ILP e ILPF no Sul: Guia Definitivo de Manejo [2025]

Foto de perfil de Redação Aegro
Equipe de especialistas da Aegro, dedicada a levar conhecimento, tecnologia e inovação para o produtor rural brasileiro.
Imagem de destaque do artigo: ILP e ILPF no Sul: Guia Definitivo de Manejo [2025]

Índice

Qual o Melhor Sistema de ILP e ILPF para a Região Sul?

Sabe aquela conversa de cerca com o vizinho, onde um diz que boi compacta o solo e o outro jura que o gado aumenta a produtividade da soja? Pois é. Quem vive da terra no Sul sabe que não dá para deixar a área parada no inverno, mas também não dá para errar a mão e prejudicar a safra de verão.

Na nossa região, o “carro-chefe” ainda é a Integração Lavoura-Pecuária (ILP). O modelo clássico funciona assim: pastagens anuais de inverno (geralmente aveia-preta e azevém) para engordar o gado ou produzir leite entre abril e setembro, seguidas da lavoura de verão (soja, milho, arroz ou feijão).

Já a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que coloca árvores na jogada, é mais recente por aqui. Ela exige um planejamento de longo prazo, mas tem crescido, especialmente no Noroeste do Paraná com gado de corte e em pequenas propriedades leiteiras no sul do estado.

O segredo não está em “qual escolher”, mas em como manejar. Vamos ver como fazer isso funcionar na prática.


Soja e Aveia Todo Ano é Rotação? Cuidado com Essa Armadilha

Seu João, lá do Planalto Médio, plantava soja no verão e aveia com azevém no inverno todo ano, na mesma área, achando que estava fazendo rotação. Com o tempo, as doenças aumentaram e a produtividade estagnou. Por que isso acontece?

O erro mais comum é confundir sucessão com rotação.

Se você planta sempre a mesma coisa na mesma época (soja todo verão, aveia todo inverno), isso é sucessão. E sucessão traz problemas: pragas resistentes, doenças acumuladas e solo cansado.

Como fazer a rotação verdadeira: Para o sistema funcionar bem e encher o bolso, você precisa variar as culturas.

  1. No Verão: O ideal é alternar soja e milho. A pesquisa mostra que uma proporção de 75% soja e 25% milho é uma ótima medida. Ou seja, a cada 4 anos, plante milho naquela área.
  2. No Inverno: Não fique só na aveia. Intercale com trigo, cevada, canola ou nabo forrageiro.

⚠️ ATENÇÃO: O cultivo de milho consorciado com braquiária é excelente para o solo. A palhada e as raízes da braquiária recuperam a terra e ainda servem de pasto na entressafra.


O Boi Compacta o Solo? Derrubando o Mito

Essa é a dúvida campeã nas rodas de chimarrão: “Se eu colocar o gado na lavoura, a terra vai virar um tijolo e a soja não nasce”.

A resposta curta é: não, se você manejar direito.

O pisoteio do animal só causa problema se faltar comida no pasto. Quando o pasto está baixo demais, o boi anda mais para procurar comida e pisa mais no chão desprotegido. Se tiver “massa” (capim), o peso se distribui e não compacta.

Mesmo quando há alguma compactação, ela acontece só na camada bem superficial (0 a 10 cm). Isso não impede a raiz da soja de descer.

Guia completo sobre as culturas de inverno

💡 DICA DE QUEM JÁ FEZ: Se você acha que o solo ficou um pouco duro na superfície após o pastoreio, na hora de plantar a soja, troque o disco duplo da plantadeira pela haste ou facão (“botinha”). Ela rompe essa camada superficial e coloca o adubo na profundidade certa.


Qual a Altura Certa do Pasto? (A Regra de Ouro)

Você já perdeu dinheiro porque deixou o gado tempo demais no pasto e ele “rapou” tudo? Ou tirou cedo demais e sobrou comida? O manejo da altura é o segredo do sucesso na ILP.

Para pastagens de inverno (aveia e azevém), anote esses números:

  • Entrada dos animais: Quando o pasto estiver com 20 a 30 cm de altura.
  • Saída dos animais (ou altura de manter): Nunca deixe baixar de 7 a 10 cm (no rotacionado) ou mantenha entre 20 e 30 cm (no contínuo).

Se o gado comer demais e o pasto ficar muito baixo, você perde duas vezes: o animal ganha menos peso e o solo fica exposto (risco de compactação). Além disso, a planta sem folha não faz raiz, prejudicando a estrutura da terra.

E as forrageiras de verão?

  • Milheto e Capim-sudão: Entra com 50-60 cm, sai com 30-40 cm.
  • Braquiária (Marandú): Suporta pastejo contínuo, mas mantenha cobertura de solo.

Vai Faltar Palha para a Soja?

Outro medo comum: “O gado comeu tudo, vou plantar a soja no chão pelado”.

Isso só acontece se você errar no ponto de saída. O consumo da pastagem pelo gado não acaba com a palhada, desde que você respeite o tempo da planta.

Para garantir 3 a 4 toneladas de palha seca por hectare (o ideal para cobrir bem o solo):

  1. Tire os animais da área pelo menos uma semana antes de dessecar.
  2. Esse descanso permite que a pastagem (principalmente o azevém) recupere folhas e acumule massa.
  3. Assim, quando você passar o herbicida, vai ter palha suficiente para proteger o solo até a soja fechar as ruas.

Dessecação: Não Erre o Timing

Você já viu lavoura onde a soja nasceu falhada ou amarela porque o pasto competiu com ela? Isso é erro de dessecação. O pasto tem que estar morto na hora que a soja precisa nascer.

O glifosato continua sendo a ferramenta principal. Mas atenção aos prazos para não ter “efeito alelopático” (quando a planta velha atrapalha a nova) ou competição por água:

  • Aveia e Azevém: Desseque de 10 a 15 dias antes de plantar a soja.
  • Braquiária Ruziziensis: Também 10 a 15 dias antes.
  • Braquiária Brizantha: Essa é mais dura na queda. Desseque 20 a 30 dias antes.

⚠️ ATENÇÃO: Se o azevém for resistente a glifosato (muito comum aqui no Sul), você vai precisar usar graminicidas ou dessecantes de contato junto. Consulte seu agrônomo para não jogar produto fora.


Colocando Árvores no Sistema (ILPF): Vale a Pena?

Para quem pensa em longo prazo e quer diversificar ainda mais, o sistema com floresta (geralmente Eucalipto) é uma opção, mas exige cuidado dobrado.

O grande desafio é a sombra. No começo (2 a 3 anos), você planta grãos nas entrelinhas das árvores. Depois que as árvores crescem, a sombra aumenta e a lavoura de grãos não produz bem. Aí entra o gado.

O segredo do ILPF no Sul:

  • Foco na Madeira Nobre: Não plante para celulose ou lenha (muitas árvores finas). O lucro aqui vem de toras grossas para serraria.
  • Poucas Árvores: Use menos de 600 árvores por hectare.
  • Manejo de Luz: Você precisa fazer desbastes (cortar algumas árvores) e podas para garantir que entre luz para o pasto. A meta é que a copa das árvores cubra apenas 30% a 35% da área.

Parcerias: A Solução para Quem Não Tem Gado (ou Terra)

Muitas vezes, o agricultor tem a terra e a máquina, mas não quer dor de cabeça com cerca e vacina. Ou o pecuarista tem o gado, mas não tem terra boa de lavoura.

No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, as parcerias são a chave.

  • Agricultor planta o pasto, Pecuarista entra com o boi: O dono da terra planta a aveia/azevém no inverno. O pecuarista coloca o gado.
  • Pagamento: Geralmente o agricultor recebe 50% a 70% do ganho de peso dos animais, ou um valor fixo por arroba produzida.
  • Arrendamento para Soja: O pecuarista arrenda a terra para o agricultor plantar soja no verão (contratos de 5 a 10 anos) e recebe um valor fixo. Melhora o pasto dele e gera renda extra.

📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM: Em um bom pasto de inverno bem manejado, é possível obter ganhos de 200 a 400 kg de peso vivo por hectare. Com forrageiras de verão, isso pode passar de 1.000 kg/ha em sistemas intensivos.


Quer começar?

Não tente mudar a fazenda inteira de uma vez. Comece separando cerca de 25% da área para fazer um sistema bem feito, corrigindo o solo e caprichando na adubação. O aprendizado dessa área piloto vai te dar segurança para expandir nas próximas safras.


Glossário

Consórcio de Culturas: Técnica que consiste no cultivo de duas ou mais espécies vegetais na mesma área e ao mesmo tempo para benefício mútuo. No contexto do Sul, o milho com braquiária é usado para produzir grãos e formar palhada ou pastagem simultaneamente.

Haste Sulcadora (Botinha): Componente da semeadora que rompe a camada superficial compactada do solo para depositar o adubo abaixo da semente. É uma ferramenta essencial no Sistema Plantio Direto para garantir o aprofundamento das raízes sem necessidade de lavrar a terra.

Pastejo Rotacionado: Sistema de manejo de pastagem dividido em piquetes, onde os animais ocupam uma área por tempo determinado seguido de um período de descanso. Isso permite a recuperação vigorosa da forragem e evita o esgotamento do solo.

Efeito Alelopático: Fenômeno químico em que uma planta libera substâncias que podem inibir ou prejudicar a germinação e o crescimento de outra cultura. Na prática, exige um intervalo correto entre a dessecação da pastagem e o plantio da soja para evitar falhas no estande.

Graminicidas: Herbicidas seletivos utilizados especificamente para o controle de plantas da família das gramíneas, como o azevém e a braquiária. São fundamentais na dessecação pré-plantio quando há resistência de plantas daninhas ao glifosato.

Cálculo de Fertilizantes em Milho e Soja

Desbaste: Operação silvicultural que consiste na remoção de algumas árvores da plantação para reduzir a competição por luz, água e nutrientes. No sistema ILPF, é vital para garantir que a luz solar chegue ao pasto e às culturas nas entrelinhas.

Dessecação: Aplicação de herbicidas para paralisar o crescimento e secar a cobertura vegetal antes da semeadura da cultura principal. Esse processo prepara o terreno para o plantio no limpo, facilitando a operação da máquina e o estabelecimento da lavoura.

Como a tecnologia potencializa os sistemas integrados

Para que a rotação de culturas e o manejo das alturas do pasto funcionem com precisão, a organização das informações é fundamental. Ferramentas de gestão como o Aegro ajudam a coordenar essa complexidade, permitindo que você planeje o calendário de atividades e registre o histórico de cada talhão diretamente pelo celular. Isso evita erros no timing da dessecação e garante que a rotação seja planejada estrategicamente para quebrar o ciclo de pragas e doenças, protegendo seu teto produtivo.

Além do manejo no campo, o sucesso financeiro da ILP depende de um controle rigoroso de custos, especialmente em modelos de parceria. O Aegro centraliza a gestão financeira e operacional, facilitando o acompanhamento dos gastos com insumos e a análise da rentabilidade por hectare de forma automatizada. Com relatórios visuais e suporte próximo, fica muito mais simples entender o lucro real da integração e tomar decisões seguras para o crescimento do negócio, sem se perder em planilhas complicadas.

Vamos lá?

Quer modernizar a gestão da sua fazenda e ter controle total sobre os resultados da sua lavoura e pecuária? Experimente o Aegro gratuitamente e veja na prática como transformar seus dados em decisões muito mais lucrativas.

Perguntas Frequentes

O gado realmente pode compactar o solo e prejudicar a produtividade da soja no verão?

A compactação só se torna um problema se houver excesso de lotação e o pasto estiver muito baixo, forçando o animal a caminhar mais sobre o solo exposto. Se o manejo da altura for respeitado, a massa de forragem protege a terra e distribui o peso dos animais. Caso note alguma resistência superficial, o uso da ‘botinha’ (haste sulcadora) na plantadeira é suficiente para romper essa camada.

Por que plantar soja no verão e aveia no inverno todos os anos não é considerado uma rotação de culturas?

Esse modelo é chamado de sucessão, pois repete as mesmas espécies nas mesmas épocas, o que facilita o acúmulo de doenças e pragas específicas. A rotação real exige a alternância de famílias botânicas, como inserir o milho em pelo menos 25% da área de verão e variar o pasto de inverno com nabo forrageiro ou trigo, quebrando ciclos biológicos negativos.

Qual é a altura ideal para entrada e saída dos animais nas pastagens de inverno?

Para aveia e azevém, a regra de ouro é colocar os animais quando o pasto atingir entre 20 e 30 cm. A retirada deve ocorrer quando a vegetação baixar para 7 a 10 cm no sistema rotacionado. Manter essa ‘sobra’ de folhas é essencial para que a planta rebrote rápido e o solo permaneça coberto para a próxima cultura.

Como garantir que haverá palhada suficiente para o plantio direto da soja após o pastejo?

O segredo é respeitar o tempo de descanso da pastagem, retirando os animais pelo menos uma semana antes da dessecação. Esse intervalo permite que a planta recupere massa verde. O objetivo é acumular entre 3 a 4 toneladas de matéria seca por hectare para garantir uma cobertura eficiente que proteja o solo e mantenha a umidade para a soja.

Qual é o momento ideal para fazer a dessecação do pasto antes de plantar a soja?

Para aveia, azevém e braquiária ruziziensis, o ideal é dessecar de 10 a 15 dias antes do plantio para evitar a competição por água e o efeito alelopático. Já para a braquiária brizantha, que é mais resistente, o prazo deve ser de 20 a 30 dias. Se houver azevém resistente ao glifosato, é necessário associar outros herbicidas específicos sob orientação técnica.

No sistema ILPF, como evitar que a sombra das árvores prejudique a produção de grãos e pasto?

O manejo da luz é fundamental: deve-se utilizar uma densidade menor de árvores (menos de 600 por hectare) e realizar podas e desbastes constantes. O objetivo é que a copa das árvores não cubra mais do que 35% da área total. Além disso, o foco deve ser em árvores para madeira nobre (toras grossas), priorizando o valor agregado em vez da quantidade de indivíduos.

Artigos Relevantes

  • Sistema ILPF: O que é, Vantagens e Como Implementar na sua Fazenda: Este artigo funciona como a base teórica completa para o que é discutido no texto principal, detalhando os componentes do sistema ILPF. Ele oferece uma visão sistêmica que expande a seção sobre árvores no sistema, fornecendo o ‘passo a passo’ para implementação que complementa as dicas específicas para a região Sul.
  • Brachiaria: O Guia Completo para Pastagem, Palhada e Integração Lavoura-Pecuária: O artigo principal destaca o consórcio de milho com braquiária como uma ‘ferramenta excelente para o solo’, e este guia aprofunda justamente essa técnica. Ele fornece detalhes técnicos sobre o manejo da pastagem e formação de palhada, essenciais para evitar a compactação e garantir o sucesso do plantio direto mencionado no texto base.
  • Dessecação para Soja: Guia Completo para Plantar no Limpo: A dessecação é apontada no artigo principal como um ponto crítico de erro (‘Não Erre o Timing’). Este guia complementa essa dor ao oferecer detalhes técnicos sobre seletividade e escolha de herbicidas, ajudando o produtor a executar com precisão o intervalo recomendado de 10 a 15 dias para evitar o efeito alelopático.
  • Plantação de Aveia: Um Guia Completo do Plantio à Colheita: Como a aveia-preta é citada no artigo principal como o ‘carro-chefe’ da ILP no Sul, este guia técnico é o complemento ideal para o manejo invernal. Ele preenche a lacuna sobre como produzir a massa de forragem necessária para suportar o gado sem comprometer a palhada para a soja subsequente.
  • Carryover de Herbicida: Como Evitar Prejuízos na Lavoura: Este artigo aborda o risco de carryover, um conceito fundamental para quem faz rotação de culturas e integração lavoura-pecuária conforme sugerido no texto principal. Ele ajuda o produtor a entender como os herbicidas usados na pastagem ou no milho podem impactar a soja, aprofundando o alerta sobre o uso de graminicidas e glifosato.