O Aegro Insights levantou as notas fiscais de compra de clorotalonil 720 g/L registradas na plataforma ao longo da safra 25/26 e dos primeiros meses da 26/27. A conclusão contraria a impressão de quem olha só a comparação direta entre safras: o preço subiu 8,5% por litro no ano quando a comparação é feita corretamente, e a dispersão dentro da mesma safra — R$ 15,50 por hectare entre quem comprou bem e quem comprou mal — pesa mais do que a tendência de alta.
Índice
- O preço parece parado, e não está
- A conta muda entre os estados
- Onde a diferença aperta: dentro da mesma região
- O “sem juros” tem juro, e é caro
- Marca não garante o menor preço
- O sinal para a 26/27
- VAMOS LÁ?
O preço parece parado, e não está
Na safra 25/26 fechada (abril de 2025 a março de 2026), a mediana do clorotalonil 720 g/L ficou em R$ 29,49/L, o equivalente a R$ 30,21/ha na dose de aplicação. Colocado lado a lado com a mediana da soja no mesmo período (R$ 118,20 a saca de 60 kg), isso dá 0,26 saca por hectare. É menos que o glifosato pesa na conta, mas continua sendo um custo relevante, porque o clorotalonil costuma entrar em mais de uma aplicação por safra.
Dado real de nota fiscal registrada na Aegro, não estimativa nem preço sugerido por fornecedor.
A tentação é comparar essa safra fechada com a 26/27, que já começou. Feita assim, a conta dá quase zero: a 26/27 parcial aparece em R$ 29,50/L e R$ 30,14/ha, uma variação de 0,03% por litro e -0,23% por hectare. Parece preço congelado. Não está.
O problema é que a 26/27 só tem dados de abril a julho, justamente os meses mais baratos do ciclo. O pico do clorotalonil é entre dezembro e fevereiro; a janela de abril a junho é o fundo do poço. Comparar a safra cheia do ano passado com só os meses baratos deste ano mistura sazonalidade com tendência e devolve um falso empate.
A comparação que não cai nessa armadilha é a do mesmo trimestre, ano contra ano. Entre abril-julho de 2025 e abril-julho de 2026, o clorotalonil subiu de R$ 27,50/L e R$ 28,10/ha para R$ 29,83/L e R$ 30,14/ha, uma alta real de 8,5% por litro e 7,3% por hectare. Esse é o sinal confiável, e ele pega em cheio quem ainda não fechou. Para efeito de escala, na mesma janela o glifosato subiu de 3,4% a 5,2%. O clorotalonil está subindo mais.
Com 85% a 90% dos defensivos da 26/27 ainda não fechados em julho de 2026, e o pacote de insumos rodando cerca de 20% acima da média de sete anos, quem for negociar agora parte de uma base já mais alta que a do ano passado, e ainda com o pico do ciclo pela frente.
A conta muda entre os estados
O preço também não é o mesmo entre as regiões produtivas. O Paraná é o estado mais caro da safra 25/26, tanto por litro (R$ 30,63/L) quanto por hectare (R$ 32,89/ha). No outro extremo, o Mato Grosso do Sul tem o menor preço por litro (R$ 27,70/L), e o Mato Grosso, o menor por hectare (R$ 28,17/ha).
O Mato Grosso merece uma nota. Ele tem o menor R$/ha da amostra mesmo com o R$/L no meio da tabela. Isso não quer dizer que a etiqueta lá é mais barata, quer dizer que a dose por hectare é menor. É por isso que R$/L e R$/ha precisam andar juntos: olhado sozinho, o R$/L esconde o efeito da dose. Entre o R$/ha do Paraná e o do Mato Grosso, a diferença chega a 16,8%.
O Matopiba, olhado como região, paga o maior preço por litro de toda a amostra: R$ 31,20/L. É coerente com o custo de levar o insumo até a fronteira agrícola. Ainda assim, fica com R$/ha abaixo do Paraná, de novo por dose menor por aplicação.
Onde a diferença aperta: dentro da mesma região
O corte mais revelador não é entre estados nem entre safras. É entre produtores comprando o mesmo produto, na mesma concentração, no mesmo ano. Na safra 25/26, dentro dos 720 g/L, quem comprou bem pagou R$ 23,80/L; a mediana ficou em R$ 29,50/L; e quem comprou mal pagou R$ 37,55/L. Em custo por hectare, a mesma distância vai de R$ 23,96/ha a R$ 39,46/ha, com R$ 30,39/ha no meio.
Da compra bem-feita à malfeita são R$ 15,50 por hectare de diferença, 64,7% a mais pelo mesmo fungicida. Numa fazenda de 1.000 hectares, isso é cerca de R$ 15,5 mil por aplicação, só por timing e negociação, sem trocar de fabricante nem de região. E, como o clorotalonil costuma entrar em mais de uma aplicação por safra, a conta se multiplica — peso suficiente para aparecer no custo de produção de soja.
Não é caso isolado: a dispersão é da mesma ordem de grandeza da do glifosato na mesma safra (67,3% em R$/ha). Comprar mal não é problema de um insumo específico. É do jeito como o defensivo é negociado hoje.
O “sem juros” tem juro, e é caro
Há um custo que não está na etiqueta, o do prazo. Na safra 25/26, a compra a prazo do clorotalonil saiu, na mediana, a R$ 30,00/L, com prazo de 135 dias. À vista, saiu a R$ 27,53/L, com prazo mediano de 12 dias. São 9,0% a mais para financiar cerca de 123 dias adicionais.
Anualizando, é uma taxa implícita de aproximadamente 29% ao ano embutida no parcelamento, quase o dobro do que este mesmo levantamento encontrou no glifosato (cerca de 14,7% a.a.) e já no teto da faixa de 25% a 30% que costuma servir de referência para prazos do tipo 30/60/90. Quem aceita 135 dias está, na prática, tomando um empréstimo caro embutido no preço do fungicida.
O ponto prático: peça a taxa implícita do seu próprio prazo e compare com o custo do crédito bancário ou da CPR antes de assinar o parcelamento padrão do fornecedor. A régua é o número da sua operação, não um padrão de mercado.
Marca não garante o menor preço
Dentro da mesma concentração (720 g/L), o preço muda bastante de fabricante para fabricante, e a marca isolada não diz qual é o mais barato. A marca mais barata do lote saiu a R$ 27,00/L e R$ 25,76/ha nos dois recortes. Na outra ponta, a mais cara por litro chegou a R$ 32,35/L, 19,8% acima da mais barata, e também sobe forte por hectare, a R$ 31,21/ha, 21,2% a mais.
O caso mais instrutivo é o da marca de maior volume da amostra. Por litro, ela custa só 7,2% mais que a mais barata, e parece uma opção mediana. Por hectare, custa 27,7% mais (R$ 32,90/ha), a segunda mais cara do lote. A diferença está na dose: a dose implícita dessa marca (o R$/ha dividido pelo R$/L) fica em torno de 1,14 L/ha, contra 0,95 a 1,02 L/ha das concorrentes. Boa parte do prêmio por hectare é dose de aplicação, não só tabela de preço. É o exemplo mais claro de por que R$/L e R$/ha precisam vir sempre lado a lado: olhando só o litro, essa marca parece barata; olhando o hectare, é quase a mais cara. R$/L sozinho engana.
Repare no que isso não é. Todas as marcas comparadas são de genérico, então a variação não é prêmio de tecnologia de uma marca de patente contra a outra. É dispersão de canal, de dose e de negociação. Por isso o prêmio entre fabricantes se lê pelo R$/L, que isola o preço da dose, com o R$/ha ao lado para não perder o efeito da aplicação. E é por isso que a marca, sozinha, não decide se a compra foi boa.
O sinal para a 26/27
O banimento europeu, em vigor desde 2019, e o preço internacional dão o pano de fundo, mas quem decide o resultado da lavoura é a distribuição real de preço na sua região, o fabricante escolhido e o juro escondido no prazo de pagamento. Com 85% a 90% da 26/27 ainda em aberto e o preço já 7% a 8% acima do ano passado, a hora de negociar é agora, com dado, não com a média do mercado.
E é exatamente por isso que a variável que mais separa quem paga bem de quem paga mal não é só o momento do ciclo. É o fabricante e o prazo escolhidos, sobre uma base de preço que já subiu no ano. Essa parte segue inteira na sua mão.
VAMOS LÁ?
A distribuição de preço desta análise é a mediana nacional das notas fiscais. A conta que decide o seu pedido é a da sua região e do seu fabricante, e ela só aparece quando você compara nota contra nota. É isso que o Compare Preços faz dentro do Aegro: mostra o preço real do clorotalonil por região e por fabricante, a partir das NF-e, para você chegar na mesa de negociação sabendo se a cotação que recebeu está acima ou abaixo do que o mercado à sua volta está pagando.
Antes de fechar a compra da 26/27, faça três movimentos. Cote pelo menos três fabricantes na formulação 720 g/L, comparando R$/L e R$/ha lado a lado. Pergunte a taxa implícita do prazo oferecido. E compare a sua última compra com a mínima e a máxima praticadas perto de você.
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Nota de método: todos os números vêm de nota fiscal real registrada na Aegro, não de estimativa ou preço sugerido por fornecedor. As comparações de preço se restringem à concentração dominante de 720 g/L (87% do volume), a formulação líquida que é comparável entre si. Ficaram de fora as fatias de 500 g/L e 825 g/kg, formulações não comparáveis, e uma parte das compras que chega à nota fiscal sem a concentração informada no cadastro do produto. Isso não é falha da análise, é um gap de padronização do próprio mercado: quanto mais esse cadastro melhorar, mais fina fica a comparação. A comparação por estado e por fabricante usou recortes com base sólida na concentração 720 g/L; todos os fabricantes comparados são de genérico. A relação de troca com a soja usa a mediana nacional, boa como ordem de grandeza. Contexto: o clorotalonil está banido na União Europeia desde 2019, com 85% a 90% dos defensivos da safra 26/27 ainda não fechados em julho de 2026 e o pacote de insumos cerca de 20% acima da média de sete anos.

