Índice
- O que são essas doenças e por que elas aparecem na hora da venda?
- Como fungos e bactérias entram na sua produção?
- Identificando o inimigo: é fungo ou bactéria?
- O Clima na Pós-Colheita: Temperatura e Umidade
- A Água Sanitária: Como usar do jeito certo (sem desperdício e sem erro)
- Prevenção: O Checklist do Barracão (Packing House)
- Glossário
- Veja como o Aegro pode ajudar a evitar perdas e aumentar o seu lucro
- Perguntas Frequentes
- Qual a principal diferença visual entre uma hortaliça atacada por fungos e uma atacada por bactérias?
- Por que o ajuste do pH é considerado o ‘pulo do gato’ na desinfecção com cloro?
- Como a temperatura da água no tanque pode influenciar a contaminação dos frutos?
- O que é a infecção latente e por que ela é perigosa para o produtor?
- Quais os riscos de refrigerar hortaliças em temperaturas muito baixas?
- Quais medidas simples de higiene no barracão podem reduzir as perdas pós-colheita?
- Artigos Relevantes
O que são essas doenças e por que elas aparecem na hora da venda?
Imagine a cena: você fez tudo certo na lavoura, colheu aquele tomate ou pimentão bonito, carregou o caminhão e, quando a carga chega no Ceasa ou no supermercado, recebe a notícia de que tem mercadoria podre. É o pesadelo de qualquer produtor.
Esse problema tem nome: doença de pós-colheita.
Na prática, é o ataque de fungos e bactérias que ocorre depois que o produto já saiu do pé. Não é só “má sorte”. Para isso acontecer, três coisas precisam se encontrar, o que chamamos de triângulo da doença:
- O hospedeiro: Seu fruto, raiz ou folha (que está suscetível).
- O ambiente: Geralmente lugar quente e úmido.
- O vilão: O fungo ou a bactéria que estava à espreita.
Depois de colhida, a hortaliça continua viva. Ela respira. Com o tempo, ela gasta suas reservas de energia e fica mais fraca, tornando-se um alvo fácil para microrganismos que, no campo, talvez não conseguissem atacar.
📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM: As podridões moles (causadas por bactérias) e os mofos são as principais causas de descarte de hortaliças no Brasil. Em alguns casos, a perda pode ser total se o lote não for revisado.
Como fungos e bactérias entram na sua produção?
Você já reparou que aquela caixa de legumes que sofreu mais “solavancos” na estrada é a primeira a estragar? Isso não é coincidência.
Fungos e bactérias precisam de uma porta de entrada. E aqui temos uma diferença importante que você precisa saber para controlar:
- Bactérias: Elas são “oportunistas”. Quase sempre precisam de uma ajuda para entrar, seja um ferimento (corte, amassado, furo de inseto) ou uma abertura natural da planta que ficou desprotegida.
- Fungos: Alguns agem como as bactérias, entrando por feridas. Mas outros são mais agressivos: eles têm força mecânica ou produzem substâncias para furar a casca sadia e entrar sozinhos.
As principais portas de entrada no dia a dia:
- Danos mecânicos: Batidas na colheita, cortes de unha, abrasão na caixa plástica suja ou aperto excessivo na hora de embalar.
- Danos fisiológicos: O famoso “fundo preto” no tomate (falta de cálcio) ou rachaduras por excesso de água.
- Aberturas naturais: Lenticelas (aqueles pontinhos na casca da batata ou manga), estômatos e o local onde o talo foi cortado.
Identificando o inimigo: é fungo ou bactéria?
Muitas vezes, o produtor olha aquela mancha feia e acha que é tudo a mesma coisa. Mas saber diferenciar ajuda a entender onde foi o erro no manejo.
1. O cheiro ruim das Bactérias
As bactérias, principalmente dos gêneros Pectobacterium e Dickeya (antiga Erwinia), causam a temida podridão-mole.
- O que acontece: Elas produzem enzimas que desmancham a estrutura da célula. O tecido vira uma pasta, uma “água” suja.
- Sintoma clássico: Amolecimento rápido e um cheiro muito forte e desagradável. É comum em batata, cenoura, tomate e pimentão.
2. O mofo dos Fungos
Já os fungos (como Botrytis, Alternaria, Colletotrichum) costumam deixar sinais visíveis na casca.
- Sintoma clássico: Manchas que afundam, formação de “algodão” (micélio) branco, cinza ou esverdeado sobre a lesão. O tecido pode ficar seco ou úmido, mas geralmente não vira aquela “sopa” fedida tão rápido quanto a bactéria, a menos que haja contaminação mista.
⚠️ ATENÇÃO: Existe um perigo invisível chamado infecção latente. O fungo entra no fruto ainda no campo (como a Antracnose em pimentão e jiló), fica quieto e sem sintomas. A doença só “estoura” depois da colheita, quando o fruto amadurece na prateleira. Por isso, o manejo preventivo na lavoura é fundamental.
O Clima na Pós-Colheita: Temperatura e Umidade
Deixar a caixa no sol enquanto espera o frete ou armazenar em local abafado é pedir para perder dinheiro. Por quê?
A maioria dessas doenças ama o clima tropical:
- Temperatura: Entre 24°C e 32°C é o paraíso para a podridão.
- Umidade: Acima de 85-90% favorece a germinação dos esporos.
“Mas então é só colocar na câmara fria que resolve?” Nem sempre. O frio ajuda muito a frear a doença, mas não mata o fungo. Alguns patógenos conseguem crescer (mais devagar) mesmo entre 4°C e 12°C.
Além disso, cuidado com a Injúria pelo Frio (Chilling). Se você guardar certas hortaliças (como pepino, pimentão, tomate, quiabo) em temperaturas muito baixas (abaixo de 7°C ou 10°C, dependendo da cultura), elas sofrem “queima”. A casca fica manchada, com depressões, e isso abre porta para fungos assim que o produto volta para a temperatura ambiente.
A Água Sanitária: Como usar do jeito certo (sem desperdício e sem erro)
Muita gente joga cloro “a olho” na água de lavagem. O resultado? Ou põe de menos e não mata nada, ou põe de mais, gasta dinheiro e pode deixar resíduo ou queimar o produto.
A recomendação antiga de “1 litro para cada 5 litros” ou “uma colherzinha” é muito imprecisa para o produtor profissional. Para funcionar de verdade, você precisa controlar três coisas: pH, Concentração e Sujeira.
O jeito certo de fazer a desinfecção com Cloro:
- Limpeza prévia: O cloro não funciona bem em água suja (barrenta). A terra consome o cloro antes dele matar a bactéria. Lave o grosso primeiro ou troque a água com frequência.
- Ajuste o pH (O Pulo do Gato): Para o cloro virar uma arma potente (ácido hipocloroso), o pH da água deve estar entre 6,5 e 7,0.
- Se o pH for muito alto (acima de 7,5), você gasta cloro e ele não mata quase nada.
- Use um kit simples de piscina ou fitas de medição para conferir o pH.
- Dose Correta (ppm): Trabalhe com ppm (partes por milhão).
- Para a maioria das hortaliças, recomenda-se entre 50 a 150 ppm de cloro livre (consulte um agrônomo para sua cultura específica).
- Exemplo: Em água limpa a 25°C, 30-40 ppm já matam fungos. Mas na prática do tanque, usamos um pouco mais para garantir.
- Tempo de contato: De 1 a 2 minutos mergulhado costuma ser suficiente.
💡 DICA DE QUEM JÁ FEZ: A água do tanque deve estar levemente mais quente (coisa de 2°C a 5°C acima) que a temperatura do fruto. Se a água estiver muito gelada e o fruto quente, acontece uma pressão negativa e o fruto “bebe” a água suja pelos poros, levando a bactéria para dentro, onde o cloro não alcança.
Prevenção: O Checklist do Barracão (Packing House)
O segredo do vizinho que vende mais caro e perde menos muitas vezes não está só na lavoura, mas na limpeza do barracão. Uma única batata podre (“ninho”) pode contaminar o lote todo pelo contato ou soltando esporos no ar.
O que você pode fazer hoje para diminuir as perdas:
- Higiene Rigorosa: Lave e desinfeste as caixas plásticas. Reutilizar caixa suja de madeira é arriscado. Limpe o chão e as bancadas com cloro ou amônia quaternária.
- Elimine o Inóculo: Viu um fruto doente? Jogue fora longe do barracão imediatamente. Não deixe acumular “lixo” no canto da parede.
- Cura e Secagem: Cebola e alho precisam de cura (secagem do pescoço) bem feita para fechar a porta de entrada. Batata precisa cicatrizar a pele (suberização). * Se lavou folhosas ou frutos, garanta que eles sequem antes de embalar ou entrar na câmara. Água parada na superfície é hotel para bactéria.
- Manuseio Delicado: Treine sua equipe. Fruto não se joga, se pousa. Unhas cortadas e cuidado na classificação evitam feridas.
Glossário
Triângulo da Doença: Conceito fundamental que explica a ocorrência de doenças a partir da interação entre três fatores: um hospedeiro suscetível, um patógeno presente e condições ambientais favoráveis. Para evitar perdas, o produtor deve agir em pelo menos uma dessas pontas para quebrar o ciclo de infecção.
Infecção Latente: Ocorre quando um fungo ou bactéria infecta o fruto ainda no campo, mas permanece em estado de dormência sem apresentar sintomas visíveis. A doença só se manifesta após a colheita, durante o amadurecimento ou armazenamento, quando as defesas naturais do produto diminuem.
Lenticelas: Pequenas aberturas naturais na casca de frutos, raízes e tubérculos que permitem a respiração da planta. Na pós-colheita, essas aberturas podem se tornar portas de entrada para microrganismos, especialmente se o produto for submetido a condições de alta umidade ou excesso de água.
Injúria pelo Frio (Chilling): Dano fisiológico causado pela exposição de hortaliças de origem tropical a temperaturas baixas, porém acima do ponto de congelamento. Provoca manchas e depressões na casca que reduzem o valor comercial e facilitam o apodrecimento precoce.
PPM (Partes por Milhão): Unidade de medida técnica que indica a concentração exata de um soluto, como o cloro livre, em um milhão de partes de água. É a métrica padrão para garantir que a desinfecção no tanque de lavagem seja eficaz sem queimar o produto ou deixar resíduos.
Suberização: Processo de cicatrização natural onde a planta forma uma camada de cortiça sobre ferimentos ou na própria casca, comum em batatas e cebolas. Essa proteção impede a perda de umidade e bloqueia a entrada de fungos e bactérias oportunistas.
Inóculo: Qualquer material de um patógeno, como esporos de fungos ou células bacterianas, capaz de causar infecção quando entra em contato com o fruto. Manter o barracão limpo reduz o inóculo e evita a contaminação cruzada entre produtos sadios e doentes.
Veja como o Aegro pode ajudar a evitar perdas e aumentar o seu lucro
Como vimos, evitar doenças de pós-colheita exige um olhar atento tanto no campo quanto no barracão. Para que esse controle não se torne um peso financeiro imprevisto, ferramentas como o Aegro ajudam a centralizar a gestão de custos e o acompanhamento de insumos. Com ele, você monitora exatamente o que está sendo investido em produtos de limpeza e defensivos, garantindo que a margem de lucro não seja engolida por desperdícios ou falhas no tratamento da carga.
Além disso, como o manejo preventivo é a chave contra doenças silenciosas, o Aegro permite planejar e registrar todas as atividades operacionais em tempo real pelo celular. Isso facilita a coordenação da equipe no campo e no packing house, assegurando que os cuidados com a colheita sejam seguidos à risca para evitar os danos mecânicos que abrem as portas para fungos e bactérias.

Vamos lá? Que tal transformar a gestão da sua propriedade e proteger sua colheita de ponta a ponta? Experimente o Aegro gratuitamente para controlar seus custos e operações com muito mais segurança.
Perguntas Frequentes
Qual a principal diferença visual entre uma hortaliça atacada por fungos e uma atacada por bactérias?
As bactérias geralmente causam a ‘podridão-mole’, transformando o tecido em uma massa aquosa com cheiro forte e desagradável. Já os fungos tendem a formar manchas deprimidas (que afundam) na casca e apresentam o crescimento de mofos ou bolores com aspecto de ‘algodão’ em cores como branco, cinza ou verde.
Por que o ajuste do pH é considerado o ‘pulo do gato’ na desinfecção com cloro?
O cloro só se torna realmente eficaz contra microrganismos quando o pH da água está entre 6,5 e 7,0. Se o pH estiver acima de 7,5, a substância perde seu poder de desinfecção, o que resulta em desperdício de produto e manutenção da carga de fungos e bactérias na água de lavagem.
Como a temperatura da água no tanque pode influenciar a contaminação dos frutos?
A água de lavagem deve estar ligeiramente mais quente que o fruto para evitar uma pressão negativa. Se a água estiver muito fria em relação à temperatura da hortaliça, o fruto acaba ‘sugando’ a água para seu interior através de aberturas naturais, levando bactérias para onde o cloro não consegue agir.
O que é a infecção latente e por que ela é perigosa para o produtor?
A infecção latente ocorre quando um fungo infecta o produto ainda no campo, mas permanece ‘dormindo’ e sem sintomas visíveis. A doença só se manifesta após a colheita, durante o amadurecimento ou transporte, o que pode causar perdas surpreendentes em lotes que pareciam perfeitamente sadios no momento da venda.
Quais os riscos de refrigerar hortaliças em temperaturas muito baixas?
Temperaturas excessivamente baixas (abaixo de 7°C ou 10°C, dependendo da espécie) podem causar a ‘injúria pelo frio’ ou chilling em produtos como tomate e pimentão. Isso gera manchas e depressões na casca que servem de porta de entrada para patógenos assim que o produto volta à temperatura ambiente, acelerando o apodrecimento.
Quais medidas simples de higiene no barracão podem reduzir as perdas pós-colheita?
Além de manter o ambiente e as caixas plásticas limpas, é fundamental remover e descartar frutos doentes para longe da área de embalagem imediatamente. Garantir que as hortaliças estejam bem secas antes de serem embaladas ou armazenadas também evita que a umidade residual favoreça o desenvolvimento de bactérias e fungos.
Artigos Relevantes
- Pós-Colheita: O Guia Prático para Proteger sua Safra e Maximizar Lucros: Este artigo estabelece a base estratégica para o produtor, expandindo a visão de que a pós-colheita é uma etapa tão vital quanto o plantio. Ele complementa o texto principal ao oferecer uma perspectiva de gestão de lucros e perdas, ajudando o produtor de hortaliças a entender seu papel dentro de uma cadeia produtiva mais ampla e profissional.
- Fungos de Solo: Guia Completo para Identificar e Proteger sua Lavoura: Como o artigo principal menciona a ‘infecção latente’ (patógenos que entram no campo e aparecem na prateleira), este guia sobre fungos de solo é essencial. Ele ajuda o produtor a identificar as características dos principais fungos que sobrevivem na terra e que podem ser os vilões invisíveis que atacam as hortaliças antes mesmo da colheita.
- Doenças de Solo: Como Identificar, Prevenir e Proteger Sua Lavoura: Este artigo complementa a seção de ‘Prevenção’ do texto principal, focando no manejo correto para evitar que os patógenos se proliferem na lavoura. Ao entender como prevenir doenças ainda no solo, o produtor reduz drasticamente a carga de inóculo que chegaria ao barracão, facilitando o controle químico e a desinfecção descritos no texto sobre hortaliças.
- Reúso da Água na Agricultura: Guia Prático com 7 Técnicas para sua Fazenda: Considerando que o texto principal dedica uma seção inteira ao uso de tanques de lavagem e controle de pH da água, este artigo sobre reúso e gestão hídrica oferece um valor prático imenso. Ele ensina técnicas para otimizar o uso desse recurso primordial no packing house, permitindo uma operação mais sustentável e eficiente economicamente.
- Fungos Entomopatogênicos: O Guia Completo para o Controle Biológico de Pragas: O artigo principal lista danos causados por insetos como uma das maiores ‘portas de entrada’ para bactérias oportunistas. Este guia de controle biológico oferece uma solução moderna e com menor resíduo químico para controlar essas pragas no campo, protegendo a integridade física das hortaliças e, consequentemente, reduzindo a incidência de podridões na pós-colheita.

![Imagem de destaque do artigo: Doenças Pós-Colheita: Guia Prático para Hortaliças [2025]](/images/blog/geradas/doencas-pos-colheita-hortalicas.webp)