Índice
- Colheita de Mandioca: Como Não Perder Dinheiro na Hora H
- Preparando o Terreno: O Segredo da Poda
- Mão na Massa: Como Colher Sem Quebrar a Raiz
- Máquina ou Homem? O Desafio da Mecanização
- Depois de Colher: A Corrida Contra o Relógio
- Glossário
- Veja como o Aegro ajuda você a lucrar mais com a mandioca
- Perguntas Frequentes
- Como identificar visualmente que a mandioca está no ponto ideal de colheita?
- Qual é a ordem recomendada para colher diferentes variedades de mandioca?
- Por que a poda da parte aérea deve ser feita antes do arranquio?
- Quais são as principais dificuldades para implementar a colheita mecanizada?
- Como evitar a quebra de raízes durante o arranquio em solos pesados?
- Qual é o prazo máximo recomendado entre a colheita e o transporte da mandioca?
- Quais fatores ambientais podem inviabilizar a colheita mesmo com a planta pronta?
- Artigos Relevantes
Colheita de Mandioca: Como Não Perder Dinheiro na Hora H
Uma dúvida que sempre aparece na roda de conversa dos produtores é: “Será que já está na hora de arrancar ou espero o preço melhorar?”. O dilema é real. Se você colher na hora errada, perde teor de amido. Se demorar demais, a raiz fica fibrosa e o mercado rejeita.
Para não errar, o segredo é olhar para a planta. A melhor época é quando a mandioca entra em repouso. Sabe quando o número de folhas diminui e os lobos ficam menores? É nesse ponto que ela atinge o máximo de produção e de amido. É aí que você ganha dinheiro.
Mas não é só olhar a planta. A decisão depende de três coisas básicas que vamos detalhar agora.
1. Fatores Técnicos e da Lavoura
Aqui entra o tipo de cultivar que você plantou. A regra de ouro é simples: comece colhendo as variedades mais precoces e deixe as tardias para o final.
Além disso, o jeito que você plantou lá atrás faz diferença agora. Se o plantio foi feito em covas altas ou camalhões, a colheita rende muito mais. Por quê? Porque as raízes ficam mais na superfície, facilitando o arranque.
2. O Ambiente e o Acesso
Não adianta ter raiz boa se não dá para tirar ela de lá. Antes de chamar a equipe, olhe a situação das estradas e o mato. Se a infestação de daninhas estiver alta, o rendimento do trabalhador cai. Solo muito seco ou muito encharcado também atrapalha demais.
3. O Fator Econômico (O Bolso)
Claro, o preço manda. Mas você precisa botar na ponta do lápis a mão de obra disponível. Tem gente para colher? Você tem compromissos financeiros vencendo? Tudo isso pesa na decisão.
Preparando o Terreno: O Segredo da Poda
Você já tentou entrar num mandiocal fechado para colher sem limpar antes? É serviço dobrado e muito suor perdido.
Antes de arrancar a raiz, você precisa “limpar o salão”. O ideal é fazer a poda manual da parte aérea. Corte a mais ou menos 20 cm do chão. Depois, tire todo esse material de dentro da roça. Isso facilita a visão e o movimento dos trabalhadores.
Se você tiver trator, dá para usar uma ceifadeira acoplada.
Mão na Massa: Como Colher Sem Quebrar a Raiz
O maior prejuízo na colheita acontece quando a raiz quebra. Raiz machucada, quebrada ou dilacerada estraga rápido e perde valor comercial. A mandioca é uma cultura rentável, mas exige cuidado nessa hora.
O jeito de colher muda dependendo do seu chão:
Em Solos Arenosos (Leves)
Aqui o serviço rende mais. O arranquio costuma ser manual mesmo.
- Segure firme na cepa.
- Faça um movimento vibratório (sacudindo) na vertical.
- Puxe para cima ao mesmo tempo que sacode.
Esse “balanço” solta a terra e evita que a raiz quebre e fique enterrada.
Em Solos Pesados (Argilosos)
Aqui o buraco é mais embaixo. Só na mão é difícil. Você vai precisar de ferramenta: enxada ou picareta.
- Bata a ponta da ferramenta por baixo das raízes, na base da planta (golpe único).
- Use o cabo como alavanca para erguer a planta.
- Faça força na ponta do cabo, não no meio, para poupar as costas.
Máquina ou Homem? O Desafio da Mecanização
Muitos produtores perguntam: “Não tem uma máquina que resolva tudo isso rápido?”.
Existem colhedeiras no Brasil, sim. O rendimento é bom: cerca de 2 a 3 hectares em 8 horas de trabalho. Mas, na prática, a colheita mecânica ainda dá dor de cabeça.

O problema é a própria mandioca. As raízes têm tamanho irregular, formatos diferentes e profundidades variadas. A máquina muitas vezes não consegue pegar tudo ou arrasta muita terra e sujeira junto.
Para a máquina funcionar bem, o dever de casa começa lá no plantio:
- O terreno precisa ser plano.
- O solo deve estar limpo (sem tocos e raízes antigas).
- O plantio tem que ser mecanizado para garantir que as manivas fiquem todas na mesma profundidade.
Se o plantio foi irregular, a colhedeira vai deixar muito prejuízo para trás.
Depois de Colher: A Corrida Contra o Relógio
Seu João, produtor experiente, aprendeu da pior forma: deixou a mandioca amontoada no sol por dois dias esperando o caminhão. Resultado? Perdeu qualidade e teve desconto na entrega.
A mandioca deteriora muito rápido. A regra é clara: não deixe a raiz no campo por mais de 24 horas após o arranquio.
Como organizar o transporte
- Amontoa: Junte as raízes em pontos estratégicos da lavoura para facilitar o carregamento.
- Carregamento: Use cestos ou caixas para jogar nos caminhões ou carroças.
- Para grandes volumes: No Paraná e Mato Grosso do Sul, o pessoal usa muito o “big bag” (bolsões de lona).
- Eles cabem cerca de 800 kg.
- Um trator com braço hidráulico levanta o bolsão sobre o caminhão.
- Alguém solta o nó embaixo e as raízes caem na carroceria. Rápido e prático.
Glossário
Repouso Fisiológico: Fase em que a planta reduz o crescimento de folhas e ramos para concentrar o máximo de energia e acúmulo de amido nas raízes. É o sinal biológico de que a mandioca atingiu o ponto ideal de maturação para a colheita.
Cultivar: Termo técnico para designar uma variedade de planta que foi selecionada ou melhorada para apresentar características específicas, como maior produtividade ou resistência. No Brasil, a escolha da cultivar define se o ciclo de colheita será precoce ou tardio.
Camalhões: Elevações de terra feitas ao longo da linha de plantio para criar um ambiente de solo mais fofo e bem drenado. Essa técnica facilita o crescimento das raízes e torna o esforço de arranquio muito menor no momento da colheita.
Maniva-mãe (Cepa): Pedaço da haste da mandioca que foi plantado originalmente e de onde brotam as raízes e os novos ramos. Durante a colheita, serve como ponto de apoio para o arranquio e como indicador de possíveis raízes quebradas que ficaram no solo.

Arranquio: Operação técnica de extração das raízes do solo, que pode ser manual, semimecanizada ou mecanizada. Um arranquio bem executado evita o ferimento das raízes, o que é crucial para manter o valor comercial e a conservação pós-colheita.
Teor de Amido: Quantidade de reserva energética presente na raiz, sendo o principal critério de qualidade utilizado pelas indústrias de farinha e fécula. Quanto maior o teor de amido, maior será o rendimento industrial e o preço pago ao produtor.
Deterioração Fisiológica Pós-Colheita: Processo natural de oxidação e escurecimento das raízes que começa logo após serem retiradas do solo. Como a mandioca é altamente perecível, esse fenômeno exige que o transporte e o processamento ocorram em no máximo 24 horas.
Poda da Parte Aérea: Corte dos ramos e folhas realizado antes do arranquio para facilitar o manejo e o trânsito de máquinas ou pessoas na lavoura. Deve ser feita mantendo uma altura mínima para servir de alavanca no momento de puxar as raízes.
Veja como o Aegro ajuda você a lucrar mais com a mandioca
Para tomar a decisão certa sobre o momento da colheita e evitar prejuízos, é fundamental ter os números da fazenda na palma da mão. O Aegro ajuda a organizar os custos de produção e a gestão da mão de obra, permitindo que você visualize o lucro real e planeje o uso de recursos com precisão. Com o controle financeiro e operacional centralizado, fica muito mais fácil decidir se compensa colher agora ou esperar a valorização do mercado, garantindo que a logística de transporte ocorra sem atrasos e evite que a mandioca perca qualidade no campo.
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Perguntas Frequentes
Como identificar visualmente que a mandioca está no ponto ideal de colheita?
O principal sinal visual é o estágio de repouso vegetativo da planta, caracterizado pela redução expressiva na quantidade de folhas e pela presença de lobos foliares menores. Nesse momento, a planta interrompe o crescimento da parte aérea para concentrar o máximo de acúmulo de amido nas raízes, garantindo maior peso e melhor valor de mercado.
Qual é a ordem recomendada para colher diferentes variedades de mandioca?
A recomendação técnica é sempre iniciar a colheita pelas variedades precoces, que atingem a maturação mais cedo. As variedades tardias devem ser deixadas para o final do cronograma, permitindo que completem seu ciclo de desenvolvimento e alcancem o teor máximo de amido antes do arranquio.
Por que a poda da parte aérea deve ser feita antes do arranquio?
A poda, realizada a cerca de 20 cm do solo, serve para ’limpar o salão’ e facilitar a movimentação e visualização dos trabalhadores na roça. Além de aumentar a produtividade da equipe, essa prática evita o desperdício de energia no manuseio de galhos desnecessários e permite que o material vegetal seja removido de forma organizada antes da entrada de caminhões ou máquinas.
Quais são as principais dificuldades para implementar a colheita mecanizada?
A mecanização enfrenta desafios devido à irregularidade do formato e da profundidade das raízes de mandioca. Para ser viável, o terreno deve ser plano, livre de tocos e o plantio precisa ter sido feito de forma mecanizada e uniforme; caso contrário, a colhedeira pode deixar muitas raízes para trás ou causar danos físicos excessivos ao produto.
Como evitar a quebra de raízes durante o arranquio em solos pesados?
Em solos argilosos ou pesados, o arranquio manual é difícil e arriscado, por isso deve-se utilizar ferramentas como enxadas ou picaretas para fazer alavanca. O segredo é golpear a base da planta por baixo das raízes e aplicar força na extremidade do cabo da ferramenta, garantindo que a cepa inteira suba sem que as raízes individuais se partam e fiquem presas no solo.
Qual é o prazo máximo recomendado entre a colheita e o transporte da mandioca?
A mandioca é uma cultura altamente perecível e deve ser transportada para o destino final em, no máximo, 24 horas após o arranquio. A exposição prolongada ao sol e ao ar após a colheita acelera a deterioração fisiológica, o que resulta em perda de qualidade comercial e possíveis descontos no pagamento pela indústria.
Quais fatores ambientais podem inviabilizar a colheita mesmo com a planta pronta?
Além da maturação da planta, o produtor deve monitorar a umidade do solo e as condições das estradas de acesso. Solos excessivamente encharcados dificultam o tráfego de máquinas e aumentam a sujeira nas raízes, enquanto estradas em más condições podem impedir que o caminhão chegue ao local para o transporte imediato, comprometendo a carga.
Artigos Relevantes
- Pós-Colheita: O Guia Prático para Proteger sua Safra e Maximizar Lucros: Este artigo aprofunda o conceito crítico da ‘corrida contra o relógio’ mencionado no texto principal, oferecendo estratégias práticas para manter a qualidade após a retirada do solo. Ele complementa a regra das 24 horas da mandioca ao discutir como o manejo pós-colheita é vital para evitar a deterioração e garantir o lucro final.
- Resistência do Solo à Penetração de Raízes: O Que É e Como Corrigir: Como a mandioca é uma cultura de raízes, a resistência do solo impacta diretamente a facilidade de arranquio e a integridade das raízes, pontos centrais do texto principal. Este artigo explica as causas da compactação, ajudando o produtor a entender por que solos ‘pesados’ dificultam a colheita e como corrigir isso para safras futuras.
- Sistemas de Colheita: Do Manual ao Automatizado, Qual o Melhor para Sua Lavoura?: Este conteúdo expande o dilema entre colheita manual e mecanizada apresentado no artigo principal, oferecendo uma visão sistêmica sobre qual modelo melhor se adapta a diferentes escalas. Ele ajuda o produtor de mandioca a decidir se o investimento em máquinas é viável, conectando-se à seção sobre os desafios da mecanização.
- Colheita Mecanizada: Como Identificar e Reduzir Perdas de Grãos: Embora foque em grãos, este artigo fornece a metodologia técnica necessária para calcular perdas operacionais e físicas, algo que o texto de mandioca menciona como um desafio econômico. Ele permite ao produtor aplicar indicadores de desempenho para medir quanto está deixando para trás por conta de regulagens erradas na colhedeira.
- Amendoim-bravo (leiteiro): como identificar e controlar essa planta daninha: O artigo principal destaca que a alta infestação de daninhas reduz drasticamente o rendimento do trabalhador e dificulta o acesso. Este guia prático sobre o amendoim-bravo oferece as ferramentas para o controle de invasoras que prejudicam a ’limpeza do salão’ necessária antes do arranquio das raízes.

![Imagem de destaque do artigo: Colheita de Mandioca: Ponto Ideal e Dicas de Lucro [2025]](/images/blog/geradas/colheita-mandioca-ponto-ideal-dicas-lucro.webp)