Classificação Swingle e Tanaka na Citricultura: Guia [2025]

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Índice

Entendendo a “Identidade” da Planta: Swingle ou Tanaka?

Seu Zé, lá de Limeira, quase perdeu um contrato de exportação ano passado. O motivo? O papelada dizia uma coisa, mas a classificação científica da planta era outra. Parece bobagem de escritório, mas saber o nome e sobrenome correto do que você planta evita muita dor de cabeça na hora de comprar muda ou vender a safra.

Quando falamos de citros, a coisa não é bagunçada. Existem regras. Mas, como tudo na vida, tem dois jeitos de ver a situação.

Os cientistas dividem o gênero citros em duas classificações principais:

  1. Classificação Swingle: É a mais enxuta. Ela considera que existem apenas 16 espécies de citros.
  2. Classificação Tanaka: É o sistema mais moderno e detalhista. Aqui, a conta sobe para 162 espécies.

Para não ter erro, imagine que a planta tem um “endereço completo” na biologia. Anote aí a ficha técnica completa (isso vale para o sistema moderno):

  • Divisão: Magnoliophyta
  • Subdivisão: Magnoliophytina
  • Classe: Magnoliopsida
  • Subclasse: Rosidae
  • Ordem: Sapindales
  • Subordem: Geranineae
  • Família: Rutaceae
  • Subfamília: Aurantioideae
  • Tribo: Citreae
  • Subtribo: Citrineae

Parece complicado, mas na prática, o que importa é saber que existem esses dois sistemas. Se o agrônomo falar em 16 espécies ou 162, você já sabe de onde ele tirou a informação.


Quem são os “Parentes” da Laranja e do Limão?

Você já notou que tem planta no mato que tem cheiro de limão ou folha parecida com a da laranja? Isso acontece porque a família é grande.

A família Rutaceae não é só laranja e limão. Ela agrupa o que chamamos de “citrinos verdadeiros”. A regra para entrar nesse grupo é simples: tem que produzir frutos parecidos com a laranja ou o limão.

Dentro dessa família, temos os primos mais “antigos” (primitivos) e os mais “modernos” (evoluídos).

Os Gêneros mais primitivos são:

  • Pleiospermium
  • Severinia
  • Merope
  • Hesperethusa

Os Gêneros mais evoluídos (mais próximos do que plantamos hoje):

  • Citropsis
  • Atalantia

Saber disso ajuda a entender de onde vêm certas resistências a doenças ou características que os pesquisadores tentam trazer para as nossas lavouras comerciais.


Laranja Doce: Vários Nomes, Uma Só Espécie

Aqui está uma dúvida que pega muita gente. “A Laranja Pera é da mesma espécie da Baía?”

A resposta curta é: Sim.

Manejo Integrado de Pragas (MIP)

No campo, a gente separa por variedade porque o manejo e o mercado são diferentes. Mas, para a ciência, o grupo das laranjas-doces atende por um único nome científico: Citrus sinensis (L.) Osbeck.

Isso vale para as principais que a gente vê no pomar:

  • Laranja-pera: A rainha do suco.
  • Laranja-baía: Aquela do umbigo, sem sementes.
  • Laranja-moro: A sanguínea (polpa vermelha).
  • Laranja-lima: A docinha, sem acidez.

A Confusão do Limão: Galego e Tahiti são Limões Mesmo?

Essa é clássica. Você chega na feira ou no viveiro e pede um limão. Mas o que você recebe pode não ser, tecnicamente, um limão.

Vamos direto ao ponto para acabar com essa confusão na sua propriedade:

1. O Limão-Verdadeiro (Citrus limon)

As principais cultivares desse grupo são o Siciliano, Eureca, Lisboa e Feminello. Esse é o limão de verdade para a botânica, conhecido como Citrus limon (L.) Burm.

2. O Caso do Limão ‘Galego’

Muita gente chama de limão-verdadeiro ou limão-mirim. Mas, na prática, ele é uma lima ácida.

  • Nome científico: C. aurantifolia (Christmas) Swingle.

3. O Famoso Tahiti

É o mais comum no Brasil, aquele verde e sem semente. A gente chama de limão, o mercado chama de limão, mas o nome correto é lima ácida ‘Tahiti’.

  • Nome científico: C. latifolia Tanaka.

Tangerinas: Cada Uma no Seu Quadrado

Diferente das laranjas doces, que usam o mesmo “sobrenome” científico, o grupo das tangerinas é mais variado. Aqui, os nomes científicos mudam de acordo com a variedade que você planta.

Isso significa que a Ponkan pode ter uma classificação diferente da Mexerica do Rio ou da Murcott. Não adianta decorar um nome só. Para esse grupo, é preciso checar a variedade específica caso a caso.


O Alicerce do Pomar: Os Porta-Enxertos

Nenhum produtor sério planta pé franco hoje em dia. A gente sabe que o porta-enxerto é quem manda no vigor e na saúde da planta. Mas você sabe o nome científico do “cavalo” que está usando?

Conhecer esses nomes é vital para ler boletins de pesquisa sobre resistência a seca ou pragas. Os principais são:

  • Limão ‘Cravo’: C. limonia Osbeck
  • Tangerina ‘Cleópatra’: C. reshni Hort. ex Tan.
  • Tangerina ‘Sunki’: C. sunki Hort. ex Tan.
  • Laranja ‘Azeda’: C. aurantium L.
  • Trifoliata: Poncirus trifoliata (L.) Raf.
  • Citrumelo ‘Swingle’: Poncirus trifoliata (L.) Raf. x C. paradisi Macf.

Diversificando a Renda: Outras Opções Comerciais

Se você tem um espaço sobrando e quer testar novos mercados, existem outras cultivares cítricas que têm valor comercial e nomes próprios.

Vale a pena ficar de olho nessas três:

  1. Kumquat: Aquele “limãozinho” laranja japonês que se come com casca. É do gênero Fortunella.
  2. Grapefruit (Toranja): Muito popular lá fora. O nome é C. paradisi Macf.
  3. Cidra: Usada para doces cristalizados. Chama-se C. medica L.

Glossário

Porta-enxerto: Também chamado de ‘cavalo’, é a base da planta responsável pelo sistema radicular e pela absorção de nutrientes. Ele determina a resistência a doenças do solo, a tolerância à seca e o vigor da variedade que produzirá os frutos.

Cultivar: Termo técnico para designar uma planta que foi selecionada ou melhorada pelo homem para apresentar características produtivas constantes. No Brasil, o uso de cultivares registradas garante ao produtor a procedência genética e a segurança jurídica da lavoura.

Cálculo de pulverização de defensivos

Lima Ácida: Classificação botânica correta para frutos como o ‘Tahiti’ e o ‘Galego’, que apesar de popularmente chamados de limão, possuem genética distinta. Exigem recomendações de adubação e tratamentos fitossanitários diferentes dos limões verdadeiros, como o Siciliano.

Pé Franco: Planta produzida diretamente a partir da semente, sem a utilização de enxertia. Na citricultura comercial, essa prática é evitada pois resulta em pomares desuniformes, com demora para iniciar a produção e alta sensibilidade a podridões radiculares.

Enxertia: Técnica de propagação vegetativa que une o tecido de duas plantas diferentes para que cresçam como um único indivíduo. Permite combinar a produtividade de uma laranja de qualidade com a rusticidade de um porta-enxerto resistente a pragas.

Rutaceae: Família botânica que agrupa os citros e plantas aparentadas, caracterizadas pela presença de glândulas de óleos essenciais aromáticos. O conhecimento desta família auxilia o produtor a entender a biologia das plantas e os riscos de pragas comuns entre espécies vizinhas.

Como a tecnologia ajuda a organizar a ‘identidade’ do seu pomar

Com tantas classificações e variedades, manter o registro exato do que foi plantado em cada talhão é fundamental para evitar problemas em contratos de exportação ou falhas na fiscalização. Ferramentas como o Aegro ajudam a resolver isso ao centralizar o mapeamento da fazenda, permitindo que você registre cada área com sua variedade e porta-enxerto específicos. Além de organizar o histórico, o sistema facilita a emissão correta de notas fiscais e documentos, garantindo que a sua produção esteja sempre em conformidade com as exigências do mercado.

Essa organização também reflete no bolso: ao saber exatamente onde está cada espécie, você consegue planejar aplicações de defensivos e adubação de forma personalizada para cada necessidade botânica, evitando desperdícios. Com dados precisos na palma da mão, fica muito mais fácil provar a qualidade da sua safra e tomar decisões que aumentam a longevidade do pomar.

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Perguntas Frequentes

Qual é a principal diferença prática entre as classificações Swingle e Tanaka para o citricultor?

A diferença reside no nível de detalhamento: o sistema Swingle é mais simplificado, reconhecendo apenas 16 espécies, enquanto o sistema Tanaka é muito mais específico, listando 162 espécies. Para o produtor, conhecer essas nomenclaturas é essencial para garantir a conformidade em contratos de exportação e para a compra correta de mudas em viveiros certificados.

Por que o limão Tahiti e o Galego são classificados como limas ácidas e não limões verdadeiros?

Botanicamente, o termo ’limão verdadeiro’ é reservado para a espécie Citrus limon (como o Siciliano). O Tahiti (C. latifolia) e o Galego (C. aurantifolia) possuem características genéticas e botânicas que os enquadram como limas ácidas. Essa distinção é vital no manejo agrícola, pois manuais técnicos de adubação e defensivos costumam separar as recomendações para limões e limas.

Laranjas diferentes, como a Pera e a Baía, possuem o mesmo nome científico?

Sim, a maioria das laranjas-doces comercializadas no Brasil, incluindo a Pera, Baía, Moro e Lima, pertencem à mesma espécie científica: Citrus sinensis. Embora apresentem variações de sabor, formato e presença de sementes, elas compartilham a mesma identidade botânica fundamental, o que as diferencia das tangerinas e outros citros.

Qual a importância de saber o nome científico do porta-enxerto antes do plantio?

O porta-enxerto, ou ‘cavalo’, é a base que sustenta a planta e define sua resistência a doenças, pragas e estresses hídricos. Ao saber o nome científico (como Poncirus trifoliata ou Citrus limonia), o produtor pode consultar boletins de pesquisa específicos para entender como aquela raiz se comportará em seu tipo de solo, evitando perdas de longevidade no pomar.

As tangerinas seguem a mesma regra de nome único das laranjas-doces?

Não, o grupo das tangerinas é mais complexo botânicamente do que o das laranjas. Diferentes variedades de tangerinas podem ter nomes científicos distintos conforme a classificação adotada; por exemplo, a Ponkan e a Mexerica do Rio possuem identidades específicas, exigindo que o produtor verifique caso a caso para garantir que está plantando a variedade desejada.

Como a identificação botânica correta auxilia na gestão de defensivos e insumos?

A identificação precisa permite que o produtor aplique o manejo específico para cada espécie, evitando desperdícios. Como diferentes citros possuem necessidades nutricionais e suscetibilidades a pragas distintas, registrar corretamente cada talhão por sua variedade botânica e porta-enxerto facilita a prescrição agronômica e garante a segurança fitossanitária da produção.

Artigos Relevantes

  • Citros e Citrus: Entenda a Diferença e a Importância para o Seu Pomar: Este artigo serve como a base conceitual perfeita para o texto principal, esclarecendo a distinção entre o termo comum ‘citros’ e o gênero botânico ‘Citrus’. Ele expande a discussão sobre taxonomia iniciada no texto principal, ajudando o produtor a consolidar o entendimento terminológico antes de avançar para as classificações de Swingle e Tanaka.
  • Porta-Enxertos na Citricultura: Guia para Escolher a Base do Pomar: O artigo principal dedica uma seção inteira à importância do ‘cavalo’, mas este candidato aprofunda drasticamente o critério de escolha. Ele complementa a lista de nomes científicos fornecida no texto base com orientações práticas sobre como esses porta-enxertos influenciam o vigor e a produtividade, permitindo uma aplicação direta do conhecimento botânico na formação do pomar.
  • Laranja Pêra: O Guia Completo da Variedade Mais Importante do Brasil: Como o texto principal identifica a Laranja Pera como a ‘rainha do suco’ dentro da espécie Citrus sinensis, este guia prático oferece o próximo passo lógico para o leitor. Ele transforma a classificação teórica em um manual de manejo para a variedade comercial mais importante do Brasil, conectando a identidade botânica ao sucesso produtivo no campo.
  • Guia Prático: Principais Doenças dos Citros e Como Fazer o Controle: O texto principal menciona que a classificação correta ajuda a entender resistências a doenças; este artigo fornece o diagnóstico e as soluções para essas ameaças. Ele preenche a lacuna entre ‘saber o nome da planta’ e ‘proteger a saúde da lavoura’, oferecendo o manejo fitossanitário necessário para as espécies e variedades citadas no artigo base.
  • Adubação em Citros: 3 Dicas Essenciais para Máxima Produtividade: Este artigo responde diretamente ao alerta feito no texto principal sobre as necessidades nutricionais distintas entre limões verdadeiros e limas ácidas. Ele oferece o suporte técnico para que o produtor, após identificar corretamente sua variedade através da taxonomia, possa aplicar a adubação precisa e evitar desperdícios ou deficiências causadas por um manejo genérico.