Fungicidas nas Fazendas Brasileiras: Penetração e Volume entre as Safras 24/25 e 25/26

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O mercado de fungicidas no Brasil movimenta bilhões de reais por safra, mas os dados que chegam às equipes de marketing, pricing e acesso ao mercado costumam medir o que saiu da prateleira da revenda — não o que chegou ao campo. A base Aegro oferece um recorte diferente: quais produtos estavam presentes no maior número de fazendas distintas nas safras 24/25 e 25/26, quem ganhou adoção, quem perdeu e em que intensidade.

Nesta análise você vai encontrar o ranking de penetração dos 10 principais fungicidas, a variação de volume financeiro por fazenda entre as duas safras e os fatores que podem explicar os movimentos observados.

Boa leitura.


Índice


Como Medimos a Penetração de Fungicidas nas Fazendas

Os dados desta análise foram extraídos da base de clientes Aegro, cobrindo 5.000 fazendas nas safras 24/25 e 25/26.

O indicador principal é presença de fazendas distintas: quantas fazendas diferentes registraram compra ou uso de cada produto em cada safra. É uma proxy de penetração de mercado, não de volume financeiro absoluto. Diferente dos dados de canal, que medem o que saiu da revenda, esse indicador captura o que o produtor efetivamente registrou e usou no campo.

Para medir intensidade de uso, cruzamos presença com variação de volume financeiro por fazenda entre as duas safras. Produtos que cresceram nos dois indicadores ao mesmo tempo sinalizam ganho real de adoção. Produtos que caíram nos dois sinalizam perda de preferência ativa.


O ranking de penetração: safra 24/25 vs. 25/26

Fox Xpro: liderança consolidada, crescimento estagnado

Fox Xpro (Bayer) encerrou a safra 25/26 no topo do ranking, presente em 31% das fazendas da base, sem concorrente próximo. A liderança é expressiva e reflete anos de adoção disseminada.

O dado que exige atenção está no volume financeiro: crescimento de apenas +1% entre as safras. Quando presença está no topo e volume não cresce, o produto atingiu um teto de adoção. Poucos novos produtores estão entrando no produto e os que já usam não estão aumentando dose ou frequência de aplicação de forma relevante. Para equipes de portfólio, esse padrão sinaliza um produto em fase de manutenção — e com risco maior de erosão de share quando concorrentes crescem nos dois indicadores ao mesmo tempo.

Belyan: o avanço mais consistente do período

Belyan (BASF) foi o produto com a trajetória mais consistente entre as duas safras. Subiu do 5º para o 2º lugar em presença de fazendas e registrou crescimento de +22,6% em volume financeiro por fazenda.

Crescer em posição de ranking e em volume ao mesmo tempo é o sinal mais sólido de adoção real: novos produtores entram no produto e produtores que já usavam ampliam dose ou frequência de aplicação. A subida de quatro posições em uma safra, dentro de um mercado estabelecido, não acontece por inércia. A safra 26/27 vai indicar se Belyan consolida a segunda posição ou se parte do crescimento foi condicionada ao perfil de doenças da safra 25/26.

Absoluto Fix: o maior salto proporcional de volume

Absoluto Fix (Iharabras) avançou do 9º para o 6º lugar em presença de fazendas e registrou crescimento de +42,5% em volume financeiro — o maior salto proporcional entre todos os produtos analisados.

O crescimento percentual expressivo é mais fácil de obter quando a base de partida é menor. Mesmo assim, o avanço de três posições no ranking confirma adoção real de novos produtores, não apenas intensificação de uso entre quem já comprava. O que importa monitorar na próxima safra é se esse crescimento se sustenta conforme o produto se consolida.

Nativo e Cypress 400 EC: queda nos dois indicadores

Nativo (Bayer) caiu do 2º para o 3º lugar em presença e registrou queda de -20,1% em volume financeiro por fazenda. Menos fazendas comprando e menos volume por fazenda entre as que ainda compram: quando os dois indicadores caem juntos, a leitura direta é perda de preferência ativa, não apenas reposicionamento de portfólio.

Cypress 400 EC (Syngenta) seguiu o mesmo padrão: caiu do 7º para o 9º lugar em presença e registrou -22,7% em volume financeiro por fazenda, o maior recuo relativo entre os analisados. Continuar nessa trajetória na safra 26/27 pode colocar o produto fora do top 10 de penetração.

BASF encerra a safra 25/26 com dois produtos no top 10

O resultado consolidado da BASF merece leitura própria. Dois produtos — Belyan e Absoluto Fix — com avanço simultâneo em presença e em volume. Belyan na segunda posição isolada. Absoluto Fix com o maior crescimento proporcional de volume entre todos os analisados.

Dois produtos de portfólios distintos crescendo ao mesmo tempo indica que o movimento não veio de uma oportunidade pontual de safra. Para concorrentes com produtos no mesmo segmento, a pergunta relevante é: o crescimento da BASF veio de quais fazendas e o que elas usavam antes?


O que pode estar por trás desses movimentos

Os dados registram o que aconteceu, não por que aconteceu. Quatro fatores costumam agir juntos nesse tipo de reconfiguração:

Pressão de doenças e janela de aplicação. Cada safra tem um perfil específico de incidência. Fungicidas com ação mais direcionada aos patógenos prevalentes naquele período tendem a ganhar adoção. O dado de presença não isola esse fator sem cruzamento com dados regionais de incidência.

Rotação de moléculas. A resistência de fungos a determinados ativos é uma realidade no manejo da soja brasileira. Recomendações de rotação por consultores e cooperativas têm peso direto sobre quais produtos entram no programa de uma fazenda em cada safra. Quedas simultâneas em presença e volume podem refletir, em parte, substituição programada.

Custo por hectare e condição comercial. Em safras com margem mais apertada, o custo por hectare de cada produto passa por revisão mais criteriosa. A base Aegro permite cruzar presença com o preço real pago por fazenda — um recorte disponível no Aegro Index por região e canal de venda.

Resultado em campo e recomendação agronômica. Performance percebida na lavoura, mediada pelo consultor agronômico, influencia a recompra de forma direta. O indicador de presença de fazendas reúne o efeito do preço, da recomendação e do resultado em um único número. Identificar qual fator está puxando exige segmentação regional e por perfil de produtor.


Conclusão

A safra 25/26 registrou uma reconfiguração relevante no top 10 de fungicidas. Fox Xpro mantém a liderança com folga, mas sem crescimento real em volume. BASF avançou com dois produtos crescendo nos dois indicadores ao mesmo tempo. Nativo e Cypress 400 EC perderam em presença e em intensidade de uso, padrão que exige acompanhamento na safra 26/27 para confirmar se é tendência estrutural.

O indicador de presença em fazendas distintas oferece um recorte que dados de canal não capturam: o que o produtor efetivamente usou no campo. Quando esse dado aponta na direção oposta ao dado de canal, vale investigar o que está acontecendo entre o sell-in e o uso real.

A próxima edição do Aegro Index trará a análise regional por produto, com foco nos estados de maior volume de aplicação.


Veja Esses Dados na Prática

Esses dados são uma amostra do que o Aegro Index entrega mensalmente para equipes de pricing, marketing e acesso ao mercado.

Quer ver o recorte por região, canal de venda ou perfil de produtor para o seu portfólio? Agende uma demonstração com a equipe do Aegro Index.


FAQ

O que diferencia o indicador de presença em fazendas dos dados de canal tradicionais? Dados de canal medem o que saiu da prateleira da revenda. Presença em fazendas mede o que foi registrado no campo pelo produtor. Um produto pode ter alto volume de sell-in em um período e ainda assim estar perdendo presença nas fazendas se o estoque não chegou ao campo naquela safra.

O crescimento de +42,5% em volume do Absoluto Fix significa que ele tem o maior volume absoluto entre os analisados? Não necessariamente. O crescimento percentual é relativo à safra anterior. Um produto com base de partida menor cresce mais facilmente em termos percentuais. Para comparar volumes absolutos, os relatórios detalhados do Aegro Index disponibilizam esse recorte para assinantes do plano de Market Intelligence.

A queda de Nativo e Cypress 400 EC é definitiva? Os dados cobrem duas safras. Uma safra de queda nos dois indicadores é um sinal relevante, mas não conclusivo. A safra 26/27 vai indicar se o movimento é tendência estrutural ou efeito de condições específicas do período — perfil de doenças, pressão de preço ou substituição pontual.

O Aegro Index consegue mostrar em quais regiões a perda de presença foi maior? Sim. O recorte por estado e microrregião está disponível no plano de Market Intelligence. Saber onde a queda se concentra é o ponto de partida para priorizar ações de campo e ajustar posicionamento comercial nas regiões com maior erosão.