Fipronil: você pede o Regente, mas quase nunca leva Regent. E a marca pode custar o dobro

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Produtor rural, Engenheiro agrônomo (UFRGS e Kansas State University), Especialista em Inteligência de Mercado na Aegro.
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O Regent virou 1,3% das compras de fipronil

Peça “o Regente” na revenda e você leva fipronil. Só que, quase certamente, não leva Regent. Na safra 25/26 fechada (abril de 2025 a março de 2026), o Regent 800 WG da BASF respondeu por 1,3% das compras de fipronil puro. É NF-e real registrada no Aegro, não intenção de compra nem estimativa de mercado.

A queda foi longa e não teve volta. No ano civil, o Regent saiu de 14,0% das compras de fipronil puro em 2021 para 12,8% em 2022, 7,3% em 2023, 6,4% em 2024 e 2,4% em 2025. Pela fatia de fazendas compradoras, o recuo é ainda maior: de 17,5% em 2021 para 2,6% em 2025. Em nenhum ano da série houve recuperação.

E daí? Daí que quem pede “o Regente” está pedindo uma categoria, não escolhendo um fabricante. É nesse ponto que o preço passa despercebido.

Índice

A palavra ficou depois que o produto saiu

O sinal mais claro disso não é um número, é o que está escrito na nota. Há notas de outros fabricantes que escrevem “Regente” ao lado do nome do próprio produto. Quem vende fipronil de outra marca usa o nome do Regent para descrever o que está vendendo.

Isso é evidência de vocabulário, não fatia de mercado nem tendência, e a Aegro não trata como tal. Mas é o tipo de pista que não aparece à toa: a marca que chegou primeiro virou o nome da categoria inteira. “Regente” está deixando de ser produto para virar apelido do fipronil 800 WG.

Uma observação antes de seguir: a Aegro não publica preço do Regent. Com a participação que ele tem hoje, o produto fica abaixo do piso mínimo de base que usamos para afirmar preço de marca. Dá para medir quanto ele pesa no mercado, não dá para dizer quanto ele custa. Por isso, do Regent, este texto traz só participação.

A BASF não saiu do fipronil, mudou de produto

O volume da BASF no fipronil foi para o Standak Top, que combina fipronil com piraclostrobina e tiofanato-metílico. Hoje ele leva mais compra do que o fipronil puro 800 WG da própria BASF.

Só que o Standak Top não é fipronil puro: carrega dois fungicidas junto. O mesmo vale para o Regent Duo, mistura de alfa-cipermetrina com fipronil, com dose e uso diferentes. Os dois ficam fora de qualquer comparação de preço deste texto. Comparar o litro de uma mistura com o de um fipronil solo é comparar produtos que não fazem a mesma função.

Antes de comparar preço: você está comprando líquido ou sólido?

Esta pergunta decide a compra antes de qualquer conversa sobre marca. Fipronil hoje não é um mercado, são dois, e eles não se comparam:

  • FS líquido 250 g/L (tratamento de sementes): mediana de R$ 128,00/L e R$ 8,04/ha na safra 25/26 fechada.
  • 800 WG sólido (aplicação em solo e folha): mediana de R$ 353,00/kg e R$ 13,25/ha no mesmo período.

Unidade diferente (litro contra quilo), momento de uso diferente, produto diferente. Um não substitui o outro, e preço por litro nunca entra no mesmo ranking que preço por quilo. Nem aqui, nem na sua planilha.

Na régua da soja, com a mediana nacional a R$ 118,20/sc60 no mesmo período, a relação de troca fica em 0,07 sc/ha no líquido e 0,11 sc/ha no sólido. É um custo pequeno por hectare, coerente com um inseticida de dose baixa. E é justamente em item de tíquete baixo que a maioria não negocia.

Dentro de cada bloco, a marca separa o bolso

Aqui o dado fica desconfortável para quem compra por hábito. A comparação por fabricante é feita em preço por litro ou por quilo, dentro de cada bloco, e só entre fabricantes com base suficiente para sustentar a conclusão.

Líquido 250 g/L: a mais comprada custa o dobro

FabricanteMediana (R$/L)Diferença para a mais barata
Nortox (maior volume do bloco)R$ 222,00+101,8%
UPLR$ 119,00+8,2%
TecnomylR$ 110,00referência

A Nortox, fabricante de maior volume no líquido, é também a mais cara: R$ 222,00/L, o dobro dos R$ 110,00/L da Tecnomyl. São 101,8% a mais pelo mesmo fipronil, na mesma concentração.

Sólido 800 WG: a distância é menor, mas existe

FabricanteMediana (R$/kg)Diferença para a mais barata
Alta (maior volume do bloco)R$ 380,00+11,8%
CCABR$ 352,00+3,5%
AlbaughR$ 340,00referência

No sólido, a Alta lidera volume e também preço, a R$ 380,00/kg, 11,8% acima dos R$ 340,00/kg da Albaugh.

Nos dois blocos, a marca de maior volume é a mais cara por unidade. A marca que todo mundo compra não é a marca mais barata.

Uma ressalva de método: por fabricante, a régua é o litro ou o quilo, não o hectare. O custo por hectare de cada marca oscila com a dose de rótulo e não sustenta sozinho uma frase do tipo “a marca X sai mais barata por hectare”. No nível do bloco, o R$/ha é estável e está logo acima: R$ 8,04/ha no líquido e R$ 13,25/ha no sólido.

De quem comprou bem para quem comprou mal: até 173,7%

A marca explica uma parte da conta. O resto está na dispersão dentro do mesmo bloco, na mesma safra.

  • Líquido 250 g/L: de R$ 95,00/L a R$ 260,00/L. Quem comprou mal pagou 173,7% a mais do que quem comprou bem.
  • Sólido 800 WG: de R$ 290,00/kg a R$ 458,90/kg, uma diferença de 58,2%.

Na fazenda, combinando essa diferença de preço com a dose mediana de cada bloco, a conta em 1.000 ha é de cerca de R$ 9,4 mil no líquido (R$ 9,42/ha) e R$ 6,4 mil no sólido (R$ 6,37/ha), por aplicação. Mesmo produto, mesma concentração, mesmo ano. Só timing e negociação diferentes.

A dispersão maior no líquido tem explicação prática: é um bloco com mais produtos de nicho puxando a ponta cara. Isso não muda o recado, muda o tamanho dele.

No mapa, só o sólido tem leitura regional

No 800 WG sólido, três estados têm base suficiente para comparação:

  • MG: R$ 369,70/kg e R$ 12,01/ha
  • GO: R$ 350,00/kg e R$ 13,20/ha
  • SP: R$ 340,80/kg e R$ 14,04/ha

Minas paga mais caro por quilo, São Paulo paga mais caro por hectare. A diferença entre as pontas é de 8,5% no quilo e de 16,9% no hectare. Essa inversão diz algo útil: em SP, o que pesa é a dose aplicada por hectare, não a tabela.

No líquido, a resposta honesta é que não há leitura regional. Sem pelo menos dois estados com base suficiente, não existe comparação válida entre regiões, e a Aegro prefere dizer isso a montar um mapa que não se sustenta.

O juro que vem embutido no prazo

Tem um custo que não está na etiqueta: o do prazo.

  • Líquido: a prazo, R$ 129,00/L com prazo mediano de 192 dias. À vista, R$ 122,00/L com 7 dias. São 5,7% a mais por cerca de 185 dias adicionais, perto de 11,6% ao ano de taxa implícita.
  • Sólido: a prazo, R$ 359,04/kg com 182 dias. À vista, R$ 340,00/kg com 25 dias. São 5,6% a mais por cerca de 157 dias adicionais, perto de 13,5% ao ano.

Com este dado não dá para dizer por que a taxa tem esse tamanho. Pode ser risco de crédito, tíquete menor por compra ou outro perfil de fornecedor, e nenhuma dessas hipóteses foi testada. A conta a fazer não muda: calcule a taxa implícita do seu próprio prazo e compare com o custo do crédito que você tem disponível, antes de aceitar parcelamento como “sem juros”.

O sinal para a safra 26/27

O fipronil líquido está no momento de uso agora: com o plantio da soja 26/27 começando depois do vazio sanitário, é o bloco que entra no tratamento de sementes.

Comparar safra fechada com safra em curso mistura sazonalidade. A leitura limpa é o mesmo ponto do ciclo, ano contra ano: abril a agosto de 2026 contra abril a agosto de 2025.

  • Líquido: R$ 129,31/L contra R$ 128,50/L, alta de 0,6%, pequena demais para chamar de direção. Por hectare, 8,0% a menos: R$ 6,64/ha contra R$ 7,22/ha.
  • Sólido: R$ 349,00/kg contra R$ 360,00/kg, 3,1% a menos por quilo, e R$ 12,61/ha contra R$ 13,31/ha, 5,3% a menos por hectare.

Por hectare, nenhum dos dois blocos entra a 26/27 mais caro do que há um ano. Isso não dispensa a cotação. A variação de um ano para o outro é pequena perto da distância entre fabricantes (até 101,8%) e entre quem comprou bem e quem comprou mal (até 173,7%). É ali que está o dinheiro.

Vamos lá?

Quem pede “o Regente” está pedindo uma categoria. No líquido, a marca mais comprada custa o dobro da mais barata, e a distância entre quem comprou bem e quem comprou mal chega a 173,7% no mesmo produto. Antes de fechar o tratamento de sementes da 26/27, vale saber em qual bloco você está comprando e quanto ele custa perto de você.

Mediana de safra é régua, não cotação. No Compare Preços, você busca o fipronil pela sua região e vê os preços mais recentes tirados de NF-e, separando o líquido do sólido. Entre gratuitamente em compare.aegro.com.br.

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Nota de método. Os números vêm da base nacional de notas fiscais de insumo do Compare Preços, com NF-e real, em medianas nacionais e estaduais. A análise separa o fipronil puro em dois blocos, FS líquido 250 g/L e 800 WG sólido, que nunca aparecem no mesmo ranking porque têm unidade e uso diferentes. Misturas (Standak Top e Regent Duo) e concentrações minoritárias ficaram fora do comparativo de preço, e registros sem fabricante identificado não entram na comparação de marca. Fabricantes e estados só entram na leitura quando passam do piso mínimo de base usado pela Aegro. Preço mínimo e máximo são reportados sem os extremos isolados de cada ponta. A série de participação do Regent usa ano civil (janeiro a dezembro); o restante do texto usa a safra de abril a março. A relação de troca usa a mediana nacional da soja no mesmo período. Agosto e setembro de 2026 são provisórios, porque nota atrasada ainda entra. A taxa implícita do prazo não tem causa testada. Material informativo, não é recomendação agronômica.

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