Colheita da Mamona: Guia Prático do Ponto Ideal [2025]

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Índice

Qual é o Ponto Certo da Colheita da Mamona?

Você já passou por isso na sua lavoura? O cacho parece pronto, mas você fica na dúvida se espera mais um pouco ou se já manda a equipe entrar. Se colher antes da hora, o grão não rende. Se passar do ponto, o cacho abre e você deixa dinheiro no chão.

O segredo aqui é saber exatamente qual cultivar você plantou. A regra muda dependendo do tipo da planta:

  1. Plantas que abrem sozinhas (Deiscentes): Não espere secar tudo. Assim que os cachos começarem a mudar da cor verde para a marrom (início da maturação), tem que colher. Se esperar, elas soltam as sementes e você perde produção.
  2. Plantas que “seguram” um pouco (Semideiscentes): Aqui você tem mais folga. Pode esperar até que 70% dos frutos do cacho estejam maduros. Se o tempo estiver firme, sem muita chuva ou calor excessivo, dá até para esperar o cacho secar todo. Fique de olho: se começar a abrir fruto, colha logo.
  3. Plantas que não abrem (Indeiscentes): Essas são as mais tranquilas. Espere os cachos estarem todos secos para começar o serviço.

Ferramentas e Cuidados na Colheita Manual

Muita gente me pergunta: “Preciso de maquinário caro para colher mamona?” A resposta curta é: depende do tamanho da sua área, mas na maioria das vezes, o feijão com arroz bem feito resolve.

Para quem colhe na mão, o equipamento é simples: faca, canivete, tesoura de poda ou podão. O importante é que esteja bem afiado.


Existe Colheitadeira para Mamona?

Essa é uma das maiores dores de cabeça do produtor de mamona no Brasil. “Por que não tem uma máquina pronta na concessionária?”

Na década de 80, o IAC até tentou fazer um protótipo, mas o projeto parou. Hoje, não existe colheitadeira específica para mamona no mercado nacional.

Planilha de Estimativa de Perdas na Colheita

Mas o produtor brasileiro é criativo. Quem planta grandes áreas (principalmente cultivares anãs e indeiscentes) adapta colheitadeiras com plataforma de milho.

O que muda na adaptação:

  • Na entrada: Colocam-se esteiras de cerdas de náilon para “abraçar” a planta.
  • No corte: Rolos tipo “eixo-sem-fim” puxam o caule para baixo, deixando só o cacho entrar.
  • Na batida: Reveste-se o cilindro e o côncavo com borracha e reduz-se a velocidade para não quebrar a semente.

Secagem: Terreiro ou Secador Artificial?

Seu Antônio, produtor experiente, perdeu um lote inteiro porque amontoou a mamona úmida no galpão achando que secaria sozinha. O resultado? Fungo e acidez alta no óleo.

Para não cair nesse erro, a regra é clara: colheu, tem que secar até atingir 10% de umidade. Isso garante que descasque bem e não estrague guardado.

Como secar no terreiro (Sol)

O terreiro pode ser de chão batido, cimento ou asfalto.

  • Espalhe os frutos em camadas finas (5 a 10 cm).
  • Mexa (revolva) várias vezes ao dia para secar por igual.
  • À tarde, antes do sol cair, amontoe e cubra com lona. Isso mantém o calor e evita o orvalho da noite.

Quando usar secador artificial?

Se você tem mais de 50 hectares, depender só do sol é arriscado e exige um terreiro gigante. O secador artificial (adaptado de grãos) agiliza o processo.

  • Para Indústria: Use temperatura de 50°C a 55°C.
  • Para Semente (Plantio): Não passe de 40°C a 45°C, senão mata o vigor da semente.

O Descascamento (Beneficiamento)

Aqui é onde separamos o “joio do trigo”, ou melhor, a casca da semente. Tentar descascar fruto verde ou úmido é prejuízo na certa: a máquina mói tudo, faz uma pasta e aumenta a acidez.

O fruto tem que estar seco (10% de umidade).

Opções de Descascamento:

  1. Manual (Pequenas Áreas): Bater com vara ou mangueira de plástico. Depois, passar na peneira e abanar contra o vento. Funciona melhor nas horas mais quentes do dia.
  2. Máquina Manual da Embrapa: Ótima para o pequeno produtor. Tem discos de borracha (como as grandes), mas sem motor. Eficiência de 80% a 90% e quebra pouca semente.
  3. Máquinas Motorizadas (Grandes Áreas):
    • Discos de Borracha: O fruto passa entre dois discos. Precisa regular bem a distância para não quebrar a semente.
    • Batimento: Cilindros com pinos que quebram a casca na pancada. Mais baratas e rápidas, mas exigem fruto muito seco e limpeza prévia.

O Que a Indústria Exige para Comprar?

Na hora de vender, não adianta só ter volume. O comprador vai olhar a qualidade. A indústria quer óleo, e óleo bom não tem acidez nem impureza.

Como eles não conseguem medir o óleo na hora que o caminhão chega, eles olham o que dá para ver a olho nu.

O padrão aceitável é:

  • Marinheiros (sementes não descascadas): No máximo 10%. Acima disso, atrapalha a extração do óleo.
  • Sementes Quebradas: Tolerância de até 3%. Semente quebrada oxida e aumenta a acidez.
  • Impurezas: Zero. Nada de pedra, areia, prego ou pedaço de saco.

Para garantir isso, depois de descascar, o ideal é passar numa mesa gravimétrica. Ela separa o que é leve (casca, talo) e o que é pesado (pedra) da semente boa.


Glossário

Deiscente: Característica de plantas cujos frutos se abrem naturalmente após a maturação para liberar as sementes. No caso da mamona, exige colheita imediata no início da maturação para evitar perdas de grãos no solo.

Indeiscente: Variedades cujos frutos permanecem fechados mesmo após a secagem completa na planta. Essa característica é fundamental para a mecanização, pois permite que o produtor espere o momento ideal para entrar com a colheitadeira sem o risco de perda de sementes.

Podridão-dos-ramos: Doença fúngica que penetra na planta através de ferimentos causados por técnicas de colheita inadequadas, como a quebra manual do talo. Pode levar à morte de galhos produtivos e reduzir drasticamente a vida útil da lavoura.

Cilindro e Côncavo: Componentes internos das colheitadeiras responsáveis pela trilha, que é a separação do grão da estrutura do cacho. Na mamona, precisam ser revestidos com borracha para evitar danos mecânicos que oxidam o óleo e aumentam a acidez.

Kit para colheita de sucesso

Mesa Gravimétrica: Equipamento de beneficiamento que separa as sementes por densidade, eliminando impurezas, pedras e grãos chochos. É essencial para atingir o padrão de pureza exigido pelas indústrias de extração de óleo.

Marinheiros: Termo utilizado no mercado de mamona para designar os frutos que não foram descascados durante o beneficiamento. A indústria limita a presença desses frutos no lote, pois eles reduzem o rendimento da prensa e a qualidade final do óleo.

Como o Aegro ajuda a garantir a rentabilidade na colheita da mamona

Identificar o ponto certo da colheita em diferentes talhões e coordenar a logística de secagem são tarefas que exigem organização rigorosa para evitar perdas financeiras. O Aegro facilita esse processo ao permitir o planejamento e o acompanhamento das atividades em tempo real pelo celular, ajudando a garantir que a equipe entre no campo no momento exato e que nenhuma área passe do ponto por falta de monitoramento.

Além disso, para atender às exigências de qualidade da indústria e evitar descontos por acidez ou impurezas, é fundamental ter controle sobre o desempenho pós-colheita. Com o Aegro, você centraliza a gestão operacional e financeira, monitorando custos de secagem e beneficiamento para entender a rentabilidade real de cada hectare. Isso permite tomar decisões baseadas em dados, otimizando o uso de máquinas adaptadas e garantindo que o seu esforço no campo se transforme em lucro máximo.

Vamos lá?

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Perguntas Frequentes

O que acontece se eu colher a mamona antes ou depois do ponto ideal?

Colher antes do tempo resulta em grãos com baixo rendimento de óleo e menor peso, prejudicando o lucro. Já a colheita tardia, especialmente em variedades deiscentes (que abrem sozinhas), causa a perda de sementes que caem no chão, além de aumentar a exposição dos frutos a pragas e umidade excessiva.

Por que não é recomendado arrancar os cachos de mamona com as mãos?

Arrancar ou torcer o cacho manualmente fere a planta e cria portas de entrada para doenças graves, como a podridão-dos-ramos. Além disso, o impacto do movimento brusco pode derrubar frutos maduros no solo, gerando desperdício. O ideal é sempre utilizar ferramentas de corte bem afiadas, como tesouras de poda ou podões.

Como adaptar uma colheitadeira de milho para a colheita da mamona?

A adaptação envolve a instalação de esteiras de cerdas de náilon para conduzir a planta e rolos tipo ’eixo-sem-fim’ para o corte. No sistema de trilha, é fundamental revestir o cilindro e o côncavo com borracha e reduzir a velocidade de rotação. Essas modificações são essenciais para evitar que a semente da mamona, que é sensível, se quebre durante o processo.

Qual é o tamanho ideal do terreiro para secagem da mamona?

O cálculo básico recomendado é de 100 m² de terreiro para cada 1 hectare de lavoura plantada. Portanto, se você possui uma área de 20 hectares, precisará de um espaço de secagem de pelo menos 2.000 m². Essa proporção garante que os frutos fiquem espalhados em camadas finas, facilitando a secagem uniforme pelo sol.

Por que a indústria tem uma tolerância tão baixa para sementes quebradas?

A semente quebrada expõe o interior do grão ao oxigênio, iniciando um processo de oxidação que aumenta rapidamente a acidez do óleo. Como a indústria busca um óleo de alta qualidade e baixa acidez, a tolerância é de apenas 3%. Acima desse limite, o produtor sofre descontos significativos no preço final da carga.

Qual a principal dica para evitar que a máquina de descascar estrague as sementes?

O segredo está em não misturar lotes de sementes com tamanhos diferentes e garantir que a umidade esteja em 10%. Você deve regular a máquina especificamente para um tamanho de grão, processar aquele lote e só então ajustar a regulagem para sementes menores ou maiores. Se misturar, as sementes grandes serão esmagadas enquanto as pequenas passarão sem descascar.

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  • Sistemas de Colheita: Do Manual ao Automatizado, Qual o Melhor para Sua Lavoura?: Este artigo complementa a discussão sobre a transição do manual para o mecânico na mamona, oferecendo uma visão sistêmica sobre como decidir o melhor método para a lavoura. Ele ajuda o produtor a contextualizar as adaptações de máquinas citadas no texto principal dentro de uma estratégia de investimento em mecanização.
  • Secagem de Arroz: O Guia Completo da Umidade Ideal à Escolha do Secador: Embora foque em outra cultura, este artigo é tecnicamente valioso por detalhar a operação de secadores artificiais e a gestão da umidade, tópicos cruciais para o produtor de mamona que precisa adaptar equipamentos de grãos. Ele aprofunda os conceitos de temperatura e fluxo de ar mencionados como essenciais para evitar a acidez do óleo.
  • Sementes Esverdeadas na Soja: Como Evitar Perdas na Colheita e no Armazém: Este artigo estabelece uma conexão direta com o problema do ponto ideal de colheita, explicando como o estresse e a colheita fora de hora impactam a qualidade industrial. Assim como na mamona, onde o fruto imaturo prejudica o óleo, ele detalha os mecanismos de perda de valor que ocorrem quando a maturação fisiológica não é respeitada.
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  • Terreiro Suspenso para Café: O Guia Completo para uma Secagem de Alta Qualidade: Este guia expande significativamente o tópico de secagem em terreiro abordado no texto principal, apresentando uma alternativa de infraestrutura que otimiza a aeração. Ele é extremamente relevante para o pequeno e médio produtor de mamona que busca melhorar a qualidade do grão sem o investimento imediato em secadores mecânicos complexos.