Dormência em Frutíferas: O Que É e Como Manejar [2025]

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Índice

O Que é essa Tal de Dormência e Por Que Ela Tira o Sono da Gente?

Você já passou pela situação de ver sua lavoura de pêssego ou ameixa florescer “picada”, com um pé cheio de flor e o outro ainda dormindo? Ou pior: aquela brotação fraca, que deixa o ramo “pelado” e cheio de pontas secas?

Se isso aconteceu aí na sua terra, o problema tem nome e sobrenome: falta de frio ou dormência mal resolvida.

Vamos direto ao ponto. A dormência é o descanso obrigatório da planta. É quando ela “desliga” para aguentar o inverno e juntar forças. Para acordar bem e produzir, ela precisa acumular horas de frio (geralmente abaixo de 7,2 °C).

No Brasil, onde o inverno muitas vezes é ameno, a planta às vezes não dorme direito. O resultado? O chamado erratismo. A floração fica desuniforme, as gemas abortam e o fruto não vinga.

Os sinais de que faltou frio na lavoura são claros:

  • Floração que não acaba mais (muito espaçada);
  • Flores tortas ou anormais;
  • Pouca fruta segurando no pé;
  • Ramos longos demais, porque a brotação lateral falhou.

Quantas Horas de Frio Sua Planta Precisa de Verdade?

Sabe aquela história de comprar muda porque o vizinho disse que é boa, sem olhar se ela serve para o seu clima? Esse é o erro número um de quem planta fruteiras de caroço (pêssego, nectarina e ameixa) em regiões mais quentes.

Cada variedade tem uma “conta” de frio para pagar. Se a região não oferece esse frio, a conta não fecha.

Tecnicamente, chamamos de Horas de Frio (HF) o tempo que a temperatura fica abaixo de 7,2 °C.

  • Baixa exigência (até 300 horas): São as mais indicadas para o nosso clima subtropical. Exemplos que funcionam bem: Aurora 1, BRS Bonão, BRS Fascínio, BRS Kampai e BRS Libra.
  • Média/Alta exigência (300 a 600 horas): Cultivares como Chiripá e Della Nona. Se plantar essas em lugar quente, vai ter dor de cabeça.

Quando a Natureza Falha: O Segredo da Quebra de Dormência

“Seu Antônio, o inverno foi fraco esse ano. E agora, vou perder a safra?”

Essa é a pergunta que mais ouvimos. Quando o frio natural não vem, a gente precisa entrar com a quebra de dormência artificial. O objetivo aqui é fazer a planta acordar toda ao mesmo tempo (uniformizar a floração) e até antecipar a colheita para fugir de geadas tardias ou pegar preço melhor no mercado.

O “coquetel” mais usado no campo combina dois produtos:

  1. Óleo mineral (dose de 1,0% a 2,0%)
  2. Cianamida hidrogenada (dose de 0,5% a 1,5%)

Mas cuidado: o momento da aplicação é o pulo do gato.

Se você aplicar muito cedo, prejudica a planta. Se aplicar muito tarde (perto da floração), derruba as gemas. O ideal é aplicar cerca de 30 dias antes da data prevista para a floração, quando as gemas ainda estão inchando, mas não abriram.


Floração e Polinização: Como Garantir que o Fruto “Vingue”

Você olha para o pomar de ameixa, vê aquele tapete branco de flores, fica animado, mas na hora da colheita… a produção é baixa. O que houve?

No caso das ameixeiras, o problema geralmente é falta de “casamento”. A maioria das ameixeiras-japonesas não produz sozinha (são autoestéreis). Elas precisam de uma variedade polinizadora por perto.

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Para funcionar, as duas precisam florescer na mesma época. Se a sua ameixeira principal abre a flor hoje e a polinizadora só abre semana que vem, você perdeu a janela.

Sobre a duração da florada:

  • Curta (concentrada): Acontece quando o frio foi bom e uniforme. É o melhor cenário. Dura uns 7 a 10 dias.
  • Longa (espaçada): Quando faltou frio ou o clima oscilou muito. Pode durar mais de 20 dias. Isso dificulta o manejo de pragas e a colheita fica picada.

Frutificação e Adubação: O Que Fazer Depois que a Flor Cai

Muitos produtores entram em pânico quando veem frutinhos caindo no chão logo após a florada. Mas calma: uma parte dessa queda é natural. A planta regula a carga que consegue carregar pelos seus hormônios.

Porém, se a queda for excessiva, pode ser falta de comida no prato da planta.

A nutrição via fertirrigação é a melhor ferramenta aqui. Mas não adianta jogar adubo no “olhômetro”.

  1. Nitrogênio e Potássio são os mais exigidos.
  2. A dose depende da análise de solo e da meta de produção.
  3. O adubo deve ser parcelado seguindo a necessidade da planta em cada fase.

Glossário

Horas de Frio (HF): Unidade de medida climática que contabiliza o tempo total em que a temperatura permanece abaixo de 7,2 °C durante o inverno. É o principal parâmetro para definir se uma variedade de fruta de caroço é adequada para o clima de uma determinada região brasileira.

Erratismo: Fenômeno caracterizado pela brotação e floração irregular e desuniforme da planta, ocorrendo quando a necessidade de frio não é atingida. Isso resulta em ramos com diferentes estágios de desenvolvimento, dificultando o manejo e a colheita.

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Cianamida Hidrogenada: Composto químico regulador de crescimento utilizado para induzir artificialmente o fim do repouso vegetativo da planta. Sua função é compensar a falta de frio natural, promovendo uma floração mais rápida e uniforme no pomar.

Fitotoxidez: Dano ou efeito tóxico causado aos tecidos da planta por produtos químicos aplicados de forma inadequada ou em condições climáticas desfavoráveis. No manejo de dormência, o excesso de óleo mineral sob calor intenso pode causar a queima de gemas e brotos.

Autoestéreis: Plantas que não conseguem produzir frutos com o próprio pólen, necessitando de uma variedade polinizadora compatível plantada nas proximidades. É uma característica genética comum em ameixeiras que exige planejamento cuidadoso do desenho do pomar.

Esporões: Ramos curtos e especializados de crescimento lento que concentram a maior parte das gemas florais, especialmente em ameixeiras. São estruturas produtivas plurianuais que requerem cuidado especial durante a poda de frutificação.

Fertirrigação: Técnica de adubação que utiliza o sistema de irrigação para aplicar nutrientes dissolvidos na água diretamente na zona das raízes. Permite um parcelamento preciso da adubação, atendendo as demandas da planta em fases críticas como o enchimento dos frutos.

Como o Aegro te ajuda a dominar o clima e a produção

Monitorar as horas de frio e o histórico climático da região exige precisão para não errar o momento da quebra de dormência. Ferramentas como o Aegro facilitam esse acompanhamento, integrando dados climáticos e permitindo o registro detalhado de cada atividade no campo. Assim, você decide o momento exato de intervir na lavoura com base em dados reais da propriedade, evitando desperdícios com aplicações fora de hora ou produtos mal aplicados.

Além disso, organizar a fertirrigação e o uso de insumos sem perder o controle financeiro é essencial para garantir a rentabilidade do pomar. O Aegro centraliza o manejo operacional e o custo de produção em um só lugar, gerando relatórios automáticos que mostram exatamente onde seu dinheiro está sendo investido. Isso traz mais segurança para o produtor tomar decisões rápidas, simplificar a prestação de contas e garantir que cada pêssego colhido gere o melhor retorno possível.

Vamos lá?

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Perguntas Frequentes

O que acontece se eu plantar uma variedade que exige muito frio em uma região quente?

A planta apresentará o que chamamos de erratismo: as gemas de flor podem abortar, a brotação será fraca e irregular, e a colheita será muito reduzida. Como a genética da fruteira não muda, ela nunca se ‘acostumará’ com o calor, resultando em prejuízo constante para o produtor.

Por que dias quentes durante o inverno são prejudiciais para o pessegueiro?

Temperaturas acima de 18 °C durante o período de dormência têm um efeito de ‘anulação’ sobre o frio acumulado. É como uma conta matemática: enquanto o frio abaixo de 7,2 °C soma horas para a planta acordar, o calor excessivo subtrai esse progresso, retardando ou prejudicando a futura floração.

Qual é o momento exato para aplicar os produtos de quebra de dormência?

O ‘pulo do gato’ é aplicar cerca de 30 dias antes da data prevista para a floração natural, quando as gemas estão começando a inchar. Se aplicar cedo demais, o efeito é nulo; se aplicar quando os primeiros brotos ou flores já apareceram, você corre o risco de queimar os tecidos jovens e perder a produção.

Por que as ameixeiras precisam de duas variedades diferentes no mesmo pomar?

A maioria das ameixeiras-japonesas é autoestéril, o que significa que o pólen de uma flor não consegue fertilizar a própria planta. Para garantir que os frutos ‘vinguem’, é necessário ter uma variedade polinizadora compatível por perto que floresça exatamente ao mesmo tempo para permitir a polinização cruzada.

Como identificar se a queda de frutinhos após a florada é excessiva?

Uma queda parcial é natural, pois a planta regula sua própria carga. No entanto, se o chão ficar coberto de frutos precoces, pode ser sinal de deficiência nutricional, especialmente de Nitrogênio e Potássio. O monitoramento via análise de solo e a fertirrigação correta são essenciais para evitar que esse descarte natural se torne um prejuízo econômico.

Existe um padrão de ramo ideal para garantir frutas maiores na colheita?

Sim, para pêssegos e nectarinas, os ramos mais produtivos são os do ano anterior com diâmetro entre 0,5 cm e 1,0 cm (grossura de um lápis). Ramos muito finos tendem a produzir frutas pequenas, enquanto ramos muito grossos, conhecidos como ‘chupões’, gastam muita energia em crescimento vegetativo e pouca na qualidade do fruto.

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