Índice
- Você Sabe Diferenciar Resistência de Tolerância? (E Por Que Isso Importa no Bolso)
- O Pesadelo do Mofo Cinzento: Como Identificar Antes de Perder o Cacho?
- O Segredo do Controle Químico: Quando Aplicar para Salvar 54% da Safra?
- Podridão do Tronco e dos Ramos: O Perigo dos Dias Secos e da Poda Errada
- Murcha de Fusarium: Por Que a Planta Murcha Mesmo com Solo Úmido?
- Tratamento de Sementes: O “Seguro” Mais Barato da Sua Lavoura
- Mancha de Alternaria e Bacteriose: Onde Elas Atacam?
- Glossário
- Como o Aegro ajuda você a transformar proteção em lucro
- Perguntas Frequentes
- Qual é a diferença prática entre resistência e tolerância no cultivo da mamona?
- Como identificar o momento ideal para iniciar o controle químico do Mofo Cinzento?
- Por que a podridão do tronco é mais comum em períodos de seca no semiárido?
- Como o ’teste do canivete’ ajuda no diagnóstico da Murcha de Fusarium?
- O tratamento de sementes é realmente necessário se a semente parecer limpa?
- Como o manejo pós-colheita ou poda pode prevenir a Podridão dos Ramos?
- De que forma a torta de mamona auxilia no controle de nematoides na fazenda?
- Artigos Relevantes
Aqui está o corpo do artigo, focado na realidade do produtor de mamona brasileiro, com linguagem prática e direta.
Você Sabe Diferenciar Resistência de Tolerância? (E Por Que Isso Importa no Bolso)
Seu Zé, lá do sertão baiano, sempre me dizia: “Meu filho, essa planta tá cheia de mancha, mas carrega que é uma beleza”. Ele não sabia os nomes técnicos, mas entendia na prática a diferença entre tolerância e resistência. E você precisa entender isso também para escolher a semente certa.
Vamos descomplicar:
- Resistência: É a defesa da planta. É a capacidade dela de “brigar” contra o fungo e diminuir o estrago. Pode ser total (imunidade, que é raro) ou parcial.
- Tolerância: É a capacidade da planta de “aguentar o tranco”. Ela pega a doença, fica feia, mas continua produzindo bem, entregando mais quilos por hectare do que uma planta sensível.
Na hora de escolher a variedade: Se você planta em lugar muito úmido, procure variedades resistentes ou tolerantes. Variedades com cachos muito fechados (compactos) e com nós muito curtos seguram mais umidade e são um prato cheio para o Mofo Cinzento.
O Pesadelo do Mofo Cinzento: Como Identificar Antes de Perder o Cacho?
Já aconteceu de você olhar a lavoura e ver aquele “algodão” acinzentado cobrindo os cachos e as flores? É o Mofo Cinzento (Amphobotrys ricini). O perigo mora aqui: se pegar na floração ou quando o fruto está enchendo, o prejuízo é certo.
O fungo começa com pequenas manchas azuladas nos cachos. Se o tempo estiver fechado, úmido e quente (perto dos 25°C), ele explode. As flores apodrecem e os frutos ficam escuros.
Quem espalha essa praga?
- O Vento: Carrega os esporos.
- Insetos: Ao voar de flor em flor, eles levam a doença de carona.
- Sementes contaminadas: Começar errado já traz o problema para dentro de casa.
- Mamonas “tigueras”: Aquelas plantas nativas na beira da estrada servem de hotel para o fungo.
O Segredo do Controle Químico: Quando Aplicar para Salvar 54% da Safra?
Muita gente me pergunta: “Compensa gastar com fungicida na mamona?”. Vamos aos números, porque produtor gosta de conta que fecha.
Em regiões onde o clima ajuda a doença, não controlar é pedir para perder dinheiro. Um estudo prático mostrou o seguinte:
- Sem controle: A produtividade foi de 642 kg/ha.
- Com controle na hora certa: A produtividade saltou para 988 kg/ha.
Isso é um aumento de 54% na produção. E sabe quanto custou o remédio? Apenas metade do lucro extra que ele gerou. Ou seja, o tratamento se pagou e ainda sobrou dinheiro no bolso.
Quando entrar com o pulverizador? Não espere a lavoura ficar cinza. O momento exato é no início dos sintomas, quando aparecem aquelas manchinhas azuladas nas inflorescências. O objetivo é proteger os cachos novos.
O que usar? Testes de campo mostraram eficiência com:
- Carbendazim (0,5 L/ha) na primeira aplicação (início dos sintomas).
- Tebuconazole (0,25 L/ha) cerca de 20 dias depois, se o tempo continuar úmido e a doença persistir.
Podridão do Tronco e dos Ramos: O Perigo dos Dias Secos e da Poda Errada
Você acha que doença de fungo só dá em época de chuva? Errado. Na mamona, quando o tempo seca e faz aquele “veranico”, o perigo muda de nome.
Podridão do Tronco (Macrophomina):
Esse fungo ama calor e seca. Ele ataca quando a planta está estressada por falta de água. É a principal doença no semiárido nordestino. A raiz apodrece, o caule fica preto por dentro e a planta morre. E o pior: ele fica no solo por anos atacando feijão, algodão e milho também.
Podridão dos Ramos (Lasiodiplodia):
Sabe quando você colhe o cacho ou faz uma poda e fica aquela ferida aberta? É ali que esse fungo entra. O ramo seca, necrosa e morre.
Como resolver na prática? Para a podridão do tronco, controle químico não funciona bem depois que instalou. O segredo é rotação de cultura para diminuir a carga do fungo no solo.
Já para a podridão dos ramos, o cuidado é no manejo:
- Evite ferir a planta sem necessidade.
- Fez poda? Aplique uma calda bordalesa ou produto à base de cobre no corte para “cicatrizar” e fechar a porta de entrada.
Murcha de Fusarium: Por Que a Planta Murcha Mesmo com Solo Úmido?
Se você ver a planta murchando, amarelando e perdendo folha, mas o solo tem umidade, abra o olho. Pode ser a Murcha de Fusarium.
O teste do canivete: Corte o caule da planta no sentido do comprimento, perto da base. Se os vasos internos estiverem escuros/amarronzados, é Fusarium.
O problema desse fungo é que ele produz estruturas de resistência que ficam no solo esperando a hora de atacar. Depois que pega na área, fungicida não resolve.
A solução está na semente e na variedade: Use variedades resistentes (como a ‘Campinas’ ou a ‘BRS Nordestina’ que tem boa tolerância). E jamais plante semente “pirata” ou de origem duvidosa, pois ela pode trazer o fungo para uma área limpa.
Tratamento de Sementes: O “Seguro” Mais Barato da Sua Lavoura
Produtor, aqui vai uma conta rápida. Você gasta horrores com adubo, óleo diesel e mão de obra. Vai economizar centavos logo na semente?
Fungos como o Fusarium, Alternaria e outros vêm “de carona” na semente. Alguns por fora (transporte passivo), outros lá dentro do embrião (transmissão ativa).
Quanto custa proteger? Dados de campo mostram que tratar sementes custa cerca de 0,34% do custo total de produção. É menos de 1% do seu custo para garantir que a planta nasça sã.
O que funciona? A mistura de Carboxina + Tiram (fungicidas sistêmicos e de contato) tem mostrado ótimos resultados para limpar a semente e proteger a plântula naqueles primeiros dias críticos, evitando o tombamento (damping-off).
Mancha de Alternaria e Bacteriose: Onde Elas Atacam?
Para fechar, dois problemas que variam conforme sua região:
- Mancha de Alternaria: É comum, mas muitas variedades brasileiras já são tolerantes. Só preocupa mesmo em regiões muito úmidas e quentes, ou se você plantar híbridos muito sensíveis (como ‘Savanah’ ou ‘Iris’). Se precisar, produtos à base de cobre ou hidróxido de fentina ajudam.
- Mancha Bacteriana: Se você está no semiárido ou região seca, respire aliviado. Essa doença gosta de muita chuva e calor. Ela só incomoda mais em estados como SP, MG e PR. O controle é semente sadia e variedade resistente.
💡 DICA BÔNUS SOBRE NEMATOIDES: Sabia que a torta de mamona ajuda a limpar o solo? Além de adubo, ela tem um efeito que reduz nematoides (como os de galhas) no solo. Usar cerca de 1.000 kg/ha de torta pode diminuir a população dessas pragas em outras culturas. É a mamona ajudando a cuidar da fazenda toda.
Glossário
Plantas Tigueras: Plantas que nascem espontaneamente na lavoura a partir de sementes perdidas em colheitas anteriores ou transportadas pelo vento. No caso da mamona, funcionam como ‘pontes verdes’ que mantêm fungos e pragas vivos entre uma safra e outra.
Fungicida Sistêmico: Defensivo agrícola que, após aplicado, é absorvido e circula pelos tecidos internos da planta. Ele oferece uma proteção prolongada e atinge partes do vegetal que não foram diretamente atingidas pela pulverização.

Damping-off (Tombamento): Doença causada por fungos de solo que atacam a semente ou a base da plântula logo após a germinação, fazendo com que ela apodreça e caia. É a principal causa de falhas no estande inicial da lavoura.
Estande de Plantas: Refere-se ao número real de plantas estabelecidas e saudáveis em uma determinada área (geralmente por hectare) após a emergência. Um estande uniforme é fundamental para garantir que a produtividade final atinja o potencial esperado.
Inflorescência: Parte da planta onde se agrupam as flores, que no caso da mamona dará origem aos cachos de frutos. É a região mais crítica para o monitoramento de doenças como o Mofo Cinzento, que ataca preferencialmente as flores e frutos jovens.
Nematoides: Vermes microscópicos que vivem no solo e atacam as raízes das plantas, causando galhas ou feridas que impedem a absorção de água e nutrientes. O manejo correto da mamona e o uso de sua torta podem ajudar a reduzir a população dessas pragas no solo.
Esporos: Unidades de reprodução dos fungos, comparáveis às sementes das plantas, que são espalhadas pelo vento, água ou insetos. Quando encontram condições de umidade e calor, germinam e dão início a doenças na lavoura.
Como o Aegro ajuda você a transformar proteção em lucro
Para que as contas de produtividade e o custo de tratamento fechem com precisão, é fundamental ter os dados da fazenda sempre à mão. O Aegro facilita esse controle, permitindo que você registre os custos de sementes e defensivos para visualizar o lucro real por hectare automaticamente, garantindo que cada investimento em tecnologia traga o retorno esperado. Além disso, o software ajuda a organizar o monitoramento de doenças e o calendário de atividades, para que você identifique os primeiros sintomas no campo e registre as aplicações no momento exato, protegendo a produtividade da mamona sem desperdiçar recursos.
Vamos lá?
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Perguntas Frequentes
Qual é a diferença prática entre resistência e tolerância no cultivo da mamona?
A resistência é a defesa ativa da planta para impedir ou diminuir o estrago causado por um fungo, enquanto a tolerância é a capacidade de a planta ‘aguentar o tranco’, ou seja, ela adoece mas continua produzindo bem. Para o bolso do produtor, escolher variedades tolerantes é estratégico pois garante a entrega de mais quilos por hectare mesmo em condições climáticas favoráveis a doenças.
Como identificar o momento ideal para iniciar o controle químico do Mofo Cinzento?
O monitoramento deve ser constante e o produtor deve entrar com o pulverizador logo no início dos sintomas, caracterizados por pequenas manchas azuladas nas inflorescências. Esperar a lavoura apresentar o aspecto cinzento (algodonoso) significa que o fungo já se espalhou, o que reduz drasticamente a eficácia do tratamento e compromete a produtividade dos cachos novos.
Por que a podridão do tronco é mais comum em períodos de seca no semiárido?
Diferente de fungos que dependem de chuva, a Macrophomina (causadora da podridão do tronco) ataca quando a planta está sob estresse hídrico e térmico. O calor e a falta de água enfraquecem a mamona, facilitando a invasão do fungo nas raízes e no caule, o que torna a rotação de culturas a estratégia mais eficiente, já que o controle químico não funciona bem após a instalação.
Como o ’teste do canivete’ ajuda no diagnóstico da Murcha de Fusarium?
O teste consiste em cortar o caule da planta longitudinalmente, perto da base, para observar os vasos internos. Se os tecidos estiverem escurecidos ou amarronzados, é um sinal claro de infecção por Fusarium, que obstrui a passagem de água e nutrientes. Esse diagnóstico é fundamental para descartar a simples falta de água e planejar a troca por variedades resistentes na safra seguinte.
O tratamento de sementes é realmente necessário se a semente parecer limpa?
Sim, pois muitos fungos como Fusarium e Alternaria podem estar presentes de forma invisível, seja na superfície ou no interior do embrião. Com um custo baixíssimo, cerca de 0,34% do total da produção, o tratamento com fungicidas sistêmicos e de contato evita o tombamento das plantas jovens e garante que o produtor não perca o estande logo no início da safra.
Como o manejo pós-colheita ou poda pode prevenir a Podridão dos Ramos?
A podridão dos ramos ocorre principalmente através de feridas abertas durante a colheita dos cachos ou podas de manejo. Para evitar a entrada do fungo Lasiodiplodia, é essencial realizar cortes limpos e aplicar produtos à base de cobre ou calda bordalesa no local ferido, funcionando como um ‘curativo’ que cicatriza a planta e impede a necrose do ramo.
De que forma a torta de mamona auxilia no controle de nematoides na fazenda?
Além de ser um excelente adubo orgânico, a torta de mamona possui propriedades que ajudam a reduzir a população de nematoides de galhas no solo. A aplicação de aproximadamente 1.000 kg/ha melhora a saúde geral do solo e protege não apenas a lavoura de mamona, mas também culturas intercalares ou sucessoras como o feijão e o milho.
Artigos Relevantes
- Tratamento de Sementes: O Guia Essencial para Proteger sua Lavoura: Este artigo complementa a seção do texto principal que descreve o tratamento de sementes como o ‘seguro mais barato’ da lavoura. Ele oferece um guia técnico detalhado sobre os processos e produtos, expandindo a discussão econômica para a prática operacional necessária para garantir o estande inicial.
- Sementes Piratas: O Guia Completo Sobre Riscos e Como Evitar Prejuízos: O artigo principal alerta explicitamente sobre o risco de introduzir o fungo Fusarium na área através de sementes ‘piratas’. Este conteúdo candidato aprofunda os riscos fitossanitários e legais dessa prática, reforçando a estratégia de defesa sanitária mencionada no texto sobre mamona.
- Doenças de Solo: Como Identificar, Prevenir e Proteger Sua Lavoura: Como a mamona sofre severamente com patógenos habitantes do solo como Macrophomina e Fusarium, este artigo é essencial por oferecer uma visão sistêmica sobre o manejo desses fungos e nematoides. Ele preenche a lacuna técnica sobre como esses patógenos sobrevivem no solo, conceito citado no texto principal.
- Trichoderma: O Guia Completo para Usar Este Fungo a Favor da Sua Lavoura: O Trichoderma é uma ferramenta biológica de excelência para combater fungos de solo mencionados no artigo principal, como o Fusarium. Ele oferece uma solução prática e sustentável que complementa o controle químico (Carbendazim/Tebuconazole) sugerido, focando na saúde do solo a longo prazo.
- Plantas de Cobertura: O Guia Completo para Proteger e Enriquecer seu Solo: O texto principal recomenda a rotação de culturas para diminuir a carga fúngica de doenças como a podridão do tronco. Este guia sobre plantas de cobertura fornece ao produtor as opções práticas para implementar essa rotação, conectando a necessidade de manejo de doenças com a melhoria física e biológica do solo.

![Imagem de destaque do artigo: Doenças da Mamona: Guia de Resistência e Manejo [2025]](/images/blog/geradas/doencas-mamona-resistencia-tolerancia.webp)