Índice
- A Maior Inimiga da Lavoura: Como Lidar com a Brusone?
- Mancha-Parda e Escaldadura: O Perigo que Vem da Semente
- Por Que o Arroz Acama ou a Panícula Não Sai? (Doenças da Bainha)
- Mancha nos Grãos: O Prejuízo na Hora de Vender
- Inimigos Invisíveis: Nematoides e Vírus
- Mas e as Bactérias? Devo me Preocupar?
- O Segredo do Controle: Tratamento de Sementes e Fungicidas
- Glossário
- Veja como o Aegro pode ajudar a proteger sua produtividade
- Perguntas Frequentes
- Por que o excesso de nitrogênio aumenta o risco de brusone no arroz?
- Como diferenciar visualmente a brusone da mancha-parda nas folhas?
- Qual é o maior perigo de plantar arroz em áreas que tiveram soja ou feijão recentemente?
- O tratamento de sementes é realmente necessário em todas as safras?
- O que causa a mancha nos grãos e como evitar o prejuízo na venda?
- Como identificar se a lavoura está sofrendo com o nematoide da ponta-branca?
- Artigos Relevantes
A Maior Inimiga da Lavoura: Como Lidar com a Brusone?
Você já deve ter ouvido a história daquele vizinho que tinha a lavoura linda, prometendo safra cheia, e de repente viu tudo “queimar” antes da colheita. Infelizmente, na maioria das vezes, o nome desse pesadelo é brusone (Pyricularia oryzae).
Mundialmente, essa é a doença que mais causa prejuízo no arroz. O problema é que ela ataca tudo: folha, nó e panícula. Se pegar no pescoço da planta (abaixo da panícula), corta a seiva e o grão não enche.
Como identificar rápido:
- Nas folhas: Começa com pontinhos marrons que crescem e ficam parecendo um diamante (centro cinza e borda marrom).
- No pescoço: O nó fica escuro e a panícula morre, ficando com aquela cor de palha seca.
O erro mais comum: Muitos produtores pesam a mão na ureia achando que a planta vai crescer mais forte. Cuidado. O excesso de nitrogênio deixa as folhas cheias de açúcar e “moles”, um prato cheio para o fungo, principalmente entre 20 e 50 dias após o plantio.
Mancha-Parda e Escaldadura: O Perigo que Vem da Semente
Sabe aquela lavoura que parece “suja”, com as folhas manchadas, e você fica na dúvida se é deficiência nutricional ou doença? Muitas vezes, o problema começou lá atrás, na escolha da semente ou na falta de adubo no solo.
A mancha-parda (Bipolaris oryzae) gosta de planta mal nutrida. Ela aparece muito em solos pobres em Potássio e Nitrogênio. As manchas são ovais e escuras. O pior é que ela passa para o grão, cobrindo ele todo.
Já a escaldadura (Microdochium oryzae) engana bem. Ela começa nas pontas das folhas com faixas alternadas (marrom claro e escuro). É muito forte na região Norte e nos primeiros anos de plantio no Cerrado (terras altas), onde a rotação com soja deixa muito nutriente no solo.
Por Que o Arroz Acama ou a Panícula Não Sai? (Doenças da Bainha)
Na safra passada, muitos produtores no Tocantins e no Rio Grande do Sul viram manchas ovais, branco-acinzentadas, subindo pelo caule do arroz. Isso é a queima-das-bainhas (Rhizoctonia solani).
O problema aqui é mecânico: a bainha apodrece, a planta perde força e acama (tomba). Se a planta cai, a colheita complica e a qualidade vai para o chão.

Outra situação que confunde a cabeça da gente é a podridão-da-bainha (Sarocladium oryzae). A panícula tenta sair, mas fica presa ou sai só a metade. Os grãos que conseguem sair ficam escuros.
Por que isso acontece?
- Rotação perigosa: O fungo da queima-das-bainhas adora soja e feijão. Se você planta arroz depois dessas culturas, o inóculo já está lá no solo esperando.
- Densidade alta: Muita planta por metro quadrado cria um microclima úmido que o fungo ama.
Mancha nos Grãos: O Prejuízo na Hora de Vender
Você colhe, manda pro engenho e lá vem o desconto na classificação: “grão manchado”, “gessado” ou “picado”. Dói no bolso, né?
A mancha-de-grãos não é causada por um bicho só. É um “consórcio” de fungos e bactérias. Mas quem abre a porta para eles entrarem, muitas vezes, é o percevejo ou a chuva contínua na floração.
Sintomas para ficar de olho:
- Grãos com cor marrom-avermelhada.
- Manchas em forma de lente com centro branco.
Outro que assusta, mas causa menos dano econômico, é o falso-carvão. Sabe aquelas bolas verdes (parece veludo) que aparecem no lugar do grão? É ele. Acontece muito quando se usa adubo nitrogenado demais e chove muito na floração.
Inimigos Invisíveis: Nematoides e Vírus
“Minha lavoura está com manchas amarelas, folhas retorcidas e parece que não desenvolve”. Se você já disse isso, o problema pode não ser fungo.
1. Nematoides (Vermes do solo):
- Ponta-branca: A ponta da folha bandeira fica branca e enrolada (daí o nome). A panícula sai pequena e distorcida. O vilão (Aphelenchoides besseyi) vem dormindo dentro da semente e pode ficar lá por mais de 3 anos!
- De galha: Engrossamento nas raízes. A planta não cresce direito porque a raiz não funciona.
2. Vírus: Embora a temida “hoja blanca” ainda não tenha chegado forte no Brasil, temos visto o vírus RSNV (necrose) no RS e SC. As folhas ficam com listras amarelas e as plantas morrem cedo ou ficam anãs.

Como resolver? Para nematoide de galha, a solução é rotação de cultura e cultivares resistentes. Para a ponta-branca, só tem um jeito: semente sadia e tratada.
Mas e as Bactérias? Devo me Preocupar?
Uma dúvida que sempre aparece: “Aquela mancha é bactéria?”.
A boa notícia: No Brasil, doenças bacterianas são raras no arroz. Tivemos casos isolados de podridão-marrom, mas nada alarmante por enquanto.
⚠️ O ALERTA REAL: Fique de olho na queima-das-glumas (Burkholderia glumae). Ela já existe nos países vizinhos. O sintoma é a espigueta vazia e o grão cor de palha, mas com o talo (ráquis) ainda verde. Se vir isso, chame um técnico urgente.
O Segredo do Controle: Tratamento de Sementes e Fungicidas
Produtor, vamos falar a verdade: não adianta querer economizar na semente e gastar o dobro depois com pulverizador.
O tratamento de sementes (TS) serve para duas coisas:
- Limpar: Mata o que está na semente (nematoides, fungos da mancha-parda).
- Proteger: Cria uma barreira para a plântula nos primeiros dias, quando ela é mais frágil.
E a pulverização na folha? Ela é recomendada, sim. Principalmente para brusone e mancha-de-grãos.
- Quando aplicar? Geralmente na emissão das panículas e uma segunda dose 7 a 10 dias depois.
- O que usar? Não vamos citar marcas aqui, pois isso muda. A regra de ouro é consultar o Agrofit (site do Ministério da Agricultura). Lá tem a lista oficial e atualizada de fungicidas e doses.
Glossário
Panícula: Inflorescência do arroz onde se formam os grãos, sendo a parte terminal do colmo. É o componente de rendimento mais importante, e qualquer dano em sua base (pescoço) impede o enchimento dos grãos.
Estande (de plantas): População final de plantas que se estabelecem e sobrevivem em uma determinada área após a emergência. Um estande uniforme é essencial para evitar a competição por nutrientes e reduzir a umidade excessiva que favorece fungos.
Acamamento: Fenômeno em que as plantas tombam ou dobram seus colmos antes da colheita, geralmente por fraqueza estrutural ou excesso de peso. Dificulta a operação das colheitadeiras e pode causar grandes perdas de qualidade e produtividade.
Inóculo: Qualquer parte de um patógeno (como esporos de fungos ou bactérias) capaz de iniciar uma infecção na planta. O controle de restos culturais e a rotação de culturas visam reduzir a quantidade desse material presente na lavoura.
Folha Bandeira: A última folha a emergir antes da saída da panícula, localizada no topo do colmo. Ela é responsável pela maior parte da fotossíntese necessária para o enchimento dos grãos, exigindo proteção rigorosa contra doenças.
Cultivar: Variedade de planta que foi selecionada ou melhorada geneticamente para apresentar características específicas, como resistência a doenças e alta produtividade. No Brasil, a escolha da cultivar deve considerar a adaptação ao clima regional e ao sistema de cultivo.

Nematoides: Vermes microscópicos que vivem no solo ou na água e atacam as raízes ou partes aéreas das plantas. Eles sugam nutrientes e causam deformações que impedem o desenvolvimento normal da cultura, sendo de difícil erradicação.
Agrofit: Sistema de consulta do Ministério da Agricultura (MAPA) que lista todos os agrotóxicos e insumos registrados legalmente no Brasil. É a ferramenta oficial para o produtor conferir dosagens, carências e indicações técnicas para cada praga ou doença.
Veja como o Aegro pode ajudar a proteger sua produtividade
Lidar com doenças como a brusone e a mancha-parda exige um monitoramento rigoroso e um planejamento eficiente das operações. O Aegro auxilia nessa jornada ao permitir o registro de todas as atividades e monitoramentos diretamente pelo celular, garantindo que você não perca o momento ideal para a adubação equilibrada ou aplicação de defensivos. Além disso, o sistema centraliza o controle de estoque e os custos de produção, ajudando a evitar desperdícios e garantindo que o investimento em tratamento de sementes e fungicidas seja convertido em lucratividade real.
Vamos lá?
Que tal simplificar o dia a dia da sua fazenda e ter os dados da sua lavoura sempre à mão para tomar decisões seguras? Experimente o Aegro gratuitamente para organizar suas operações, controlar suas finanças e garantir uma colheita mais protegida.
Perguntas Frequentes
Por que o excesso de nitrogênio aumenta o risco de brusone no arroz?
O nitrogênio em excesso deixa as folhas da planta mais suculentas e com maior concentração de açúcares, o que facilita a entrada e o desenvolvimento do fungo Pyricularia oryzae. Para equilibrar esse risco, é fundamental realizar uma adubação potássica adequada, já que o potássio ajuda a fortalecer os tecidos da planta e aumenta sua resistência natural.
Como diferenciar visualmente a brusone da mancha-parda nas folhas?
A brusone apresenta manchas em formato de diamante (centro cinza e bordas marrons), que podem crescer rapidamente e ‘queimar’ a folha. Já a mancha-parda manifesta-se por pontos ovais e escuros espalhados pela folha, sendo geralmente um sinal de que a planta está mal nutrida ou sofrendo algum estresse no solo.
Qual é o maior perigo de plantar arroz em áreas que tiveram soja ou feijão recentemente?
O principal risco é o aumento da incidência da queima-das-bainhas, pois o fungo causador dessa doença sobrevive nos restos culturais da soja e do feijão. Quando o arroz é plantado nessas áreas, o fungo ataca o colmo da planta, causando o apodrecimento da bainha e o consequente acamamento (tombamento) da lavoura, o que dificulta a colheita.
O tratamento de sementes é realmente necessário em todas as safras?
Sim, o tratamento de sementes é uma das práticas de manejo com melhor custo-benefício, pois elimina fungos e nematoides que já vêm na semente, como o da ponta-branca. Ele garante que a planta cresça saudável nos primeiros 20 a 30 dias, evitando que doenças transmitidas pela semente se espalhem e causem falhas no estande da lavoura.
O que causa a mancha nos grãos e como evitar o prejuízo na venda?
A mancha nos grãos é causada por um complexo de fungos e bactérias, muitas vezes favorecidos pelo ataque de percevejos ou chuvas excessivas na fase de floração. Para evitar descontos na classificação do engenho, o produtor deve monitorar pragas rigorosamente e realizar aplicações preventivas de fungicidas no início da emissão das panículas.
Como identificar se a lavoura está sofrendo com o nematoide da ponta-branca?
O sinal mais característico é quando a ponta da folha-bandeira fica esbranquiçada e retorcida, muitas vezes impedindo a saída completa da panícula. Esse nematoide é invisível a olho nu e pode sobreviver por anos dentro das sementes, por isso a importância de utilizar sementes certificadas e realizar o tratamento preventivo.
Artigos Relevantes
- Brusone no Arroz: Guia Completo para Identificar, Prevenir e Controlar: Sendo a brusone citada como a ‘maior inimiga’ no texto principal, este artigo oferece o aprofundamento técnico necessário sobre o ciclo biológico do fungo e estratégias de controle químico. Ele preenche a lacuna sobre quais fungicidas específicos são eficazes, complementando as dicas práticas de adubação já discutidas.
- Mancha Parda: Identificação e Controle na Soja, Arroz e Outras Culturas: Este artigo detalha a mancha-parda, uma das doenças secundárias mais importantes mencionadas, focando na relação entre estresse nutricional e infecção. Ele expande a compreensão do produtor sobre como o manejo de solo, sugerido no texto principal, impacta diretamente na supressão dessa patologia.
- Tratamento de Sementes: O Guia Essencial para Proteger sua Lavoura: O texto principal aponta o Tratamento de Sementes (TS) como o ‘segredo do controle’, e este guia essencial fornece o embasamento prático sobre como realizar essa operação. Ele conecta a teoria da prevenção de doenças como a ponta-branca com a execução técnica e os tipos de produtos disponíveis no mercado.
- Sementes Piratas: O Guia Completo Sobre Riscos e Como Evitar Prejuízos: Considerando que o texto principal alerta sobre nematoides e vírus que ‘dormem’ na semente por anos, este artigo é crucial para a gestão de riscos. Ele reforça a importância da procedência legal para garantir a sanidade da lavoura, um ponto vital para evitar os ‘inimigos invisíveis’ citados.
- Preço do Arroz em 2025: Projeções, Cenários e Como Se Preparar: Este artigo adiciona uma dimensão estratégica e econômica essencial, ajudando o produtor a contextualizar os custos do manejo de doenças com as projeções de mercado. É o complemento ideal para transformar o conhecimento técnico em decisão de negócio, especialmente ao avaliar o investimento em fungicidas e sementes de qualidade.

![Imagem de destaque do artigo: Brusone no Arroz: O Que É e Como Controlar a Doença [2025]](/images/blog/geradas/brusone-arroz-controle-prevencao.webp)