Colheita de Mandioca: Ponto Ideal e Dicas de Lucro [2025]

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Índice

Colheita de Mandioca: Como Não Perder Dinheiro na Hora H

Uma dúvida que sempre aparece na roda de conversa dos produtores é: “Será que já está na hora de arrancar ou espero o preço melhorar?”. O dilema é real. Se você colher na hora errada, perde teor de amido. Se demorar demais, a raiz fica fibrosa e o mercado rejeita.

Para não errar, o segredo é olhar para a planta. A melhor época é quando a mandioca entra em repouso. Sabe quando o número de folhas diminui e os lobos ficam menores? É nesse ponto que ela atinge o máximo de produção e de amido. É aí que você ganha dinheiro.

Mas não é só olhar a planta. A decisão depende de três coisas básicas que vamos detalhar agora.

1. Fatores Técnicos e da Lavoura

Aqui entra o tipo de cultivar que você plantou. A regra de ouro é simples: comece colhendo as variedades mais precoces e deixe as tardias para o final.

Além disso, o jeito que você plantou lá atrás faz diferença agora. Se o plantio foi feito em covas altas ou camalhões, a colheita rende muito mais. Por quê? Porque as raízes ficam mais na superfície, facilitando o arranque.

2. O Ambiente e o Acesso

Não adianta ter raiz boa se não dá para tirar ela de lá. Antes de chamar a equipe, olhe a situação das estradas e o mato. Se a infestação de daninhas estiver alta, o rendimento do trabalhador cai. Solo muito seco ou muito encharcado também atrapalha demais.

3. O Fator Econômico (O Bolso)

Claro, o preço manda. Mas você precisa botar na ponta do lápis a mão de obra disponível. Tem gente para colher? Você tem compromissos financeiros vencendo? Tudo isso pesa na decisão.


Preparando o Terreno: O Segredo da Poda

Você já tentou entrar num mandiocal fechado para colher sem limpar antes? É serviço dobrado e muito suor perdido.

Antes de arrancar a raiz, você precisa “limpar o salão”. O ideal é fazer a poda manual da parte aérea. Corte a mais ou menos 20 cm do chão. Depois, tire todo esse material de dentro da roça. Isso facilita a visão e o movimento dos trabalhadores.

Se você tiver trator, dá para usar uma ceifadeira acoplada.


Mão na Massa: Como Colher Sem Quebrar a Raiz

O maior prejuízo na colheita acontece quando a raiz quebra. Raiz machucada, quebrada ou dilacerada estraga rápido e perde valor comercial. A mandioca é uma cultura rentável, mas exige cuidado nessa hora.

O jeito de colher muda dependendo do seu chão:

Em Solos Arenosos (Leves)

Aqui o serviço rende mais. O arranquio costuma ser manual mesmo.

  1. Segure firme na cepa.
  2. Faça um movimento vibratório (sacudindo) na vertical.
  3. Puxe para cima ao mesmo tempo que sacode.

Esse “balanço” solta a terra e evita que a raiz quebre e fique enterrada.

Em Solos Pesados (Argilosos)

Aqui o buraco é mais embaixo. Só na mão é difícil. Você vai precisar de ferramenta: enxada ou picareta.

  1. Bata a ponta da ferramenta por baixo das raízes, na base da planta (golpe único).
  2. Use o cabo como alavanca para erguer a planta.
  3. Faça força na ponta do cabo, não no meio, para poupar as costas.

Máquina ou Homem? O Desafio da Mecanização

Muitos produtores perguntam: “Não tem uma máquina que resolva tudo isso rápido?”.

Existem colhedeiras no Brasil, sim. O rendimento é bom: cerca de 2 a 3 hectares em 8 horas de trabalho. Mas, na prática, a colheita mecânica ainda dá dor de cabeça.

Kit para colheita de sucesso

O problema é a própria mandioca. As raízes têm tamanho irregular, formatos diferentes e profundidades variadas. A máquina muitas vezes não consegue pegar tudo ou arrasta muita terra e sujeira junto.

Para a máquina funcionar bem, o dever de casa começa lá no plantio:

  • O terreno precisa ser plano.
  • O solo deve estar limpo (sem tocos e raízes antigas).
  • O plantio tem que ser mecanizado para garantir que as manivas fiquem todas na mesma profundidade.

Se o plantio foi irregular, a colhedeira vai deixar muito prejuízo para trás.


Depois de Colher: A Corrida Contra o Relógio

Seu João, produtor experiente, aprendeu da pior forma: deixou a mandioca amontoada no sol por dois dias esperando o caminhão. Resultado? Perdeu qualidade e teve desconto na entrega.

A mandioca deteriora muito rápido. A regra é clara: não deixe a raiz no campo por mais de 24 horas após o arranquio.

Como organizar o transporte

  1. Amontoa: Junte as raízes em pontos estratégicos da lavoura para facilitar o carregamento.
  2. Carregamento: Use cestos ou caixas para jogar nos caminhões ou carroças.
  3. Para grandes volumes: No Paraná e Mato Grosso do Sul, o pessoal usa muito o “big bag” (bolsões de lona).
    • Eles cabem cerca de 800 kg.
    • Um trator com braço hidráulico levanta o bolsão sobre o caminhão.
    • Alguém solta o nó embaixo e as raízes caem na carroceria. Rápido e prático.

Glossário

Repouso Fisiológico: Fase em que a planta reduz o crescimento de folhas e ramos para concentrar o máximo de energia e acúmulo de amido nas raízes. É o sinal biológico de que a mandioca atingiu o ponto ideal de maturação para a colheita.

Cultivar: Termo técnico para designar uma variedade de planta que foi selecionada ou melhorada para apresentar características específicas, como maior produtividade ou resistência. No Brasil, a escolha da cultivar define se o ciclo de colheita será precoce ou tardio.

Camalhões: Elevações de terra feitas ao longo da linha de plantio para criar um ambiente de solo mais fofo e bem drenado. Essa técnica facilita o crescimento das raízes e torna o esforço de arranquio muito menor no momento da colheita.

Maniva-mãe (Cepa): Pedaço da haste da mandioca que foi plantado originalmente e de onde brotam as raízes e os novos ramos. Durante a colheita, serve como ponto de apoio para o arranquio e como indicador de possíveis raízes quebradas que ficaram no solo.

Planilha de Estimativa de Perdas na Colheita

Arranquio: Operação técnica de extração das raízes do solo, que pode ser manual, semimecanizada ou mecanizada. Um arranquio bem executado evita o ferimento das raízes, o que é crucial para manter o valor comercial e a conservação pós-colheita.

Teor de Amido: Quantidade de reserva energética presente na raiz, sendo o principal critério de qualidade utilizado pelas indústrias de farinha e fécula. Quanto maior o teor de amido, maior será o rendimento industrial e o preço pago ao produtor.

Deterioração Fisiológica Pós-Colheita: Processo natural de oxidação e escurecimento das raízes que começa logo após serem retiradas do solo. Como a mandioca é altamente perecível, esse fenômeno exige que o transporte e o processamento ocorram em no máximo 24 horas.

Poda da Parte Aérea: Corte dos ramos e folhas realizado antes do arranquio para facilitar o manejo e o trânsito de máquinas ou pessoas na lavoura. Deve ser feita mantendo uma altura mínima para servir de alavanca no momento de puxar as raízes.

Veja como o Aegro ajuda você a lucrar mais com a mandioca

Para tomar a decisão certa sobre o momento da colheita e evitar prejuízos, é fundamental ter os números da fazenda na palma da mão. O Aegro ajuda a organizar os custos de produção e a gestão da mão de obra, permitindo que você visualize o lucro real e planeje o uso de recursos com precisão. Com o controle financeiro e operacional centralizado, fica muito mais fácil decidir se compensa colher agora ou esperar a valorização do mercado, garantindo que a logística de transporte ocorra sem atrasos e evite que a mandioca perca qualidade no campo.

Vamos lá?

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Perguntas Frequentes

Como identificar visualmente que a mandioca está no ponto ideal de colheita?

O principal sinal visual é o estágio de repouso vegetativo da planta, caracterizado pela redução expressiva na quantidade de folhas e pela presença de lobos foliares menores. Nesse momento, a planta interrompe o crescimento da parte aérea para concentrar o máximo de acúmulo de amido nas raízes, garantindo maior peso e melhor valor de mercado.

Qual é a ordem recomendada para colher diferentes variedades de mandioca?

A recomendação técnica é sempre iniciar a colheita pelas variedades precoces, que atingem a maturação mais cedo. As variedades tardias devem ser deixadas para o final do cronograma, permitindo que completem seu ciclo de desenvolvimento e alcancem o teor máximo de amido antes do arranquio.

Por que a poda da parte aérea deve ser feita antes do arranquio?

A poda, realizada a cerca de 20 cm do solo, serve para ’limpar o salão’ e facilitar a movimentação e visualização dos trabalhadores na roça. Além de aumentar a produtividade da equipe, essa prática evita o desperdício de energia no manuseio de galhos desnecessários e permite que o material vegetal seja removido de forma organizada antes da entrada de caminhões ou máquinas.

Quais são as principais dificuldades para implementar a colheita mecanizada?

A mecanização enfrenta desafios devido à irregularidade do formato e da profundidade das raízes de mandioca. Para ser viável, o terreno deve ser plano, livre de tocos e o plantio precisa ter sido feito de forma mecanizada e uniforme; caso contrário, a colhedeira pode deixar muitas raízes para trás ou causar danos físicos excessivos ao produto.

Como evitar a quebra de raízes durante o arranquio em solos pesados?

Em solos argilosos ou pesados, o arranquio manual é difícil e arriscado, por isso deve-se utilizar ferramentas como enxadas ou picaretas para fazer alavanca. O segredo é golpear a base da planta por baixo das raízes e aplicar força na extremidade do cabo da ferramenta, garantindo que a cepa inteira suba sem que as raízes individuais se partam e fiquem presas no solo.

Qual é o prazo máximo recomendado entre a colheita e o transporte da mandioca?

A mandioca é uma cultura altamente perecível e deve ser transportada para o destino final em, no máximo, 24 horas após o arranquio. A exposição prolongada ao sol e ao ar após a colheita acelera a deterioração fisiológica, o que resulta em perda de qualidade comercial e possíveis descontos no pagamento pela indústria.

Quais fatores ambientais podem inviabilizar a colheita mesmo com a planta pronta?

Além da maturação da planta, o produtor deve monitorar a umidade do solo e as condições das estradas de acesso. Solos excessivamente encharcados dificultam o tráfego de máquinas e aumentam a sujeira nas raízes, enquanto estradas em más condições podem impedir que o caminhão chegue ao local para o transporte imediato, comprometendo a carga.

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