Índice
- Qual é o Ponto Certo da Colheita da Mamona?
- Ferramenta Manual ou Maquinário Adaptado: O Que Usar?
- Secagem: Terreiro ou Secador Artificial?
- Como Evitar o Prejuízo na Hora de Descascar?
- O Que a Indústria Realmente Exige?
- Glossário
- Como o Aegro ajuda a otimizar sua colheita e proteger seu lucro
- Perguntas Frequentes
- Como identificar o momento ideal de colheita para cada variedade de mamona?
- Quais adaptações são necessárias para usar uma colhedora de milho na lavoura de mamona?
- Qual o tamanho de terreiro necessário para secar a produção de mamona de forma eficiente?
- Por que não se deve descascar a mamona antes que ela atinja 10% de umidade?
- Quais são os principais critérios de qualidade exigidos pela indústria para evitar descontos na carga?
- Qual é a temperatura máxima permitida na secagem artificial da mamona?
- Artigos Relevantes
Qual é o Ponto Certo da Colheita da Mamona?
Você já passou pela situação de chegar na lavoura e ver o chão coberto de sementes que caíram antes da hora? Isso é dinheiro jogado fora. O Seu João, lá no interior da Bahia, perdeu quase 15% da produção ano passado porque esperou o cacho secar demais numa variedade que abre sozinha.
Para não cometer esse erro, o segredo está na cor do cacho e no tipo de mamona que você plantou. Funciona assim:
- Variedades que abrem sozinhas (Deiscentes): Não espere secar tudo. Começou a mudar de verde para castanho (marrom)? Colha imediatamente. Se secar no pé, ela estoura e você perde o grão.
- Variedades que “seguram” um pouco (Semideiscentes): Aqui você tem mais folga. Pode esperar até que uns 70% dos frutos do cacho estejam maduros. Se o tempo estiver firme, sem muita secura ou calor excessivo, dá para esperar o cacho secar por completo. Mas fique de olho: se começar a abrir, colha logo.
- Variedades que não abrem (Indeiscentes): Essas são as mais tranquilas. Espere todos os cachos secarem bem antes de entrar colhendo.
Ferramenta Manual ou Maquinário Adaptado: O Que Usar?
Uma dúvida que sempre aparece nas conversas de porteira é: “Preciso comprar uma máquina específica para mamona ou dá para usar o que tenho?”. A resposta curta é: máquina específica de fábrica quase não existe no Brasil, mas o “jeitinho” brasileiro funciona bem.
Para quem colhe na mão (pequenas áreas): O erro mais comum é arrancar o cacho na mão, quebrando o talo. Nunca faça isso. Quando você quebra o galho na força bruta, abre feridas na planta. Isso é porta de entrada para doenças, como a podridão dos ramos, e ainda derruba frutos no chão.
- Use sempre: Canivete, tesoura de poda ou uma faquinha bem afiada. Corte na base do cacho.
Para quem vai mecanizar (grandes áreas): Como o projeto de colhedora do IAC dos anos 80 não foi para frente, o produtor se vira adaptando colhedoras de milho. As adaptações principais são:
- Colocar esteiras de cerdas de nylon na plataforma para puxar a planta.
- Instalar cilindros tipo “sem fim” invertidos para arrancar o talo.
- Revestir o cilindro batedor com borracha (isso é crucial para não quebrar a semente).
Secagem: Terreiro ou Secador Artificial?
A Dona Maria, produtora experiente, sabe que colher é só metade do trabalho. Se guardar a mamona úmida, ela mofa, aquece e a indústria rejeita ou paga menos. O objetivo é chegar em 10% de umidade.
Mas qual sistema escolher? Isso depende do tamanho da sua lavoura.
1. No Terreiro (Para quem tem espaço e sol)
É o método mais barato, mas exige capricho.
- Espessura: Espalhe os frutos em camadas finas (5 a 10 cm). Se fizer monte alto, não seca por igual.
- Revolvimento: Tem que mexer várias vezes ao dia. Isso evita fungos e garante que tudo seque ao mesmo tempo.
- Proteção: Todo fim de tarde, ou se o tempo fechar, amontoe e cubra com lona. A umidade da noite (sereno) atrasa todo o serviço se pegar nos frutos.
- Tempo: Leva de 5 a 15 dias, dependendo do sol.
2. No Secador (Para grandes volumes)
Se você planta mais de 50 hectares, depender só do terreiro é arriscado. O secador artificial resolve, mas cuidado com a temperatura:
- Para semente (plantio): Máximo de 40°C a 45°C. Mais que isso mata o vigor da semente.
- Para indústria (óleo): Pode ir até 50°C a 55°C.
Muitos produtores fazem o sistema misto: dão uma “pré-secada” no terreiro para tirar o grosso da água e finalizam no secador para chegar nos 10% exatos.
Como Evitar o Prejuízo na Hora de Descascar?
Você já levou sua carga para a cerealista e teve desconto porque tinha muito “marinheiro” (grão que passou com casca) ou semente quebrada? Isso geralmente é culpa da pressa ou da regulagem errada.
O problema do fruto verde: Tentar descascar mamona verde é pedir para ter dor de cabeça. A casca não abre, a máquina sofre desgaste à toa e o grão sai esmagado. Além disso, a semente verde tem menos óleo e acidez alta.
- Regra de ouro: Só leve para a máquina quando a umidade estiver em 10% ou menos.
Tipos de Máquinas:
- Discos de Borracha: Mais gentis com o grão. Um disco é fixo, o outro gira. A fricção abre a casca. É ótima, mas precisa de limpeza prévia (pedras rasgam a borracha).
- Batedores (Cilindros): Mais baratas e rápidas. Funcionam na base da pancada. Exigem que o fruto esteja bem seco, senão vira uma pasta.
O Que a Indústria Realmente Exige?
No final das contas, quem paga a conta é a indústria. E eles não querem saber de história triste, querem qualidade. Você sabe exatamente o que reprova sua carga?
A indústria foca no teor de óleo, mas como não dá para medir isso na hora que o caminhão chega, eles olham o visual:
- Marinheiros (Sementes não descascadas): O limite aceitável é 10%. Passou disso, atrapalha a extração do óleo e você sofre desconto.
- Sementes Quebradas: A tolerância é baixa, cerca de 3%. Semente quebrada oxida (fica rançosa) e aumenta a acidez do óleo.
- Impurezas: Pedra, areia, pedaço de pau, prego… isso é tolerância zero. Estraga as máquinas deles.
💡 DICA PRÁTICA: Use uma mesa gravimétrica depois do descascamento. Ela separa o que é leve (casca, semente chocha) e o que é pesado (pedra) das sementes boas. Isso melhora muito a aparência e o valor do seu produto.
Glossário
Deiscência: Fenômeno natural em que os frutos se abrem espontaneamente ao atingirem a maturação para liberar as sementes. Na cultura da mamona, a classificação entre deiscente (abre sozinha) ou indeiscente (não abre) define a estratégia de colheita e o nível de perda de grãos no campo.
Mesa Gravimétrica: Equipamento utilizado no beneficiamento que separa grãos e sementes por diferença de peso e densidade através de vibração e fluxo de ar. É fundamental para eliminar impurezas, pedras e sementes mal formadas, garantindo que o lote atenda aos padrões de pureza da indústria.
Vigor da Semente: Capacidade de uma semente germinar de forma rápida e uniforme, mesmo sob condições de estresse no solo. Altas temperaturas durante a secagem artificial podem comprometer essa qualidade fisiológica, resultando em um estande de plantas falho na safra seguinte.
Marinheiro: Termo técnico-regional que designa os frutos de mamona que passam pelo processo de beneficiamento sem serem descascados. A indústria impõe limites rigorosos para a presença de marinheiros na carga, pois eles dificultam a extração e reduzem o rendimento do óleo.

Dano Mecânico: Ruptura ou esmagamento da semente causado por impactos ou regulagem inadequada de máquinas durante a colheita ou descascamento. Em oleaginosas como a mamona, o dano mecânico acelera a oxidação e aumenta a acidez do óleo, depreciando o valor comercial do produto.
Indeiscente: Característica botânica de variedades cujos frutos permanecem fechados mesmo após a secagem completa no pé. Essa característica é essencial para a colheita mecanizada em grandes áreas, pois permite maior flexibilidade de cronograma sem o risco de sementes caírem no solo.
Como o Aegro ajuda a otimizar sua colheita e proteger seu lucro
Identificar o ponto certo de colheita e gerenciar a logística das máquinas adaptadas, como vimos, é um equilíbrio delicado entre o tempo no campo e a saúde do seu bolso. O Aegro auxilia nessa jornada ao centralizar o planejamento das atividades, permitindo que você acompanhe o progresso da colheita em tempo real e direcione a equipe para os talhões com maior risco de perda de grãos. Além disso, o controle rigoroso de custos e a gestão financeira automatizada ajudam a monitorar os gastos com diesel e evitar que eventuais descontos da indústria por impurezas ou umidade prejudiquem a rentabilidade da sua safra.
Vamos lá?
Prepare-se para uma colheita mais organizada e eficiente com o apoio da tecnologia certa para o seu dia a dia. Experimente o Aegro gratuitamente e veja como simplificar a gestão da sua fazenda hoje mesmo!
Perguntas Frequentes
Como identificar o momento ideal de colheita para cada variedade de mamona?
O ponto certo depende da deiscência da planta: variedades deiscentes devem ser colhidas assim que os frutos mudarem de verde para castanho para evitar que as sementes estourem e caiam no chão. Já as semideiscentes permitem esperar até que 70% do cacho esteja maduro, enquanto as indeiscentes, que não abrem sozinhas, podem ser colhidas com segurança após a secagem total de todos os cachos no pé.
Quais adaptações são necessárias para usar uma colhedora de milho na lavoura de mamona?
Para mecanizar a colheita, é preciso instalar esteiras de cerdas de nylon na plataforma e cilindros tipo ‘sem fim’ invertidos para arrancar os talos. Além disso, é fundamental revestir o cilindro batedor com borracha, o que evita o impacto direto no grão e reduz drasticamente a quebra das sementes durante o processo.
Qual o tamanho de terreiro necessário para secar a produção de mamona de forma eficiente?
O cálculo recomendado é reservar cerca de 100 m² de área de terreiro para cada hectare plantado. Para garantir uma secagem uniforme e evitar o surgimento de fungos, os frutos devem ser espalhados em camadas finas de 5 a 10 cm e revolvidos várias vezes ao dia enquanto houver sol.
Por que não se deve descascar a mamona antes que ela atinja 10% de umidade?
O descascamento de frutos úmidos ou verdes resulta em esmagamento das sementes, aumento da acidez do óleo e maior desgaste das máquinas. Quando a umidade está acima de 10%, a casca não se solta com facilidade, gerando muitos grãos não descascados (os ‘marinheiros’), que sofrem descontos severos no preço pago pela indústria.
Quais são os principais critérios de qualidade exigidos pela indústria para evitar descontos na carga?
A indústria prioriza grãos com o mínimo de impurezas e sementes quebradas, limitando as quebradas a no máximo 3% para evitar a oxidação do óleo. Outro ponto crítico é o índice de ‘marinheiros’ (grãos que passaram com casca), que não deve ultrapassar 10% do volume total para não prejudicar a eficiência da extração industrial.
Qual é a temperatura máxima permitida na secagem artificial da mamona?
A temperatura depende do destino final da produção: se o foco for a venda de sementes para plantio, o calor não deve ultrapassar 45°C para não matar o embrião. Caso a produção seja destinada exclusivamente à extração de óleo industrial, a temperatura do secador pode atingir entre 50°C e 55°C sem comprometer a qualidade do produto.
Artigos Relevantes
- Sistemas de Colheita: Do Manual ao Automatizado, Qual o Melhor para Sua Lavoura?: Este artigo expande a discussão iniciada no texto principal sobre a escolha entre colheita manual e mecanizada, fornecendo critérios de decisão para o produtor. Ele ajuda a contextualizar a transição tecnológica mencionada na mamona para um cenário mais amplo de gestão de ativos e eficiência operacional na fazenda.
- Umidade de Armazenamento da Soja: O Guia Definitivo para Evitar Perdas: A umidade é o fator crítico para o beneficiamento da mamona (limite de 10%), e este artigo oferece um aprofundamento técnico sobre o equilíbrio higroscópico e os riscos de fungos. Ele complementa o guia de secagem da mamona ao explicar a ciência por trás da conservação de grãos e sementes em pós-colheita.
- Terreiro Suspenso para Café: O Guia Completo para uma Secagem de Alta Qualidade: Considerando que o texto principal destaca a importância do terreiro e do revolvimento dos frutos para evitar mofo, este artigo sobre terreiros suspensos apresenta uma solução tecnológica superior para a secagem. Ele oferece uma alternativa prática para produtores que buscam maior qualidade e controle sanitário, indo além do terreiro de chão convencional.
- Sementes Esverdeadas na Soja: Como Evitar Perdas na Colheita e no Armazém: O artigo principal alerta sobre o prejuízo de colher frutos verdes, que elevam a acidez do óleo; este candidato detalha as causas fisiológicas e os problemas industriais gerados por grãos imaturos. Essa leitura aprofunda a compreensão do produtor sobre por que a ‘regra de ouro’ da umidade de 10% é vital para a rentabilidade.
- Sementes de Alta Qualidade: Como Garantir o Sucesso da Lavoura: Este artigo complementa a seção sobre secagem artificial, onde o texto principal diferencia temperaturas para óleo e para sementes. Ele explica os conceitos de vigor e viabilidade, fundamentais para que o produtor de mamona entenda as consequências práticas de exceder os 45°C no secador se o objetivo for o plantio.

![Imagem de destaque do artigo: Colheita da Mamona: Ponto Ideal e Guia de Manejo [2025]](/images/blog/geradas/colheita-mamona-ponto-ideal-variedades.webp)