Desmame de Leitões: Guia de Manejo e Nutrição [2025]

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Índice

O Desafio dos Leitões: Como Não Perder Peso no Desmame?

Você sabe bem como é: o leitão está bonito na maternidade, mas quando desmama, “trava”. Para de comer, perde peso e a gente perde dinheiro. O segredo para evitar isso não é mágica, é manejo.

O choque da separação da mãe é grande. Para amenizar, a ração pré-inicial deve entrar no escamoteador a partir do sétimo dia de vida. Isso ensina o estômago do bicho a trabalhar com sólido.

Mas a “pulo do gato” acontece na primeira semana pós-desmame. O leitão não sabe usar comedouro automático direito.


Crescimento e Terminação: Quanto Colocar no Cocho?

Uma dúvida que sempre aparece na roda de conversa é: “Seu Antônio, deixo a ração à vontade ou controlo a quantidade?”. A resposta afeta direto o seu bolso e a conversão alimentar do rebanho.

Na fase de crescimento, um suíno come, em média, 1,9 kg por dia. Já na terminação, isso sobe para 3,1 kg por dia. Você pode deixar à vontade no automático, mas o desperdício costuma ser maior se o cocho não for bem regulado.

Se você optar pelo trato controlado (para evitar que o animal engorde demais e perca qualidade de carcaça), siga esta tabela prática de referência para ganho de peso:

  • 25-35 kg de peso vivo: 1,5 kg de ração/dia
  • 45-55 kg de peso vivo: 2,2 kg de ração/dia
  • 65-75 kg de peso vivo: 2,9 kg de ração/dia
  • 85-95 kg de peso vivo: 3,5 kg de ração/dia

O Manejo da Matriz: Fibra na Gestação e Comida na Lactação

Dona Maria, gestora de uma granja no Paraná, teve problemas sérios com porcas com dificuldade de parto e leitões nascendo fracos. O problema não era doença, era constipação (prisão de ventre) na gestação.

A matriz gestante precisa de fibra. Por quê? A fibra enche a barriga, acalma o animal (evita que fiquem mastigando grade) e, o mais importante: faz o intestino funcionar. Isso diminui o tempo do parto e reduz natimortos.

Você pode usar pasto verde para complementar a ração da gestante. Mas atenção: é complemento, não substituto. A ração base deve ser de cerca de 2 kg/dia até os 90 dias de gestação, subindo para 2,5 kg depois disso.

No dia do parto:

  • Ração: Zero. Não dê comida no dia do parto, apenas água limpa e fresca à vontade.
  • Pós-parto: Comece devagar. Dê 3 kg/dia nos primeiros 3 dias.
  • Lactação: A partir do 4º dia, abra a mão. A porca precisa produzir leite. Uma matriz com 8 leitões ou mais deve comer no mínimo 5,5 kg de ração por dia.

Milho, Soja e Substitutos: Dá para Economizar na Mistura?

Quando o milho dispara o preço, todo mundo quer saber: “Posso dar sorgo ou trigo?”. A resposta curta é: sim, mas precisa fazer conta e ajuste.

O milho é energia. A soja é proteína. Se você tem trigo ou triticale barato na região, eles podem substituir o milho. O trigo de boa qualidade pode até entrar no lugar de 100% do milho, mas a fórmula muda. O sorgo também é excelente, desde que seja de baixo tanino (o tanino “amarra” a digestão do bicho).

Agora, um ponto que muita gente erra na mistura caseira: o tamanho da moagem do milho. Jogar milho inteiro ou quebrado grosso é perder dinheiro. O suíno não aproveita.


Mistura na Fazenda: O Perigo do Sal e do “Olhômetro”

Fazer a ração no galpão pode ser mais barato, mas exige responsabilidade. O “núcleo” ou “premix” traz as vitaminas e minerais que o milho e a soja não têm. Não adianta dar só milho e sal branco, o porco vai quebrar.

E falando em sal, aqui vai um alerta seríssimo sobre a água. Se faltar água no bebedouro e o porco comer ração com sal normal, ele pode sofrer intoxicação por sal.

O que acontece? O animal fica cego, surdo, tem ataques tipo epilepsia e morre em 48 horas. Se o sistema de água falhou, não dê ração seca de jeito nenhum antes de restabelecer a água. Comece dando água aos poucos.

Para quem fabrica na fazenda, a regra de ouro é: mistura homogênea. Se o misturador for ruim, um porco come só milho e o outro come puro núcleo. O resultado é um lote desigual (“fundo de lote”).


Glossário

Escamoteador: Compartimento protegido na baia de maternidade onde o leitão recebe aquecimento e alimentação suplementar sem a interferência da porca. É essencial para garantir o conforto térmico e o início seguro do consumo de ração sólida.

Conversão Alimentar (CA): Índice que indica a eficiência do animal em transformar o alimento consumido em peso vivo. Quanto menor o valor da CA, mais rentável é a produção, pois o animal gasta menos ração para ganhar cada quilo de carne.

Granulometria: Medida do tamanho das partículas dos grãos após a moagem, expressa geralmente em mícrons. Na suinocultura, o ajuste fino da granulometria é crucial para maximizar a digestibilidade e evitar desperdícios nutricionais.

Fatores Antinutricionais: Substâncias presentes naturalmente em grãos crus, como a soja, que dificultam a digestão ou prejudicam a saúde do animal. O tratamento térmico (tostagem) é necessário para desativar esses compostos e liberar o potencial nutritivo do grão.

Premix ou Núcleo: Mistura concentrada de microingredientes, como vitaminas, minerais e aminoácidos, adicionada à ração fabricada na fazenda. Garante que as exigências nutricionais que não são supridas pelo milho e pela soja sejam atendidas em cada fase da vida.

Tanino: Substância química encontrada em certas variedades de sorgo que pode dar sabor amargo e reduzir o aproveitamento das proteínas. O produtor deve optar por variedades de baixo tanino para não prejudicar o desempenho dos animais.

Natimortos: Refere-se aos leitões que nascem mortos após completarem o período gestacional normal. Reduzir esse índice através do manejo de fibras e nutrição da matriz é fundamental para a produtividade da granja.

Como a tecnologia ajuda a transformar o manejo em lucro

Manter a ponta do lápis afiada é tão importante quanto o manejo correto no cocho. Com a volatilidade constante nos preços do milho e da soja, ferramentas de gestão como o Aegro permitem que você controle os custos de produção em tempo real, sabendo exatamente quanto cada lote está custando. Além de centralizar o financeiro, o sistema ajuda a monitorar o estoque de insumos e o planejamento das atividades diárias, evitando desperdícios e garantindo que você tome decisões baseadas em dados concretos, protegendo sua margem de lucro.

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Perguntas Frequentes

Por que é recomendado oferecer ração em bandejas no chão logo após o desmame?

O leitão recém-desmamado ainda não está habituado aos comedouros automáticos e o estresse da separação pode inibir o apetite. Utilizar bandejas largas no chão estimula a curiosidade natural do animal e facilita o acesso ao alimento, garantindo que ele comece a comer o quanto antes. Essa prática, aliada à oferta de ração úmida, previne a perda de peso e o ’travamento’ do crescimento nessa fase crítica.

Qual é a importância da granulometria do milho na nutrição de suínos?

A moagem correta do milho impacta diretamente na digestibilidade e no aproveitamento dos nutrientes. O ideal é manter a granulometria entre 500 e 650 mícrons (ponto de fubá), o que garante cerca de 90% de digestibilidade. Moagens muito grossas fazem com que o animal não consiga processar o grão adequadamente, resultando em desperdício de dinheiro e menor ganho de peso.

Como deve ser o manejo alimentar da porca no dia do parto e nos dias seguintes?

No dia do parto, a recomendação é fornecer apenas água limpa e fresca à vontade, suspendendo o fornecimento de ração. Do primeiro ao terceiro dia pós-parto, a oferta deve ser gradual, cerca de 3 kg por dia, para não sobrecarregar o sistema da matriz. A partir do quarto dia, a alimentação deve ser liberada à vontade para sustentar a alta produção de leite necessária para a leitegada.

Quais são os riscos de exceder a dose recomendada de Sulfato de Cobre na terminação?

Embora seja um promotor de crescimento, o uso excessivo (acima de 50g para cada 100kg de ração) é prejudicial. O excesso pode causar lesões gástricas graves no animal e comprometer a qualidade da carcaça, deixando a gordura com um aspecto ‘mole’. Essa alteração na gordura é um critério de desclassificação em muitos frigoríficos, gerando prejuízo direto ao produtor.

Posso substituir integralmente o milho por sorgo ou trigo na ração?

Sim, a substituição é possível, mas exige cuidados técnicos específicos. O trigo pode substituir até 100% do milho, enquanto o sorgo deve ser preferencialmente de baixo tanino para não prejudicar a digestão. Em qualquer substituição de ingredientes energéticos, é fundamental que um nutricionista ou técnico recalcule a formulação para manter o equilíbrio nutricional do lote.

Por que não se deve oferecer soja crua diretamente para os suínos?

A soja em grão cru possui fatores antinutricionais que impedem a absorção de proteínas e travam o desenvolvimento do animal. Para ser utilizada com segurança na suinocultura, a soja precisa obrigatoriamente passar por um processo térmico, como a tostagem. Esse aquecimento desativa as substâncias nocivas, transformando o grão em uma fonte proteica segura e eficiente.

Qual é a relação entre o sal na ração e a disponibilidade de água no bebedouro?

O sal presente nos núcleos e premixes exige que o animal tenha acesso constante à água para manter o equilíbrio osmótico. Se o sistema de água falhar e o suíno consumir a ração seca, ele pode sofrer uma intoxicação gravíssima por sal, que causa cegueira, convulsões e morte rápida. Por isso, nunca forneça ração se o fornecimento de água estiver interrompido na granja.

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