ILP e ILPF na Recuperação de Pastagens: Guia Completo [2025]

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Índice

Aqui na lida diária, a gente sabe que o maior patrimônio do produtor é a terra. Mas ver o pasto perdendo força, o gado demorando para engordar e o mato tomando conta tira o sono de qualquer um.

Se você está pensando em como resolver isso sem quebrar o caixa da fazenda, a Integração Lavoura-Pecuária (ILP) ou Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) não é só conversa bonita de técnico. É uma ferramenta real para reformar sua terra e ainda pagar as contas.

Vamos direto ao ponto entender como isso funciona na prática.

O Seu Pasto Realmente Precisa de Reforma?

Você já olhou para o gado no meio do piquete e teve a sensação de que, mesmo com chuva, o capim não “vem”?

Muita gente acha que pasto degradado é só aquele na terra nua. Mas o buraco é mais embaixo. Se o seu pasto está produzindo menos da metade (50%) do que poderia, ele já está degradado.

Sinais claros que você vê no campo:

  • A forrageira demora a rebrotar.
  • O gado não ganha o peso que ganhava antes.
  • As invasoras (plantas daninhas) começam a ganhar a briga com o capim.

Isso acontece principalmente por superpastejo (muita boca para pouco capim) e falta de repor nutrientes. O resultado dói no bolso.

📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM: Uma pastagem degradada produz, na média, 2 arrobas por hectare/ano na engorda. Já uma pastagem recuperada e bem manejada pode chegar a 12 arrobas por hectare/ano. É seis vezes mais produção no mesmo pedaço de chão.

Como a Integração (ILP) Paga a Conta da Reforma?

A maior dúvida que recebo no WhatsApp é: “Seu Antônio, reformar pasto é caro. Onde vou arrumar dinheiro?”. É aqui que entra a tal da integração.

Em vez de só gastar com adubo e máquina para plantar capim de novo, você planta uma lavoura (como soja, milho ou sorgo) na área degradada.

Por que isso funciona?

  1. A lavoura paga a conta: A venda dos grãos ajuda a cobrir (ou até paga totalmente) o custo da correção do solo e da reforma.
  2. Melhora a terra: A adubação que você faz para a lavoura sobra para o pasto que vem depois.
  3. Limpa a área: O uso de herbicidas na lavoura e a troca de cultura ajudam a quebrar o ciclo de pragas e limpar o banco de sementes de invasoras.

A ILP recupera a fertilidade do solo de um jeito mais econômico. Mas exige planejamento: você vai precisar de capital inicial, maquinário (ou terceirizar) e saber lidar com a agricultura.

Recuperação Direta ou Indireta: Qual Escolher?

Na hora de planejar, você tem dois caminhos principais. O melhor para você depende de como está sua área hoje.

1. Recuperação Indireta (Usando Lavoura)

É quando você usa uma cultura “meio de campo” antes de voltar com o pasto. Pode ser milho, soja, arroz ou sorgo.

  • Vantagem: Ótimo para quando você quer trocar a espécie do capim. O cultivo da lavoura facilita eliminar o capim velho e as invasoras.

2. Recuperação Direta

Aqui você não planta lavoura comercial. Você entra direto com a intervenção no pasto.

  • Quando usar: Se você não quer ou não pode plantar lavoura agora, ou se está apenas num sistema de rotação de pastagens.

💡 DICA DE QUEM JÁ FEZ: Se o pasto está muito sujo de invasoras difíceis, fazer um ou dois anos de lavoura (Recuperação Indireta) é o melhor “herbicida” que existe. A sombra da lavoura e os defensivos específicos limpam a área para o novo pasto vir limpo.

Consórcio: O Sistema Santa Fé Funciona Mesmo?

Muita gente pergunta se dá para fazer tudo junto: plantar a lavoura e o capim ao mesmo tempo. A resposta é sim, e o Sistema Santa Fé é o exemplo mais famoso (milho com braquiária, por exemplo).

Mas vamos ser francos sobre o que esperar:

  • Produção de grãos: No primeiro ano, como a terra estava degradada, a produção da lavoura pode não ser recorde. O capim compete um pouco.
  • O pulo do gato: Mesmo que a lavoura não produza o máximo, ela paga os custos da reforma.
  • Resultado final: Assim que você colhe o grão, já tem um pasto formado, vigoroso e de excelente qualidade esperando o gado.

Quanto Tempo Deixar a Lavoura Antes de Voltar o Gado?

Você plantou a lavoura, colheu, o pasto veio lindo. E agora? Fica na pecuária para sempre ou volta a lavoura?

O solo precisa de tempo para reagir. As vantagens biológicas e a melhoria da estrutura da terra (deixar o solo “fofo” e vivo) atingem o pico entre 18 e 24 meses de pastagem pós-lavoura.

Nesse tempo, o sistema radicular do capim faz um trabalho incrível de descompactação e ciclagem de nutrientes.

Cálculo de Fertilizantes em Milho e Soja

⚠️ ATENÇÃO: Não existe regra fixa. Se o preço da soja ou do milho estiver muito alto, pode valer a pena encurtar o tempo de pasto. O produtor tem que pesar: a qualidade do solo no longo prazo versus o lucro imediato da safra.

Plantio Direto e Erosão: Cuidados Básicos

Não adianta nada reformar se for para perder terra para a chuva depois. A principal causa de erosão no pasto é a falta de cobertura.

Quando o gado come demais (superpastejo), sobra solo descoberto. A chuva bate, a água não infiltra e leva a terra embora.

Sobre o Plantio Direto (SPD): Sempre que der, use o Plantio Direto na reforma. Ele protege a terra.

  • Exceção: Se o pasto estiver destruído, cheio de cupim, tocos ou buracos, você vai precisar de uma intervenção mecânica mais pesada primeiro (gradagem, limpeza). Aí o Plantio Direto fica para a próxima etapa.

O Futuro: Dinheiro Além do Boi e do Grão?

Quem faz o dever de casa hoje pode ter uma renda extra amanhã. Produtores que adotam ILP ou ILPF e recuperam pastos estão ajudando o meio ambiente.

Existem discussões sérias e leis (como a Política Nacional sobre Mudança do Clima) apontando para benefícios futuros:

  1. Créditos de Carbono: Pasto bem manejado sequestra carbono no solo.
  2. Pagamento por Serviços Ambientais: Quem cuida da terra pode receber por proteger a água e a paisagem.
  3. Juros menores: O Programa ABC já oferece condições melhores para quem investe em sustentabilidade.

Ainda falta regulamentação para muito disso virar dinheiro vivo na conta de forma simples, mas é o caminho que o mercado está tomando.

Recado final: Recuperar pastagem com lavoura não é mágica, é tecnologia e gestão. Transforma uma área que dava prejuízo em uma fábrica de carne e grãos. Comece com um diagnóstico bem feito do seu solo e, se possível, chame um técnico que entenda da sua região para planejar o primeiro passo.


Glossário

Integração Lavoura-Pecuária (ILP): Estratégia de produção que alterna o cultivo de grãos e a criação de animais em uma mesma área para otimizar o uso do solo. Melhora a fertilidade da terra e diversifica a fonte de renda do produtor rural.

Sistema Santa Fé: Técnica brasileira de consórcio entre uma cultura de grãos, como o milho, e uma forrageira. Permite a colheita dos grãos e a formação imediata de pastagem ou palhada para o sistema de plantio direto.

Superpastejo: Ocorre quando a quantidade de animais no piquete é superior à capacidade de suporte do capim. Resulta na degradação da pastagem, exposição do solo e perda de produtividade do rebanho.

Ciclagem de Nutrientes: Processo de reaproveitamento de nutrientes que retornam ao solo através da decomposição de restos vegetais e dejetos dos animais. É essencial para manter a produtividade do sistema sem depender exclusivamente de adubação química.

Plantio Direto (SPD): Método de cultivo que evita o revolvimento do solo e utiliza a palhada da safra anterior como cobertura protetora. Ajuda a conservar a umidade, evita a erosão e melhora a estrutura física da terra.

Banco de Sementes: Refere-se ao estoque de sementes (principalmente de plantas daninhas) presentes no solo prontas para germinar. O sistema de integração ajuda a reduzir essa infestação ao alternar herbicidas e métodos de cultivo.

Sistema Radicular: Conjunto de raízes da planta que, em pastagens bem manejadas, penetra profundamente no perfil do solo. Atua como um ‘arado biológico’, descompactando a terra e melhorando a absorção de água.

Veja como o Aegro pode ajudar a profissionalizar sua integração

Implementar a ILP exige um controle financeiro rigoroso para garantir que a lavoura realmente pague a reforma do pasto. Ferramentas como o Aegro ajudam a centralizar os custos de insumos, sementes e operações de máquinas, permitindo que você acompanhe em tempo real se o planejamento está sendo cumprido e evitando surpresas no caixa da fazenda. Além disso, ter o histórico de produtividade e rentabilidade de cada talhão facilita a decisão estratégica de quando retornar com o gado ou seguir com a lavoura, trazendo mais segurança para quem busca modernizar a gestão e aumentar a eficiência operacional.

Vamos lá?

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Perguntas Frequentes

Como posso diferenciar um pasto que apenas sofre com a seca de um pasto realmente degradado?

Um pasto degradado mostra sinais mesmo após o retorno das chuvas, como uma rebrota muito lenta, presença excessiva de plantas daninhas e manchas de solo descoberto. Se a sua capacidade de lotação caiu pela metade nos últimos anos e o gado demora a ganhar peso mesmo com suplementação, a pastagem provavelmente atingiu um nível de degradação que exige reforma.

Por que a Integração Lavoura-Pecuária (ILP) é mais lucrativa do que apenas reformar o pasto?

A ILP é estratégica porque a comercialização da safra de grãos ajuda a pagar os custos fixos da reforma, como calcário, adubação e máquinas. Além disso, o pasto formado após a lavoura aproveita os nutrientes residuais do fertilizante usado na plantação, resultando em uma forragem de maior qualidade nutricional para o gado.

Quais são as melhores culturas para usar na recuperação indireta do pasto?

As culturas mais comuns são soja, milho, arroz e sorgo, mas a escolha depende da região e da infraestrutura da fazenda. A soja é excelente pela fixação de nitrogênio no solo, enquanto o milho é ideal para o consórcio direto com braquiária (Sistema Santa Fé), permitindo colher o grão e já ter o pasto pronto em seguida.

O gado pode prejudicar o solo após a colheita da lavoura no sistema de integração?

O risco existe se houver superpastejo; por isso, é vital respeitar a altura de entrada e saída do gado. O ideal é manter o gado no pasto novo por cerca de 18 a 24 meses, tempo em que as raízes do capim ajudam a descompactar o solo e ciclar nutrientes, preparando a terra para uma nova safra agrícola se for o caso.

É obrigatório ter maquinário próprio para começar a integrar lavoura e pecuária?

Não necessariamente. Muitos pecuaristas começam através de parcerias com agricultores vizinhos ou contratando serviços de terceiros para o plantio e colheita. Essa é uma excelente forma de validar o sistema na sua propriedade sem a necessidade de um alto investimento inicial em máquinas pesadas.

Como o Programa ABC auxilia o produtor que deseja recuperar áreas degradadas?

O Programa ABC oferece linhas de crédito rural com taxas de juros mais atrativas e prazos de carência maiores para produtores que adotam tecnologias sustentáveis, como a ILPF. O objetivo é incentivar a redução da emissão de carbono, transformando áreas improdutivas em sistemas que sequestram gases de efeito estufa e aumentam a rentabilidade do produtor.

Artigos Relevantes

  • Integração Lavoura-Pecuária: Guia para Aumentar Produtividade: Este artigo funciona como a base técnica fundamental que sustenta as orientações práticas do texto principal, aprofundando os conceitos de ILP. Ele oferece um guia estruturado sobre como aumentar a produtividade, sendo o passo seguinte ideal para o produtor que foi convencido pela narrativa do artigo principal.
  • Brachiaria Ruziziensis: O Guia Completo de Manejo para Lavoura e Pecuária: O texto principal menciona o Sistema Santa Fé e a importância do capim na descompactação do solo; este artigo foca especificamente na Brachiaria ruziziensis, que é a espécie protagonista desse sistema. Ele fornece detalhes técnicos cruciais sobre o manejo dessa forrageira no plantio direto, preenchendo uma lacuna técnica específica do consórcio milho-braquiária.
  • Sistema ILPF: O que é, Vantagens e Como Implementar na sua Fazenda: Embora o artigo principal inclua ‘ILPF’ no título, ele foca predominantemente na integração entre lavoura e pecuária. Este candidato expande o horizonte do leitor ao detalhar o componente ‘Floresta’, explicando as vantagens do sistema silvipastoril e como a presença de árvores pode complementar a recuperação da pastagem e o bem-estar animal.
  • Fazenda Quatro Maravilhas: Melhorando a Fazenda na Amazônia com Plantação, Gado e o Aegro: Este estudo de caso oferece a prova social e prática necessária para validar o que foi discutido no artigo principal. Ele demonstra como uma fazenda real utilizou a ILP e a gestão de dados (mencionada no fechamento do texto principal) para superar desafios geográficos e operacionais, tornando a teoria muito mais tangível para o produtor.
  • Brachiaria: O Guia Completo para Pastagem, Palhada e Integração Lavoura-Pecuária: Como a recuperação de pastagens degradadas é o tema central, um guia completo sobre o gênero Brachiaria é indispensável. Este artigo complementa a discussão ao explicar o papel da gramínea não apenas como alimento, mas como cobertura de solo e produtora de palhada, conectando-se diretamente ao tópico de Plantio Direto e proteção contra erosão abordado no texto base.