Calagem no feijão: Guia Prático para Corrigir o Solo [2025]

Foto de perfil de Redação Aegro
Equipe de especialistas da Aegro, dedicada a levar conhecimento, tecnologia e inovação para o produtor rural brasileiro.
Imagem de destaque do artigo: Calagem no feijão: Guia Prático para Corrigir o Solo [2025]

Índice

Calagem: O Primeiro Passo que Ninguém Deve Pular

Você já viu lavoura de feijão que “amarela” e não desenvolve, mesmo com adubo caro no cocho? Muitas vezes, o produtor acha que é falta de nitrogênio ou doença, mas o problema está escondido lá embaixo: acidez do solo.

Seu Antônio, produtor experiente, sabe que jogar adubo em terra ácida é jogar dinheiro fora. O alumínio tóxico queima a raiz (“corta” o desenvolvimento dela) e a planta não consegue beber a água nem comer o adubo que você comprou.

A calagem serve justamente para resolver isso. Ela corrige a acidez (pH), neutraliza esse alumínio e ainda fornece cálcio e magnésio. Para o feijão, o pH ideal é em torno de 6,0. Nesse ponto, a “comida” da planta está disponível e as raízes crescem livres.

Além de arrumar a química, o calcário ajuda a terra a ficar mais fofa (melhora os poros). Isso aumenta o ar no solo e ajuda a decompor a palhada, liberando mais nitrogênio natural para sua lavoura.


Como Tirar a Amostra de Solo do Jeito Certo?

Uma dúvida que sempre aparece na roda de conversa: “Preciso tirar terra de todo canto da fazenda?”. A resposta curta é: não de todo canto, mas dos lugares certos. Uma análise errada vai te fazer gastar calcário onde não precisa e deixar faltar onde é urgente.

Para não errar na mão, siga este roteiro prático:

  1. Separe por “cara” do solo: Nunca misture terra de baixada com terra de morro, nem terra vermelha com terra mais clara. Cada uma é uma amostra separada.
  2. Quantidade: Uma amostra composta (aquela que vai pro laboratório) deve ser feita misturando umas 10 amostras simples (subamostras) tiradas de vários pontos do talhão.
  3. Área: Cada amostra deve representar no máximo 10 hectares.
  4. Profundidade:
    • Plantio Convencional: Tirar de 0 a 20 cm e de 20 a 40 cm.
    • Plantio Direto: Aqui o buraco é mais embaixo (ou melhor, mais dividido). Recomenda-se 0-10 cm, 10-20 cm e 20-40 cm.

⚠️ ATENÇÃO: O calcário no sistema convencional deve ser incorporado (geralmente até 20 cm). Se o subsolo estiver muito ácido, precisa incorporar mais fundo. Já no Plantio Direto, se você precisar corrigir, joga por cima (sem revirar a terra), mas cuidado com a dose: máximo de 1,5 tonelada por hectare por ano para não desequilibrar.


Qual o Melhor Momento para Aplicar o Calcário?

Imagine que você está com sede e alguém te dá um copo de gelo. Resolve na hora? Não. O gelo precisa derreter. Com o calcário é a mesma coisa.

Muitos produtores deixam para aplicar o calcário na véspera do plantio. Isso é um erro grave. O calcário precisa de tempo e, principalmente, de água para reagir.

  • Prazo ideal: Pelo menos 60 dias antes de semear o feijão.
  • A mágica da água: Se não chover ou não tiver umidade no solo, o calcário não reage. Você pode jogar 3 meses antes, mas se for na seca braba, ele vai estar lá intacto no dia do plantio.
  • Escolha do produto: Olhe o PRNT no saco. Calcário mais fino reage mais rápido (em 3 meses, 60% do calcário fino já fez o serviço). Calcário grosso demora muito e às vezes nem reage. Prefira PRNT acima de 80%.

Nitrogênio: O Combustível do Feijão

Aqui vamos direto ao ponto: o feijão tem um ciclo curto e “fome” rápida. O nitrogênio (N) é o que dá o arranque, faz a planta ficar verde e crescer forte.

“Mas o feijão não fixa nitrogênio sozinho?” Sim, a fixação biológica ajuda muito. Mas, para colher bem (alta produtividade), ela sozinha muitas vezes não dá conta. O problema acontece principalmente depois da floração. Nesse momento, a planta gasta toda a energia enchendo as vagens e falta “açúcar” (carboidrato) para alimentar as bactérias nas raízes. O sistema trava.

Por isso, a gente entra com o adubo de saco.

Quanto e quando aplicar?

A recomendação geral, baseada no que a planta extrai, é:

  • No plantio: De 20 a 40 kg/ha de N.
  • Em cobertura: De 20 a 60 kg/ha de N.
  • A hora certa: A cobertura deve ser feita entre 20 e 30 dias após a emergência. Não atrase! Cerca de 70% a 80% dessa dose tem que estar no chão até o 30º dia.

Devo parcelar?

Se o seu solo é arenoso ou está chovendo demais, o adubo lava fácil. Nesses casos, vale a pena parcelar a cobertura em mais vezes (até 5 vezes em casos extremos). Mas no geral, duas aplicações (plantio + uma cobertura bem feita) resolvem.

📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM: Em lavouras irrigadas de alta tecnologia, produtores têm visto resposta boa usando até mais de 120 kg/ha de nitrogênio. Mas isso é para quem tem a casa arrumada.


Fósforo e Potássio: Energia e Defesa

Se o nitrogênio é o acelerador, o Fósforo (P) é a bateria e o Potássio (K) é o sistema imunológico.

Fósforo (P)

Nossos solos de Cerrado são naturalmente pobres em fósforo. Sem ele, a raiz não cresce. E se a raiz não cresce, a planta não busca água. O feijão gosta de fontes solúveis (que dissolvem rápido), como MAP, DAP e superfosfatos.

  • Dose: Varia de 50 a 120 kg/ha de P2O5, dependendo da sua análise de solo.

Potássio (K)

Ele ajuda a planta a se defender de doenças e a encher o grão.

  • Dose: Geralmente entre 50 a 80 kg/ha de K2O.
  • Cuidado com o sal: O cloreto de potássio é salino. Se você jogar tudo junto com a semente, pode “queimar” a raiz nova.
  • Estratégia: Se a dose for alta ou o solo arenoso, parcele. Metade no plantio, metade na cobertura junto com o nitrogênio.

Adubação Foliar: Vale a Pena ou é Gasto?

Você já deve ter recebido vendedor oferecendo “adubo foliar milagroso” para substituir o adubo de chão. Cuidado com isso.

A regra é clara:

  1. Macronutrientes (N-P-K): A planta precisa de muita quantidade. A folha não consegue absorver o tanto que o feijão precisa. Tentar suprir NPK pela folha é caro e pouco eficiente. Além disso, pode queimar as folhas pelo excesso de sais.
  2. Micronutrientes: Aqui sim a foliar brilha. Elementos como Zinco, Boro, Manganês e Molibdênio são usados em quantidades pequenas (“pitadas”). A folha absorve bem e corrige deficiências rápido.

Quando fazer a análise foliar? Para saber se sua adubação funcionou, colete de 30 a 40 folhas (sadias, do terço médio da planta) na época do florescimento. É o exame de sangue da lavoura.

Cálculo de Fertilizantes em Milho e Soja

⚠️ ATENÇÃO: Aplicação de Nitrogênio na floração (seja foliar ou no solo) normalmente não aumenta a produção de grãos. Pode até fazer a planta abortar flor e crescer “em vício” (só folha). O foco do N é no vegetativo, antes de abrir flor.


Glossário

PRNT (Poder Relativo de Neutralização Total): Índice que determina a eficiência real de um calcário, combinando sua pureza química e a finura de moagem das partículas. Quanto maior o PRNT, mais rápida será a correção da acidez do solo.

Alumínio Tóxico (Al3+): Elemento químico que se torna disponível em solos ácidos, prejudicando o crescimento das raízes e impedindo a absorção de nutrientes. Sua neutralização através da calagem é essencial para que a planta consiga explorar o solo e buscar água.

Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN): Processo realizado por bactérias simbióticas nas raízes que capturam o nitrogênio do ar e o transformam em nutriente para a planta. No feijoeiro, essa parceria natural ajuda a suprir parte da necessidade de nitrogênio da lavoura.

Amostra Composta: Resultado da mistura homogênea de várias amostras simples (subamostras) coletadas em diferentes pontos de uma área uniforme (talhão). É o material enviado ao laboratório para representar a fertilidade média daquela porção de terra.

Adubação de Cobertura: Aplicação de fertilizantes, geralmente nitrogenados e potássicos, sobre o solo com a cultura já em crescimento. Visa fornecer nutrientes nos momentos de maior demanda metabólica da planta, evitando perdas por lixiviação.

Micronutrientes: Elementos químicos como Zinco, Boro e Molibdênio, exigidos pelas plantas em quantidades mínimas, mas cruciais para o seu desenvolvimento. São frequentemente aplicados via pulverização foliar para corrigir deficiências de forma rápida e precisa.

Análise Foliar: Procedimento laboratorial que mede a concentração de nutrientes nos tecidos da planta durante o seu ciclo. Funciona como um diagnóstico para verificar se a adubação feita no solo está sendo efetivamente aproveitada pela lavoura.

Veja como o Aegro pode ajudar a superar esses desafios

Como vimos, o sucesso da lavoura de feijão depende de um planejamento rigoroso, desde a correção do solo até o timing exato da adubação de cobertura. Para não se perder entre prazos e diferentes amostras de solo, uma ferramenta de gestão agrícola como o Aegro permite centralizar todo o histórico de análises e planejar as atividades mecanizadas com antecedência. Assim, você garante que o calcário seja aplicado no prazo ideal de 60 dias e que as janelas de nitrogênio sejam aproveitadas ao máximo, sem riscos de esquecimento ou atrasos operacionais.

Além disso, o controle financeiro do Aegro ajuda a monitorar o custo real de cada insumo aplicado, evitando que o investimento em adubos caros se torne um prejuízo por falta de correção do solo. Com relatórios automáticos e intuitivos, você visualiza se o custo por hectare está dentro do planejado e toma decisões baseadas em dados reais de campo, trazendo mais segurança para o seu bolso e profissionalismo para a gestão da fazenda.

Vamos lá?

Que tal modernizar o controle da sua produção e otimizar cada saco de adubo aplicado? Experimente o Aegro gratuitamente e veja na prática como simplificar a gestão operacional e financeira do seu negócio.

Perguntas Frequentes

O que acontece se eu aplicar o calcário e não chover nos 60 dias que antecedem o plantio?

Sem umidade, a reação química do calcário não ocorre e o solo permanecerá ácido. O calcário precisa de água para se dissolver e neutralizar o alumínio; portanto, se o período for de seca severa, o produto estará inerte e o produtor não verá os benefícios de produtividade na safra imediata, sendo necessário o uso de irrigação para ativar o processo.

Por que no sistema de plantio direto a dose de calcário na superfície é limitada a 1,5 tonelada por hectare?

Como o calcário não é revolvido e incorporado no plantio direto, doses muito altas aplicadas de uma vez podem causar um desequilíbrio químico na camada superficial (supercalagem). Isso eleva o pH da superfície excessivamente, o que acaba bloqueando a absorção de micronutrientes essenciais para o feijoeiro, enquanto o subsolo permanece ácido.

Posso aplicar todo o nitrogênio necessário de uma só vez no momento do plantio do feijão?

Não é recomendado porque o nitrogênio é um nutriente muito móvel e se perde facilmente por lixiviação (lavagem pela chuva). Aplicar tudo no plantio pode deixar a planta desamparada no momento de maior necessidade, que ocorre após os 20 dias de emergência, além de aumentar o risco de salinidade excessiva próxima às sementes.

Como saber se o amarelamento do feijoeiro é falta de nitrogênio ou acidez do solo?

A falta de nitrogênio geralmente causa um amarelecimento uniforme nas folhas mais velhas, enquanto a acidez (alumínio tóxico) trava o crescimento da planta e deixa as raízes curtas e grossas. O ideal é observar o sistema radicular: se a raiz estiver ‘moxa’ e sem ramificações, o problema provavelmente é o pH baixo e não apenas a falta de adubo.

É seguro misturar micronutrientes foliares com defensivos na mesma aplicação?

Geralmente sim, o que otimiza as operações no campo, mas é fundamental realizar o ’teste da garrafa’ antes de encher o pulverizador. Algumas combinações podem causar a precipitação dos nutrientes ou reduzir a eficiência do defensivo, por isso deve-se checar a compatibilidade química e o pH final da calda para evitar prejuízos.

Por que o fósforo é aplicado preferencialmente no sulco de plantio e não a lanço?

O fósforo se movimenta muito pouco no solo e precisa estar posicionado próximo ao local onde as raízes iniciais vão crescer. Aplicá-lo no sulco garante que a ‘bateria’ da planta esteja ao alcance imediato das raízes jovens, facilitando o arranque inicial vigoroso que é decisivo para o ciclo curto do feijão.

Artigos Relevantes

  • Adubo para Feijão: O Guia Completo para uma Adubação de Alta Produtividade: Este artigo é a continuação direta do tema principal, aprofundando-se na nutrição específica do feijoeiro após a correção do solo. Enquanto o texto principal foca na calagem, este guia oferece estratégias detalhadas de adubação para maximizar a produtividade da cultura, conectando perfeitamente os conceitos de NPK discutidos.
  • Calcário no Solo: Como Calcular + 5 Erros [2025]: Complementa a parte prática do artigo principal ao introduzir as fórmulas de cálculo de necessidade de calagem, que não foram detalhadas no texto original. Além disso, o foco nos ‘5 erros comuns’ oferece um valor preventivo essencial para o produtor que já entendeu a importância da calagem e agora precisa executá-la sem falhas.
  • Calcário Calcítico, Magnesiano e Dolomítico: Qual Usar na Sua Lavoura?: O artigo principal menciona que a calagem fornece Cálcio e Magnésio, mas não explica como escolher o insumo para equilibrar esses nutrientes. Este artigo preenche essa lacuna técnica, explicando as diferenças entre os tipos de calcário (calcitico, magnesiano e dolomítico) para que o produtor saiba qual comprar após receber sua análise de solo.
  • Calagem: Guia para Corrigir Acidez do Solo e Aumentar Produtividade: Adiciona profundidade técnica ao explicar conceitos fundamentais como a CTC (Capacidade de Troca Catiônica), que sustenta a lógica da correção de acidez. Ele serve como um suporte teórico robusto para o produtor que deseja entender não apenas ‘como’ fazer, mas ‘por que’ o solo reage daquela forma quimicamente.
  • Calagem: Como Fazer, Quando Aplicar e Doses: Como o feijão é frequentemente cultivado em sistemas de plantio direto ou sucessão de culturas, este artigo expande a recomendação específica de ‘máximo de 1,5t/ha’ citada no texto principal. Ele oferece um roteiro completo de manejo para solos que não são revolvidos, abordando o desafio da mobilidade do calcário no perfil do solo.