Índice
- O Que é essa Tal de Dormência e Por Que Ela Tira o Sono da Gente?
- Quantas Horas de Frio Sua Planta Precisa de Verdade?
- Quando a Natureza Falha: O Segredo da Quebra de Dormência
- Floração e Polinização: Como Garantir que o Fruto “Vingue”
- Frutificação e Adubação: O Que Fazer Depois que a Flor Cai
- Glossário
- Como o Aegro te ajuda a dominar o clima e a produção
- Perguntas Frequentes
- O que acontece se eu plantar uma variedade que exige muito frio em uma região quente?
- Por que dias quentes durante o inverno são prejudiciais para o pessegueiro?
- Qual é o momento exato para aplicar os produtos de quebra de dormência?
- Por que as ameixeiras precisam de duas variedades diferentes no mesmo pomar?
- Como identificar se a queda de frutinhos após a florada é excessiva?
- Existe um padrão de ramo ideal para garantir frutas maiores na colheita?
- Artigos Relevantes
O Que é essa Tal de Dormência e Por Que Ela Tira o Sono da Gente?
Você já passou pela situação de ver sua lavoura de pêssego ou ameixa florescer “picada”, com um pé cheio de flor e o outro ainda dormindo? Ou pior: aquela brotação fraca, que deixa o ramo “pelado” e cheio de pontas secas?
Se isso aconteceu aí na sua terra, o problema tem nome e sobrenome: falta de frio ou dormência mal resolvida.
Vamos direto ao ponto. A dormência é o descanso obrigatório da planta. É quando ela “desliga” para aguentar o inverno e juntar forças. Para acordar bem e produzir, ela precisa acumular horas de frio (geralmente abaixo de 7,2 °C).
No Brasil, onde o inverno muitas vezes é ameno, a planta às vezes não dorme direito. O resultado? O chamado erratismo. A floração fica desuniforme, as gemas abortam e o fruto não vinga.
Os sinais de que faltou frio na lavoura são claros:
- Floração que não acaba mais (muito espaçada);
- Flores tortas ou anormais;
- Pouca fruta segurando no pé;
- Ramos longos demais, porque a brotação lateral falhou.
Quantas Horas de Frio Sua Planta Precisa de Verdade?
Sabe aquela história de comprar muda porque o vizinho disse que é boa, sem olhar se ela serve para o seu clima? Esse é o erro número um de quem planta fruteiras de caroço (pêssego, nectarina e ameixa) em regiões mais quentes.
Cada variedade tem uma “conta” de frio para pagar. Se a região não oferece esse frio, a conta não fecha.
Tecnicamente, chamamos de Horas de Frio (HF) o tempo que a temperatura fica abaixo de 7,2 °C.
- Baixa exigência (até 300 horas): São as mais indicadas para o nosso clima subtropical. Exemplos que funcionam bem: Aurora 1, BRS Bonão, BRS Fascínio, BRS Kampai e BRS Libra.
- Média/Alta exigência (300 a 600 horas): Cultivares como Chiripá e Della Nona. Se plantar essas em lugar quente, vai ter dor de cabeça.
Quando a Natureza Falha: O Segredo da Quebra de Dormência
“Seu Antônio, o inverno foi fraco esse ano. E agora, vou perder a safra?”
Essa é a pergunta que mais ouvimos. Quando o frio natural não vem, a gente precisa entrar com a quebra de dormência artificial. O objetivo aqui é fazer a planta acordar toda ao mesmo tempo (uniformizar a floração) e até antecipar a colheita para fugir de geadas tardias ou pegar preço melhor no mercado.
O “coquetel” mais usado no campo combina dois produtos:
- Óleo mineral (dose de 1,0% a 2,0%)
- Cianamida hidrogenada (dose de 0,5% a 1,5%)
Mas cuidado: o momento da aplicação é o pulo do gato.
Se você aplicar muito cedo, prejudica a planta. Se aplicar muito tarde (perto da floração), derruba as gemas. O ideal é aplicar cerca de 30 dias antes da data prevista para a floração, quando as gemas ainda estão inchando, mas não abriram.
Floração e Polinização: Como Garantir que o Fruto “Vingue”
Você olha para o pomar de ameixa, vê aquele tapete branco de flores, fica animado, mas na hora da colheita… a produção é baixa. O que houve?
No caso das ameixeiras, o problema geralmente é falta de “casamento”. A maioria das ameixeiras-japonesas não produz sozinha (são autoestéreis). Elas precisam de uma variedade polinizadora por perto.

Para funcionar, as duas precisam florescer na mesma época. Se a sua ameixeira principal abre a flor hoje e a polinizadora só abre semana que vem, você perdeu a janela.
Sobre a duração da florada:
- Curta (concentrada): Acontece quando o frio foi bom e uniforme. É o melhor cenário. Dura uns 7 a 10 dias.
- Longa (espaçada): Quando faltou frio ou o clima oscilou muito. Pode durar mais de 20 dias. Isso dificulta o manejo de pragas e a colheita fica picada.
Frutificação e Adubação: O Que Fazer Depois que a Flor Cai
Muitos produtores entram em pânico quando veem frutinhos caindo no chão logo após a florada. Mas calma: uma parte dessa queda é natural. A planta regula a carga que consegue carregar pelos seus hormônios.
Porém, se a queda for excessiva, pode ser falta de comida no prato da planta.
A nutrição via fertirrigação é a melhor ferramenta aqui. Mas não adianta jogar adubo no “olhômetro”.
- Nitrogênio e Potássio são os mais exigidos.
- A dose depende da análise de solo e da meta de produção.
- O adubo deve ser parcelado seguindo a necessidade da planta em cada fase.
Glossário
Horas de Frio (HF): Unidade de medida climática que contabiliza o tempo total em que a temperatura permanece abaixo de 7,2 °C durante o inverno. É o principal parâmetro para definir se uma variedade de fruta de caroço é adequada para o clima de uma determinada região brasileira.
Erratismo: Fenômeno caracterizado pela brotação e floração irregular e desuniforme da planta, ocorrendo quando a necessidade de frio não é atingida. Isso resulta em ramos com diferentes estágios de desenvolvimento, dificultando o manejo e a colheita.

Cianamida Hidrogenada: Composto químico regulador de crescimento utilizado para induzir artificialmente o fim do repouso vegetativo da planta. Sua função é compensar a falta de frio natural, promovendo uma floração mais rápida e uniforme no pomar.
Fitotoxidez: Dano ou efeito tóxico causado aos tecidos da planta por produtos químicos aplicados de forma inadequada ou em condições climáticas desfavoráveis. No manejo de dormência, o excesso de óleo mineral sob calor intenso pode causar a queima de gemas e brotos.
Autoestéreis: Plantas que não conseguem produzir frutos com o próprio pólen, necessitando de uma variedade polinizadora compatível plantada nas proximidades. É uma característica genética comum em ameixeiras que exige planejamento cuidadoso do desenho do pomar.
Esporões: Ramos curtos e especializados de crescimento lento que concentram a maior parte das gemas florais, especialmente em ameixeiras. São estruturas produtivas plurianuais que requerem cuidado especial durante a poda de frutificação.
Fertirrigação: Técnica de adubação que utiliza o sistema de irrigação para aplicar nutrientes dissolvidos na água diretamente na zona das raízes. Permite um parcelamento preciso da adubação, atendendo as demandas da planta em fases críticas como o enchimento dos frutos.
Como o Aegro te ajuda a dominar o clima e a produção
Monitorar as horas de frio e o histórico climático da região exige precisão para não errar o momento da quebra de dormência. Ferramentas como o Aegro facilitam esse acompanhamento, integrando dados climáticos e permitindo o registro detalhado de cada atividade no campo. Assim, você decide o momento exato de intervir na lavoura com base em dados reais da propriedade, evitando desperdícios com aplicações fora de hora ou produtos mal aplicados.
Além disso, organizar a fertirrigação e o uso de insumos sem perder o controle financeiro é essencial para garantir a rentabilidade do pomar. O Aegro centraliza o manejo operacional e o custo de produção em um só lugar, gerando relatórios automáticos que mostram exatamente onde seu dinheiro está sendo investido. Isso traz mais segurança para o produtor tomar decisões rápidas, simplificar a prestação de contas e garantir que cada pêssego colhido gere o melhor retorno possível.
Vamos lá?
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Perguntas Frequentes
O que acontece se eu plantar uma variedade que exige muito frio em uma região quente?
A planta apresentará o que chamamos de erratismo: as gemas de flor podem abortar, a brotação será fraca e irregular, e a colheita será muito reduzida. Como a genética da fruteira não muda, ela nunca se ‘acostumará’ com o calor, resultando em prejuízo constante para o produtor.
Por que dias quentes durante o inverno são prejudiciais para o pessegueiro?
Temperaturas acima de 18 °C durante o período de dormência têm um efeito de ‘anulação’ sobre o frio acumulado. É como uma conta matemática: enquanto o frio abaixo de 7,2 °C soma horas para a planta acordar, o calor excessivo subtrai esse progresso, retardando ou prejudicando a futura floração.
Qual é o momento exato para aplicar os produtos de quebra de dormência?
O ‘pulo do gato’ é aplicar cerca de 30 dias antes da data prevista para a floração natural, quando as gemas estão começando a inchar. Se aplicar cedo demais, o efeito é nulo; se aplicar quando os primeiros brotos ou flores já apareceram, você corre o risco de queimar os tecidos jovens e perder a produção.
Por que as ameixeiras precisam de duas variedades diferentes no mesmo pomar?
A maioria das ameixeiras-japonesas é autoestéril, o que significa que o pólen de uma flor não consegue fertilizar a própria planta. Para garantir que os frutos ‘vinguem’, é necessário ter uma variedade polinizadora compatível por perto que floresça exatamente ao mesmo tempo para permitir a polinização cruzada.
Como identificar se a queda de frutinhos após a florada é excessiva?
Uma queda parcial é natural, pois a planta regula sua própria carga. No entanto, se o chão ficar coberto de frutos precoces, pode ser sinal de deficiência nutricional, especialmente de Nitrogênio e Potássio. O monitoramento via análise de solo e a fertirrigação correta são essenciais para evitar que esse descarte natural se torne um prejuízo econômico.
Existe um padrão de ramo ideal para garantir frutas maiores na colheita?
Sim, para pêssegos e nectarinas, os ramos mais produtivos são os do ano anterior com diâmetro entre 0,5 cm e 1,0 cm (grossura de um lápis). Ramos muito finos tendem a produzir frutas pequenas, enquanto ramos muito grossos, conhecidos como ‘chupões’, gastam muita energia em crescimento vegetativo e pouca na qualidade do fruto.
Artigos Relevantes
- Guia de Plantio por Região: Como Definir a Melhor Época para Semear no Brasil: Este artigo complementa a discussão sobre a escolha de variedades baseada no clima, detalhando o funcionamento do ZARC e do zoneamento agrícola. Ele oferece ferramentas práticas para o produtor planejar a safra e mitigar os riscos climáticos mencionados, como a falta de frio ou geadas tardias.
- Laranja Pêra: O Guia Completo da Variedade Mais Importante do Brasil: Apesar de tratar de citros, este guia aprofunda o manejo de pomares perenes, abordando nutrição e escolha de cultivares de forma técnica. Ele expande os conceitos de adubação e manejo de plantas lenhosas que o artigo principal introduz para pêssegos e ameixas.
- Inseticida Natural: Um Guia Prático para o Controle de Pragas na Lavoura: O artigo principal alerta que a floração desuniforme dificulta o manejo de pragas; este texto oferece soluções sustentáveis e técnicas de aplicação para enfrentar esse desafio. Ele preenche a lacuna prática de como proteger a lavoura quando a janela de floração se torna excessivamente longa.
- Trigo: Um Guia Completo Sobre Produção, Tipos e Mercado no Brasil: Este guia conecta-se ao tema central por meio da lógica de cultivos de inverno no Brasil e a adaptação ao clima regional. Ele ajuda o produtor a entender a dinâmica de produção em períodos frios, complementando a visão sobre a importância do clima para o sucesso das culturas de clima temperado.
- Crambe: O Guia Completo para Cultivar essa Oleaginosa na Safrinha: Este artigo oferece uma perspectiva sobre diversificação e uso da terra durante o inverno, período em que ocorre a dormência das frutíferas. Ele é relevante para produtores que buscam otimizar a gestão da propriedade durante os meses de frio, tema central da fisiologia discutida no texto principal.

![Imagem de destaque do artigo: Dormência em Frutíferas: O Que É e Como Manejar [2025]](/images/blog/geradas/dormencia-frutiferas-floracao-desuniforme.webp)