Tipos de Caju: Guia Definitivo para Produzir Mais [2025]

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Índice

O Cajueiro é Nosso: Origem e Diferenças na Prática

Você já parou para pensar por que o cajueiro se dá tão bem no nosso solo? A resposta é simples: a casa dele é aqui. O Brasil é o provável centro de origem dessa planta. Apesar de hoje ele estar espalhado por quase todas as áreas tropicais do mundo (da Flórida até a África do Sul), é aqui que temos a maior diversidade.

Mas, no dia a dia da fazenda, a gente sabe que “cajueiro” não é tudo igual. O produtor experiente bate o olho e já vê a diferença no porte. Basicamente, a gente divide o time em dois grupos:

  1. Cajueiro Comum (o Gigante): Aquela árvore tradicional, alta, que chega a 12 ou 14 metros de altura. A copa dela é imensa, parecendo um guarda-chuva aberto, podendo cobrir até 20 metros de largura.
  2. Cajueiro Anão-Precoce: O “baixinho” invocado. Ele fica ali pelos 4 metros de altura, o que facilita demais a vida na hora da colheita e do trato.

Clone, Híbrido ou Semente: O Que Plantar?

Seu Zé, lá do Piauí, cometeu um erro que custou caro: pegou as sementes (castanhas) das melhores árvores do vizinho e plantou, achando que ia ter um pomar igualzinho. Três anos depois, nasceu de tudo: planta boa, planta ruim, planta doente. Por que isso acontece?

O segredo está na genética. O cajueiro gosta de polinização cruzada (uma planta precisa do pólen da outra). Quando você planta a semente (castanha), você está fazendo uma “loteria”. A planta filha nunca será igual à mãe. Ela pode nascer raquítica ou pouco produtiva.

Para garantir produtividade, você precisa trabalhar com Clones.

  • O que é o Clone? É uma cópia fiel. A gente pega um pedaço da planta mãe campeã (garfagem ou borbulhia) e faz a muda. Geneticamente, elas são idênticas. Se a mãe é boa, a filha é boa.
  • O que é o Híbrido? É o cruzamento planejado entre um “pai” e uma “mãe” diferentes para juntar o melhor dos dois mundos. Por exemplo: pegar a produtividade do cajueiro comum e misturar com o tamanho pequeno do anão. O clone BRS 275, por exemplo, é filho desse cruzamento.

Qual Variedade Escolher para o Seu Objetivo?

A pergunta que eu mais recebo no WhatsApp é: “Qual é o melhor clone para plantar?”. A resposta é: depende para quem você vai vender. Não adianta ter o melhor caju de mesa se o seu comprador só quer castanha para indústria.

Aqui está a lista dos principais clones registrados no Ministério da Agricultura (Mapa) e o ponto forte de cada um:

Para Vender o Fruto (Mesa) 🍎

Se o seu foco é vender o caju na caixa, bonito e doce, o mercado exige cor, firmeza e sabor.

  • CCP 76: É o campeão nacional. O mais plantado. Tem cor alaranjada, é doce e agrada muito o consumidor. Serve para castanha também.
  • BRS 189: Tem o maior pedúnculo (fruto) de todos. Vermelho e firme. Excelente para mesa.
  • CCP 09: Sabor muito doce e cor alaranjada.

Para Vender Castanha (Amêndoa) 🥜

Aqui o que manda é o peso da castanha e a produtividade em quilos.

  • BRS 274 (Comum): É um cajueiro comum selecionado. A castanha é enorme (superior), com peso médio de 3,5g.
  • Embrapa 51: Muito produtivo. Serve tanto para amêndoa quanto para caju de mesa (cor vermelha).
  • BRS 253 (Bahia 12): Alta produtividade de castanha, ideal para regiões secas como Ribeira do Pombal (BA).

Para Áreas com Doenças (Resinose) 🦠

  • BRS 226: Se você tem problemas com resinose na sua terra, esse é o clone resistente. Dá uma castanha excelente (2,7g), mas o caju é apenas mediano.

Devo Plantar Só Um Tipo de Clone?

Imagine que você planta 50 hectares só com o clone CCP 76. Aí vem uma praga nova ou uma seca diferente que ataca justamente esse clone. Você perde a safra inteira.

A homogeneidade (tudo igual) é boa para a colheita, mas perigosa para a saúde da lavoura.

O recomendado é não plantar apenas um clone. Faça o plantio em talhões separados, usando variedades diferentes. Isso diminui o risco. Se uma doença atacar um tipo, você não perde tudo. Além disso, lembre-se que cada clone reage de um jeito ao clima da sua região (litoral, sertão, transição). O que funciona no Ceará pode não ser o melhor para o Piauí.


Polinização e Limpeza do Pomar: O Trabalho de Campo

Muita gente pergunta se precisa colocar caixa de abelha no pomar. O cajueiro tem flores macho e hermafroditas na mesma planta, mas ele prefere cruzar com o vizinho.

Embora não seja obrigatório, as abelhas (Apis mellifera) ajudam muito. Quem consorcia caju com apicultura costuma ver bons resultados.

Outro ponto crítico é limpar o pomar de plantas ruins. Se você tem um pomar antigo, de pé-franco (sementes), vai notar umas árvores estranhas. O produtor precisa ter coragem de eliminar o que não presta.

Fique de olho nestes 3 tipos de planta “ruim” para passar a motosserra:

  1. Orelha de Onça: Tem folhas muito pequenas e produz pouco.
  2. Eucalipto: Cresce muito para cima, esguia, e não abre a copa.
  3. Castanhola: Tem aparência que lembra a árvore castanhola, diferente do cajueiro produtivo.

Essas plantas só ocupam espaço, bebem água e não pagam a conta. Em pomares de clones enxertados, isso não deve acontecer, pois todas as plantas são geneticamente iguais. Se aparecer diferença, é o solo ou o clima, não a planta.


O Cajueiro Comum Ainda Vale a Pena?

Com tanta tecnologia no cajueiro anão, parece que o “gigante” comum virou peça de museu, né? Errado.

É verdade que a fruticultura moderna prefere plantas baixas (anão-precoce) pela facilidade de colher e tratar. Mas o cajueiro comum tem seu lugar. Ele tem um sistema de raízes muito forte e uma capacidade individual de produção alta.

Hoje, o melhoramento genético busca clones de cajueiro comum com porte médio. Eles são ótimos, por exemplo, para quem faz consórcio com gado (bovinocultura), onde a árvore precisa ser mais robusta e alta para o gado não estragar. O clone BRS 274 é um exemplo dessa evolução: é um tipo comum, mas refinado para alta produção de amêndoa de qualidade superior.


Glossário

Garfagem: Método de enxertia que consiste na união de um pedaço de ramo (garfo) de uma planta produtora superior com o caule de uma planta jovem (porta-enxerto). É essencial para produzir mudas que mantêm exatamente as mesmas qualidades da planta mãe.

Borbulhia: Técnica de enxertia que utiliza apenas uma gema ou ‘olho’ (borbulha) inserida sob a casca do porta-enxerto. É uma forma eficiente de propagação vegetativa usada para multiplicar clones de cajueiro em viveiros comerciais.

Depressão por Endogamia: Perda de vigor e produtividade que ocorre quando plantas com parentesco muito próximo se cruzam ou quando se utiliza sementes de clones. O resultado são plantas raquíticas, desuniformes e com baixa resistência a pragas e doenças.

Pé-franco: Planta que se desenvolve diretamente a partir de uma semente (castanha), sem ter sido submetida ao processo de enxertia. Na cajucultura comercial, é evitado por gerar árvores muito diferentes entre si e com produção incerta.

Resinose: Doença fúngica grave que ataca o tronco e os galhos do cajueiro, provocando o escorrimento de resina e a morte de tecidos da planta. O uso de clones resistentes e o manejo fitossanitário são as principais formas de controle no campo.

Pedúnculo: Parte carnuda e suculenta do caju que sustenta a castanha, tecnicamente chamada de pseudofruto. É o produto principal para o mercado de caju de mesa, sucos e indústrias de polpa.

Regime de Sequeiro: Sistema de cultivo que depende exclusivamente da água das chuvas, sem o uso de sistemas de irrigação artificial. É o sistema predominante na cajucultura brasileira, exigindo a escolha de clones mais resistentes à seca.

Veja como o Aegro ajuda a profissionalizar seu pomar de caju

Gerenciar diferentes clones e talhões, como vimos, é essencial para reduzir riscos sanitários e climáticos, mas exige uma organização rigorosa. O Aegro ajuda você a mapear cada área da fazenda, permitindo registrar quais variedades estão em cada talhão e acompanhar o desempenho individual de cada uma. Assim, você descobre quais clones são mais lucrativos no seu solo e toma decisões baseadas em dados reais sobre onde expandir seu plantio.

Além disso, para garantir que plantas pouco produtivas não continuem “bebendo água sem pagar a conta”, o sistema facilita o controle de custos e a gestão de insumos. Você visualiza exatamente o gasto por hectare, identificando gargalos operacionais e otimizando o uso de defensivos e fertilizantes. É a tecnologia trazendo clareza para a gestão financeira e operacional, garantindo que o esforço no campo se transforme em rentabilidade no bolso.

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Perguntas Frequentes

Qual a principal diferença de produtividade entre o cajueiro comum e o anão-precoce?

Embora uma árvore individual de cajueiro comum produza mais castanhas por unidade, o cajueiro anão-precoce permite um plantio muito mais denso por hectare. Isso faz com que o pomar de anão renda mais por área total e entre em fase de produção comercial muito mais cedo do que as variedades gigantes.

Por que não é recomendado plantar cajueiros utilizando as sementes (castanhas) do próprio pomar?

O cajueiro realiza polinização cruzada, o que significa que a semente é o resultado de uma ’loteria genética’ e não manterá as características da planta-mãe. Além disso, o plantio por sementes pode causar a depressão por endogamia, gerando plantas fracas e uma queda de produtividade de até 48%.

Como escolher o melhor clone de acordo com o meu objetivo comercial?

A escolha depende do mercado consumidor: para venda de fruto fresco (mesa), prefira clones como o CCP 76 e BRS 189, que possuem frutos grandes, doces e firmes. Se o foco for a indústria de amêndoas, o ideal é optar por variedades como BRS 274 ou Embrapa 51, que se destacam pelo peso superior da castanha.

Qual a vantagem de plantar mais de uma variedade de clone na mesma fazenda?

A diversificação de clones em talhões separados protege o produtor contra riscos climáticos e ataques de pragas ou doenças específicas que podem devastar uma variedade única. Além disso, como cada clone reage de forma diferente ao clima local, essa estratégia garante uma estabilidade produtiva maior para o negócio.

O cajueiro comum ainda possui espaço na citricultura moderna?

Sim, o cajueiro comum é especialmente vantajoso em sistemas de consórcio com gado, pois seu porte elevado impede que os animais alcancem e danifiquem a copa. Ele também possui um sistema radicular mais robusto, sendo indicado para produtores que buscam durabilidade e resistência em sistemas integrados.

O que são as plantas ‘ruins’ citadas no manejo e por que devem ser eliminadas?

Plantas conhecidas como ‘Orelha de Onça’, ‘Eucalipto’ ou ‘Castanhola’ são exemplares de baixa produtividade que apenas consomem água e nutrientes sem dar retorno. Identificá-las e eliminá-las é fundamental para garantir que os recursos do solo sejam aproveitados apenas pelas árvores que realmente pagam a conta da fazenda.

Artigos Relevantes

  • Porta-Enxertos na Citricultura: Guia para Escolher a Base do Pomar: Este artigo complementa perfeitamente o conteúdo principal ao detalhar a técnica de enxertia, mencionada no texto de caju como essencial para a formação de clones. Ele oferece uma visão técnica sobre como a escolha da base da planta influencia o vigor e a resistência, expandindo o glossário sobre garfagem e borbulhia.
  • Sementes Salvas: O Que Muda com a Nova Lei? Guia Completo para o Produtor: Aprofunda a discussão iniciada no artigo principal sobre os riscos de plantar sementes (castanhas) do próprio pomar. Ele fornece o contexto legal e técnico sobre o uso de material próprio, ajudando o produtor a entender por que a busca por mudas certificadas é a única via segura para a produtividade.
  • Sementes Piratas: O Guia Completo Sobre Riscos e Como Evitar Prejuízos: Conecta-se diretamente ao alerta do texto sobre a ’loteria genética’ e a perda de produtividade ao usar materiais não certificados. Este artigo detalha os riscos fitossanitários e econômicos de adquirir mudas ou sementes de origem duvidosa, reforçando a importância da genética de qualidade no cajueiro.
  • Laranja Hamlin: O Guia Completo da Cultivar Precoce para Pomares Produtivos: Oferece um paralelo prático sobre o manejo de culturas perenes e o uso de variedades precoces, assim como o cajueiro anão-precoce. Ele adiciona valor ao discutir o planejamento de pomares focados em produtividade e escalonamento de safra, conceitos aplicáveis à fruticultura de precisão.
  • Plantas Tiguera: O que são e por que ameaçam sua lavoura?: Embora foque em grãos, o conceito de plantas voluntárias que competem por recursos conecta-se à seção do artigo principal sobre a eliminação de ‘plantas ruins’ (como Orelha de Onça). Ele ajuda o gestor a entender a importância de manter o talhão limpo de indivíduos que não contribuem para a rentabilidade da área.