ILP e ILPF no Norte: Guia Prático Milho e Capim [2025]

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Índice

Qual o Melhor Jeito de Recuperar Pasto e Produzir Grãos no Norte?

Você já olhou para aquele pasto degradado, cheio de planta daninha e terra aparecendo, e pensou na conta que vai ser para reformar tudo? Pois é, Seu Antônio, essa é a dor de cabeça de muita gente de Rondônia ao Tocantins, passando pelo Pará.

A boa notícia é que não precisa ser só prejuízo. O sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) ou com Floresta (ILPF) entrou com força na nossa região Norte justamente para resolver isso: usar a lavoura para pagar a conta da reforma do pasto.

Na prática, funciona assim: se sua atividade principal é o gado, você planta o milho junto com o capim. O milho paga o adubo e o calcário, e quando você colhe o grão, o pasto já está lá embaixo, formado e adubado, pronto para o gado. É o que chamamos de “venda casada” a favor do seu bolso.


Como Fazer o Casamento do Milho com o Capim Dar Certo?

O erro mais comum de quem começa a integração é errar a mão na hora de misturar as sementes ou o adubo. Se o capim abafar o milho, você perde grão. Se o milho abafar demais o capim, você fica sem pasto.

Aqui na região Norte, o modelo que mais funciona para quem é pecuarista é introduzir a braquiária na hora do plantio do milho. Você pode misturar a semente do capim no adubo de base ou jogar na hora da adubação de cobertura (aquela nitrogenada).

Depois que a colheitadeira passa tirando o milho, o capim, que estava ali meio tímido, recebe luz e explode de crescer.


E o “Boi Safrinha”? Vale a Pena ou É Arriscado?

Muitos produtores de grãos me perguntam: “Compensa colocar gado na minha lavoura de soja na entressafra?”. A resposta está no lucro de quem já faz.

Para quem foca em grãos, o capim tem dois serviços:

  1. Servir de comida para o gado na época seca (o famoso boi safrinha).
  2. Virar palhada para o plantio direto da próxima safra.

Se a chuva na sua região permite (como em partes do Pará e Tocantins), dá para fazer a safra principal, uma safrinha de grãos e ainda uma “terceira safra” com a engorda do boi. O gado entra com taxa de lotação reduzida, engorda quando o preço da arroba costuma estar bom, e ainda deixa esterco no solo.


Quais Culturas e Capins Escolher no Norte?

Não adianta querer inventar moda com planta que não gosta do nosso calor e umidade. O que os dados das fazendas de referência mostram é que o feijão-com-arroz (ou melhor, milho-com-braquiária) é o que dá o resultado mais seguro.

As opções de consórcio que mais funcionam por aqui são:

  • Milho (grão ou silagem) + Capim: O clássico.
  • Soja + Capim: Feito com sobressemeadura (jogar a semente de capim quando a soja está quase no ponto).
  • Arroz + Capim: Muito bom para abrir áreas novas ou recuperar degradadas.
  • Sorgo + Braquiária: Ótimo para safrinha mais arriscada de chuva.

Nas forrageiras, as campeãs são:

  • Urochloa brizantha (Marandú, Xaraés, Piatã)
  • Urochloa ruziziensis (excelente para fazer palhada)
  • Urochloa humidicola (para áreas mais úmidas)
  • Panicum maximum (Mombaça)

Onde o Sistema Está Dando Mais Dinheiro?

Você deve estar se perguntando se isso funciona na sua terra. Hoje, vemos que as propriedades médias e grandes são as que mais adotam, principalmente porque já têm acesso a máquinas agrícolas.

Se olharmos para o mapa da nossa região, o “filé” da integração está em:

  • Rondônia: Cone Sul (Corumbiara, Chupinguaia) e subindo para o centro-norte. Lá o pessoal está colhendo arroz e soja em cima de pasto velho e rindo à toa.
  • Pará: Região de Paragominas até Conceição do Araguaia e lá em Santarém. O foco lá é recuperar área degradada e diversificar a renda.
  • Tocantins: A demanda é gigante, usando o capim pós-soja para diminuir o risco do negócio.

Quando Colocar Árvore no Meio (ILPF)?

Aqui o papo muda um pouco. Se o calor castiga a gente, imagina o gado. A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) entra para dar conforto térmico para o bicho (sombra) e uma poupança de madeira para você.

O que plantar de árvore no Norte? O Eucalipto ainda é o rei, porque cresce rápido e tem mercado. Mas, no Pará, o Mogno Africano (Khaya ivorensis) tem deixado muito produtor animado com o valor da madeira.

Outras opções que vêm sendo testadas:

  • Teca (mais exigente)
  • Gliricídia
  • Nativas: Paricá, Castanha-do-brasil, Cumaru e Cedro-doce.

O manejo da árvore precisa de atenção: tem que fazer poda (desrama) para a madeira ficar limpa e para o sol entrar e o capim crescer embaixo. Se fechar demais a copa, o pasto morre.


Cuidado: A Hora Certa do Gado Entrar

Aqui é onde muito produtor perde o serviço de meses. “Quando posso soltar a boiada?”

  1. No sistema Lavoura-Pecuária (sem árvore):

    Depois de colher o grão, espere de 30 a 45 dias. O capim precisa desse tempo para se recuperar do estresse da colheita e da sombra da lavoura. O primeiro pastejo deve ser leve (“pastejo de formação”). Depois, deixe a área descansar e entre com o rotacionado normal.

  2. No sistema com Floresta (ILPF):

    Se você soltar o gado cedo demais, eles vão quebrar as mudas ou comer a casca das árvores.

    • Árvores rápidas (Eucalipto): Geralmente após 2 a 3 anos.
    • A regra de ouro: Olhe a grossura do tronco. Ele tem que aguentar um esbarrão do boi. Bezerros desmamados podem entrar um pouco antes que bois pesados.

⚠️ ATENÇÃO COM BÚFALOS: Se você cria búfalo, o cuidado é dobrado. Eles adoram se coçar em árvores e podem derrubar ou matar a planta. Nesse caso, muitas vezes precisa cercar as árvores ou evitar o contato direto.


Passo a Passo: Como Começar Sem Errar?

Não tente fazer a fazenda toda de uma vez. Comece por um talhão que precisa de reforma. O calendário ideal para quem quer produzir forragem na entressafra e palhada para o plantio direto é:

  1. Safra anterior: Análise de solo, calagem e correção pesada.
  2. Plantio: Semeie o grão (soja/milho) e a forrageira (consorciada ou logo depois).
  3. Colheita: Tire o grão e dê aquele descanso de 30-45 dias pro pasto.
  4. Entrada do Gado: Pastejo na época seca (quando o vizinho está sem pasto, você tem).
  5. Saída do Gado: Tire os animais pelo menos 30 dias antes de dessecar para o próximo plantio. Precisa sobrar folha para virar palha!

Seguindo essa receita, você melhora o solo (mais matéria orgânica), engorda o boi na seca e garante a produtividade da próxima soja. É a terra trabalhando o ano todo, sem parar.


Glossário

Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF): Estratégia de produção que combina atividades agrícolas, pecuárias e florestais em uma mesma área, otimizando o uso da terra e a ciclagem de nutrientes. No Brasil, é amplamente utilizada para recuperar pastagens degradadas com menor custo financeiro.

Sobressemeadura: Técnica que consiste em semear uma nova cultura, geralmente capim, sobre uma lavoura já estabelecida antes da colheita. Permite que a forrageira comece a se desenvolver enquanto a cultura principal ainda está no campo, antecipando a oferta de pasto.

Palhada: Camada de resíduos vegetais secos que permanece sobre o solo após a colheita ou dessecação de uma cultura. É fundamental para o Sistema Plantio Direto, pois protege a terra contra erosão e mantém a umidade e a matéria orgânica.

Taxa de Lotação: Relação entre o número de animais (geralmente expressa em Unidade Animal - UA) e a área de pasto disponível. O controle correto evita o superpastejo e a compactação excessiva do solo, garantindo a sustentabilidade da integração.

Calagem: Aplicação de calcário no solo para reduzir a acidez (elevar o pH) e fornecer cálcio e magnésio para as plantas. É uma etapa corretiva essencial para que os fertilizantes aplicados no milho ou soja sejam aproveitados eficientemente.

Kit Safrinha de Milho

Dessecação: Aplicação de herbicidas para interromper o crescimento da cobertura vegetal e preparar a área para o plantio. No sistema de integração, transforma o capim em cobertura morta para proteger a semente da safra seguinte.

Pastejo de Formação: Primeira entrada controlada do gado em uma pastagem recém-estabelecida, feita de forma leve para estimular o perfilhamento da planta. O objetivo é fortalecer as raízes e garantir que o capim feche o solo sem ser arrancado ou danificado pelos animais.

Como a tecnologia facilita a gestão da integração

Implementar um sistema de ILP ou ILPF exige um olhar atento tanto ao calendário agrícola quanto ao financeiro, para que a lavoura realmente pague a reforma do pasto sem estourar o orçamento. O uso de um software de gestão como o Aegro permite centralizar essas informações, facilitando o acompanhamento dos custos de produção e o planejamento das atividades no campo. Com relatórios automáticos e uma interface intuitiva, fica mais simples entender a rentabilidade de cada talhão e decidir o momento exato de entrada do gado, evitando erros que possam comprometer a palhada ou a compactação do solo.

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Perguntas Frequentes

Como a integração lavoura-pecuária (ILP) ajuda a reduzir os custos de reforma do pasto?

A principal vantagem econômica é que a colheita dos grãos (como milho ou soja) paga os custos de insumos, como calcário e fertilizantes, que seriam gastos exclusivamente na reforma do pasto. Dessa forma, após a colheita, o produtor tem um pasto de alta qualidade formado e adubado, utilizando o lucro da lavoura para quitar o investimento da renovação da área.

Qual é a melhor espécie de capim para quem foca no plantio direto de soja?

Para quem prioriza a sucessão com soja, a Urochloa ruziziensis é a mais indicada, pois produz uma palhada de excelente qualidade e é fácil de ser dessecada quimicamente. No entanto, se o objetivo for um pasto mais resistente para o pisoteio direto do gado por longos períodos, as variedades de Urochloa brizantha, como o Marandú ou Piatã, são escolhas mais robustas.

Quanto tempo devo esperar para colocar o gado no pasto após a colheita do milho?

O ideal é respeitar um intervalo de 30 a 45 dias após a passagem da colheitadeira. Esse período de descanso é fundamental para que o capim, que estava sombreado pela cultura, receba luz solar, se recupere do estresse da colheita e estabeleça um sistema radicular forte o suficiente para aguentar o pastejo sem ser arrancado.

O sistema de ‘Boi Safrinha’ pode prejudicar a produtividade da safra seguinte?

Somente se houver manejo inadequado. O risco ocorre se o produtor mantiver uma carga animal muito alta, o que leva à compactação do solo e à falta de palhada para a próxima semeadura. A regra de ouro é retirar o gado pelo menos 30 dias antes do plantio da soja, garantindo que reste biomassa suficiente para proteger o solo e manter a umidade.

Quais são as árvores mais recomendadas para o sistema ILPF no Norte do Brasil?

O Eucalipto é a escolha mais frequente devido ao crescimento rápido e mercado estabelecido para madeira e energia. No entanto, espécies nobres como o Mogno Africano têm ganhado espaço pelo alto valor agregado, enquanto nativas como o Paricá e a Castanha-do-brasil são excelentes opções para diversificação e conformidade ambiental na região.

É possível fazer integração em áreas com solos mais úmidos ou encharcados?

Sim, mas a escolha da forrageira deve ser específica para essas condições. Nesses casos, a Urochloa humidicola é a mais recomendada, pois tolera melhor o encharcamento temporário do solo. É importante também selecionar culturas agrícolas que se adaptem a esse regime hídrico, como o arroz, que tradicionalmente apresenta bons resultados em áreas de abertura no Norte.

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  • Fazenda Quatro Maravilhas: Melhorando a Fazenda na Amazônia com Plantação, Gado e o Aegro: Este artigo é o complemento prático ideal, pois apresenta um estudo de caso real em Rondônia, uma das regiões foco do texto principal. Ele valida a teoria da integração na Amazônia e demonstra como o uso do software Aegro, mencionado ao fim do artigo principal, resolve os desafios de gestão específicos dessa localidade.
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  • Integração Lavoura-Pecuária: Guia para Aumentar Produtividade: Este guia foca especificamente no aumento de produtividade e na recuperação de solos degradados através da ILP. Ele complementa o artigo principal ao oferecer um passo a passo estruturado sobre fertilidade e manejo de solo, ajudando o produtor a executar a estratégia de ‘fazer a lavoura pagar o pasto’ com maior rigor técnico.