Cultivar de Feijão: 7 Dicas para Alto Rendimento [2025]

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Índice

Escolher a Semente Errada Pode Custar a Safra Inteira?

Você já viu vizinho caprichar no adubo, acertar na chuva e, na hora da colheita, o feijão não render nada? O problema muitas vezes começa bem antes de ligar o trator: está na escolha da cultivar.

Aqui entre nós, produtor: semente não é tudo igual. Escolher a variedade errada é como tentar calçar um sapato que não serve no seu pé. Pode até entrar, mas vai machucar e você não vai andar longe.

Vamos direto ao ponto sobre o que você precisa olhar para escolher a cultivar de feijão certa, baseado no que a Embrapa testou e comprovou no campo. Nada de “achismo”, vamos falar de resultado.

O Que Você Precisa Olhar Antes de Comprar a Semente?

A primeira coisa que você tem que ter em mente é: não existe semente milagrosa que serve para todo mundo. O que funcionou na fazenda do seu compadre em Goiás pode ser um desastre na sua terra no Paraná.

Para não jogar dinheiro fora, você precisa cruzar as características da cultivar com a realidade da sua fazenda. O que manda na escolha?

  1. Grupo comercial: É Carioca? Preto? Jalo? Tem que plantar o que o mercado da sua região compra.
  2. Ciclo da planta: Você precisa colher rápido (menos de 75 dias) ou pode esperar o ciclo normal (85 a 95 dias)? Isso muda todo o planejamento da safrinha.
  3. Porte da planta: Se você vai colher com máquina, precisa de uma planta ereta. Planta que deita (prostrada) dá dor de cabeça na colhedora e perda de grão.
  4. Resistência a doenças: Se na sua região a pressão de Mosaico Dourado é forte, plantar uma variedade suscetível é pedir para ter prejuízo.

Quais São as Cultivares “Campeãs” da Embrapa?

A Embrapa desenvolveu dezenas de materiais desde 1990. Vamos separar o joio do trigo e ver o que tem de opção para o seu negócio.

Para quem planta Carioca (o mais comum):

Se o seu foco é o feijão carioca, você tem muitas opções. O clássico Pérola (lançado em 1994) é conhecido, mas tem porte semiprostrado.

Agora, se você quer modernizar e facilitar a colheita mecânica, olhe para cultivares de porte ereto, como:

  • BRS Estilo (Normal)
  • BRS Cometa (Semiprecoce)
  • BRS Horizonte (Normal)

Para quem planta Feijão Preto:

O mercado de preto é forte, especialmente no Sul. Aqui, a busca por porte ereto (para facilitar a máquina) é fundamental. Boas opções são:

  • BRS Valente (Ciclo Normal)
  • BRS Campeiro (Semiprecoce)
  • BRS Esplendor (Ciclo Normal)

Para nichos de mercado (grãos especiais):

Quer fugir do comum e pegar um preço melhor?

  • BRS Radiante: Tipo Rajado.
  • BRS Vereda: Tipo Rosinha.
  • BRS Embaixador: Tipo Dark Red Kidney (aquele vermelho escuro grande).

Doenças: Por Que a Resistência da Planta “Quebra”?

Uma pergunta que sempre aparece na roda de conversa: “Por que eu plantei essa semente que dizia ser resistente à ferrugem e, dois anos depois, a ferrugem pegou?”

Não é que a Embrapa mentiu. O problema é que a natureza não para. Fungos e vírus sofrem mutações e criam novas “raças”.

Quando a gente planta a mesma variedade resistente em grandes áreas por muito tempo, acabamos selecionando justamente os fungos que conseguem atacar aquela planta. É a famosa “quebra de resistência”.

O que fazer na prática? Não confie só na genética. A cultivar ajuda, mas você precisa rotacionar e monitorar. Veja como algumas cultivares reagem:

  • Antracnose: A BRS Pontal e a BRS Horizonte são resistentes (R). Já a Pérola é suscetível (S).
  • Mosaico Dourado: A BRS Esplendor é resistente (R). Muitas outras são suscetíveis.
  • Fusário (Murcha): A maioria das cultivares modernas como BRS Estilo e BRS Requinte são resistentes.

Existe Feijão que Aguenta o Secão?

Se você produz em região de chuva incerta ou na segunda safra (safrinha), a falta de água tira o sono de qualquer um.

Embora não exista um feijão “à prova de seca” (se não chover nada, nada nasce), a pesquisa identificou materiais que aguentam o tranco melhor que os outros.

Os testes mostraram que estas duas aguentam mais o estresse hídrico:

  1. BRS Agreste: Grão tipo Mulatinho.
  2. BRS Pontal: Grão tipo Carioca.

Se a sua janela de plantio é arriscada com a chuva, essas são as apostas mais seguras até o momento.


O Segredo do Preço: Feijão que Não Escurece e Mais Nutritivo

Na hora de vender para o cerealista ou empacotadora, a cor do grão manda no preço. Feijão Carioca que escurece rápido na prateleira vale menos.

Aqui tem um “pulo do gato” que poucos produtores usam:

  • BRS Madrepérola: Esse feijão tipo Carioca mantém a cor clara por longos períodos de armazenamento.
  • BRS Requinte: Também segura a cor clara por um tempo médio.

Isso dá a você poder de negociação. Você pode segurar o grão no armazém esperando o preço subir sem medo dele ficar marrom e “velho” rápido demais.

Além disso, existem os biofortificados (com mais Ferro e Zinco), como o BRS Cometa e o BRS Supremo. Isso agrega valor se você vende para programas de alimentação escolar ou nichos de saúde.


Posso Plantar Qualquer Semente em Qualquer Estado?

Não faça isso. Esse é o erro mais comum que vemos por aí.

O Brasil é gigante. O clima do Rio Grande do Sul não tem nada a ver com o da Bahia. A Embrapa faz testes rigorosos (chamados VCU) para recomendar a cultivar certa para o estado certo e na época certa (Águas, Seca ou Inverno).


Semente Pirata vs. Semente Registrada no MAPA

“Ah, mas a semente ‘pirata’ do vizinho é mais barata…”

Cuidado. O barato sai caro, e rápido.

Usar cultivar registrada no Ministério da Agricultura (Mapa) não é burocracia, é segurança. Para registrar, a instituição (como a Embrapa) teve que provar com testes que aquela semente produz o que promete.

Se você usa semente sem registro (“saco branco” ilegal ou cultivar não listada):

  • Não tem garantia de nascimento ou pureza.
  • Não tem a quem reclamar se der problema.
  • Fica bloqueado no banco: O crédito rural e o seguro exigem cultivar registrada.

As cultivares melhoradas modernas produzem mais, adoecem menos e gastam menos defensivo. No final das contas, a semente certificada se paga com o aumento de sacas por hectare.


Glossário

Cultivar: Designação para uma variedade de planta que foi selecionada e melhorada por pesquisadores para apresentar características específicas e uniformes. É a ‘identidade’ técnica da semente que determina seu comportamento e potencial produtivo no campo.

Porte da Planta: Refere-se ao hábito de crescimento da planta, podendo ser ereto, semiprostrado ou prostrado (rasteiro). O porte ereto é essencial para o sucesso da colheita mecânica, pois evita que as vagens toquem o solo e apodreçam.

Ciclo Semiprecoce: Período de desenvolvimento da planta que dura entre 75 e 84 dias do plantio à colheita. É uma característica estratégica para o produtor que precisa colher rápido para aproveitar a janela de plantio da próxima safra.

Mosaico Dourado: Doença viral devastadora transmitida pela mosca-branca que causa o amarelecimento intenso das folhas e deformação das vagens. No Brasil, o uso de cultivares resistentes é a forma mais eficaz de controle para evitar a perda total da lavoura.

VCU (Valor de Cultivo e Uso): Conjunto de testes obrigatórios exigidos pelo Ministério da Agricultura para avaliar o desempenho de uma nova semente em condições reais de campo. Garante que a cultivar é produtiva e adaptada a uma região específica antes de ser vendida.

Biofortificação: Processo de melhoramento genético que visa aumentar os teores de vitaminas e minerais, como ferro e zinco, nos grãos. Essa tecnologia agrega valor comercial ao produto e atende a nichos de mercado focados em saúde.

Estresse Hídrico: Situação em que a planta não encontra água suficiente no solo para suprir suas necessidades básicas, prejudicando o crescimento. Algumas cultivares possuem genética preparada para suportar melhor esses períodos de seca sem morrer ou perder tanta produtividade.

Como a tecnologia ajuda você a escolher a cultivar certa e proteger sua safra

Escolher a cultivar ideal é o primeiro passo, mas a gestão eficiente é o que garante o lucro no final do ciclo. Ferramentas como o Aegro facilitam esse processo ao centralizar as informações do campo e do escritório em um só lugar. Com o aplicativo, você pode registrar o desempenho de cada semente em diferentes talhões e monitorar o surgimento de pragas ou doenças em tempo real, permitindo decisões rápidas antes que a produtividade seja afetada.

Além disso, para quem depende de crédito rural ou seguro agrícola, a organização é fundamental. O Aegro automatiza a gestão financeira e gera relatórios precisos que comprovam o uso de sementes certificadas e o cumprimento do calendário de plantio. Isso traz mais segurança para evitar erros fiscais e agilidade para quem precisa modernizar a gestão, garantindo que o investimento na semente certa se transforme, de fato, em rentabilidade na colheita.

Vamos lá?

Quer levar a gestão da sua lavoura de feijão para o próximo nível e tomar decisões baseadas em dados? Experimente o Aegro gratuitamente e veja como simplificar o monitoramento e o controle financeiro da sua fazenda.

Perguntas Frequentes

Qual a principal diferença prática entre o feijão de porte ereto e o porte prostrado?

O porte ereto é fundamental para produtores que utilizam a colheita mecânica, pois as plantas permanecem verticais, facilitando a entrada da máquina e reduzindo drasticamente a perda de grãos. Já o porte prostrado faz com que a planta se ‘deite’ sobre o solo, o que dificulta a mecanização e geralmente exige uma colheita manual ou o uso de equipamentos específicos para evitar o desperdício.

Por que uma semente considerada resistente a doenças pode começar a apresentar problemas após algumas safras?

Isso acontece devido ao fenômeno da ‘quebra de resistência’, onde fungos e vírus sofrem mutações naturais para sobreviver, criando novas raças que conseguem atacar variedades antes protegidas. Para evitar esse prejuízo, o produtor não deve confiar apenas na genética da semente, sendo essencial adotar a rotação de culturas e o monitoramento constante da lavoura para identificar precocemente novas pressões de doenças.

Quais as vantagens comerciais de escolher cultivares que demoram a escurecer, como a BRS Madrepérola?

Cultivares com tecnologia de escurecimento lento garantem que o grão mantenha o aspecto de ’novo’ por muito mais tempo no armazém, o que aumenta o poder de negociação do produtor. Como o mercado e as empacotadoras pagam menos pelo feijão carioca escurecido, essas variedades permitem que você espere por melhores preços de mercado sem perder a qualidade visual exigida pelo consumidor.

Quais são os riscos de plantar uma cultivar que não é recomendada para o meu estado?

Plantar fora da recomendação oficial da Embrapa (VCU) pode resultar em queda acentuada de produtividade e alterações no ciclo da planta, que pode não se adaptar ao clima local. Além disso, o produtor perde o direito de acessar o seguro agrícola e financiamentos bancários, já que essas instituições exigem que a cultivar esteja em conformidade com o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) da região.

Existe alguma semente de feijão que seja totalmente imune à seca?

Não existe semente imune à falta total de água, mas há variedades com maior tolerância ao estresse hídrico, como a BRS Agreste e a BRS Pontal. Esses materiais foram selecionados por conseguirem manter uma produtividade satisfatória mesmo em condições de chuva irregular, sendo as opções mais seguras para o plantio de segunda safra (safrinha) ou regiões com janelas climáticas arriscadas.

O que significa a sigla ‘A’ na descrição técnica de uma semente de feijão?

A sigla ‘A’ indica que a cultivar é adaptada à colheita mecânica direta, possuindo porte ereto e uma altura de inserção de vagens que permite o corte eficiente pela plataforma da colhedora. Se a semente for classificada como ‘N’ (não adaptada), o produtor deve estar ciente de que a colheita será mais trabalhosa e poderá exigir métodos manuais para evitar perdas elevadas de grãos no solo.

Por que investir em sementes certificadas pelo MAPA em vez de sementes ‘piratas’ mais baratas?

Sementes registradas no Ministério da Agricultura oferecem garantia de pureza genética, vigor e alta taxa de germinação, o que resulta em um estande de plantas uniforme e maior teto produtivo. O uso de sementes ‘piratas’ coloca em risco toda a safra por não ter procedência sanitária garantida, além de impedir o produtor de utilizar ferramentas de gestão financeira e proteção contra riscos climáticos oferecidas pelos bancos.

Artigos Relevantes

  • Qual a Melhor Época para Plantar Feijão? Guia Completo por Região e Safra: Este artigo é o complemento operacional indispensável para o texto principal, pois detalha as janelas de plantio por região e safra (Águas, Seca e Inverno). Enquanto o artigo principal alerta sobre os riscos de plantar fora do zoneamento (ZARC) para não perder o seguro agrícola, este guia fornece o calendário prático necessário para o planejamento.
  • Sementes Piratas: O Guia Completo Sobre Riscos e Como Evitar Prejuízos: O texto principal dedica uma seção inteira ao perigo das sementes ‘piratas’, e este artigo atua como um aprofundamento técnico sobre os seis principais riscos envolvidos. Ele expande a discussão iniciada no texto base, oferecendo critérios objetivos para o produtor identificar e evitar prejuízos fitossanitários e financeiros decorrentes do uso de materiais sem procedência.
  • Sementes Certificadas: Novas Regras para Proteger sua Lavoura: Este conteúdo oferece a base legal e regulatória para a recomendação de uso de sementes registradas no MAPA feita no artigo principal. Ele traz as novas regras de certificação para 2025, o que é vital para o produtor que busca segurança jurídica e conformidade para acessar o crédito rural mencionado no encerramento do texto principal.
  • Inoculante para Feijão Caupi: O Guia Completo para Aumentar a Produtividade: Embora focado no tipo Caupi, este artigo complementa a visão de produtividade ao abordar o tratamento biológico de sementes, uma tecnologia que potencializa a genética das cultivares discutidas. Ele responde à provocação do texto principal de que ‘a semente não resolve tudo sozinha’, apresentando a inoculação como uma prática de manejo essencial para o rendimento.
  • Semente de Milho: Como Escolher a Melhor para Alta Produtividade: Este artigo é relevante devido à rotação de culturas e ao planejamento da safrinha citados no texto principal, onde milho e feijão frequentemente compartilham a janela de decisão do produtor. Ele oferece uma perspectiva comparativa sobre critérios de escolha e tratamento de sementes (TS), reforçando a lógica de gestão tecnológica necessária para alta produtividade em toda a fazenda.