Calagem na Mandioca: Guia para Solo Ácido e Mais Lucro [2025]

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Índice

Calagem na Mandioca: Precisa Mesmo Fazer ou é Dinheiro Jogado Fora?

Você já viu aquele produtor que caprichou no calcário achando que ia estourar de produzir, e no fim colheu menos que o esperado? Pois é, na cultura da mandioca, o “mais” nem sempre é “melhor”.

Vamos direto ao ponto: a mandioca é uma planta rústica. Ela aguenta desaforo. Diferente da soja, do milho ou do feijão, ela tolera bem a acidez do solo e até o alumínio tóxico.

Isso significa que não precisa calcarear? Não. Solos ácidos corrigidos produzem mais. Mas o segredo está na dose.

Os estudos mostram que a mandioca só responde bem a doses baixas de calcário.

⚠️ ATENÇÃO: O erro mais comum é aplicar mais de 1 tonelada de calcário dolomítico por hectare. Se você passar disso, pode causar o efeito contrário e diminuir sua produção. Por quê? Porque o excesso de calcário induz a deficiência de Zinco, um micronutriente vital para a planta.


O Primeiro Passo: Como Fazer a Coleta de Solo Sem Erro?

Sabe aquele ditado “o que começa errado, termina errado”? Na adubação, isso é lei. A coleta de solo é a etapa mais importante de todo o processo. Se a amostra for ruim, o resultado do laboratório não serve de nada e você joga dinheiro de adubo fora.

Para garantir que você está fazendo certo, siga este roteiro prático:

  1. Uniformidade é tudo: Separe a fazenda em áreas iguais (glebas). Não misture terra de baixada com terra de morro.
  2. Umidade certa: O solo não pode estar esturricado de seco. Fica difícil de furar e a amostra sai ruim. Faça quando tiver um pouco de umidade.
  3. Antecedência: Essa é a regra de ouro. Faça a coleta pelo menos 60 dias antes do plantio.

Por que 60 dias? Porque se a análise pedir calagem, o calcário precisa de tempo para reagir na terra. Você precisa aplicar e incorporar o corretivo junto com o preparo do solo. Fazer em cima da hora é desperdício.


Nitrogênio (N): O Motor do Crescimento (e o Perigo da “Folha Bonita”)

Uma dúvida que sempre aparece na roda de conversa: “Se eu jogar bastante ureia, a mandioca cresce mais?”. Cresce, mas talvez não o que você quer vender.

O Nitrogênio (N) é o combustível para a planta crescer. A absorção dele é rápida: o pico acontece nos primeiros 4 a 6 meses de vida da mandioca, indo direto para as folhas.

O problema do excesso: Se você errar a mão no Nitrogênio, a planta vai ficar com a parte aérea linda, cheia de folha e galho, mas com pouca raiz e pouco amido. É o famoso “vício em folha”. Isso acontece muito em áreas de mata recém-aberta, onde a terra já é rica em matéria orgânica.

Sinais de que falta Nitrogênio:

  • A planta não cresce (fica anã).
  • As folhas ficam amarelas demais.
  • A produção de raízes despenca.

💡 DICA DE QUEM JÁ FEZ: A dose recomendada para corrigir a falta de Nitrogênio em solos fracos geralmente fica entre 40 a 100 kg de N por hectare. Nem mais, nem menos.


Fósforo (P) e Potássio (K): O Segredo do Peso e do Amido

Aqui no Brasil, nossos solos são naturalmente fracos em Fósforo. E para a mandioca, esse é um dos elementos principais.

Fósforo (P)

Ele trabalha direto na produção das raízes e na quantidade de amido. Se faltar fósforo, a planta avisa:

  • Folhas verde-escuras (quase azuladas).
  • Os “talos” das folhas (pecíolos) ficam roxos.
  • A planta para de crescer.
  • Em casos graves, as folhas amarelam e morrem.

Para corrigir, usamos os adubos fosfatados convencionais que você já conhece: Superfosfato Simples ou Superfosfato Triplo.

Potássio (K)

O Potássio é o “transportador”. Ele pega a energia (carboidrato) que a folha produziu e leva lá para baixo, para encher a raiz. Embora ele não aumente a produção tanto quanto o nitrogênio ou o fósforo, ele é essencial para a qualidade. A planta absorve muito potássio durante todo o ciclo.

Sintomas de falta de Potássio:

  • Folhas com cor de bronze.
  • Queima nas bordas das folhas.
  • Planta fica mais baixa.

📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM: A recomendação segura de Potássio (K2O) fica entre 60 kg e 120 kg por hectare. Você pode usar Cloreto ou Sulfato de Potássio. Lembre-se: o Fósforo funciona muito melhor quando o Nitrogênio e o Potássio também estão na medida certa. É um trabalho em equipe.


Adubação Orgânica: Vale a Pena o Trabalho?

Muitos produtores perguntam se compensa usar esterco ou torta de mamona, já que dá mais trabalho para aplicar. A resposta curta é: Sim, aumenta a produtividade.

A adubação orgânica e a fosfatada são as campeãs em aumentar o rendimento da mandioca.

Como aplicar: Depende do que você tem disponível na propriedade (estercos, tortas, compostos).

  • Onde: Na cova, no sulco ou a lanço na área toda.
  • Quando: No dia do plantio ou, melhor ainda, um mês antes. Isso é fundamental para adubos que precisam fermentar (“curtir”), como a torta de mamona, para não queimar a planta.

O “Esquecido” Cálcio

Não podemos fechar sem falar do Cálcio. Assim como o Fósforo, ele falta em muita terra brasileira.

  • Se faltar: O broto terminal (a ponta de crescimento) pode atrofiar e morrer. As folhas novas morrem e as velhas queimam nas pontas.
  • Se sobrar: Atrapalha o teor de amido.

A correção é feita com o próprio calcário, seguindo a análise de solo.


Glossário

Calagem: Prática agrícola que consiste na aplicação de calcário para elevar o pH do solo, reduzindo a acidez e neutralizando elementos prejudiciais. Essa técnica também fornece nutrientes essenciais como Cálcio e Magnésio para a cultura da mandioca.

Alumínio Tóxico: Elemento químico presente em solos ácidos que impede o crescimento das raízes e a absorção de água e nutrientes pela planta. Sua presença em altos níveis é uma das principais causas de baixa produtividade em solos brasileiros não corrigidos.

Calcário Dolomítico: Tipo de corretivo de solo que contém uma proporção maior de Magnésio em sua composição, além do Cálcio. É amplamente utilizado quando a análise de solo indica a necessidade de elevar os níveis de magnésio para o equilíbrio nutricional da lavoura.

Gleba: Divisão de uma propriedade em áreas menores com características de solo, relevo e histórico de uso semelhantes. A separação por glebas é fundamental para que a amostragem de solo represente fielmente a necessidade de adubação de cada talhão.

Pecíolo: Estrutura botânica que une a folha ao caule da planta, popularmente chamada de talo. Na mandioca, a mudança de cor ou curvatura do pecíolo é um indicador técnico importante para identificar deficiências de nutrientes como o fósforo.

Superfosfato Simples: Fertilizante mineral que, além do fósforo, fornece cálcio e enxofre para o solo. É muito valorizado na cultura da mandioca por auxiliar no desenvolvimento radicular e na formação das reservas de amido.

Adubação a Lanço: Método de distribuição de fertilizantes ou corretivos de forma espalhada sobre a superfície total do terreno, com ou sem incorporação posterior. É técnica comum na aplicação de calcário para garantir que o produto reaja uniformemente em toda a área de plantio.

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Garantir a produtividade da mandioca exige precisão no manejo, desde o cálculo da calagem até o monitoramento do equilíbrio de nutrientes no solo. Para evitar o desperdício de insumos e garantir que as aplicações ocorram no tempo certo, ferramentas como o Aegro ajudam a planejar e acompanhar todas as atividades de campo em tempo real. Com o software, você centraliza o histórico de adubação e as análises de solo, facilitando a tomada de decisão para aplicar apenas o necessário e evitar erros que prejudicam o desenvolvimento das raízes.

Além disso, a gestão financeira do Aegro permite que você controle os custos de cada hectare de forma intuitiva, transformando anotações soltas em relatórios precisos de rentabilidade. Isso garante que o investimento em calcário e fertilizantes traga o retorno esperado, eliminando a incerteza sobre a lucratividade da safra e ajudando a economizar tempo na prestação de contas.

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Perguntas Frequentes

Por que não devo aplicar mais de 1 tonelada de calcário por hectare na cultura da mandioca?

Diferente de outras culturas, a mandioca é muito tolerante à acidez e o excesso de calcário pode ser prejudicial. Doses acima de 1 tonelada de calcário dolomítico por hectare podem provocar uma deficiência induzida de Zinco, um micronutriente essencial, o que acaba reduzindo a produtividade em vez de aumentá-la.

Qual é a importância de realizar a coleta de solo 60 dias antes do plantio?

Esse intervalo é fundamental para que o calcário tenha tempo de reagir quimicamente com o solo e neutralizar a acidez antes que as manivas sejam plantadas. Se a calagem for feita muito próxima ao plantio, a planta não aproveitará os benefícios da correção nas suas fases iniciais de desenvolvimento, que são as mais críticas.

Como identificar se a minha plantação de mandioca está com excesso de Nitrogênio?

O principal sinal de excesso é o chamado ‘vício em folha’, onde a planta apresenta uma parte aérea muito vigorosa, com muitos galhos e folhas verdes escuras, mas raízes pequenas e pouco amido. Na mandioca, o objetivo é o equilíbrio; o Nitrogênio deve ser suficiente para o crescimento sem sacrificar a energia que deveria ir para as raízes.

Qual é a diferença entre as funções do Fósforo e do Potássio na mandioca?

O Fósforo atua diretamente na formação das raízes e na síntese de amido, sendo crucial no início do ciclo. Já o Potássio funciona como um ’transportador’, levando os carboidratos produzidos nas folhas para as raízes, garantindo que elas ganhem peso e qualidade durante todo o desenvolvimento da planta.

Posso utilizar apenas adubação orgânica para cultivar mandioca com boa produtividade?

Sim, a adubação orgânica com estercos ou tortas é excelente para a mandioca e aumenta significativamente o rendimento. No entanto, para melhores resultados, ela deve ser planejada com base na análise de solo, podendo ser necessário complementar com adubos minerais caso os níveis de Fósforo ou Potássio da terra estejam muito baixos.

Quais são os sinais visíveis de que a planta de mandioca está sofrendo com a falta de Cálcio?

A falta de Cálcio afeta principalmente as partes jovens da planta, podendo causar a morte do broto terminal (a pontinha do crescimento). Você também notará que as folhas novas nascem deformadas ou morrem precocemente, enquanto as folhas mais velhas apresentam queimas nas pontas, comprometendo toda a estrutura da lavoura.

Artigos Relevantes

  • Análise de Solo: O Guia Completo para Coleta, Interpretação e Manejo: O artigo principal enfatiza que a coleta de solo é a etapa mais importante para o sucesso da calagem na mandioca. Este guia complementa essa ideia ao fornecer um passo a passo técnico detalhado sobre como realizar a amostragem, interpretar os resultados e entender a fertilidade do solo, garantindo que o produtor respeite a regra de ouro dos 60 dias de antecedência.
  • Calcário Calcítico, Magnesiano e Dolomítico: Qual Usar na Sua Lavoura?: Como o conteúdo principal alerta especificamente sobre os riscos do excesso de calcário dolomítico na mandioca, este artigo é essencial para que o produtor entenda as diferenças químicas entre os tipos calcítico, magnesiano e dolomítico. Ele permite uma escolha mais consciente do corretivo, evitando a indução de deficiências de micronutrientes como o zinco.
  • Calcário no Solo: Como Calcular + 5 Erros [2025]: Este artigo foca no cálculo exato da dose e nos 5 erros mais comuns da calagem, o que se alinha perfeitamente ao alerta do artigo principal de que ‘o excesso traz prejuízo’. Ele oferece as ferramentas matemáticas necessárias para que o produtor não ultrapasse a recomendação técnica, prevenindo o desperdício financeiro mencionado.
  • Calcário no Solo: Guia Completo para Correção e Máxima Produtividade: Este guia foca na calagem sob a perspectiva de lucratividade e máxima produtividade, reforçando o argumento do artigo principal de que a calagem não é ‘dinheiro jogado fora’ se feita corretamente. Ele adiciona valor ao discutir o PRNT do calcário, um conceito técnico que ajuda o produtor de mandioca a garantir que a reação química ocorra no tempo esperado.
  • Calagem: Guia Completo para Corrigir Acidez e Aumentar Produtividade: Trata-se de um guia completo que serve como suporte técnico para as dicas práticas do artigo principal. Enquanto o texto sobre mandioca é mais direto e focado em manejos específicos da cultura, este artigo expande o conhecimento sobre os fundamentos da correção da acidez, oferecendo uma base teórica robusta para o manejo de solo a longo prazo.