Índice
- De onde veio o trigo que a gente planta hoje?
- Que tipos de trigo existem e qual eu devo plantar?
- Por que a produtividade triplicou nos últimos 30 anos?
- Como é a planta de trigo “moderna”?
- A eterna briga contra as doenças: Giberela e Brusone
- Ciclos e Resistência à Seca: O que funciona na prática?
- Qualidade do Grão e Royalties: O Lado Comercial
- Glossário
- Veja como o Aegro pode ajudar a superar esses desafios
- Perguntas Frequentes
- Qual a principal diferença prática entre o trigo comum e o trigo mourisco?
- Por que o trigo de inverno pode não produzir grãos se for plantado em regiões quentes?
- É seguro confiar apenas na genética da semente para controlar a Giberela e a Brusone?
- O que define se um trigo será classificado como ‘Pão’ ou ‘Melhorador’ na hora da venda?
- Como o clima influencia a duração do ciclo da planta de trigo no Brasil?
- Por que o melhoramento genético foca em criar plantas de trigo de estatura baixa?
- Artigos Relevantes
De onde veio o trigo que a gente planta hoje?
Você já parou para pensar como uma planta que nasceu lá no Oriente Médio virou uma das principais culturas aqui no nosso solo tropical? Essa é uma curiosidade que ajuda a entender o valor da semente que você coloca na terra.
O trigo não é nosso “parente” original. Ele é uma gramínea que veio lá da Ásia, de uma região chamada Crescente Fértil, domesticada há uns 10 mil anos. Foi essa planta que ajudou o ser humano a parar de andar de um lado para o outro e montar os primeiros povoados.
Aqui no Brasil, a história começou junto com a colonização. O historiador Gomes do Carmo conta que foi Martin Afonso de Souza quem trouxe o cereal em 1534, lá na Capitania de São Vicente (atual São Paulo).
Mas quem botou a mão na massa mesmo no Sul foram os jesuítas. Em 1627, padres relataram que já tinham uns 20 mil índios plantando trigo no Rio Grande do Sul. De lá para cá, a cultura subiu para Minas, Bahia e se firmou no Cerrado e no Sul.
Que tipos de trigo existem e qual eu devo plantar?
Uma dúvida comum na roda de conversa depois do almoço é sobre as variedades: “O que é trigo duro? O que é trigo mourisco? Posso plantar qualquer um?”. Vamos desenrolar isso.
O trigo que a gente planta para fazer pão e biscoito é, na maioria das vezes, o Triticum aestivum. Ele é da família das gramíneas (Poaceae).
Existem outras espécies, como o Triticum durum. Esse é aquele trigo duro, usado para fazer macarrão de qualidade, muito comum na Europa. Mas atenção: o trigo duro praticamente não tem importância comercial de cultivo aqui no Brasil. Nossas lavouras são focadas no tipo aestivum.
E o tal do Trigo Mourisco? Muita gente confunde, mas ele nem trigo é de verdade. O nome técnico é Fagopyrum esculentum (sarraceno). Ele não tem glúten e tem mais proteína que o trigo comum, arroz ou milho. É outra planta, outro manejo.
Por que a produtividade triplicou nos últimos 30 anos?
Seu pai ou seu avô deve lembrar de quando colher 20 sacas por hectare era motivo de festa. Hoje, a conversa é outra. O que mudou?
A resposta curta é: Melhoramento Genético. Essa ciência (que também é uma arte) mistura conhecimento técnico com o “olho clínico” do melhorista para selecionar as plantas campeãs.
No Brasil, a pesquisa oficial começou em 1919, com estações experimentais no RS e no PR. Mas antes disso, em 1914, um engenheiro químico chamado Jorge Polyssú já tinha selecionado dois sacos de sementes no Paraná que viraram a cultivar “Polyssú”. Foi o pontapé inicial.
Hoje, para criar uma nova cultivar e ela chegar no seu galpão, demora de 10 a 12 anos de trabalho. É um processo longo de cruzamento e seleção.
Como é a planta de trigo “moderna”?
Antigamente, o trigo era caneludo e tombava com qualquer vento. Você já deve ter perdido lavoura por acamamento e sabe o prejuízo que dá na hora de colher.
O melhoramento genético mudou a “arquitetura” da planta para facilitar a nossa vida. Hoje, o que se busca numa cultivar moderna é:
- Estatura baixa: Planta firme, que não acama fácil.
- Folhas eretas: Para aproveitar melhor o sol.
- Afilhamento: Brotam vários afilhos da planta-mãe, fechando melhor a linha.
- Resistência: Aguentar doenças e pragas.
E o trigo “peladinho”? Você já ouviu falar desse termo? É o nome popular para o trigo mútico (sem aristas, aqueles “fiapos” na espiga). Não é muito comum no Brasil, mas existem opções como o BRS Umbu (Sul) e MGS Brilhante (Cerrado) que têm essa característica.
A eterna briga contra as doenças: Giberela e Brusone
Todo produtor sabe que a giberela é dor de cabeça garantida em ano chuvoso na espiga. A pergunta que não quer calar é: “Por que não inventam logo um trigo 100% resistente e acaba com isso?”.
O buraco é mais embaixo. A relação entre a planta e o fungo é uma corrida. O fungo se reproduz muito rápido e sofre mutações, criando novas “raças”. A planta demora mais para evoluir.

Quando lançam uma cultivar resistente, ela funciona por um tempo. Mas logo o fungo dá um jeito de “quebrar” essa resistência.
Para giberela e brusone, o melhoramento genético conseguiu pequenos avanços. Existem poucas fontes de resistência e, muitas vezes, quando cruzam uma planta resistente, ela traz junto características ruins (produz pouco ou é planta feia). É difícil transferir só a resistência sem estragar o resto.
Ciclos e Resistência à Seca: O que funciona na prática?
“Seu Antônio, essa semente aguenta veranico?”. Essa é a pergunta de um milhão de reais, principalmente para quem planta no Cerrado ou no Norte do PR.
Vamos ser diretos: Não existe trigo que produz sem água. O que existe é tolerância à seca. São plantas que conseguem produzir alguma coisa mesmo recebendo menos chuva.
Para o Cerrado em sequeiro, a cultivar BR 18 tem um histórico muito bom de resposta. Mas o segredo não é só a semente: é acertar a época de semeadura para fugir da seca crítica na florada.
Sobre o ciclo (tempo do plantio à colheita), ele varia de 100 a 160 dias no Brasil.
- Superprecoces: Média de 120 dias (no Sul).
- Tardias: 150 a 160 dias.
Isso muda conforme a região. A mesma semente pode ser mais rápida no Cerrado e mais lenta no Sul por causa do calor.
Qualidade do Grão e Royalties: O Lado Comercial
Depois de colher, vem a hora de vender. E aí o moinho quer saber: “Esse trigo é bom pra quê?”.
No Brasil, a classificação segue a Instrução Normativa 38 (2010). Ela divide o trigo em classes (Melhorador, Pão, Doméstico, Básico, Branqueador) baseada em três testes principais:
- Força de Glúten (W): Se a massa aguenta crescer sem estourar.
- Estabilidade: Quanto tempo a massa aguenta batendo.
- Número de Queda (Falling Number): Se o grão não brotou na espiga.
Por que pagar Royalties? Quando você compra uma semente certificada e paga royalties, você está pagando pelo “direito autoral” daquela genética. A empresa dona da semente tem proteção por 15 anos.
Depois de 15 anos, a cultivar vira domínio público e ninguém mais cobra taxa. Esse dinheiro do royalty é o que financia aqueles 10 anos de pesquisa para criar sementes novas e melhores.
Glossário
Vernalização: Processo de exigência de baixas temperaturas por um período determinado para que a planta mude do estágio vegetativo para o reprodutivo (florescimento). No Brasil, é um fator determinante na escolha entre cultivares de trigo de ‘inverno’ ou de ‘primavera’ conforme a região.
Acamamento: Fenômeno em que as plantas tombam ou se dobram rente ao solo, geralmente por vento, chuva ou excesso de nitrogênio, dificultando a colheita mecânica. O melhoramento genético busca plantas de estatura baixa para reduzir esse problema e evitar perdas de produtividade.

Afilhamento: Capacidade da planta de produzir ramos laterais (perfilhos) a partir da base da haste principal. Um bom afilhamento permite um melhor fechamento da linha de plantio e aumenta o potencial produtivo por meio de um maior número de espigas por área.
Força de Glúten (W): Indicador que mede a capacidade de a massa de farinha suportar a expansão durante a fermentação sem romper. É o principal critério usado pelos moinhos brasileiros para classificar o trigo comercialmente como ‘pão’ ou ‘melhorador’.
Número de Queda (Falling Number): Teste que identifica se o grão começou a germinar ainda na espiga devido ao excesso de chuva antes da colheita. Valores baixos indicam perda de qualidade tecnológica da farinha, o que pode resultar em descontos severos no preço pago ao produtor.
Trigo Mútico: Tipo de trigo que não possui aristas, que são aqueles filamentos ou ‘pelos’ que saem das espigas. Popularmente chamado de ’trigo peladinho’, é uma característica morfológica buscada em algumas cultivares para facilitar o manejo e o consumo animal.
Cultivar: Designação para uma variedade de planta que foi selecionada e melhorada geneticamente para apresentar características específicas, estáveis e homogêneas. No mercado brasileiro, o uso de cultivares certificadas garante ao produtor acesso a tecnologias de resistência e produtividade.
Veja como o Aegro pode ajudar a superar esses desafios
Como vimos, alcançar altas produtividades no trigo exige mais do que uma boa genética; é necessário um manejo sanitário impecável e um controle financeiro na ponta do lápis. Ferramentas como o Aegro auxiliam nesse processo ao permitir o planejamento e o registro em tempo real de todas as aplicações de fungicidas, garantindo que o combate a doenças como a giberela ocorra no momento exato.
Além disso, para lidar com a volatilidade de preços e os custos de sementes e royalties, o software centraliza a gestão financeira da fazenda. Isso permite que você visualize o custo por hectare e por saca de forma automática, ajudando a garantir que o desempenho no campo se reflita em lucro real no bolso.
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Perguntas Frequentes
Qual a principal diferença prática entre o trigo comum e o trigo mourisco?
Embora tenham nomes semelhantes, o trigo mourisco (sarraceno) não pertence à mesma família botânica que o trigo comum (Triticum aestivum). A principal diferença é que o mourisco não contém glúten e possui um perfil nutricional distinto, sendo utilizado em dietas restritivas, enquanto o trigo comum é o padrão para a panificação devido à sua força de glúten.
Por que o trigo de inverno pode não produzir grãos se for plantado em regiões quentes?
O trigo de inverno exige um processo chamado vernalização, que é o acúmulo de horas de frio para induzir o florescimento. Se plantado em locais sem as temperaturas baixas necessárias, a planta continuará produzindo apenas folhas (estágio vegetativo) e não chegará a formar a espiga, resultando em perda total da produção de grãos.
É seguro confiar apenas na genética da semente para controlar a Giberela e a Brusone?
Não, pois a resistência genética a essas doenças é apenas parcial e os fungos sofrem mutações rápidas que podem ‘quebrar’ a proteção da planta. O manejo ideal deve obrigatoriamente combinar o uso de cultivares modernas com o monitoramento constante, aplicação de fungicidas no momento certo e o escalonamento da semeadura para evitar chuvas na época da floração.
O que define se um trigo será classificado como ‘Pão’ ou ‘Melhorador’ na hora da venda?
Essa classificação é baseada na Instrução Normativa 38 e depende de testes laboratoriais que medem a Força de Glúten (W), a Estabilidade e o Número de Queda. Trigos ‘Melhoradores’ possuem glúten muito forte para misturas industriais, enquanto o tipo ‘Pão’ tem as características ideais de elasticidade para a panificação comercial padrão.
Como o clima influencia a duração do ciclo da planta de trigo no Brasil?
O metabolismo do trigo é acelerado pelo calor e pela luminosidade; por isso, a mesma semente pode ter um ciclo muito mais curto no Cerrado do que no Sul do país. Enquanto no Sul o clima frio alonga o desenvolvimento da planta, no Cerrado o ciclo é comprimido, exigindo um manejo nutricional e hídrico mais preciso para acompanhar esse crescimento rápido.
Por que o melhoramento genético foca em criar plantas de trigo de estatura baixa?
Plantas de estatura baixa são desejadas porque são mais resistentes ao acamamento, que ocorre quando o vento ou a chuva derrubam o trigo antes da colheita. Além de facilitar a colheita mecânica, essa arquitetura moderna permite que a planta suporte espigas mais pesadas e responda melhor à adubação intensiva sem tombar.
Artigos Relevantes
- Qualidade do Trigo: 3 Fatores que Definem o Preço da sua Safra: Este artigo aprofunda a discussão comercial iniciada no texto principal sobre a Instrução Normativa 38, detalhando como fatores como o peso hectolitro e impurezas impactam diretamente o preço. Ele é essencial para o produtor que deseja transformar o conhecimento técnico sobre as classes de trigo (Pão, Melhorador) em estratégias de rentabilidade.
- Brusone no Trigo: Identificação, Diferenças da Giberela e Controle: O texto principal destaca a Brusone como uma das ’eternas brigas’ do triticultor devido à complexidade genética da resistência. Este artigo oferece o detalhamento técnico necessário para identificação e controle prático dessa doença, preenchendo a lacuna entre a teoria evolutiva e o manejo de campo.
- Plantio de Trigo: Do Preparo do Solo à Colheita - Safra 2025/26: Enquanto o artigo principal foca na história e na morfologia das cultivares modernas, este guia prático orienta a implementação real da lavoura para a próxima safra. Ele conecta os conceitos de ciclos e variedades de primavera/inverno com o preparo do solo e a época ideal de semeadura.
- Guia Completo da Adubação de Trigo: Do Plantio à Colheita: O artigo principal menciona que a produtividade triplicou graças ao melhoramento genético e à nova arquitetura das plantas. Este conteúdo complementa essa informação ao explicar como nutrir adequadamente essas variedades modernas (que suportam mais adubação sem acamar) para atingir os tetos produtivos citados.
- Colheita de Trigo: Guia Completo para Evitar Perdas e Maximizar a Produtividade: Este artigo é o fechamento lógico para a jornada do leitor, abordando a prevenção de perdas que podem comprometer o ‘Falling Number’ e a força de glúten mencionadas no texto principal. Ele oferece soluções práticas para evitar que problemas como o acamamento e chuvas na colheita anulem os ganhos genéticos da semente.

![Imagem de destaque do artigo: Tipos de Trigo no Brasil: Guia Prático de Cultivo [2025]](/images/blog/geradas/historia-e-tipos-de-trigo-no-brasil-guia-para-produtores.webp)