Fertirrigação na Manga: Guia Completo de Produção [2025]

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Índice

O Segredo da Fertirrigação na Manga: Mais Produção com Menos Desperdício

Você já parou para pensar por que alguns produtores conseguem mangas maiores e mais doces gastando menos com mão de obra? A resposta muitas vezes não está num produto milagroso, mas no jeito de entregar a comida para a planta.

Vamos direto ao ponto: fertirrigação nada mais é do que aplicar o adubo junto com a água da irrigação.

Em vez de jogar o adubo no chão e esperar a chuva ou a rega levar ele para a raiz, você entrega o nutriente “na boca” da planta. Isso ajusta melhor o que a mangueira precisa com o que ela recebe. O resultado? A planta aproveita mais, e você gasta menos energia e dias de serviço do pessoal no campo.

Mas será que funciona na sua terra? Vamos ver o que a prática diz.

Vale a pena investir nisso? O ganho é real?

Uma dúvida que sempre aparece na roda de conversa é: “Seu Antônio, isso vai aumentar minhas caixas por hectare ou é só conversa bonita?”

A resposta curta é: depende do seu manejo.

Pesquisas mostram que a fertirrigação sozinha não faz milagre. O “pulo do gato” é o momento da aplicação. Culturas exigentes como a manga respondem muito bem, mas só se o nutriente chegar na fase certa (fenologia).

Se você aplicar adubo na hora errada, é dinheiro jogado fora, mesmo via água. Mas, se acertar o calendário, a eficiência sobe muito.

Qual sistema usar e onde funciona melhor?

Você tem um solo muito arenoso e sofre com o adubo descendo rápido demais (lixiviação)? A fertirrigação é sua melhor amiga aqui.

Em solos arenosos, ela dá resultados melhores que a adubação convencional. O motivo é simples: como a areia não segura o nutriente (principalmente o Nitrogênio), você precisa parcelar a comida em pequenas doses. A fertirrigação faz exatamente isso.

O sistema ideal: Para a manga, o que funciona melhor é a irrigação localizada (gotejamento ou microaspersão). Eles distribuem água e comida de forma uniforme.

⏰ Frequência de aplicação:

  • Solos Arenosos: Ligar a fertirrigação a cada 7 dias.
  • Solos Argilosos: Ligar a cada 15 dias.

Cuidado com o Sal: O inimigo invisível da raiz

Seu João, vizinho de cerca, perdeu parte do pomar porque a água dele já era meio salobra e ele pesou a mão no adubo químico. O resultado? Salinização do solo.

Todo adubo químico é um sal. Se a sua água já tem sal, a mistura pode virar um veneno para a planta.

A “Química” do Tanque: O que não pode misturar?

Quem nunca viu a tubulação ou o gotejador entupir porque a mistura no tanque “coalhou”? Isso é precipitação química.

Para não perder tempo desentupindo mangueira no sol quente, siga essa regra de ouro: Cálcio não se mistura com Sulfatos. Se misturar, vira gesso (sulfato de cálcio) e entope tudo.

Outra coisa: Cloreto de Potássio com Sulfatos também pode dar problema, diminuindo a solubilidade do Potássio.

Nitrogênio e Potássio: A hora certa de aplicar

Aqui na lavoura, o “olhômetro” ajuda, mas a análise de solo e folha é quem manda. A partir do segundo ano, ajuste as doses olhando a análise foliar.

Mas existe um padrão que funciona bem para a manga:

1. Nitrogênio (N)

Use durante todo o crescimento. Mas cuidado: reduza ou pare perto da indução floral, senão a planta só quer saber de crescer folha e esquece da flor.

Na fase de produção, parcele o Nitrogênio em duas vezes iguais (50% / 50%):

  1. Logo após a colheita.
  2. Entre o pegamento dos frutos até eles terem 5 cm de tamanho.

2. Potássio (K)

Também vai durante o crescimento todo.

Na fase de produção, o parcelamento é diferente:

  1. Aplique 25% a 35% logo após a colheita.
  2. Aplique o grosso da carga (65% a 75%) na época do pegamento até o fruto ter 5 cm. É aqui que o fruto precisa “encher”.

Como saber se estou fazendo certo?

Não adianta só ligar o sistema e ir embora. O monitoramento evita prejuízo.

Além de olhar se a folha está bonita (sem manchas), você precisa agir como um médico.

  • A cada 30 dias: Use extratores de solução do solo (perto da raiz) para medir a condutividade elétrica. Se o sal estiver subindo, você pega o problema no começo.
  • A cada 6 meses: Faça análise de solo completa em volta da planta.

Glossário

Fenologia: Estudo das fases de desenvolvimento da planta ao longo do seu ciclo, como floração e frutificação. No manejo da manga, identificar cada fase é crucial para aplicar o adubo no momento de maior exigência nutricional.

Lixiviação: Processo em que os nutrientes são carregados pela água para as camadas mais profundas do solo, ficando fora do alcance das raízes. É um problema comum em solos arenosos que exige o parcelamento da adubação.

Condutividade Elétrica (CE): Medida que indica a concentração de sais dissolvidos na água ou na solução do solo. Serve para monitorar se a quantidade de fertilizante aplicada não ultrapassou o limite que a planta suporta sem sofrer danos.

Índice Salino: Indicador que mede a capacidade de um fertilizante em aumentar a salinidade da solução do solo. Fertilizantes com baixo índice salino, como o Nitrato de Potássio, são preferíveis para evitar a ‘queima’ das raízes em águas de baixa qualidade.

Precipitação Química: Reação indesejada entre diferentes adubos que resulta na formação de resíduos sólidos (sedimentos) no tanque de mistura. Esse fenômeno é o principal responsável pelo entupimento de gotejadores e filtros no sistema de irrigação.

Indução Floral: Conjunto de práticas de manejo, incluindo controle hídrico e nutricional, para estimular a planta a produzir flores em vez de novas folhas. É uma etapa crítica na produção de manga para garantir a produtividade da safra.

Extratores de Solução do Solo: Equipamentos instalados na área das raízes para coletar amostras da água presente no solo após a fertirrigação. Permitem ao produtor verificar em tempo real a disponibilidade de nutrientes e o nível de salinidade no campo.

Como o Aegro ajuda você a dominar a fertirrigação e os custos

Dominar a técnica da fertirrigação é apenas o primeiro passo para o sucesso da safra. Para garantir que cada nutriente seja aplicado no momento exato das fases de produção, ferramentas como o Aegro ajudam a organizar o calendário de adubação e a acompanhar as atividades de campo pelo celular. Isso evita que prazos importantes sejam perdidos, garantindo a eficiência nutricional que a manga exige e reduzindo o desperdício de insumos.

Além da organização operacional, o Aegro centraliza o controle de estoque e os custos com fertilizantes, gerando relatórios financeiros automáticos. Com esses dados em mãos, fica muito mais fácil identificar as economias geradas pelo sistema e tomar decisões baseadas na rentabilidade real de cada talhão, garantindo que a modernização do campo se traduza em mais dinheiro no bolso.

Vamos lá?

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Perguntas Frequentes

Por que a fertirrigação é considerada mais eficiente que a adubação tradicional na cultura da manga?

A fertirrigação entrega os nutrientes diretamente na zona radicular, permitindo que a planta absorva a ‘comida’ de forma imediata e eficiente. Isso reduz o desperdício por lixiviação, especialmente em solos arenosos, e economiza mão de obra, já que o fertilizante é distribuído automaticamente pelo sistema de irrigação.

O que acontece se eu misturar Cálcio e Sulfatos no mesmo tanque de fertirrigação?

A mistura de Cálcio com Sulfatos causa uma reação química que resulta na formação de gesso (sulfato de cálcio), um sólido que não se dissolve na água. Esse resíduo provoca o entupimento imediato de gotejadores e microaspersores, exigindo manutenções caras e prejudicando a uniformidade da adubação no pomar.

Como devo ajustar a fertirrigação se a água da minha propriedade for salobra?

Nesse caso, é vital escolher fertilizantes com baixo índice salino, como o Nitrato de Potássio ou Sulfato de Potássio, evitando o Cloreto de Potássio. Além disso, deve-se monitorar a Condutividade Elétrica (CE) da calda para que não ultrapasse 2,88 dS/m, prevenindo o estresse salino e a queima das raízes da mangueira.

Existe uma diferença na frequência de aplicação entre solos arenosos e argilosos?

Sim, solos arenosos não conseguem reter nutrientes por muito tempo, exigindo aplicações mais frequentes, geralmente a cada 7 dias. Já os solos argilosos têm maior capacidade de retenção, o que permite um intervalo maior entre as fertirrigações, podendo ser realizadas a cada 15 dias sem prejuízo nutricional.

Por que é necessário reduzir o Nitrogênio antes da floração da manga?

O excesso de Nitrogênio estimula o crescimento vegetativo, ou seja, a produção de novas folhas e ramos. Se aplicado em abundância próximo à indução floral, a planta focará em crescer em vez de florescer, o que reduz drasticamente a produtividade de frutos naquela safra.

Qual a importância do ‘Teste da Jarra’ antes de iniciar a aplicação no campo?

O Teste da Jarra serve como uma simulação em pequena escala para verificar a compatibilidade química dos adubos antes de misturá-los no tanque principal. Se a mistura ficar turva ou formar sedimentos no fundo do recipiente, indica que haverá entupimento do sistema, permitindo que o produtor corrija a combinação antes de causar danos aos equipamentos.

Artigos Relevantes

  • Irrigação com Drip Protection: Economia de Água e Aplicação Precisa de Insumos: Este artigo complementa perfeitamente o conteúdo principal ao detalhar a manutenção e o funcionamento dos sistemas de irrigação localizada (gotejamento), que são recomendados para a manga. Ele oferece orientações práticas para evitar o entupimento dos emissores, um problema central discutido na seção sobre precipitação química do artigo principal.
  • Potássio nas Plantas: Guia Completo de Manejo para Alta Produtividade: Como o Potássio é um dos dois nutrientes mais críticos para o enchimento dos frutos na mangueira, este artigo adiciona valor ao explicar as funções fisiológicas desse mineral. Ele expande a compreensão sobre como identificar deficiências nutricionais, auxiliando o produtor no monitoramento foliar sugerido no texto principal.
  • Adubação: O Guia Completo para Nutrir sua Lavoura e Aumentar a Produtividade: Este guia serve como a base teórica necessária para o planejamento de fertilização mencionado no artigo de fertirrigação. Ele detalha os tipos de adubos e a importância da análise de solo, oferecendo ao leitor o conhecimento prévio para executar as recomendações de dosagem e parcelamento da manga.
  • Mistura de Defensivos no Tanque: Como Evitar Problemas na Aplicação: Embora focado em defensivos, os princípios de tecnologia de aplicação e compatibilidade química no tanque são diretamente aplicáveis ao ‘Teste da Jarra’ e aos riscos de precipitação mencionados no artigo da manga. Ele aprofunda o conhecimento técnico sobre como gerenciar misturas complexas sem comprometer o sistema de irrigação.
  • Adubo para Milho: O Guia Completo para Máxima Produtividade e Lucro: Este artigo é relevante por reforçar o conceito de adubação baseada na fenologia e nas fases de maior exigência da cultura (N-P-K). Ele permite ao leitor comparar a lógica de parcelamento de nutrientes de alta produtividade, consolidando a ideia de que o momento da aplicação é tão importante quanto o sistema utilizado.