Colheita de Pêssego, Nectarina e Ameixa: Guia Prático [2025]

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Índice

Como Saber o Ponto Exato de Colheita?

Você já passou por aquela situação de mandar a fruta para o mercado e o comprador reclamar que ela chegou “verde demais” ou, pior, que já estava passando do ponto na gôndola? Acertar a hora da colheita do pêssego, da nectarina e da ameixa é um desafio diário na lavoura.

Muitos produtores confiam apenas no olho, na cor da casca. Mas, na prática, isso engana. O índice de maturação certo varia conforme a sua região, o solo e até a irrigação. Para não ter erro, você precisa combinar dois ou três sinais.

Os principais indicadores que você deve ficar de olho são:

  • Cor da epiderme (casca): Ajuda, mas não deve ser o único critério.
  • Firmeza da polpa: Fruta muito mole não aguenta transporte.
  • Sólidos solúveis: É o açúcar da fruta.
  • Acidez: O quanto a fruta “amarra” ou está azeda.

Se o seu mercado é longe, você precisa colher a fruta um pouco menos madura para ela aguentar a viagem. Se a venda é na cidade vizinha, pode deixar amadurecer mais no pé para ganhar sabor.


Cuidados na Colheita Manual: Onde Mora o Prejuízo

Seu Antônio, produtor experiente, costuma dizer: “Fruta não é pedra”. E ele tem razão. A colheita de pêssego, nectarina e ameixa no Brasil ainda é manual. Não existe tecnologia segura por aqui para meter máquina nessa operação sem estragar a fruta, principalmente por causa do nosso relevo e das variedades que plantamos.

O problema é que a mão de obra, se não for bem treinada, pode causar danos que você só vai ver lá na classificação.


O Calor de Campo e o Resfriamento Rápido

Você sabia que a temperatura da fruta logo após a colheita é o maior inimigo da durabilidade dela? Se você colhe e deixa a caixa no sol esperando o caminhão, o “calor de campo” continua agindo. A fruta respira mais rápido e estraga antes.

O segredo aqui é o pré-resfriamento.

O objetivo é tirar esse calor acumulado o mais rápido possível. O tempo entre tirar a fruta da árvore e começar o resfriamento não deve passar de 12 horas. Se passar disso, a qualidade cai drasticamente.

Os métodos mais usados são:

  • Hydrocooling: Resfriamento com água gelada (muito eficiente).
  • Ar frio forçado: Ventilação gelada passando pelas caixas.
  • Câmara fria convencional: É o mais lento, mas é melhor que nada.

Armazenamento na Câmara Fria: Temperatura e Riscos

Uma dúvida que sempre aparece: “Qual a temperatura ideal para guardar pêssego e ameixa?”.

A resposta é precisa: entre -0,5 °C e 0,0 °C. A umidade relativa deve ficar alta, entre 90% e 95%, para a fruta não desidratar e murchar.

Mas cuidado! Existe uma “zona da morte” para essas frutas.

5 planilhas para controle da fazenda

O Perigo do Escurecimento Interno Você já abriu um pêssego bonito por fora, mas que estava escuro perto do caroço? Isso é uma fisiopatia causada pelo frio, mas na temperatura errada. O escurecimento acontece principalmente se a fruta ficar armazenada entre 2 °C e 5 °C. Evite essa faixa de temperatura a todo custo. O frio nessa faixa altera as membranas das células e causa esse defeito, que geralmente aparece depois de uns 20 dias de guarda.

Quanto tempo dura na câmara?

  • Pêssegos: 20 a 40 dias (os precoces duram menos).
  • Nectarinas: 2 a 4 semanas.
  • Ameixas: 2 a 5 semanas.

Depois de sair do frio, a fruta aguenta mais uns 2 a 4 dias na temperatura ambiente (20-25 °C).


Tecnologias para Conservar e Transportar

Além do frio, o que mais podemos usar para a fruta chegar bonita no Ceasa ou no supermercado?

  1. Ceras:

    Muito comum em outros países e em citros aqui no Brasil. Para pêssegos e ameixas, a cera (geralmente de carnaúba) ajuda a reduzir a perda de água e melhora a aparência. Ela é aplicada em frutas limpas e secas. Mas atenção: no Brasil, não é permitido misturar fungicida na cera para essas frutas, diferente do que fazem no Chile ou nos EUA.

  2. Atmosfera Modificada:

    É o uso de filmes plásticos (embalagens) específicos. Eles criam um equilíbrio entre o oxigênio que a fruta consome e o gás carbônico que ela solta. Isso “acalma” a fruta e faz ela durar mais. Nota: Embalagem a vácuo não serve para fruta fresca, pois a fruta precisa respirar o mínimo de oxigênio para não morrer e apodrecer rápido.

  3. Irradiação:

    É permitida e segura. Ajuda a matar larvas de insetos e fungos, e atrasa o amadurecimento. As doses são baixas (0,5 a 1,0 kGy) para não afetar o sabor ou a firmeza.


Glossário

Sólidos Solúveis (Graus Brix): Medida que indica a quantidade de açúcares dissolvidos na polpa do fruto, sendo o principal indicador de doçura e maturidade. É aferida com o uso de um refratômetro e ajuda a definir o momento ideal de colheita conforme o mercado consumidor.

Calor de Campo: Energia térmica que o fruto acumula enquanto está ligado à planta ou exposto ao sol após a colheita. A remoção rápida desse calor é fundamental para diminuir a respiração do fruto e evitar que ele estrague precocemente.

Hydrocooling: Método de pré-resfriamento rápido que utiliza o contato direto com água gelada para reduzir a temperatura interna dos frutos. É uma das tecnologias mais eficientes para retirar o calor de campo de forma acelerada em larga escala.

Fisiopatia: Distúrbio ou defeito no fruto causado por fatores ambientais ou manejo inadequado, sem a presença de pragas ou doenças. O escurecimento interno do pêssego devido a temperaturas inadequadas na câmara fria é um exemplo de fisiopatia pós-colheita.

Atmosfera Modificada: Técnica de conservação que utiliza embalagens plásticas especiais para controlar as trocas gasosas de oxigênio e gás carbônico do fruto. Essa tecnologia reduz o metabolismo da fruta, prolongando sua vida de prateleira durante o transporte e armazenamento.

Epiderme: Camada externa de células que forma a casca do fruto, servindo como barreira contra a perda de água e ataques externos. Sua coloração de fundo é um dos principais indicadores visuais para a seleção manual no momento da colheita.

Como o Aegro ajuda a reduzir perdas e otimizar sua colheita

Coordenar os diversos repasses da colheita manual e garantir que a equipe siga o cronograma sem erros exige uma organização rigorosa. Ferramentas como o Aegro facilitam esse processo ao permitir o planejamento e acompanhamento das atividades em tempo real pelo celular, ajudando a monitorar o rendimento da equipe e a produtividade de cada talhão, o que evita que frutas passem do ponto no pé por falta de coordenação.

Além disso, como o custo da cadeia do frio e as perdas pós-colheita impactam diretamente o seu lucro, ter um controle financeiro na ponta do lápis é fundamental. O software da Aegro centraliza todos os custos operacionais e logísticos, gerando relatórios automáticos que mostram a rentabilidade real da sua safra. Isso permite que você identifique exatamente onde estão os gargalos financeiros e tome decisões mais seguras sobre investimentos em tecnologia e infraestrutura.

Vamos lá?

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Perguntas Frequentes

Por que não se deve confiar apenas na cor da casca para determinar o momento da colheita?

Embora a cor ajude, ela pode ser enganosa dependendo da variedade, do solo e da irrigação. Para garantir o ponto exato, é fundamental combinar a observação visual com testes de firmeza da polpa e medição de sólidos solúveis (açúcar). Essa abordagem multivariada evita que a fruta chegue verde demais ou excessivamente madura ao destino final.

Como a técnica de colheita manual correta evita prejuízos na classificação?

O uso da ponta dos dedos causa marcas de pressão que só aparecem como manchas escuras após algum tempo, desvalorizando o produto. A técnica correta envolve usar a palma da mão em formato de concha com uma leve torção. Além disso, manter as unhas da equipe curtas e utilizar sacolas de colheita adequadas minimiza danos físicos que abrem portas para podridões.

O que é o ‘calor de campo’ e por que ele deve ser combatido em até 12 horas?

O calor de campo é a temperatura elevada que a fruta retém logo após ser retirada da árvore, o que acelera seu metabolismo e respiração. Se esse calor não for removido pelo pré-resfriamento em no máximo 12 horas, a fruta amadurece e estraga muito mais rápido. Métodos como o hydrocooling ou ar frio forçado são essenciais para interromper esse processo de degradação precoce.

Qual é o perigo de armazenar frutas de caroço na faixa de temperatura entre 2 °C e 5 °C?

Essa faixa é considerada a ‘zona da morte’ para pêssegos e ameixas, pois causa uma fisiopatia conhecida como escurecimento interno. Mesmo que a fruta pareça bonita por fora, a polpa perto do caroço torna-se escura e de má qualidade para o consumo. Para evitar esse problema, o armazenamento deve ser mantido rigorosamente entre -0,5 °C e 0,0 °C.

Embalagens a vácuo podem ser utilizadas para conservar pêssegos e ameixas frescos?

Não, embalagens a vácuo não são recomendadas para frutas frescas porque elas interrompem totalmente a respiração do vegetal, levando à morte celular e ao apodrecimento rápido. O ideal é utilizar a atmosfera modificada com filmes plásticos específicos. Essas embalagens permitem que a fruta respire em um ritmo reduzido, equilibrando os níveis de oxigênio e gás carbônico para prolongar a vida útil.

Por que é necessário realizar o repasse da colheita em vez de colher tudo de uma vez?

As frutas de uma mesma planta não atingem a maturação simultaneamente devido a fatores como a exposição solar e a posição nos ramos. Realizar de 3 a 4 repasses, com intervalos de alguns dias, garante que apenas as frutas no ponto ideal sejam retiradas. Isso maximiza o sabor para o consumidor e evita perdas por heterogeneidade de maturação no lote colhido.

Artigos Relevantes

  • Pós-Colheita: O Guia Prático para Proteger sua Safra e Maximizar Lucros: Este artigo é o complemento ideal, pois a maior parte do texto principal foca no manejo após a retirada do fruto (resfriamento, câmara fria e ceras). Ele expande a discussão sobre como proteger a safra e maximizar o lucro através de um guia prático de armazenamento, conectando-se diretamente aos riscos de perdas citados.
  • Perdas na Colheita: 5 Erros Comuns e Como Evitá-los para Aumentar seu Lucro: Enquanto o artigo principal detalha erros específicos da colheita manual de frutas, este candidato aborda os 5 erros comuns que geram prejuízos financeiros e logísticos. Ele oferece uma visão gerencial que ajuda o produtor a evitar desperdícios durante o transporte e armazenagem, tópicos vitais para a fruticultura.
  • Sistemas de Colheita: Do Manual ao Automatizado, Qual o Melhor para Sua Lavoura?: O artigo principal menciona que a colheita de pêssegos no Brasil ainda é manual devido ao relevo e variedades. Este texto complementa essa informação ao comparar sistemas manuais e automatizados, ajudando o produtor a entender as tendências tecnológicas e a importância da transição bem gerida entre métodos.
  • Colheita de Café: O Guia Completo Sobre Épocas e Métodos: Apesar de tratar de outra cultura, o foco na colheita seletiva e na preservação de atributos sensoriais (como acidez e doçura) é muito similar ao manejo do pêssego e da ameixa. A leitura é valiosa para produtores de frutas de caroço que buscam entender como o ponto de maturação dita a qualidade final do produto no mercado.
  • Colheita Mecanizada: Como Identificar e Reduzir Perdas de Grãos: Este artigo foca na identificação de perdas fisiológicas e operacionais, um conceito que o texto principal introduz ao falar dos 30% a 40% de perdas no Brasil. Ele oferece uma metodologia técnica para mensurar esses prejuízos, o que é essencial para o produtor que utiliza as ferramentas de gestão sugeridas no final do artigo principal.