Cultivo de Mamão: Guia de Solo, Clima e Adubação [2025]

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Índice

Aqui na lavoura, a gente sabe que não adianta ter a melhor semente do mundo se o “berço” da planta não estiver arrumado. Com o mamão, isso é ainda mais sério. É uma cultura ingrata: qualquer erro no clima ou no chão cobra o preço lá na frente, na hora da colheita.

Se você está pensando em começar um plantio ou quer entender por que aquele talhão não está rendendo o esperado, vamos conversar direto ao ponto sobre o que realmente manda na produtividade: clima, solo e a comida da planta.

O Clima Manda na Roça: Temperatura e Vento

Você já viu lavoura de mamão travar e parar de crescer no inverno? Isso acontece porque o mamoeiro é bicho de calor. Ele gosta mesmo é de 22 °C a 26 °C.

Se a temperatura cair para menos de 15 °C, a planta “dorme”. O crescimento para, a maturação dos frutos atrasa e a produção despenca. Se vier geada então, queima a folha toda, acabando com a fotossíntese.

E o vento? Muita gente esquece, mas o vento é um inimigo silencioso. Vento forte rasga a folha e derruba a flor. Se não tiver flor, não tem fruto. Além disso, o vento frio queima a planta igual geada.

Solo Encharcado é Prejuízo Certo

Sabe aquele ditado “mamão não gosta de pé molhado”? É a pura verdade. Seu Antônio, produtor experiente, perdeu meio hectare ano passado porque plantou numa baixada que acumulava água.

O mamoeiro precisa de solo de textura média (aquele com 15% a 35% de argila e um pouco de areia). Se for muito argiloso ou em baixada, quando chover forte, vai encharcar.

O que acontece no encharcamento?

  1. As folhas de baixo caem antes da hora.
  2. As folhas novas ficam amarelas.
  3. O tronco fica fino.
  4. Aparece a podridão-do-colo (Phytophthora), que mata a planta rápido.

Análise de Solo: O Barato que Sai Caro se Não Fizer

Muita gente acha que conhece a terra “de olho”. Mas adubar sem análise é jogar dinheiro fora. Ou você põe de menos e a planta passa fome, ou põe de mais e joga lucro no lixo.

Para fazer a coisa certa:

  • Divida a área: Separe em talhões iguais.
  • Profundidade: O principal é de 0 a 20 cm. Se der, faça também de 20 a 40 cm para ver como está o subsolo.
  • Mistura: Tire umas 20 subamostras andando em zigue-zague, misture tudo num balde limpo e tire a amostra final (meio quilo de terra).
  • Quando: De 3 a 6 meses antes de preparar o solo.

⚠️ ATENÇÃO: Se o mamão já estiver plantado, nunca tire terra de onde você jogou o adubo antes. Pegue a amostra na região para onde a raiz vai crescer, senão o resultado vai dar falso e te enganar.

Calagem e Gessagem: Arrumando a Casa

O mamão gosta de pH entre 5,5 e 6,7. Se estiver ácido demais, tem que corrigir.

A calagem deve ser feita uns 2 ou 3 meses antes do plantio, de preferência quando o solo ainda tem umidade para o calcário reagir. O ideal é o calcário dolomítico, porque ele já traz o Magnésio, que é fundamental para a planta fazer fotossíntese (ficar verde) e ativar o crescimento.

E o gesso? O gesso não muda o pH. Ele serve para descer no solo e “caçar” o alumínio tóxico lá embaixo, além de levar cálcio para as raízes profundas. Use se a análise mostrar alumínio alto ou falta de cálcio na camada de 20-40 cm.

Adubação: O Segredo do Parcelamento

O mamoeiro cresce rápido e dá fruto o ano todo, então ele come muito. Mas não adianta jogar a comida toda de uma vez.

Nitrogênio e Potássio: Esses dois somem fácil do solo (a chuva leva ou evapora). O segredo é o parcelamento.

  • Adubação sólida: De mês em mês ou a cada 2 meses (depende da chuva).
  • Fertirrigação: A cada 15 dias ou toda semana.

Fósforo: Esse a gente parcela menos porque ele não se perde tanto. Uma dúvida comum: Superfosfato Simples ou Triplo? Os dois são bons e solúveis. Mas o Simples leva vantagem porque, além do fósforo, tem Cálcio (18-20%) e Enxofre (10-12%). O Triplo não tem Enxofre.

O Tal do Boro (Cuidado com o Fruto Encaroçado)

Se tem um micronutriente que o mamão exige, é o Boro. A falta dele causa abortamento de flores na seca e deixa o fruto deformado, encaroçado e soltando látex.

Como resolver? Pode aplicar no plantio (FTE) ou via foliar (ácido bórico) preventivamente duas vezes por ano.

Matéria Orgânica e Consórcio

O mamoeiro responde muito bem à adubação orgânica. Esterco de curral, de galinha ou torta de mamona são ótimos.

Mas cuidado com a origem do esterco! Se o esterco vier de gado de confinamento, pode ter muito sal (sódio) ou restos de herbicida hormonal. Isso intoxica e pode matar a planta. E se o esterco não estiver bem curtido (fermentado), aplique na cova 60 dias antes de plantar, senão ele esquenta e queima a muda.

💡 DICA DE QUEM JÁ FEZ: Não use restos do próprio mamoeiro para fazer composto e jogar em plantio novo. Isso inibe o crescimento das mudas novas.

Adubação Verde Plantar leguminosas (feijão-de-porco, crotalária) nas entrelinhas ajuda a fixar nitrogênio e protege o solo. Só plante depois que o mamoeiro já estiver firme (uns 60 dias de campo) e escolha espécies que não trepam na planta (nada de mucuna!).

Como Saber se Deu Certo? (Análise Foliar)

Depois de fazer tudo isso, como saber se a planta está bem nutrida? Olhando a folha. A análise foliar serve para confirmar o que a gente vê no olho. Às vezes a planta não mostra sintoma, mas já está com fome (fome oculta).

Existe um sistema chamado DRIS. Não precisa decorar o nome difícil, mas entenda o que ele faz: ele não olha só se “tem nitrogênio suficiente”, ele olha o equilíbrio entre os nutrientes. Às vezes sobra um e falta outro, e isso atrapalha a produção. O DRIS ajuda a ajustar esse balanço fino para você colher mais e com mais qualidade.


Glossário

Podridão-do-colo (Phytophthora): Doença causada por fungos de solo que atacam a base do caule, comum em terrenos com drenagem deficiente. No mamoeiro, provoca o apodrecimento dos tecidos e a morte rápida da planta devido ao bloqueio da circulação de seiva.

Calcário Dolomítico: Corretivo de solo que contém altos teores de cálcio e magnésio, utilizado para reduzir a acidez da terra. É essencial para o produtor brasileiro fornecer magnésio, nutriente vital para a fotossíntese e o vigor das folhas.

Saturação por Bases (V%): Índice que indica a porcentagem de nutrientes disponíveis ocupando o solo em relação à sua capacidade total de armazenamento. Serve como o principal guia técnico para calcular a quantidade exata de calcário necessária para a lavoura.

Fertirrigação: Técnica de aplicação de fertilizantes diluídos diretamente na água de irrigação. Permite o parcelamento frequente da adubação, garantindo que o mamoeiro receba nutrientes de forma constante e eficiente.

FTE (Fritted Trace Elements): Fertilizantes que contêm micronutrientes na forma de silicatos fundidos, garantindo uma liberação lenta e gradual no solo. São amplamente usados para evitar deficiências de boro, evitando que os frutos fiquem deformados ou encaroçados.

Adubação Verde: Cultivo de plantas específicas, como leguminosas, para proteger o solo e melhorar sua fertilidade natural. Essas plantas ajudam a fixar nitrogênio do ar na terra e aumentam a matéria orgânica disponível para a cultura principal.

DRIS (Sistema Integrado de Diagnose e Recomendação): Método avançado de interpretação de análise foliar que avalia o equilíbrio entre todos os nutrientes da planta. Identifica a ‘fome oculta’, permitindo ajustar a adubação mesmo quando o mamoeiro ainda não apresenta sinais visuais de deficiência.

Como a tecnologia ajuda no manejo do mamoeiro

Como vimos, o sucesso do mamoeiro depende de um equilíbrio sensível entre clima, solo e nutrição. Gerenciar o parcelamento constante da adubação e o controle rigoroso de custos por talhão pode ser complexo, mas ferramentas como o Aegro facilitam muito essa organização. Com o software, você pode registrar cada aplicação de insumos e monitorar o custo exato por área, garantindo que o planejamento da fertirrigação seja seguido à risca e sem desperdícios.

Além disso, centralizar os resultados das suas análises de solo e foliares no sistema ajuda a transformar dados técnicos em decisões lucrativas. Isso permite que você visualize o desempenho de cada talhão de forma clara, facilitando o ajuste fino da nutrição e a correção de problemas operacionais antes que eles afetem a colheita.

Vamos lá?

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Perguntas Frequentes

O que acontece se eu plantar mamão em uma região de ventos fortes sem proteção?

O vento forte é um grande inimigo do mamoeiro, pois rasga as folhas e derruba as flores, o que reduz drasticamente a produção de frutos. Além disso, o vento frio pode causar danos semelhantes à geada, ‘queimando’ a planta. Por isso, é fundamental instalar quebra-ventos antes de iniciar o plantio se a sua região for ventosa.

Por que o mamoeiro não tolera solos encharcados ou áreas de baixada?

O excesso de água no solo impede a respiração das raízes e favorece o surgimento da podridão-do-colo (Phytophthora), uma doença que mata a planta rapidamente. Em áreas de baixada, a água tende a acumular, causando o amarelecimento das folhas e o afinamento do tronco. O ideal é escolher solos de textura média com boa drenagem e, se necessário, plantar em curvas de nível.

Qual a diferença prática entre usar Superfosfato Simples ou Triplo na adubação do mamão?

Embora ambos sejam ótimas fontes de fósforo, o Superfosfato Simples leva vantagem por conter também Cálcio e Enxofre em sua composição. O Superfosfato Triplo é mais concentrado em fósforo, porém não possui Enxofre, o que pode exigir uma complementação extra desse nutriente para manter o equilíbrio nutricional da lavoura.

Meus frutos estão nascendo deformados e ’encaroçados’. O que pode ser?

Esse é um sintoma clássico da deficiência de Boro. Quando falta esse micronutriente, o mamão apresenta frutos deformados, com caroços internos e liberação excessiva de látex, além do abortamento de flores. O problema pode ser resolvido com aplicações preventivas de ácido bórico via foliar ou adubos específicos (FTE) no solo.

O gesso agrícola pode ser usado para substituir o calcário na correção do solo?

Não, pois o gesso e o calcário têm funções diferentes. O calcário é usado para corrigir o pH (tirar a acidez) e fornecer Cálcio e Magnésio na camada superficial. Já o gesso não altera o pH, mas serve para neutralizar o alumínio tóxico em camadas mais profundas e levar Cálcio para as raízes debaixo, ajudando a planta a resistir melhor a períodos de seca.

Por que é perigoso usar esterco fresco ou restos do próprio mamoeiro como adubo?

O esterco que não está bem curtido pode ’esquentar’ durante a fermentação e queimar as raízes das mudas recém-plantadas. Já os restos do próprio mamoeiro podem conter patógenos ou substâncias que inibem o crescimento de plantas novas. Recomenda-se curtir o esterco por pelo menos 60 dias e evitar o uso de resíduos da própria cultura no mesmo talhão.

Por que a adubação de Nitrogênio e Potássio precisa ser parcelada tantas vezes?

Esses dois nutrientes são altamente móveis e ‘fogem’ do solo com facilidade, seja levados pela água da chuva ou por evaporação. Como o mamoeiro cresce e produz o ano todo, ele precisa de uma oferta constante de alimento. O parcelamento mensal ou via fertirrigação garante que a planta aproveite o máximo do adubo, evitando o desperdício de dinheiro.

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