Horas de Frio na Fruticultura: Guia Definitivo [2025]

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Índice

Entendendo o Frio: Por que ele manda na produção?

Você já viu aquele pomar que brota todo desparelho? Um galho cheio de flor, outro dormindo, e você sem saber quando vai ser a colheita? Isso é dor de cabeça na certa e prejuízo no bolso. O culpado, muitas vezes, é o clima.

Para quem trabalha com pequenas frutas (como mirtilo, amora e morango), entender o frio não é luxo, é sobrevivência. Essas plantas vêm de lugares gelados. Por isso, no outono e inverno, elas precisam “dormir”. É o repouso hibernal.

Nessa época, a planta bebe pouca água e guarda energia. Mas ela não para totalmente. Entre 3 °C e 9 °C, ela trabalha silenciosamente produzindo hormônios. São eles que garantem uma brotação forte e uniforme quando o calor voltar.

O que são as tais “Horas de Frio”? É a soma das horas que a temperatura fica abaixo de 7,2 °C. Se a sua região não entrega essas horas, a planta não descansa direito.

No Brasil, as melhores áreas para isso são:

  • Toda a região Sul;
  • Áreas serranas do Sudeste (acima de 800 metros de altitude).

O que acontece se faltar frio no inverno?

Todo ano é a mesma conversa no Sul: “Será que vai dar frio suficiente?”. E quando o inverno vem fraco ou “ameno” (acima de 10°C), quem paga a conta é o produtor.

Se a planta não receber a quantidade de frio que precisa, os problemas aparecem logo:

  1. Atraso na brotação: A planta “acorda” tarde.
  2. Desuniformidade: A lavoura fica bagunçada, dificultando o manejo.
  3. Ramos fracos: As gemas nascem sem vigor para a safra seguinte.
  4. Fruta ruim: Menos broto e folha significa menos comida para o fruto, derrubando a qualidade.

Hoje, com o clima mudando e os invernos ficando mais quentes, o produtor precisa ser esperto. A saída é escolher cultivares que exigem menos frio (baixa exigência) e caprichar no manejo.


Calor e Sol: O limite entre o doce e o queimado

Seu Zé, produtor experiente, achava que quanto mais sol, mais doce a fruta ficaria. Mas aí veio um veranico forte em dezembro e “cozinhou” a produção no pé. O equilíbrio é tudo.

Na primavera e verão, a planta quer calor e luz para fazer fotossíntese e encher o fruto. Mas cuidado com os excessos:

  • Morangueiro: Se a média passar de 25 °C, a planta entende que não é hora de reproduzir. Ela para de dar flor e só solta estolão (cipó).
  • Mirtilo e Amora: Muito calor e radiação queimam o tecido da fruta. Ela perde valor de mercado.

A luz também tem seus truques. O tal do fotoperíodo (tamanho do dia) mexe com a cor e a doçura da fruta.

  • Sombra demais: Na amoreira-preta, falta de luz deixa os ramos compridos e fracos (estiolados) e a fruta azeda.
  • Cobertura errada: Usar malhas brancas ou pretas sobre o mirtilo diminui a luz. Menos luz é igual a menos açúcar na fruta.

Geada, Granizo e Neblina: Como proteger a lavoura?

Você acorda, olha pela janela e vê o pasto branco de gelo. O coração dispara. Será que perdeu a florada? A resposta depende do que você plantou e de quando a geada caiu.

O perigo maior é a geada tardia (aquela no fim do inverno, quando a planta já acordou).

  • Morango: É sensível. Se bater -2 °C, pode matar a coroa da planta. Geada forte mata o pé.
  • Mirtilo: Se a geada pegar na floração, adeus produção.
  • Amora-preta: Essa é valente. Normalmente é bem tolerante e aguenta o tranco.

E a chuva de pedra (granizo)? Essa não perdoa ninguém. O gelo machuca a fruta (que não serve mais para venda in natura) e abre feridas nos ramos. Essas feridas são portas abertas para doenças e fungos entrarem, prejudicando até a próxima safra.

  • A solução: Se sua região tem histórico de granizo, a única defesa garantida é cobrir o pomar com telas de proteção.

Cerração (Neblina): Neblina rápida não assusta. Mas se ela dura muito, traz umidade demais (fungo adora) e esconde o sol (fruta fica sem doce).


O Segredo do Morango: Plástico e Cuidados Especiais

Uma dúvida que sempre aparece nas rodas de conversa é: “Vale a pena gastar com plástico no canteiro?”. A resposta curta é: Sim.

O morango tem suas manhas. Como ele é plantado via mudas transplantadas, ele precisa de frio para ter qualidade, mas não aguenta o gelo direto na coroa.

O uso de cobertura plástica (mulching) ou túneis baixos faz duas coisas fundamentais:

  1. Esquenta o pé: Aumenta a temperatura do solo, ajudando a planta a crescer melhor no inverno.
  2. Protege da chuva: Evita que a água molhe as folhas e frutas, o que diminui muito a podridão.

Lembre-se: acima de 25 °C o morango vira “mato” (só folha e estolão). Abaixo de -2 °C ele morre. O sucesso está em manter ele nessa faixa de conforto.


Glossário

Repouso Hibernal: Estado de dormência fisiológica em que a planta reduz seu metabolismo para sobreviver ao frio e acumular reservas energéticas. É um processo essencial para que frutíferas de clima temperado tenham uma floração uniforme na primavera.

Horas de Frio (HF): Unidade de medida climática que soma o tempo total em que a temperatura permanece abaixo de um limite crítico, geralmente 7,2 °C. Esse acúmulo funciona como um gatilho biológico para a planta encerrar sua dormência e iniciar o ciclo produtivo.

Indutores de Brotação: Substâncias químicas ou biológicas aplicadas para estimular a quebra da dormência das gemas quando o frio natural foi insuficiente. Auxiliam na uniformização do pomar e garantem que a planta ‘acorde’ no momento desejado pelo produtor.

Fotoperíodo: Duração do período de luz do dia em relação ao período de escuridão, que influencia o comportamento reprodutivo da planta. No morangueiro, por exemplo, dias longos e quentes podem induzir a planta a produzir ramos vegetativos em vez de flores.

Estolão: Caule rasteiro especializado que cresce horizontalmente sobre o solo, emitindo raízes e folhas para formar novas plantas. Embora útil para propagação, seu excesso consome a energia que deveria ser destinada à produção de frutos.

Estiolamento: Crescimento anormal e enfraquecido dos ramos, que se tornam longos e finos devido à falta de luz solar. Esse fenômeno compromete a resistência física da planta e a qualidade do açúcar acumulado nos frutos.

Geada Tardia: Fenômeno meteorológico que ocorre quando a temperatura cai abaixo de zero no final do inverno ou início da primavera. É altamente perigosa pois atinge a planta em fases sensíveis, como a floração e o início da formação dos frutos.

Mulching: Técnica que utiliza filmes plásticos para cobrir o solo nos canteiros, criando uma barreira física e térmica. Serve para controlar a temperatura da raiz, evitar a perda de água e impedir que os frutos entrem em contato direto com a terra e umidade.

Como o Aegro ajuda você a lidar com o clima e a produção

Lidar com a incerteza do clima exige mais do que experiência; exige dados precisos na palma da mão. Para não ficar no “chute” sobre o acúmulo de horas de frio ou o momento ideal para a poda, o Aegro ajuda a resolver isso com a integração de dados meteorológicos e o planejamento de atividades em tempo real. Isso facilita a organização do manejo de indutores de brotação e a escala de trabalho da equipe, garantindo que a operação seja eficiente mesmo diante de invernos instáveis ou verões rigorosos.

Além disso, centralizar o registro de monitoramento de pragas e doenças — essencial após períodos de muita umidade ou neblina — permite agir rápido para proteger a qualidade dos frutos. Com o Aegro, você transforma o histórico da lavoura em inteligência, reduzindo desperdícios de insumos e garantindo que cada pé de morango ou mirtilo receba o cuidado certo na hora exata.

Vamos lá?

Não deixe sua produtividade à mercê do tempo e evite surpresas no bolso. Experimente o Aegro gratuitamente para monitorar seu manejo e tomar decisões muito mais seguras e lucrativas.

Perguntas Frequentes

O que são exatamente as ‘horas de frio’ e por que elas são cruciais para a colheita?

Horas de frio referem-se ao tempo acumulado em que a temperatura permanece abaixo de 7,2 °C durante o período de dormência da planta. Esse repouso é essencial para que a planta produza hormônios que garantem uma brotação uniforme na primavera; sem o frio adequado, a produção fica descompassada, com ramos fracos e baixa qualidade de frutos.

Moro em uma região com invernos curtos, ainda é possível cultivar mirtilo ou amora?

Sim, é possível, desde que você escolha cultivares de ‘baixa exigência em frio’, desenvolvidas para se adaptarem a climas mais amenos. Além disso, o produtor pode utilizar técnicas de manejo como podas estratégicas e aplicação de indutores de brotação para ‘despertar’ a planta artificialmente e compensar a falta de frio natural.

Por que o morangueiro para de produzir frutas quando faz muito calor?

O morangueiro é sensível a temperaturas médias acima de 25 °C. Quando o calor excede esse limite, a planta entende que o ambiente não é favorável para a reprodução (flores e frutos) e passa a investir toda a sua energia no crescimento vegetativo, emitindo estolões (cipós) em vez de novas flores.

Qual é a vantagem estratégica de evitar as ‘baixadas’ do terreno ao plantar?

O ar frio é mais denso e pesado que o ar quente, tendendo a escorrer e se acumular nas partes mais baixas do relevo, o que aumenta drasticamente o risco de danos por geada. Ao plantar em encostas ou topos, o produtor aproveita a circulação do ar, protegendo a floração e a coroa das plantas de temperaturas letais.

Como o uso de plásticos e telas pode impactar a rentabilidade da lavoura?

Embora exijam investimento inicial, tecnologias como o mulching e telas antigranizo protegem contra perdas catastróficas e melhoram a qualidade comercial. O plástico no solo mantém a temperatura e protege contra doenças da umidade, enquanto as telas evitam que o granizo fira os ramos, prevenindo a entrada de fungos que poderiam comprometer safras futuras.

De que forma um software de gestão agrícola ajuda a lidar com as incertezas climáticas?

Sistemas como o Aegro permitem integrar dados meteorológicos ao planejamento, ajudando a monitorar o acúmulo real de horas de frio e o momento ideal para intervenções. Isso transforma a experiência do produtor em decisões baseadas em dados, facilitando o controle de pragas pós-chuvas e a organização das equipes para colheitas antecipadas em caso de calor extremo.

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