Doenças vs Desordens do Tomate: Guia de Identificação [2025]

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Índice

Doença ou Desordem Fisiológica: Como Saber a Diferença?

Uma dúvida que sempre aparece na roda de conversa é: “Será que isso no meu tomate é fungo ou foi erro meu na câmara fria?”. Confundir uma doença com uma desordem fisiológica é mais comum do que parece, mas saber a diferença é o que salva o bolso.

Vamos direto ao ponto: o tecido doente é aquele atacado por “bichos” invisíveis, como fungos e bactérias. Já a desordem fisiológica é um problema interno da planta. É quando o metabolismo dela (o funcionamento natural) muda por causa de estresse. Não tem microrganismo envolvido.

Esse estresse pode vir de fatores como:

  • Calor ou frio demais;
  • Falta de nutrientes na lavoura;
  • Machucados na estrutura do fruto.

Esses problemas podem começar lá na roça ou aparecer só depois da colheita. Os sinais mais claros são manchas escuras, pequenas afundadas na casca, amadurecimento esquisito ou brotos aparecendo onde não deviam.


Quando e Por Que o Problema Aparece?

Você já perdeu produtividade por não identificar a hora certa de agir? Com as desordens, o problema é traiçoeiro. O “machucado” pode acontecer em qualquer etapa, mas ele gosta de aparecer mesmo é na hora que o produto está armazenado ou no caminhão.

Muitas vezes, a causa raiz foi lá atrás: uma adubação mal feita ou o clima ruim durante a safra. Mas o gatilho final acontece quando as condições de armazenamento não ajudam.

Se a sua câmara fria não estiver regulada direito, preste atenção nestes vilões:

  1. Temperatura errada (o principal culpado);
  2. Umidade relativa descontrolada;
  3. Concentração de gases no ar;
  4. Tempo de exposição (quanto mais tempo guardado errado, pior).

⚠️ ATENÇÃO: Fatores como a variedade (cultivar) que você plantou e o ponto de maturação na colheita também definem o tamanho do prejuízo. Fruta colhida verde demais ou madura demais sofre mais.


O Impacto da Temperatura: Frio e Calor

Na safra passada, muitos produtores perderam lotes inteiros de tomate achando que “quanto mais frio, melhor”. O erro aqui é não saber o limite de cada hortaliça.

A temperatura mexe direto com a respiração e a energia da planta. Funciona assim:

1. Congelamento (Abaixo de 0 °C)

Aqui a água dentro da planta vira gelo. Os cristais de gelo rasgam as células e rompem o núcleo. O resultado é um tecido que fica murcho, meio transparente e escuro.

  • O perigo: Produtos sensíveis, como o tomate, podem até parecer normais congelados. Mas, cerca de uma hora depois de voltarem para a temperatura ambiente, o estrago aparece e a qualidade vai para o lixo.

2. Dano por Frio (Entre 0 °C e 14 °C)

Não chega a congelar, mas o frio bagunça o metabolismo. Não forma gelo, mas a planta para de funcionar direito. Isso atrapalha a venda porque o produto perde a cor e o sabor.

3. Calor Excessivo (Acima de 30 °C)

O calor acelera tudo. A planta respira rápido demais, o tecido fica mole, muda de cor e pode secar. É como se o fruto “cozinhasse” e perdesse a vida útil em tempo recorde.

💡 DICA DE QUEM JÁ FEZ: Conheça a sensibilidade do que você planta para não errar no frio. Veja os grupos:

  • Grupo 1 (Muito sensíveis): Tomate, pepino, pimentão, quiabo, berinjela, batata, abóbora e alface.
  • Grupo 2 (Médio): Cenoura, cebola, brócolis, repolho, ervilha.
  • Grupo 3 (Resistentes): Beterraba e nabo.

Umidade e Ar: O Que Acontece na Câmara Fria?

Quem já tentou sabe que regular a umidade é um desafio. Se a umidade relativa estiver errada, o prejuízo é visível:

  • Baixa umidade: O produto perde água, murcha, enruga e perde peso (e você vende por quilo, então perde dinheiro). Podem aparecer até rachaduras.

O perigo dos gases (Atmosfera Controlada)

Mexer nos níveis de Oxigênio (O2) e Gás Carbônico (CO2) pode ajudar ou atrapalhar.

  • Falta de Oxigênio: A planta começa a respirar “sem ar” (anaeróbica). Isso produz álcool e toxinas que matam as células.
  • Excesso de CO2: Deixa o produto com cheiro e gosto ruim, além de facilitar o apodrecimento.

Usar atmosfera controlada ajuda muito no quiabo, mas piora a situação do pepino e não faz diferença nenhuma no tomate. Tem que saber usar.


Etileno e Amônia: Inimigos Invisíveis

O erro mais comum é misturar produtos que não combinam ou descuidar da manutenção dos equipamentos. Dois compostos voláteis (que evaporam no ar) causam grandes estragos:

1. Etileno (O hormônio do amadurecimento)

Ele é natural, mas em excesso ou na hora errada, causa desordens sérias:

  • Cenoura: Fica com gosto amargo.
  • Batata: Brota antes da hora.
  • Alface e Pepino: Perdem a cor verde e envelhecem rápido.
  • Repolho: As folhas caem.
  • Aspargo: Fica duro.

2. Amônia

Ela é usada para refrigerar muitas câmaras. Se houver vazamento por falta de manutenção, o gás escapa e queima os vegetais armazenados.

📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM: A sensibilidade ao escurecimento muda até dentro da mesma espécie. Isso depende da quantidade de enzimas e compostos fenólicos que cada variedade tem naturalmente. Escolher a cultivar certa pode diminuir essas manchas.


Glossário

Desordem Fisiológica: Distúrbio no funcionamento interno da planta provocado por fatores abióticos, como estresse térmico ou nutricional, sem a participação de fungos ou bactérias. Reflete falhas no metabolismo que alteram a aparência e a qualidade comercial do produto.

Atmosfera Controlada: Tecnologia de armazenamento que manipula os níveis de gases (oxigênio e CO2) e a temperatura em câmaras herméticas para reduzir a taxa respiratória dos vegetais. É utilizada para retardar o amadurecimento e estender o período de conservação pós-colheita.

Etileno: Hormônio vegetal gasoso que regula o amadurecimento, a senescência (envelhecimento) e a queda de órgãos das plantas. No armazenamento, seu controle rigoroso é vital para evitar o amadurecimento precoce e a deterioração de hortaliças sensíveis.

Dano por Frio (Chilling Injury): Lesão fisiológica que ocorre em produtos de origem tropical ou subtropical quando expostos a temperaturas baixas, porém acima do ponto de congelamento. Manifesta-se através de manchas na casca, perda de sabor e maior facilidade de apodrecimento.

Umidade Relativa: Medida da quantidade de vapor d’água presente no ar em relação à sua capacidade máxima. Níveis adequados em câmaras frias são fundamentais para evitar a transpiração excessiva, que causa perda de peso e murchamento do produto.

Cultivar: Designação técnica para uma variedade de planta que foi selecionada por melhoramento genético para apresentar características uniformes e estáveis. A escolha da cultivar certa influencia a tolerância a estresses de armazenamento e a vida de prateleira.

Compostos Fenólicos: Substâncias químicas naturais das plantas que, ao reagirem com enzimas sob condições de estresse ou injúria mecânica, causam o escurecimento oxidativo. São os principais responsáveis pelo surgimento de manchas escuras que depreciam visualmente os vegetais.

Veja como o Aegro pode ajudar a superar esses desafios

Identificar se o problema no fruto vem de uma praga ou de um erro no manejo é o primeiro passo para evitar prejuízos, mas a prevenção real começa muito antes da colheita. Ferramentas como o Aegro ajudam a organizar todo o histórico de adubação e atividades de campo, permitindo que você monitore o manejo nutricional e climático para reduzir as chances de desordens fisiológicas aparecerem lá na frente. Além disso, o sistema facilita o controle de manutenção preventiva de equipamentos e câmaras frias, emitindo alertas que evitam falhas de temperatura ou vazamentos de gases que podem destruir lotes inteiros durante o armazenamento.

Com uma gestão centralizada e dados na palma da mão, fica muito mais simples entender a causa raiz dos problemas e garantir que a sua produção chegue ao mercado com a qualidade máxima e o melhor preço.

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Perguntas Frequentes

Como diferenciar visualmente uma doença de uma desordem fisiológica nas plantas?

A principal diferença é que as doenças são causadas por patógenos vivos, como fungos e bactérias, que muitas vezes apresentam sinais visíveis como mofos ou secreções. Já as desordens fisiológicas resultam de estresses ambientais, como falta de nutrientes ou temperaturas extremas, manifestando-se geralmente através de manchas simétricas, murchamento, amadurecimento irregular ou alterações na textura da casca, sem a presença de microrganismos.

Por que alguns frutos parecem perfeitos na câmara fria, mas estragam logo após serem retirados?

Isso geralmente ocorre devido ao dano por congelamento ou frio excessivo (chilling injury). Em temperaturas abaixo de 0 °C, os cristais de gelo rompem as células internas do fruto; enquanto ele está congelado, a estrutura parece mantida, mas assim que volta à temperatura ambiente, as células colapsam, deixando o tecido murcho, translúcido e escuro em pouquíssimo tempo.

De que forma o controle da umidade na câmara fria influencia o lucro do produtor?

O controle da umidade é crucial porque vegetais perdem água para o ar se o ambiente estiver muito seco. Essa desidratação causa murchamento e perda de peso físico do produto. Como a maioria das hortaliças é vendida por quilo, a falta de umidade correta na câmara fria resulta em uma perda direta de dinheiro, além de reduzir a qualidade visual para o consumidor final.

Quais são os riscos de armazenar diferentes tipos de hortaliças no mesmo ambiente?

O maior risco é a exposição ao etileno, um gás natural que acelera o amadurecimento. Misturar produtos que liberam muito etileno com outros que são sensíveis a ele pode causar prejuízos graves, como cenouras que ficam amargas, batatas que brotam antes da hora ou alfaces que perdem a cor verde e apodrecem mais rápido.

Como o nível de oxigênio e gás carbônico pode afetar a qualidade pós-colheita?

Em sistemas de atmosfera controlada, o equilíbrio desses gases é vital. Se houver pouco oxigênio, a planta entra em respiração anaeróbica, produzindo álcool e toxinas que matam as células. Já o excesso de gás carbônico (CO2) pode causar odores desagradáveis e acelerar o apodrecimento interno, dependendo da sensibilidade de cada espécie, como ocorre com o pepino.

É possível prevenir desordens fisiológicas ainda durante a etapa de plantio?

Sim, a prevenção começa na escolha da cultivar certa e no manejo nutricional. Variedades mais resistentes ao frio ou ao calor devem ser escolhidas de acordo com o clima da região. Além disso, uma adubação equilibrada garante que as paredes celulares sejam fortes o suficiente para suportar o estresse do transporte e do armazenamento, reduzindo a incidência de manchas e danos fisiológicos.

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  • Ondas de Calor na Lavoura: Como Proteger Soja e Milho do Estresse Climático: Este artigo complementa o conteúdo principal ao aprofundar o impacto do estresse térmico e hídrico no campo, fatores citados como causas primárias para o desenvolvimento de desordens fisiológicas. Ele oferece uma visão preventiva sobre como proteger a planta antes mesmo da colheita, expandindo a discussão técnica sobre metabolismo vegetal sob calor excessivo.
  • Umidade de Armazenamento da Soja: O Guia Definitivo para Evitar Perdas: Embora focado em grãos, este guia detalha a relação crítica entre umidade e temperatura para evitar a deterioração pós-colheita, um princípio técnico fundamental discutido no texto sobre tomates. Ele ajuda o leitor a compreender a física do armazenamento e como o controle rigoroso de variáveis ambientais preserva a qualidade comercial do produto.
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  • Armazenamento de Milho Pós-Colheita: O Guia Completo para Evitar Perdas: Este artigo é relevante por diferenciar o controle ambiental (umidade) do controle de agentes bióticos (pragas de armazenamento), espelhando a distinção entre doença e desordem fisiológica. Ele oferece aplicações práticas sobre silos e proteção da safra que complementam as dicas sobre manutenção de câmaras frias.