Índice
- O que é essa tal de dormência e por que ela importa?
- Quanto frio sua pereira precisa de verdade?
- Quando o inverno não ajuda: O manejo da “quebra” de dormência
- ⚠️ CUIDADO: Segurança e riscos da mistura
- A hora exata da aplicação: O “pulo do gato”
- Manejo físico: Ajudando a planta sem química
- Glossário
- Veja como o Aegro pode ajudar a superar esses desafios
- Perguntas Frequentes
- Por que o calor excessivo durante o inverno é prejudicial para a pereira?
- Como escolher a variedade de pera ideal para a minha região?
- Qual é o intervalo de segurança para aplicar indutores após o uso de fungicidas?
- Qual o momento ideal e as condições climáticas para aplicar o indutor de brotação?
- Existem alternativas para o manejo da dormência na produção orgânica?
- Como o arqueamento de ramos auxilia no desenvolvimento da pereira?
- Artigos Relevantes
O que é essa tal de dormência e por que ela importa?
Você já viu aquele pomar que parece uma “colcha de retalhos”? Um pé está cheio de flor, o outro do lado ainda está dormindo, e aquele lá no fundo já tem folhas. Isso é dor de cabeça na certa para colher e tratar. O culpado? A dormência mal resolvida.
Para a gente entender: a dormência nada mais é do que uma “soneca de segurança” que a pereira tira. Como ela veio de lugares muito frios, ela para de crescer visivelmente para não morrer congelada no inverno.
Mas não se engane. Por fora parece que a planta parou, mas por dentro ela está trabalhando a todo vapor, preparando as gemas para brotar quando o calor voltar. O problema é que, aqui no Brasil, o nosso “frio” às vezes não convence a planta de que o inverno já passou.
Quanto frio sua pereira precisa de verdade?
Muita gente me pergunta: “Seu Antônio, plantei a pera, mas ela não vem. O que houve?”. A primeira coisa que eu olho é o termômetro da região.
A pereira precisa acumular horas de frio (abaixo de 7,2 °C) para entender que pode acordar. É como carregar uma bateria. Se não carregar até o 100%, ela não liga.
Mas atenção: nem toda pera é igual. Umas são mais “friorentas” que outras. Olha só essa lista das principais variedades plantadas aqui:
📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM: Exigência de Frio (Horas < 7,2°C)
- Cascatense: Baixa exigência (cerca de 400 horas). Floresce cedo, lá no início de agosto.
- Packham’s Triumph: Média exigência (precisa de mais frio). Floresce só em setembro.
- Rocha (Europeia): Alta exigência. Se não fizer muito frio, ela sofre.
E se fizer calor no meio do inverno? Aqui mora o perigo. Se fizer dias quentes (acima de 20 °C), a planta se confunde. Esse calor pode “anular” o frio que ela já juntou. O ideal, num mundo perfeito, seria ter mais de 30 dias seguidos abaixo de 20 °C. Como a gente não controla o tempo, precisamos monitorar.
Quando o inverno não ajuda: O manejo da “quebra” de dormência
Se o inverno foi “morno” e você percebeu que não deu as horas de frio necessárias, não dá para ficar rezando. É hora de agir com a indução de brotação.
Se as folhas não caíram sozinhas até 30 dias antes de você aplicar o indutor, você vai precisar derrubá-las na marra. Folha velha no pé atrapalha o remédio de pegar na gema.
- O que usar para derrubar folha: Oxicloreto de cobre, sulfato de cobre ou ureia.
Produtos e estratégias de aplicação
Para “acordar” a planta, o “café forte” que a gente usa no campo geralmente é:
- Óleo mineral (sozinho ou misturado).
- Cianamida hidrogenada (o mais potente, mas perigoso).
- Nitrato de potássio (ajuda a nutrir também).
- Nitrogênio inorgânico.
No sistema orgânico, sua única opção é a mistura de óleo mineral com calda sulfocálcica. Funciona, mas tem eficiência menor nas gemas laterais, então o manejo de poda tem que ser ainda mais caprichado.
Volume de Calda: O segredo é molhar bem, mas sem lavar o chão. Você precisa atingir as gemas, principalmente nos ramos do ano.
- Use entre 500 a 1.000 Litros por hectare, dependendo do tamanho da copa.
- Se usar menos água (baixo volume), tem que ajustar a concentração do produto para ficar proporcional.
- Regra de Ouro: Quanto menos frio fez no inverno, mais forte precisa ser a dose do indutor para compensar.
⚠️ CUIDADO: Segurança e riscos da mistura
Aqui a conversa fica séria. Mexer com cianamida hidrogenada exige respeito. Não é só aplicar e pronto.
O erro que queima tudo: A cianamida NÃO combina com cobre (Cu), zinco (Zn) ou enxofre (S). Se você misturar isso, ou se tiver resíduo desses produtos na planta, vai formar uma substância tóxica que queima a planta (fitotoxidez) e anula o efeito do tratamento.
- A regra é clara: Se precisou aplicar cobre ou zinco, espere pelo menos 30 dias antes de entrar com a cianamida.
E nem preciso falar do EPI, né? Luva, máscara, bota e macacão completo. A saúde da lavoura é importante, mas a sua e a do seu funcionário vêm primeiro.
A hora exata da aplicação: O “pulo do gato”
Você já perdeu o ponto do feijão? Na quebra de dormência é a mesma coisa. Se errar o dia, perde dinheiro.
O momento certo é no inchamento das gemas.
- Isso acontece de 20 a 30 dias antes da data que você espera que brote.
O que acontece se errar o “timing”?
- Aplicou muito cedo: A floração fica “espalhada” (longa demais), o que dificulta passar defensivo depois. E pior: aumenta o risco de pegar uma geada tardia na flor.
- Aplicou muito tarde: Pode queimar as gemas e a florada vem toda de uma vez só (“estouro”). Parece bonito, mas falta energia para a planta e encurta o tempo de polinização.
Olho no Clima: Para o produto funcionar bem, a temperatura depois da aplicação precisa ajudar.
- Ideal: Temperaturas do ar acima de 20 °C ajudam o produto a agir melhor.
- Ruim: Abaixo de 10 °C, o efeito é fraco e atrasa tudo.
- Chuva: Se chover em menos de uma hora após a aplicação, pode preparar o trator para reaplicar, porque lavou tudo.
Manejo físico: Ajudando a planta sem química
Nem tudo se resolve no pulverizador. Quem tem a mão boa na poda sai na frente.
Uma técnica antiga e que funciona muito é o arqueamento de ramos. Quando você enverga o ramo (principalmente na formação da planta), você diminui a força da ponta (dominância apical). Isso “engana” a planta, fazendo ela precisar de um pouco menos de frio para brotar bem.
Outras práticas que ajudam:
- Incisão anelar.
- Poda verde e poda pós-colheita.
E as mudas novas? Vai plantar pomar novo? Não tire do viveiro e jogue direto na cova.
- Leve as mudas para uma câmara fria (4 °C a 6 °C) por 30 a 45 dias.
- Mantenha a umidade alta (acima de 80%).
Isso garante que elas vão para o campo “descansadas” e brotem parelho.
Glossário
Horas de Frio (HF): Unidade de medida que contabiliza o tempo em que a planta fica exposta a temperaturas abaixo de 7,2 °C para completar seu repouso fisiológico. No Brasil, esse acúmulo é o principal indicador para determinar se a cultura terá uma brotação uniforme ou se precisará de intervenção química.
Cianamida Hidrogenada: Composto químico altamente potente utilizado para quebrar artificialmente a dormência das gemas, estimulando o despertar da planta em regiões com invernos irregulares. Exige manejo rigoroso de segurança e precisão na dosagem para evitar danos ao pomar.

Fitotoxidez: Dano ou efeito tóxico causado aos tecidos da planta por substâncias químicas ou misturas incompatíveis, resultando em queimas de gemas e folhas. Ocorre frequentemente quando há resíduos de metais como cobre ou zinco antes da aplicação de indutores de brotação.
Dominância Apical: Tendência natural da planta em concentrar o crescimento na gema da ponta do ramo, impedindo que as gemas laterais se desenvolvam. O controle desse fenômeno é essencial para garantir que a planta produza frutos em toda a extensão dos seus galhos.
Arqueamento de Ramos: Técnica de manejo físico que consiste em inclinar os galhos para a posição horizontal para reduzir a força do crescimento vertical e estimular a brotação das gemas laterais. É uma alternativa sustentável que diminui a dependência de produtos químicos para a quebra de dormência.
Inchamento das Gemas: Estádio fenológico inicial onde as gemas começam a aumentar de volume e as escamas protetoras se afastam, sinalizando o fim do repouso. Este é o momento técnico ideal para a aplicação de indutores de brotação para garantir a máxima eficiência.
Incisão Anelar: Prática que consiste em realizar cortes superficiais na casca do tronco ou ramos para interromper temporariamente o fluxo de seiva. A técnica é utilizada para forçar a brotação de gemas dormentes e melhorar a distribuição de nutrientes na planta.
Calda Sulfocálcica: Mistura química à base de enxofre e cal utilizada no tratamento de inverno para controle de pragas e doenças, além de auxiliar na quebra de dormência em sistemas orgânicos. É uma ferramenta de manejo fitossanitário que exige atenção à temperatura no momento da aplicação.
Veja como o Aegro pode ajudar a superar esses desafios
Monitorar as horas de frio e acertar o exato momento para a quebra de dormência são passos críticos que definem a lucratividade da safra. Ferramentas como o Aegro ajudam a centralizar essas informações, permitindo que você registre o histórico climático e planeje as atividades de campo com precisão, garantindo que a aplicação dos indutores ocorra na janela ideal. Além disso, o sistema facilita o controle de estoque e custos dos insumos, ajudando a evitar o desperdício de produtos caros e garantindo que cada litro de calda aplicado seja convertido em produtividade.
Vamos lá?
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Perguntas Frequentes
Por que o calor excessivo durante o inverno é prejudicial para a pereira?
Dias com temperaturas acima de 20 °C durante o período de dormência podem ‘anular’ o frio que a planta já acumulou, confundindo seu ciclo biológico. Isso impede que a pereira atinja a meta de horas de frio necessária para uma brotação uniforme, resultando em um pomar desigual e com produtividade reduzida. O ideal para a cultura é a manutenção de temperaturas baixas constantes para garantir o ‘descanso’ completo da planta.
Como escolher a variedade de pera ideal para a minha região?
A escolha deve ser baseada no histórico de horas de frio (abaixo de 7,2 °C) da sua localidade. Variedades como a Cascatense são indicadas para climas mais amenos por precisarem de apenas 400 horas de frio, enquanto a Rocha exige um inverno muito mais rigoroso. Plantar uma variedade de alta exigência em um local quente resultará em grandes dificuldades de manejo e falhas constantes na brotação.
Qual é o intervalo de segurança para aplicar indutores após o uso de fungicidas?
É fundamental respeitar um intervalo de pelo menos 30 dias entre a aplicação de produtos à base de cobre, zinco ou enxofre e o uso da cianamida hidrogenada. A mistura ou o resíduo desses elementos químicos em contato com o indutor gera uma substância tóxica que causa fitotoxidez, queimando as gemas da pereira. Seguir esse cronograma é vital para a segurança da planta e para a eficácia do tratamento de quebra de dormência.
Qual o momento ideal e as condições climáticas para aplicar o indutor de brotação?
O momento certo é durante o inchamento das gemas, geralmente de 20 a 30 dias antes da data esperada para a brotação. Para garantir a eficiência, aplique em dias com temperaturas acima de 20 °C e evite períodos com previsão de chuva em menos de uma hora após a aplicação. Temperaturas abaixo de 10 °C no momento da aplicação reduzem drasticamente a ação do produto, atrasando o desenvolvimento do pomar.
Existem alternativas para o manejo da dormência na produção orgânica?
Sim, produtores orgânicos podem utilizar a mistura de óleo mineral com calda sulfocálcica para estimular a planta. Embora essa combinação tenha uma eficiência menor nas gemas laterais quando comparada aos produtos sintéticos, ela cumpre o papel de quebra de dormência. Nesses casos, o sucesso depende de um manejo de poda e arqueamento de ramos ainda mais detalhado para compensar a menor potência química.
Como o arqueamento de ramos auxilia no desenvolvimento da pereira?
O arqueamento consiste em envergar os ramos da planta para reduzir a dominância apical, que é a tendência da planta de crescer apenas pelas pontas. Essa técnica ’engana’ a pereira, facilitando a brotação das gemas laterais mesmo que o acúmulo de frio não tenha sido perfeito. É uma estratégia de manejo físico valiosa que diminui a dependência exclusiva de indutores químicos e ajuda na formação de uma copa mais produtiva.
Artigos Relevantes
- Mistura de Defensivos no Tanque: Como Evitar Problemas na Aplicação: Este artigo é fundamental para aprofundar o aviso crítico do texto principal sobre a perigosa interação entre a cianamida hidrogenada e metais como cobre ou enxofre. Ele oferece o embasamento técnico necessário para realizar misturas de forma segura, evitando a fitotoxidez que pode destruir as gemas da pereira.
- Cobre nas Plantas: Como Identificar e Corrigir Deficiências: Como a pereira exige o uso de compostos de cobre para a desfolha química antes da indução, este texto ajuda o produtor a entender a dinâmica desse elemento na planta. Ele complementa o manejo de dormência ao detalhar como e quando aplicar o cobre, minimizando os riscos de resíduos tóxicos mencionados no artigo principal.
- Guia Completo de Defensivos Agrícolas: Tipos, Aplicação e Segurança: O texto principal lida com produtos de alta toxicidade e exigência rigorosa de EPIs, como a cianamida. Este guia expande o conhecimento sobre segurança, resistência e tipos de defensivos, oferecendo o contexto regulatório e prático indispensável para o manuseio dos indutores de brotação.
- Pragas do Feijão: Um Guia Completo por Estágio da Planta: Apesar de tratar de uma cultura diferente, este artigo é selecionado pela similaridade metodológica de monitoramento por estádios fenológicos, um conceito crucial para acertar o ‘inchamento das gemas’ na pereira. Ele reforça a disciplina de observação de campo que o produtor de frutas precisa ter para garantir a produtividade.
- Crambe: O Guia Completo para Cultivar essa Oleaginosa na Safrinha: Este conteúdo oferece uma alternativa estratégica de manejo para o período de inverno, mesma janela climática em que ocorre a dormência da pereira. Ele complementa a jornada do produtor ao apresentar opções de rotação e cobertura de solo para épocas de frio, otimizando a gestão da propriedade durante o repouso do pomar.

![Imagem de destaque do artigo: Dormência da Pereira: Horas de Frio e Brotação [Guia 2025]](/images/blog/geradas/dormencia-pereira-horas-frio-brotacao.webp)