5 Dicas de Colheita do Algodão para o Ponto Ideal [2025]

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Índice

Quando Começar a Colheita do Algodão?

Você já viu vizinho ansioso entrar na lavoura cedo demais e perder qualidade na fibra? Esse erro é clássico. O momento exato de dar a largada não é no “olhômetro” de qualquer jeito.

A regra de ouro, testada e aprovada, é começar a colheita manual quando 50% a 60% dos frutos (capulhos) estiverem abertos.

Mas não é só olhar a planta. O sol é seu maior parceiro aqui. É ele, junto com o etileno, que faz o fruto abrir de verdade. Por isso, nunca comece a colher com o orvalho da manhã. Espere o sol ficar alto e o campo aquecer. Se a fibra estiver úmida, você traz problema para dentro do saco.

Na colheita manual, o cuidado é dobrado:

  • Use as duas mãos para evitar ficar segurando o algodão por muito tempo (o suor da mão estraga a fibra).
  • Só use sacos ou recipientes que não soltem fiapos.
  • As amarras devem ser de algodão para não contaminar o lote.

O Clima e a Umidade: O Que Pode Arruinar Sua Safra?

Todo ano a história se repete: nuvem preta no céu na época da colheita tira o sono de qualquer produtor. E não é frescura.

Se chover mais de 500 mm ou o tempo ficar nublado por mais de uma semana nessa fase, o prejuízo é certo. O sol precisa bater para o fruto virar capulho. Sem sol, o fruto não abre direito.

Cálculo da produtividade de algodão

Pior ainda é o efeito na fibra. O algodão tem uma cera natural que protege a fibra (é só 0,6% da composição, mas vale ouro). A chuva excessiva “lava” essa cera. O resultado? A fibra perde o brilho, a sedosidade e fica fraca. Além disso, fungos podem atacar e deixar a fibra amarelada ou cinza.

E a umidade na entrega? Muita gente acha que entregar algodão seco demais é bom, mas cuidado.

  • Ideal: Entre 7% e 12%.
  • Limite Máximo: 15% (acima disso, fermenta e perde qualidade).
  • Muito Seco (abaixo de 6,5%): Também é ruim. Causa problemas na máquina de descaroçar e pode quebrar a fibra.

Máquina ou Mão: Qual Entrega Mais Qualidade?

Existe um mito antigo na roça de que a colheitadeira estraga o algodão e que a colheita manual é sempre superior. Será mesmo?

Um estudo sério feito pelo Iapar, em Londrina, mostrou que a diferença é mínima quando a máquina é bem regulada. Veja o comparativo prático:

  • Rendimento: Manual (87,4%) vs. Mecânica (86,8%). Quase empate.
  • Derrubada no solo: A máquina derrubou mais (4,6%) contra a manual (2,0%).
  • Tipo comercial: A manual ganhou por pouco (meio a um ponto na classificação).

O segredo é que a colheita manual, se feita de qualquer jeito, traz muita sujeira (folha, terra, restos de galho). Já a máquina, principalmente a de fusos (“spindles”), colhe o algodão mais limpo porque tira a fibra do capulho, sem arrancar a planta toda.

A força da mecanização Uma máquina de duas linhas colhe, em média, 700 a 1.000 arrobas por dia. Isso equivale ao serviço de 250 homens. Se a máquina for maior (5 linhas), ela faz o trabalho de até 600 pessoas. Num cenário de falta de mão de obra, essa conta fecha rápido.


Preparando a Lavoura: Desfolha e Variedade Certa

Você já tentou colher mecânico em lavoura que parecia uma floresta de folha verde? O resultado é a famosa “nódoa verde” na fibra. Mancha tudo e o valor cai.

Para evitar isso, o manejo começa antes da máquina entrar:

  1. Desfolha: Aplique o desfolhante quando 60% dos frutos já estiverem abertos. As folhas vão cair entre 7 e 15 dias depois (depende do clima). Isso deixa o caminho livre para a máquina pegar só o algodão.
  2. Escolha da Semente: Se vai colher com máquina, a planta não pode ser muito grande. O primeiro ramo tem que ser alto (entre o 5º e 7º nó) e a folha pequena.
  3. Adubação Equilibrada: Cuidado com o Nitrogênio! Adubo demais faz a planta crescer muito (vício) e soltar pouca flor. Fica uma “massaroca” de folha que dificulta tanto a colheita manual quanto a mecânica.

E o espaçamento? Não tente ganhar produtividade apertando demais as linhas (menos de 0,60m). Se chover, a parte de baixo não pega sol, não ventila e os frutos apodrecem (“carimã”). Você perde o baixeiro todo.


Tipos de Colheita e Operações no Campo

Quem está na lida sabe que nem todo algodão se colhe de uma vez só, nem do mesmo jeito.

Na Colheita Manual: Geralmente são necessárias duas ou três passadas (“apanhas”), com intervalos de 5 a 10 dias.

  • Separe o produto: O algodão do “baixeiro” (saia da planta) costuma estar mais sujo. Colha separado do “ponteiro” (parte de cima).
  • Descarte o ruim: Fruto doente, não totalmente aberto ou “carimã” (chocho) não deve ir para o saco principal. Ele derruba a média de qualidade do seu lote inteiro.

Na Colheita Mecânica: Existem dois sistemas principais:

  1. Fusos (Spindles): É o mais usado no Brasil. Fusos rotativos (cônicos ou cilíndricos) enrolam a fibra e a puxam. Entrega um algodão de melhor qualidade.
  2. Arrancadores (Stripper): Mais barato, mas “rapa” a planta (discos rotativos). Traz muita sujeira e exige uma pré-limpeza pesada na usina. Produz um tipo inferior.

Este conteúdo foi elaborado com base em dados técnicos sobre a cultura do algodoeiro, focado na realidade prática do produtor brasileiro.


Glossário

Capulho: É o fruto maduro do algodoeiro que se abre em compartimentos para expor a fibra e as sementes. O percentual de capulhos abertos é o principal indicador para determinar o momento ideal do início da colheita.

Etileno: Fitormônio natural da planta que atua como regulador de crescimento e é responsável por acelerar o processo de maturação e abertura dos frutos. Sua liberação é estimulada pelo calor, sendo essencial para a qualidade da fibra.

Umidade Intersticial: Refere-se ao vapor de água presente nos espaços entre as fibras dentro do fardo de algodão. Se ultrapassar os limites técnicos, pode causar fermentação e degradação da cor da fibra, reduzindo drasticamente o valor comercial.

Fusos (Spindles): Componentes rotativos das colheitadeiras que extraem a fibra do capulho sem arrancar as partes secas da planta. Essa tecnologia permite uma colheita mecanizada mais limpa e com menor índice de impurezas em comparação ao sistema de arrancadores.

Desfolha: Manejo químico realizado antes da colheita para provocar a queda das folhas, facilitando o trabalho das máquinas. Ajuda a evitar a ’nódoa verde’, que ocorre quando a seiva das folhas vivas mancha a fibra durante o processo mecânico.

Carimã: Termo utilizado para designar os frutos que não abriram completamente ou que apodreceram devido ao ataque de fungos e excesso de umidade. Devem ser descartados na colheita manual pois possuem fibras curtas, fracas e de coloração alterada.

Baixeiro: Região inferior da planta, onde se localizam os primeiros frutos produzidos. É uma área crítica que exige atenção no manejo, pois sofre mais com o sombreamento e a umidade do solo, podendo concentrar mais frutos doentes ou sujos.

Algodão em Caroço: É o produto colhido no campo que ainda não passou pelo processo de beneficiamento, composto pela fibra unida à semente. Representa o estado bruto da produção antes da separação na usina de descaroçamento.

Veja como o Aegro ajuda você a dominar a colheita do algodão

Monitorar o momento exato da abertura dos capulhos e coordenar a janela ideal de desfolha exige uma organização impecável para não perder a qualidade da fibra. O uso de um software de gestão agrícola como o Aegro facilita esse acompanhamento, permitindo que você registre as condições da lavoura pelo celular e planeje as operações de campo em tempo real, garantindo que a entrada das máquinas ou da equipe manual aconteça no dia certo.

Além disso, para quem utiliza colheitadeiras, o controle de manutenção e o monitoramento do desempenho dos equipamentos são fundamentais para evitar desperdícios e paradas inesperadas. Com o Aegro, você centraliza o histórico das máquinas e os custos de produção, transformando a eficiência operacional em dados claros para tomar decisões que protegem a sua rentabilidade.

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Perguntas Frequentes

Qual é o momento exato para iniciar a colheita do algodão e por que o sol é tão importante?

O ponto ideal para começar a colheita é quando 50% a 60% dos capulhos (frutos) já estão abertos. O sol é o principal aliado do produtor, pois ajuda a abrir o fruto e remove o orvalho matinal; colher com a fibra úmida pode causar fermentação e sérios prejuízos na qualidade final do lote.

Como a chuva em excesso durante a fase de colheita prejudica o valor comercial da fibra?

A chuva excessiva ’lava’ a cera natural que protege a fibra, deixando-a fraca, sem brilho e sem sedosidade. Além disso, o clima úmido e nublado favorece o ataque de fungos que mancham o algodão de cinza ou amarelo, reduzindo drasticamente sua classificação comercial e o preço pago pela usina.

Quais são os riscos de entregar o algodão com umidade acima ou abaixo dos níveis recomendados?

O ideal é que a umidade esteja entre 7% e 12%. Se ultrapassar os 15%, o algodão corre alto risco de fermentar dentro do fardo, enquanto níveis abaixo de 6,5% tornam a fibra excessivamente seca e quebradiça, dificultando o processo de descaroçamento e prejudicando a integridade física do produto.

Vale a pena investir na colheita mecânica em comparação com a manual?

Sim, especialmente em grandes áreas, pois uma colheitadeira de duas linhas pode realizar o trabalho de até 250 homens em um dia. Embora a colheita manual possa ter uma pureza levemente superior, máquinas bem reguladas entregam resultados muito próximos, resolvendo o gargalo da falta de mão de obra no campo.

Por que a desfolha química é uma etapa obrigatória para quem utiliza colheitadeiras?

A desfolha deve ser feita quando 60% dos frutos estão abertos para evitar a ’nódoa verde’, que ocorre quando folhas verdes são esmagadas pela máquina e mancham permanentemente a fibra. Esse manejo garante que a colheitadeira recolha apenas o algodão limpo, preservando o valor de mercado e facilitando o processamento industrial.

Qual a diferença prática entre os sistemas de colheita por fusos (spindles) e arrancadores (strippers)?

O sistema de fusos é o mais utilizado no Brasil por ser mais seletivo, retirando apenas a fibra de dentro do capulho e entregando um produto mais limpo. Já os arrancadores ‘rapam’ a planta inteira, resultando em um algodão com muita impureza vegetal que exige uma limpeza pesada e custosa na usina de beneficiamento.

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