oito. A adoção mais que dobrou com a base praticamente do mesmo tamanho nas duas pontas, então não é efeito de ter mais gente medindo. É mais gente usando.

No pulverizador: a adoção mais que dobrou

Na safra 2021/22, 11,9% das fazendas do RS que registraram pulverização levaram biológico em pelo menos uma aplicação. Na safra 2025/26, foram 25,8%. Mesma pergunta, mesmo tipo de base, e a proporção mais que dobrou em quatro safras.

O que segura essa leitura é o denominador. Em toda a série, a conta é sempre sobre quem fez aquela operação na safra, e o número de fazendas pulverizando ficou parecido nas duas pontas. Por isso a comparação é honesta: a fatia que adota cresceu porque mais gente colocou biológico no tanque, não porque a amostra mudou de tamanho.

O alvo mudou, e nem sempre dá para dizer qual é

Olhar só o total esconde a parte mais interessante: o que entrou no tanque, e o que dá para afirmar sobre cada coisa.

O grupo mais presente é o dos produtos à base de Bacillus e bactérias próximas. E aqui vale uma ressalva que o próprio dado impõe: não dá para dizer o que essas fazendas estavam combatendo. Produtos com o mesmo gênero, e às vezes a mesma espécie em isolados diferentes, são registrados no Ministério da Agricultura ora como fungicida, ora como nematicida, ora como inoculante. Um isolado de Bacillus subtilis é fungicida e bactericida, outro é nematicida. Dizer que esse crescimento é “controle de doença” seria chute, e o Aegro Insights não dá esse tipo de chute.

Onde o alvo é claro, o quadro é este:

  • Trichoderma (biofungicida, com o mofo branco da soja como alvo clássico) quase triplicou de fazendas na série. É o crescimento mais consistente do levantamento, ano após ano, sem recuo.
  • Os fungos e vírus que atacam insetos (Beauveria, Metarhizium, Cordyceps e baculovírus, todos bioinseticidas) também subiram, com oscilação de um ano para o outro que pede cautela. São grupos pequenos, e um punhado de fazendas entrando ou saindo mexe no número.
  • Os inoculantes aplicados via pulverização, como Azospirillum e Methylobacterium, dobraram.

A leitura que fica: o biológico deixou de ser um teste solto de bactéria genérica e passou a ter alvo. E o alvo que mais cresce, o mofo branco, é justamente um dos problemas mais caros da soja no Sul.

De teste para programa

O sinal mais forte de amadurecimento não está em quanto se aplica. Está em quantos tipos diferentes de biológico o produtor usa na mesma safra. Em 2021/22, 17% de quem adotava trabalhava com mais de um tipo. Em 2025/26, são 35%. A parcela que monta programa, e não aplicação isolada, dobrou. Quem entrou primeiro não ficou parado no mesmo produto.

A outra metade da história é a rotatividade, e ela é o alerta. Metade de quem pulveriza biológico numa safra não repete na seguinte. Ao mesmo tempo, o grupo se renova: boa parte de quem usa hoje é estreante na prática. O time cresce, mas troca de gente quase no mesmo ritmo. Entra produtor testando pela primeira vez enquanto outro desiste.

E a diferença entre quem desiste e quem monta programa quase nunca é falta de produto no mercado. É outra coisa, e ela aparece no fim deste texto.

Na semeadura, é soja e é rizóbio

Quando a conta muda da pulverização para o plantio, o desenho é outro. Nas últimas cinco safras, 14,8% das fazendas gaúchas que semeiam soja registraram biológico na operação de semeadura. E o que entra ali é, na maior parte, o de sempre: o rizóbio, seguido das bactérias fixadoras do grupo do Azospirillum e do biológico de solo.

No milho, o rizóbio praticamente some, faz sentido agronômico, porque a fixação de nitrogênio na soja é outra biologia, e sobram o Azospirillum e o biológico de solo.

No cereal de inverno, o biológico quase não aparece. No trigo, só 2,4% das fazendas que semeiam registraram biológico na operação. Na aveia, é ainda menos. É a lacuna mais evidente do levantamento: justamente a janela em que o solo fica coberto e biologicamente ativo é a que menos recebe inoculação registrada.

Uma ressalva importante para ler esses números: eles medem o que foi registrado na operação de semeadura. Inoculante aplicado no tratamento de semente, industrial ou feito na própria fazenda, pode ser lançado em outra operação ou não ser lançado. Então este não é um retrato de quantos produtores inoculam a soja, e sim de onde o biológico aparece no registro do plantio.

A pergunta que separa o teste do programa: funcionou?

Volte à rotatividade. Metade de quem testa não repete, e a decisão de repetir ou largar quase nunca esbarra em falta de produto. O que separa os dois grupos é conseguir responder a uma pergunta simples depois da safra: funcionou?

Sem registrar em qual talhão o biológico entrou, junto de quê e em qual momento, não há como comparar o talhão tratado com o vizinho que não foi. E aí a decisão do ano seguinte acaba saindo por impressão, não por resultado. O produtor lembra que “usou e a lavoura foi bem”, ou que “usou e não viu diferença”, sem uma linha de base para saber se o biológico teve a ver com isso.

Anotar a operação é o que transforma um teste caro em informação. Quando o registro guarda o talhão, o produto, a dose e a data, a safra seguinte começa com uma resposta, não com uma memória.

VAMOS LÁ?

O biológico já entrou na rotina de boa parte da lavoura gaúcha. O que ainda separa quem monta programa de quem desiste é o registro. É aí que o Aegro entra: cada pulverização e cada semeadura ficam lançadas por talhão, com o produto, a dose e a data, do jeito que esta análise leu a lavoura do RS inteira. Com a operação registrada, você compara o talhão que recebeu biológico com o que não recebeu e chega na decisão da próxima safra com número, não com impressão.

Aegro é onde a operação vira dado. Com o manejo registrado, você responde “funcionou?” com o seu próprio talhão na tela, e decide a compra do ano seguinte olhando resultado.

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