Índice
- Cultivares de Amendoim: Como Escolher a Semente Certa para Lucrar Mais
- Quem está por trás da semente que chega na sua fazenda?
- Amendoim Rasteiro ou Ereto: Qual enche mais o bolso?
- O Pesadelo da Chuva na Colheita: A Vantagem da Dormência
- Qual a Melhor Semente para a Sua Região?
- Seca e Aflatoxina: Tem como evitar?
- Semente “Salva” vs. Semente Certificada
- E o Amendoim Transgênico?
- Glossário
- Como a tecnologia ajuda você a colher resultados melhores
- Perguntas Frequentes
- Qual a principal diferença de produtividade entre o amendoim rasteiro e o ereto?
- Por que a dormência das sementes é uma característica importante na hora da colheita?
- Existem variedades de amendoim recomendadas para regiões com baixa disponibilidade de água?
- Como a escolha da cultivar correta ajuda a prevenir a contaminação por aflatoxina?
- Quais os riscos de utilizar a semente ‘salva’ em vez da semente certificada?
- Já existem opções de amendoim transgênico disponíveis para o produtor brasileiro?
- Artigos Relevantes
Cultivares de Amendoim: Como Escolher a Semente Certa para Lucrar Mais
A safra começa muito antes de o trator entrar na lavoura. Ela começa na escolha da semente. Se você já plantou uma variedade que prometia muito e na hora da colheita entregou pouco — ou pior, brotou na roça por causa da chuva — sabe do que estou falando.
Escolher a cultivar certa de amendoim não é loteria. É técnica. Mas não precisa ser complicado. Vamos entender o que a pesquisa nacional tem de melhor para oferecer e como isso impacta o seu bolso, direto ao ponto.
Quem está por trás da semente que chega na sua fazenda?
Você confia mais em quem tem história ou em quem acabou de chegar? Na pesquisa do amendoim, a tradição pesa muito.
No Brasil, temos gigantes trabalhando há décadas para adaptar a planta ao nosso clima:
- IAC (Instituto Agronômico de Campinas): É o mais antigo. Tem mais de 80 anos de pesquisa e dezenas de cultivares lançadas, focadas principalmente no Sudeste e Cerrado.
- Embrapa Algodão: Desde o final dos anos 80, trabalha forte no melhoramento, com foco especial no Nordeste e resistência à seca.
- Institutos Estaduais: Parceiros como o Iapar (Paraná), EBDA (Bahia) e IPA (Pernambuco) validam essas sementes na realidade local.
Amendoim Rasteiro ou Ereto: Qual enche mais o bolso?
Essa é uma dúvida clássica. “Seu Antônio, por que meu vizinho planta o rasteiro e colhe mais, mas reclama que demora mais?”
A resposta está na eficiência. O amendoim precisa enterrar o “esporão” (ginóforo) no chão para virar vagem.
- Planta Ereta (em pé): As flores ficam mais altas. O esporão tem que fazer uma viagem longa até o chão. Muitos não chegam lá. A eficiência é baixa, de 25% a 35%.
- Planta Rasteira: Os ramos deitam no chão. O esporão já está na “cara do gol”. A eficiência salta para 45% a 55%.
📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM: Uma lavoura de amendoim rasteiro converte até 20% mais flores em vagens do que o ereto. É mais vagem por metro quadrado.
Mas cuidado: o rasteiro tem ciclo longo (120 a 140 dias). Já o ereto é mais ligeiro. Se você precisa liberar a área rápido para outra cultura, o ereto pode ser melhor, mesmo produzindo um pouco menos.
O Pesadelo da Chuva na Colheita: A Vantagem da Dormência
Você já perdeu amendoim porque choveu na hora de arrancar e a semente brotou dentro da vagem? Isso dói no bolso.
Aqui está o segredo das variedades rasteiras: a maioria tem dormência. Isso significa que, mesmo com a vagem madura e o solo molhado, a semente “espera” para germinar. Isso dá uma segurança enorme se o tempo virar no final do ciclo.
Já as variedades eretas (tipo Valência) geralmente não têm dormência. Madurou, molhou, nasceu. É arriscado em regiões onde chove muito na colheita.
Qual a Melhor Semente para a Sua Região?
Não adianta trazer uma semente campeã do Sul e plantar no Sertão sem testar. O clima manda.
1. Para o Sudeste e Cerrado
O IAC domina aqui. Eles têm materiais rasteiros de ciclo longo e eretos mais curtos.
- Exemplos: IAC Oirã, IAC Tupã e IAC Poitara.
- São produtivos e respondem bem à tecnologia.
2. Para o Nordeste (e regiões secas)
Aqui o buraco é mais embaixo. A falta de água exige materiais “duros na queda”. A Embrapa desenvolveu materiais precoces e eretos que aguentam o tranco da seca.
- Exemplos: BR 1, BRS 151 L7 e BRS Havana.
- Ideais para quem tem janela de chuva curta ou baixa precipitação.
Seca e Aflatoxina: Tem como evitar?
Todo produtor tem medo da aflatoxina (aquela toxina do fungo Aspergillus). O mercado paga mal ou nem compra o lote contaminado.
A ciência descobriu uma relação importante: plantas que sofrem menos com a seca têm menos aflatoxina.
Quando a planta passa sede, ela abre a porta para o fungo. Variedades tolerantes à seca conseguem “fechar a torneira” (os estômatos) e segurar a água nas folhas por mais tempo.
Existe variedade resistente à seca? Sim, mas não faz milagre. Cultivares como a BR 1 e a BRS 151 L7 mostraram em testes que sentem menos o estresse hídrico do que a tradicional Tatu. Elas mantêm a folha hidratada por mais tempo, garantindo o enchimento do grão.
Semente “Salva” vs. Semente Certificada
“Dona Maria, por que vou pagar mais caro na semente certificada se posso usar a do meu paiol?”
Essa economia é a famosa “barata que sai caro”. Veja só:
- Vigor: Semente certificada tem garantia de que vai nascer forte e uniforme.
- Mistura: Semente salva vira uma “salada de frutas”. Você mistura plantas de ciclos diferentes. Na colheita, metade está verde, metade madura. Prejuízo na certa.
- Doença: Semente caseira leva fungo e vírus para a terra limpa.
E o Amendoim Transgênico?
A gente ouve falar de soja e milho transgênico o tempo todo. E o amendoim?
Por enquanto, não existe amendoim transgênico comercial no mercado. Nada de comprar semente “mágica” de vendedor desconhecido.

A pesquisa existe? Sim. Estão testando plantas resistentes a vírus e até tolerantes à seca usando biotecnologia. Mas, hoje, o melhoramento é feito no método convencional: cruzando plantas boas (como as selvagens resistentes a doenças) com as comerciais produtivas.
Portanto, o foco agora é escolher bem entre as variedades convencionais disponíveis no mercado nacional.
Check-list para a próxima safra:
- Defina seu risco: Medo de chuva na colheita? Vá de rasteiro com dormência.
- Olhe o calendário: Precisa liberar a área rápido? Vá de ereto (mas cuidado com a eficiência menor).
- Confie na origem: Compre sementes IAC ou Embrapa, produzidas por sementeiros credenciados no Mapa.
- Atenção à região: O que funciona em SP pode não rodar bem na Bahia. Consulte um agrônomo local.
Glossário
Ginóforo: Também conhecido como ’esporão’, é a estrutura que cresce a partir da flor polinizada e penetra no solo para formar a vagem e os grãos de amendoim.
Cultivar: Variedade de planta que foi selecionada ou melhorada por pesquisadores para apresentar características específicas e uniformes, como maior produtividade ou resistência a pragas.
Dormência: Mecanismo biológico que impede a semente de germinar logo após a maturação, mesmo em contato com a umidade, evitando que o amendoim brote ainda no solo antes da colheita.
Aflatoxina: Toxina perigosa produzida por fungos do gênero Aspergillus, que pode contaminar o amendoim sob condições de estresse hídrico ou umidade excessiva, desvalorizando o produto no mercado.
Estômatos: Estruturas microscópicas nas folhas que regulam a entrada e saída de gases e água; plantas com melhor controle estomático conseguem suportar períodos de seca com menos danos.
Ciclo Fenológico: Refere-se às etapas de desenvolvimento da planta, do plantio à colheita, sendo classificado em curto (precoce) ou longo conforme o tempo necessário para a maturação dos grãos.
Vigor de Semente: Conjunto de propriedades que determinam o potencial para uma emergência rápida e uniforme das plantas em campo, garantindo um estande de plantas adequado.
Melhoramento Convencional: Técnica de desenvolvimento de novas variedades baseada no cruzamento natural entre plantas com características desejáveis, sem o uso de modificação genética laboratorial (transgenia).
Como a tecnologia ajuda você a colher resultados melhores
Escolher a cultivar ideal é apenas o primeiro passo para uma safra lucrativa. Para garantir que esse potencial se converta em resultados, o planejamento operacional é fundamental. Ferramentas como o Aegro ajudam a organizar o cronograma de plantio e colheita de forma simples, permitindo que você visualize o ciclo de cada variedade e coordene as máquinas para evitar as janelas de chuva, protegendo a qualidade do amendoim.
Além da organização no campo, é preciso ter clareza sobre o retorno financeiro de cada escolha, como o investimento em sementes certificadas. Com o software de gestão da Aegro, você centraliza o controle de custos e insumos por talhão, facilitando a análise de lucratividade e ajudando a tomar decisões baseadas em dados reais, o que traz mais segurança tanto para quem está modernizando a fazenda quanto para quem busca eficiência máxima nos custos.
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Perguntas Frequentes
Qual a principal diferença de produtividade entre o amendoim rasteiro e o ereto?
O amendoim rasteiro é mais eficiente porque seus ramos ficam próximos ao solo, facilitando a penetração do ginóforo (esporão) na terra. Enquanto o tipo ereto tem uma eficiência de conversão de flores em vagens de apenas 25% a 35%, o rasteiro alcança entre 45% e 55%, resultando em uma colheita cerca de 20% superior em volume de vagens.
Por que a dormência das sementes é uma característica importante na hora da colheita?
A dormência impede que a semente germine dentro da vagem logo após amadurecer, mesmo que o solo esteja úmido. Essa característica, comum nas variedades rasteiras, oferece uma margem de segurança essencial ao produtor caso ocorram chuvas inesperadas no momento de arrancar o amendoim, evitando perdas financeiras por brotamento indesejado na roça.
Existem variedades de amendoim recomendadas para regiões com baixa disponibilidade de água?
Sim, a Embrapa desenvolveu cultivares como a BR 1 e a BRS 151 L7, que são especialmente adaptadas ao clima do Nordeste e outras regiões secas. Essas variedades são mais resistentes ao estresse hídrico e possuem ciclo mais curto, o que permite que a planta complete seu desenvolvimento aproveitando janelas menores de chuva.
Como a escolha da cultivar correta ajuda a prevenir a contaminação por aflatoxina?
Embora não existam cultivares totalmente imunes, plantas que toleram melhor a seca sofrem menos estresse hídrico, o que reduz as chances de entrada do fungo Aspergillus. Variedades que conseguem manter a hidratação das folhas por mais tempo protegem melhor os grãos, mas o produtor ainda deve manter um manejo rigoroso de secagem e colheita para garantir a segurança do lote.
Quais os riscos de utilizar a semente ‘salva’ em vez da semente certificada?
O uso de sementes ‘salvas’ (do próprio paiol) pode gerar uma lavoura com maturação desigual, onde parte das plantas está verde e outra madura na hora da colheita. Além disso, sementes sem certificação têm menor vigor germinativo e podem carregar fungos e vírus que contaminam o solo, enquanto a semente certificada garante pureza genética e sanidade.
Já existem opções de amendoim transgênico disponíveis para o produtor brasileiro?
Atualmente, não existe amendoim transgênico disponível para comercialização no mercado brasileiro. Todo o melhoramento das sementes de instituições como IAC e Embrapa é feito através de métodos convencionais, cruzando plantas produtivas com variedades selvagens resistentes, garantindo segurança e aceitação nos mercados nacional e internacional.
Artigos Relevantes
- Guia Completo do Cultivo de Amendoim: Do Plantio à Lucratividade: Este artigo é a continuação natural do texto principal, pois expande a escolha da cultivar para o manejo completo da lavoura, abordando desde o plantio até a colheita. Ele oferece uma visão sistêmica que conecta a genética da semente à lucratividade final, especialmente no contexto de rotação com canaviais.
- Plantação de Amendoim: Como Plantar em 6 Etapas [2025]: Enquanto o artigo principal foca na técnica das cultivares, este guia prático detalha o planejamento operacional e a análise de custos em seis etapas. Ele complementa a discussão sobre eficiência produtiva (ereto vs. rasteiro) ao fornecer o embasamento financeiro necessário para a tomada de decisão do produtor.
- Sementes Piratas: O Guia Completo Sobre Riscos e Como Evitar Prejuízos: Este conteúdo aprofunda drasticamente o alerta feito no artigo principal sobre a ‘semente salva’. Ele detalha os riscos fitossanitários, legais e de vigor que as sementes sem certificação trazem, validando tecnicamente por que o investimento em sementes IAC ou Embrapa é mais seguro.
- Plantas de Cobertura: O Guia Completo para Proteger e Enriquecer seu Solo: O sucesso das cultivares de alto rendimento depende da saúde do solo, e este artigo explica como as plantas de cobertura preparam o ambiente para a cultura principal. Como o amendoim é frequentemente utilizado em sistemas de rotação, entender a adubação verde é crucial para maximizar a fixação biológica de nitrogênio citada no contexto da cultura.
- Amendoim-bravo (leiteiro): como identificar e controlar essa planta daninha: Este artigo aborda um desafio prático de manejo: a distinção e o controle de uma planta daninha que compartilha o nome popular com a cultura, mas prejudica sua produtividade. Ele agrega valor ao ensinar o produtor a proteger o estande das cultivares selecionadas contra a competição por nutrientes e luz.

![Imagem de destaque do artigo: Cultivares de Amendoim: 5 Dicas para Alto Rendimento [2025]](/images/blog/geradas/cultivares-amendoim-alto-rendimento-qual-escolher.webp)