Mudas de Citros: Como Escolher e Evitar Prejuízos [2025]

Foto de perfil de Redação Aegro
Equipe de especialistas da Aegro, dedicada a levar conhecimento, tecnologia e inovação para o produtor rural brasileiro.
Imagem de destaque do artigo: Mudas de Citros: Como Escolher e Evitar Prejuízos [2025]

Índice

Por que a escolha da muda define o sucesso (ou fracasso) do seu pomar?

Você já viu aquele produtor que espera quatro anos, investe em adubo e defensivo, e na hora da primeira colheita percebe que a planta não rende o esperado? É de doer no bolso e no coração.

Muitas vezes, o erro não foi no manejo do ano, mas lá no início, na escolha da muda. Como dizem os mais experientes: “a muda é a pedra angular da citricultura”. Ela é o alicerce.

Se o pomar é um casamento de longo prazo, a muda ruim é aquele problema que você só descobre depois que já casou. Por ser uma cultura permanente, se você começar com material fraco ou doente, vai carregar esse prejuízo por anos. Não olhe apenas se a muda está bonita ou verdinha por fora. O que manda mesmo é a origem do material.


Porta-enxerto: Como escolher o “alicerce” da planta?

Muita gente gasta horas escolhendo a variedade da copa (a laranja ou limão que vai vender), mas esquece de quem vai segurar o tranco lá embaixo: o porta-enxerto.

O segredo aqui é simples: o porta-enxerto precisa “conversar” bem com a copa. E tem mais um detalhe que muito produtor ignora: o perigo da monocultura.

Se você planta o pomar inteiro com um único tipo de porta-enxerto, está colocando todos os ovos na mesma cesta. Se vier uma doença específica para aquela raiz, você perde tudo.


O jeito certo de tirar e guardar as sementes

Sabe aquela história de pegar semente de qualquer fruto que caiu no chão? Esqueça. Se você quer fazer a coisa certa, a semente tem que vir de frutos maduros, colhidos de plantas que você sabe que são sadias e produtivas.

Aqui vai o passo a passo prático para não errar:

  1. Corte: Não afunde a faca. Corte só a casca do fruto e torça com a mão para separar as metades. Assim você não fere a semente.
  2. Lavagem: Use água limpa e corrente. Se a gosma (mucilagem) estiver difícil de sair, bicarbonato de cálcio ou cal ajuda a limpar.
  3. Secagem: Nada de sol forte. Seque na sombra, em lugar ventilado, espalhando as sementes numa camada fina sobre um pano limpo.

Sementeira: no chão ou na estufa?

Essa é uma dúvida clássica. Dá para fazer a céu aberto? Dá. Mas exige cuidado dobrado.

Se for fazer a céu aberto:

O solo precisa ser areno-argiloso e bem drenado. Nunca use terra onde já teve citros ou horta antes, nem perto de estrada poeirenta.

  • Preparo: Cave, tire raízes velhas e pedras. Cubra o canteiro com plástico transparente por 40 dias (solarização) para matar as pragas com o calor.
  • Medidas: Canteiros de 1,0m a 1,25m de largura e caminhos de 60cm (que servem de dreno).
  • Semeadura: Fevereiro ou março. Cubra com 2 a 3 cm de terra fina. Use cobertura morta (palha ou serragem) até as plantinhas nascerem.

Se for fazer em estufa telada (Mais seguro):

Aqui o controle é maior. Usa-se tubetes ou bandejas de isopor.

  • O pulo do gato: O substrato deve ser livre de nematoides e fungos (principalmente a Phytophthora, que causa a gomose).
  • Bancadas: Nada de bandeja no chão. Use estrados elevados (15 a 30 cm do solo) para evitar contaminação.

Do transplante à enxertia: o passo a passo no viveiro

Seu “cavalinho” (porta-enxerto) cresceu e chegou a hora de ir para o viveiro ou para o saquinho. Esse momento é crítico.

O Transplante

O ideal é fazer isso nos meses de chuva (junho/julho), quando a plantinha tem uns 10 cm de altura.

  • Na prática: Se não chover, regue bem o canteiro na tarde anterior. Arranque com cuidado para não quebrar a raiz.
  • Plantio: Coloque na cova com o colo rente ao chão. Aperte bem a terra para não ficar bolsa de ar nas raízes.

A Hora da Enxertia

Não tenha pressa. A enxertia só deve ser feita quando o porta-enxerto tiver diâmetro de um lápis e estiver “dando casca” (soltando a casca fácil do lenho).

  • A Borbulha: Tem que vir de planta matriz sadia e produtiva.
  • O Método: O mais usado é a borbulha em T invertido. Por que invertido? Porque dificulta a entrada de água da chuva e facilita o serviço.
  • Altura: Faça a enxertia entre 10 e 30 cm do chão. Se a variedade for sensível à gomose (como o Limão Tahiti), suba isso para 30 a 50 cm.

Como formar a copa e entregar a muda pronta

Depois que o enxerto pegou, você precisa “ensinar” a planta a crescer. O viveirista força a brotação curvando ou cortando o porta-enxerto acima da borbulha.

Quando o broto da copa atingir uns 20 cm, entra o tutoramento. Amarre a planta num tutor de 90 cm.

  • Pernadas: Quando a haste passar do tutor, corte a ponta (desponte). Escolha 3 ou 4 brotos fortes, que saiam para lados diferentes (em espiral), para formar a copa.

Os tipos de muda para levar a campo

Você pode optar por três formatos, dependendo da sua necessidade e distância de transporte:

  1. Muda de Torrão: É a mais comum hoje. A muda sai do viveiro no saco plástico, com a terra junto. Sofre menos no transporte.
  2. Muda de Raiz Nua: Mais comum no Nordeste. Arranca-se a muda, lava-se a raiz e “barreia” com barro mole. Envolve em saco úmido.
    • Dica: A raiz principal (pião) tem que ficar com pelo menos 25 cm.
  3. Muda-Vareta: Essa aqui economiza tempo e dinheiro. Você faz apenas o desponte e leva para o campo sem a copa formada. A copa (as pernadas) você forma lá na lavoura definitiva. Facilita muito o transporte e o arranquio.

Glossário

Porta-enxerto: Também chamado de cavalinho, é a parte inferior da planta responsável pelo sistema radicular e pela resistência a doenças do solo. Ele define a adaptação da muda ao terreno e influencia diretamente o vigor e a produtividade da copa.

Solarização: Técnica de desinfestação do solo que utiliza cobertura plástica transparente para elevar a temperatura através da radiação solar. Serve para eliminar fungos, bactérias, nematoides e sementes de plantas daninhas antes do plantio na sementeira.

Gomose (Phytophthora): Doença fúngica grave que ataca o tronco e as raízes dos citros, causando lesões e o surgimento de uma substância viscosa (goma). É uma das principais causas de morte de plantas em pomares com manejo sanitário deficiente.

Enxertia em T Invertido: Método de propagação que consiste em inserir uma gema (borbulha) sob a casca do porta-enxerto em um corte em formato de ‘T’ de cabeça para baixo. Essa técnica facilita a cicatrização e evita que a água da chuva penetre na união, protegendo o enxerto contra apodrecimento.

Borbulha: Gema retirada de um ramo de planta matriz selecionada que dará origem à copa da nova árvore. É essencial que a borbulha tenha origem genética certificada e esteja livre de vírus para garantir a qualidade do pomar.

Nematoides: Vermes microscópicos do solo que atacam as raízes das plantas, impedindo a absorção correta de nutrientes e água. Na produção de mudas, o controle rigoroso é vital, pois uma muda contaminada espalha a praga por toda a propriedade.

Muda-vareta: Tipo de muda comercializada apenas com a haste principal, sem os ramos laterais da copa formados. Oferece vantagens logísticas no transporte e permite que o produtor conduza a formação das ‘pernadas’ da planta diretamente no campo.

Como a tecnologia auxilia na formação do seu pomar

Investir em mudas de qualidade exige um planejamento financeiro rigoroso para que o custo inicial não se torne um peso no futuro. Ferramentas como o Aegro permitem que você acompanhe os custos de insumos e mão de obra desde a sementeira, garantindo uma gestão financeira transparente e organizada. Além disso, o software ajuda no planejamento operacional das manutenções e no monitoramento de pragas, facilitando a transição das mudas para o campo com maior eficiência e segurança.

Vamos lá?

Que tal organizar a gestão da sua fazenda e ter mais controle sobre seus resultados? Experimente o Aegro gratuitamente para planejar e acompanhar o desempenho do seu pomar em tempo real.

Perguntas Frequentes

Por que a origem genética da muda é mais importante que a sua aparência visual?

Uma muda pode parecer saudável e vigorosa por fora, mas carregar vírus ou problemas genéticos silenciosos que só aparecerão anos depois, prejudicando a colheita. A qualidade sanitária e a procedência garantida asseguram que a planta terá longevidade e alta produtividade, evitando que o investimento em adubação e manejo seja desperdiçado em um material de baixo desempenho.

Qual é o principal risco de utilizar apenas um tipo de porta-enxerto em todo o pomar?

O maior perigo da monocultura de porta-enxertos é a vulnerabilidade total a pragas e doenças específicas que atacam certas raízes. Se uma nova doença surgir e atingir aquela variedade específica, o produtor corre o risco de perder toda a lavoura de uma vez. Diversificar os porta-enxertos funciona como um seguro, garantindo que diferentes áreas do pomar tenham resistências variadas.

Por que a altura da enxertia deve ser maior em variedades como o Limão Tahiti?

Variedades mais sensíveis à gomose, como o Limão Tahiti, devem ser enxertadas a uma altura maior do solo, preferencialmente entre 30 e 50 cm. Isso cria uma barreira física, dificultando que respingos de chuva levem o fungo Phytophthora, presente no solo, até a parte sensível da copa. Essa medida preventiva simples reduz drasticamente a mortalidade de plantas no pomar adulto.

Como funciona o processo de solarização para sementeiras feitas a céu aberto?

A solarização consiste em cobrir o canteiro limpo e úmido com plástico transparente por cerca de 40 dias antes da semeadura. O calor do sol acumulado sob o plástico eleva a temperatura do solo a níveis que eliminam naturalmente a maioria dos fungos patogênicos, nematoides e sementes de plantas daninhas. É uma técnica essencial para quem não dispõe de estufas controladas.

Quais as vantagens de optar pela ‘muda-vareta’ em grandes propriedades?

A muda-vareta é transportada apenas com a haste principal, sem a formação das ‘pernadas’ da copa, o que facilita muito a logística e diminui o custo de frete. Além disso, o arranquio e o plantio são mais ágeis, permitindo que a formação final da estrutura da árvore ocorra diretamente no campo. Isso possibilita ao produtor moldar a planta conforme as necessidades específicas de sua mecanização.

Como saber se a enxertia funcionou e o que fazer em caso de sucesso?

A verificação deve ser feita entre 15 e 20 dias após a enxertia, retirando-se a fita plástica de amarração. Se a borbulha estiver verde e viva, o enxerto foi bem-sucedido; se estiver marrom ou seca, o processo falhou. Após a confirmação do ‘pegamento’, deve-se curvar ou cortar o porta-enxerto logo acima da borbulha para estimular a seiva a alimentar o novo broto da copa.

Artigos Relevantes

  • Porta-Enxertos na Citricultura: Guia para Escolher a Base do Pomar: Este artigo aprofunda o conceito de ‘alicerce’ mencionado no texto principal, detalhando como a escolha técnica do porta-enxerto influencia diretamente a resistência a doenças e a produtividade futura. Ele é essencial para o produtor que deseja aplicar a estratégia de diversificação de raízes sugerida no guia.
  • Produção mudas citricas: Enquanto o artigo principal foca no manejo prático, este candidato oferece uma visão abrangente sobre as normas e legislações de viveiros. Ele complementa o conhecimento ao ensinar o produtor a identificar se o fornecedor de mudas segue os padrões de qualidade e sanidade exigidos por lei.
  • Laranja Hamlin: O Guia Completo da Cultivar Precoce para Pomares Produtivos: Este artigo conecta a fase de escolha da muda com o manejo real no campo, apresentando um guia completo sobre uma das variedades de copa mais comuns. Ele expande a compreensão sobre o ciclo produtivo, desde a implantação discutida no texto base até a colheita e fitossanidade.
  • Citros e Citrus: Entenda a Diferença e a Importância para o Seu Pomar: Este conteúdo serve como uma base teórica necessária para o produtor iniciante, esclarecendo nomenclaturas e conceitos de implantação de pomar. Ele complementa a parte de ‘formação da copa’ do texto principal ao discutir espaçamentos e orientações gerais de cultivo.
  • Sementes Salvas: O Que Muda com a Nova Lei? Guia Completo para o Produtor: Como o artigo principal ensina o passo a passo para extrair e guardar sementes, este texto é vital para alertar o produtor sobre os aspectos legais. Ele esclarece a legislação sobre o uso de sementes para uso próprio, evitando riscos jurídicos na formação do viveiro na fazenda.