Doenças de Peixes: Guia Completo para Evitar Perdas [2025]

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Índice

Doenças no Peixe: Prevenir Sai Mais Barato que Remediar

Você já chegou na beira do tanque de manhã cedo e viu os peixes com comportamento estranho, nadando devagar ou com manchas na pele? Esse é o pesadelo de qualquer piscicultor. Na maioria das vezes, quando a gente vê o problema, o prejuízo já começou.

O segredo aqui é entender que peixe não fica doente à toa. Quase sempre, a doença entra porque o peixe sofreu algum estresse. Pode ter sido um transporte mal feito, gente sem prática manuseando os bichos, ou uma mudança brusca de temperatura na água.

Quando o peixe estressa, a imunidade cai. Aí vêm os oportunistas: fungos, bactérias e parasitas. Os sinais clássicos são:

  • Lesões na pele e nadadeiras roídas.
  • Excesso de muco (aquela gosma) nas guelras.
  • Hemorragias (manchas de sangue).

O Risco para Quem Consome

Muita gente pergunta: “Dona Maria, peixe doente passa doença pra gente?”. A resposta curta é sim. Alguns parasitas, como o verme da “tênia do peixe”, podem passar para o humano se a carne for mal cozida. Por isso, a regra de ouro na cozinha é peixe bem cozido ou congelado a -20°C por uma semana (o frio mata os vermes).


O Segredo da Água e da Ração: Não Jogue Dinheiro Fora

Seu vizinho joga ração à vontade achando que o peixe vai engordar mais rápido, mas só o que ele consegue é uma água verde e peixe morrendo. Você já viu isso acontecer?

O maior vilão da qualidade da água é a sobra de ração. O que o peixe não come apodrece no fundo. Isso, somado às fezes, cria um excesso de nutrientes (nitrogênio e fósforo). O nome técnico é “eutroficação”, mas na prática significa: algas crescendo demais e roubando o oxigênio do seu peixe à noite.

Checklist Diário da Qualidade da Água

Para não ter surpresa, o produtor precisa criar uma rotina. Anote o que olhar todo dia:

  1. Oxigênio Dissolvido: É o combustível do peixe. Mantenha acima de 4 mg/L.
  2. Temperatura: O ideal para a maioria é entre 26°C e 30°C.
  3. Transparência: Se a água estiver muito verde ou muito barrenta, cuidado.
  4. Sobras de Ração: Se sobrou comida, suspenda a próxima refeição ou reduza a quantidade.

Tanques-Rede: Vale a Pena Investir?

Muitos produtores no Pantanal e interior do Brasil olham para aquele açude ou rio e pensam: “Será que dá para colocar uns tanques-rede aqui?”. A resposta técnica é sim, mas tem detalhes que mudam o jogo.

O tanque-rede (ou gaiola) é prático. Você aproveita a água que já tem, fica fácil de ver o peixe todo dia e a despesca é rápida. Mas atenção à produtividade e aos custos:

  • Custo: O tanque em si é caro, mas sai mais barato do que construir um viveiro de terra (escavar buraco) do zero.
  • Produtividade: Aqui os números variam muito. Fala-se em 50 kg a 300 kg por m³ ao ano.
    • Por que essa diferença grande? Depende se você usa baixa densidade (tanques grandes, peixe mais solto) ou alta densidade (tanques menores, muita renovação de água e ração top de linha). Não se iluda com o número maior sem ter a tecnologia para isso.

O Perigo da “Decoada” no Pantanal

Quem é da região sabe: a “decoada” é um fenômeno natural onde a matéria orgânica apodrece na água da cheia, derrubando o oxigênio. Se você instalar tanques em área de decoada, vai perder tudo. Monitore o histórico do local antes de gastar um centavo.


O Temido “Gosto de Barro”: Como Evitar que o Cliente Reclame?

Não tem nada pior para a fama do produtor do que vender um peixe bonito que, na panela, tem gosto de terra. Isso acontece por causa do “off-flavor”.

O culpado não é o peixe, são umas algas (cianofíceas) e fungos que crescem na água suja ou parada. Elas soltam uma substância chamada geosmina. O peixe absorve isso pelas guelras e a carne pega o gosto.

Como Resolver Antes de Vender?

Não mande o peixe para o abate sem testar. Faça o seguinte procedimento uma semana antes da despesca:

  1. Pegue uma amostra de 5 a 10 peixes de cada tanque.
  2. Tire o filé da cauda (com pele, pois a pele concentra mais o gosto ruim).
  3. Cozinhe (sem tempero forte) e prove.
  4. Sentiu gosto de barro? Não venda. Você precisa colocar esses peixes em água limpa (depuração) até o gosto sair.

Abate e Qualidade da Carne: Valorizando seu Produto

Você cuidou do peixe meses a fio. Na hora de tirar da água, não estrague tudo. A qualidade da carne depende de como o peixe morre.

Muitas vezes, é necessário fazer a sangria. Tirar o sangue melhora a cor do filé e faz o peixe durar mais na prateleira (aumenta o tempo de prateleira).

Como é feita a sangria (Passo a Passo Prático):

  1. Choque Térmico e Higiene: Os peixes vão para uma caixa com água, gelo e, geralmente, uma solução de cloro a 5 ppm (hipoclorito de sódio) para limpar.

Glossário

Eutroficação: Processo decorrente do excesso de nutrientes na água (como nitrogênio e fósforo da ração), que provoca o crescimento descontrolado de algas. Esse fenômeno consome o oxigênio da água durante a noite, podendo causar a morte súbita dos peixes.

Decoada: Fenômeno natural, comum em regiões como o Pantanal, onde a decomposição de matéria orgânica reduz drasticamente o oxigênio da água. É um fator crítico para o piscicultor, pois pode inviabilizar a produção em determinadas épocas do ano.

Off-flavor: Termo técnico que designa sabores e odores indesejados na carne do peixe, popularmente conhecido como ‘gosto de barro’. É causado pela absorção de compostos como a geosmina, produzida por certas algas em águas com excesso de resíduos.

Depuração: Prática de manter os peixes em água limpa e sem alimentação por um período antes do abate. Esse processo limpa o trato digestório e ajuda a eliminar problemas de sabor indesejado (off-flavor) na carne.

Tanque-rede: Sistema de criação onde os peixes ficam confinados em gaiolas flutuantes instaladas em grandes reservatórios ou rios. Permite o aproveitamento de recursos hídricos existentes, facilitando o manejo e a despesca.

Despesca: Ato de retirar os peixes do ambiente de criação para venda ou transporte para outra unidade. Deve ser feita com cuidado técnico para evitar o estresse excessivo e danos físicos que depreciam o valor do produto.

Oxigênio Dissolvido: Quantidade de oxigênio disponível na água para a respiração dos peixes, medida em miligramas por litro (mg/L). É o parâmetro mais crítico na piscicultura, pois níveis baixos afetam diretamente a saúde e o crescimento dos animais.

Sangria: Procedimento técnico realizado logo após o abate para drenar o sangue do animal, rompendo os vasos principais nas guelras. Melhora o aspecto visual do filé e aumenta o tempo de conservação da carne no varejo.

Veja como o Aegro pode ajudar a superar esses desafios

Manter o controle rigoroso da qualidade da água e do estoque de ração é o que separa o lucro do prejuízo na piscicultura. Ferramentas de gestão como o Aegro facilitam essa rotina ao centralizar o registro de insumos e o monitoramento operacional diretamente no celular, ajudando a evitar o desperdício de ração cara e a identificar gargalos na produção antes que eles se tornem um prejuízo.

Além do manejo técnico, o Aegro simplifica a gestão financeira e a emissão de notas fiscais, permitindo que você acompanhe o fluxo de caixa e saiba exatamente o custo de cada quilo de peixe produzido. Com relatórios automáticos e uma interface intuitiva, fica muito mais fácil tomar decisões baseadas em dados e garantir que a sua fazenda seja eficiente e lucrativa em todas as safras.

Vamos lá?

Que tal profissionalizar a gestão da sua propriedade e ter mais segurança nas suas decisões? Experimente o Aegro gratuitamente para organizar suas finanças, monitorar seus tanques e ter o controle total da sua produção na palma da mão.

Perguntas Frequentes

Por que o estresse é considerado o principal gatilho para doenças em peixes de cultivo?

O estresse, causado por fatores como transporte inadequado, manuseio brusco ou mudanças súbitas na temperatura da água, debilita diretamente o sistema imunológico do peixe. Com a imunidade baixa, organismos oportunistas como fungos, bactérias e parasitas conseguem se instalar e se multiplicar rapidamente. Portanto, manter um ambiente estável e um manejo cuidadoso é a forma mais eficaz de prevenção sanitária.

O que devo fazer imediatamente se notar que a água do tanque está ficando muito verde?

O excesso de cor verde indica uma explosão de algas causada por sobra de ração e acúmulo de nutrientes. A recomendação imediata é suspender a próxima alimentação e aumentar a renovação da água para diluir os detritos. É fundamental monitorar o oxigênio durante a noite, pois o excesso de algas consome o oxigênio vital para os peixes, podendo causar mortandade em massa ao amanhecer.

Quais as principais vantagens e exigências para quem decide investir em tanques-rede?

O tanque-rede é vantajoso por permitir o uso de corpos d’água já existentes, como represas, e facilitar a despesca e o monitoramento visual dos peixes. Contudo, ele exige que o local tenha profundidade entre 3 e 5 metros e uma correnteza moderada (0,5 a 1,0 metro por minuto) para garantir a renovação constante do oxigênio e a remoção de dejetos de dentro da gaiola.

Como posso garantir que o peixe vendido não terá o desagradável ‘gosto de barro’?

A melhor prática é realizar um teste de degustação com uma amostra de 5 a 10 peixes uma semana antes da despesca oficial. Se o gosto de barro for detectado, os peixes devem passar por um processo de depuração em água limpa corrente até que a geosmina seja eliminada da carne. Controlar a ração para evitar a proliferação de algas cianofíceas também ajuda a prevenir o problema na origem.

Por que a prática da sangria é tão recomendada durante o abate dos peixes?

A sangria é essencial para melhorar a qualidade visual do filé, resultando em uma carne mais clara e sem manchas de sangue, o que aumenta o valor de mercado. Além disso, a retirada do sangue retarda o processo de decomposição e oxidação, garantindo que o peixe dure por mais tempo sob refrigeração e mantenha o frescor desejado pelo consumidor final.

Quais cuidados o consumidor deve ter para evitar doenças ao comer peixe de cultivo?

Embora o cultivo controlado reduza riscos, parasitas como a tênia do peixe ainda podem ocorrer se as boas práticas de manejo falharem. A segurança do consumidor é garantida pelo consumo da carne bem cozida ou frita. Para preparos crus, como o sushi, a carne deve ter sido previamente congelada a -20°C por pelo menos sete dias, procedimento que elimina eventuais larvas de parasitas.

O que é o fenômeno da ‘decoada’ e por que ele preocupa os produtores do Pantanal?

A decoada ocorre quando a matéria orgânica das áreas inundadas apodrece, consumindo rapidamente o oxigênio dissolvido na água e liberando gases tóxicos. Para quem utiliza tanques-rede em rios pantaneiros, esse fenômeno pode causar a perda total da produção em poucas horas. Por isso, é vital conhecer o histórico de cheias da região e monitorar os níveis de oxigênio rigorosamente durante as mudanças de estação.

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