ILP e ILPF: Guia Definitivo para Lucrar na Fazenda [2025]

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Índice

Vale a pena investir na Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e Floresta (ILPF)?

Você já deve ter ouvido aquela conversa na porta do armazém: “Integrar lavoura com pecuária dá muito trabalho e o lucro não paga a conta”. Mas será que é isso mesmo?

Quem já pôs na ponta do lápis sabe que pasto degradado é o maior ladrão do seu bolso. Uma pastagem “fraca” produz, em média, 4 arrobas por hectare ao ano. Isso mal paga a cerca, deixando um lucro de R$ 50,00 a R$ 100,00 por hectare — quando não dá prejuízo.

Agora, olhe a diferença: em áreas recuperadas com sistema de ILP, a produção salta para 15 a 30 arrobas/ha/ano nos dois primeiros anos após a lavoura. O lucro com o gado sobe para a casa dos R$ 1.200,00 a R$ 1.600,00 por hectare. Isso sem contar o lucro da soja, que vem na sequência.

A conta é simples: recuperar o pasto com lavoura não é gasto, é investimento que se paga rápido.


Que tipo de gado colocar no meio da floresta ou da lavoura?

Uma dúvida que sempre aparece é: “Seu Antônio, meu gado é comum, será que compensa investir tanto em pasto bom?”. A resposta é direta: pasto bom pede gado bom.

O sistema de integração oferece comida de qualidade o ano todo. Se você colocar um animal de genética ruim ali, é como colocar gasolina podium em trator velho: não vai aproveitar o potencial.

Com a ILPF, você tem pasto verde no inverno e sombra (conforto térmico). Isso permite usar:

  1. Raças Zebuínas ou Taurinas de ponta.
  2. Cruzamento Industrial (F1 ou Tri-cross): Esses animais voam baixo nesse sistema. O conforto da sombra e a comida farta fazem eles expressarem o máximo de peso em menos tempo.

Qual categoria dá mais dinheiro?

Para o produtor prático, o sistema de Recria-Engorda costuma ser o mais rentável. O giro é rápido. Você compra o bezerro, aproveita a pastagem turbinada e termina ele cedo.


O segredo para não estragar as árvores e o pasto

“Mas o gado não vai comer meu eucalipto?” Essa é a pergunta de um milhão de reais.

Vai, se você não proteger. O manejo aqui exige atenção redobrada. No sistema com floresta, a proteção das linhas de árvores deve ser feita com cerca elétrica.

Funciona assim:

  1. Você protege as árvores entre duas linhas.
  2. O gado pasta a faixa de capim.
  3. Quando sobrar uns 20% de folhas verdes, você tira o gado (para não rapar o pasto).
  4. Aí você move a cerca elétrica para o próximo talhão.

Sombra: ajuda ou atrapalha o capim?

As árvores competem, sim, por luz, água e comida. Perto do tronco, o capim produz menos. Mas tem o “pulo do gato”: o capim que nasce na sombra tem mais qualidade nutricional (proteína).

Além disso, a sombra reduz o estresse do gado. O animal gasta menos energia tentando se resfriar e converte mais em carne. Se você acertar o espaçamento das árvores (não deixar fechar demais), o ganho em conforto compensa a perda de volume de capim.


Como manejar o pastejo sem compactar o solo?

Muitos produtores têm medo de colocar gado na lavoura e compactar a terra para a soja depois. O problema não é a pata do boi, é o manejo errado.

Se você trabalha com superpastejo (muito gado, pouco pasto), vai compactar mesmo. O segredo é o pastejo rotacionado. Divida a área. Use cercas fixas nas divisas principais e cerca elétrica (móvel) nas divisões de dentro. Assim, fica fácil tirar a cerca quando a plantadeira chegar.

Vantagens sanitárias

Aqui tem um benefício que poucos contam: a rotação de culturas quebra o ciclo dos parasitas.

  • Sai o gado, entra a soja.
  • O carrapato e o verme que ficaram no pasto não têm quem picar e morrem.
  • Quando o gado volta meses depois, a pastagem está “limpa”.

Isso diminui o custo com banhos e remédios.


A hora de tirar o gado e plantar (O gargalo de setembro)

Chegou setembro/outubro, a chuva ameaça cair e você precisa plantar a soja. Mas o boi ainda está no pasto e não “acabou” de engordar. E agora?

Esse é o momento crítico. Se você atrasar o plantio, perde janela da soja e compromete o milho safrinha.

A solução prática é o semiconfinamento ou confinamento.

  • Animais jovens têm dificuldade de dar acabamento de gordura só no pasto.
  • Use silagem, grãos ou resíduos que a própria fazenda produziu.
  • Feche o gado no cocho para dar o acabamento final.

Isso libera a área de pasto para a plantadeira entrar na hora certa. É uma engrenagem: a lavoura empurra a pecuária, e a pecuária limpa a área para a lavoura.


E a madeira? Quando eu vejo a cor desse dinheiro?

Para quem aposta no ILPF (com Floresta), o eucalipto é como uma poupança de longo prazo. O foco principal deve ser madeira nobre (serraria, móveis), que vale mais.

Mas o dinheiro entra antes do corte final:

  1. Desbaste (8º ano): Você retira as árvores mais finas ou tortas. Isso gera uns 70 a 80 m³ de madeira para carvão, lenha ou estacas. Já ajuda no caixa.
  2. Corte Final (12º ano): Aqui fica o “filé”. Sobram cerca de 80 a 100 m³ de madeira grossa para serraria.

A produtividade de madeira por hectare é menor que num plantio só de eucalipto (porque tem menos árvores), mas você ganhou dinheiro com boi e soja na mesma área durante 12 anos.

Espécies recomendadas

Não invente moda se você tem pressa. O Eucalipto (clones testados na sua região) é o mais indicado porque cresce rápido. Espécies nativas são bonitas, mas demoram muito para o tronco aguentar um boi se coçando ou empurrando.


Glossário

Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF): Estratégia de produção que combina atividades agrícolas, pecuárias e florestais em uma mesma área, de forma consorciada ou rotacionada. Visa otimizar o uso da terra, diversificar a renda do produtor e promover a recuperação de pastagens degradadas.

Milho Safrinha: Cultura de milho plantada na segunda safra, geralmente logo após a colheita da soja no verão. No Brasil, o sucesso da safrinha depende rigorosamente do cumprimento da janela climática para evitar o período de seca e geadas.

Cruzamento Industrial: Técnica de melhoramento genético que utiliza o acasalamento entre raças diferentes para obter animais com maior vigor híbrido (heterose). O objetivo é produzir gado com maior precocidade, resistência e qualidade de carcaça superior para o abate.

Pastejo Rotacionado: Sistema de manejo que divide a pastagem em piquetes para permitir períodos alternados de pastejo e descanso. Essa técnica assegura que o capim se recupere fisiologicamente, mantendo sua qualidade nutricional e evitando a degradação do solo.

Compactação do Solo: Processo de compressão das partículas do solo que reduz a porosidade e dificulta a infiltração de água e o crescimento das raízes. No sistema de integração, é evitada mantendo-se uma cobertura mínima de massa verde para suportar o pisoteio do gado.

Desbaste: Operação silvicultural que consiste na retirada planejada de árvores menos produtivas ou com defeitos para reduzir a competição por luz e nutrientes. No ILPF, permite que as árvores remanescentes ganhem diâmetro para madeira de maior valor e que a luz chegue ao pasto.

Janela de Plantio: Intervalo de tempo ideal para a semeadura de determinada cultura, baseado em dados climáticos históricos da região. Respeitar esse período é crucial para garantir que a planta tenha as condições ideais de umidade e temperatura durante suas fases mais críticas.

Como a tecnologia ajuda a tornar a integração mais lucrativa

Para que toda essa engrenagem entre grãos, gado e floresta funcione com precisão, o produtor precisa ter os números na palma da mão. Ferramentas como o Aegro ajudam a resolver esse desafio ao centralizar o controle de custos e o planejamento operacional em um só lugar. Com o software, você consegue visualizar a rentabilidade real de cada talhão em integração, garantindo que o investimento na recuperação do pasto esteja, de fato, trazendo o retorno esperado no bolso e facilitando a sucessão familiar com dados claros.

Além disso, a organização das atividades no Aegro é essencial para superar o “gargalo de setembro”. Ao planejar o calendário de manejo pelo celular, você coordena a saída dos animais e a entrada das máquinas com muito mais agilidade. Isso evita atrasos na janela de plantio da soja e do milho, garantindo que a transição entre a pecuária e a lavoura seja feita de forma fluida, sem comprometer a produtividade da safra.

Vamos lá?

Quer profissionalizar a gestão da sua fazenda e ter controle total sobre a integração lavoura-pecuária? Experimente o Aegro gratuitamente e descubra como simplificar o monitoramento de custos e atividades para colher resultados muito mais lucrativos.

Perguntas Frequentes

Por que a integração lavoura-pecuária (ILP) é considerada muito mais lucrativa que a pecuária tradicional sobre pasto degradado?

A ILP transforma áreas de baixa produtividade, que rendem cerca de 4 arrobas por hectare, em pastagens de alta performance que podem atingir até 30 arrobas nos primeiros anos. Além do salto no faturamento com a carne, o sistema permite lucrar com a safra de grãos na mesma área, otimizando o uso da terra e diluindo os custos operacionais.

Qual é o perfil ideal de gado para obter os melhores resultados no sistema ILPF?

Como o sistema oferece pastagem de alta qualidade nutricional e conforto térmico, o ideal é investir em animais com genética superior, como o cruzamento industrial. Animais de recria e engorda respondem melhor ao sistema, convertendo a fartura de comida e a sombra em peso de forma muito mais rápida que em sistemas convencionais.

Como evitar que o gado danifique as mudas de árvores nos primeiros anos de implementação do sistema florestal?

A estratégia fundamental é o uso de cercas elétricas para isolar as linhas de árvores até que elas estejam bem estabelecidas. Além disso, recomenda-se introduzir apenas animais jovens no primeiro ano, pois bois adultos são pesados e podem quebrar os troncos ou arrancar as mudas antes que as raízes estejam firmes no solo.

O sombreamento das árvores no sistema ILPF não prejudica o desenvolvimento do capim?

Embora haja uma competição natural por luz e nutrientes, o capim que cresce sob a sombra tende a apresentar maior qualidade nutricional e teor de proteína. O manejo correto do espaçamento das árvores garante que a entrada de luz seja suficiente para a fotossíntese, enquanto o conforto térmico reduz o estresse do gado, compensando qualquer perda de volume de massa verde.

Como gerenciar a saída do gado para garantir que o plantio da soja ocorra na janela ideal de setembro?

O segredo para superar esse gargalo é o uso do semiconfinamento ou confinamento estratégico para dar o acabamento final aos animais. Ao retirar o gado do pasto e levá-lo para o cocho 40 a 60 dias antes do plantio, o produtor garante o peso de abate e libera a área para a entrada imediata das máquinas sem atrasar a safra.

Existe risco real de compactação do solo pelo pisoteio do gado antes do plantio da lavoura?

O risco de compactação só ocorre se houver manejo inadequado, como o superpastejo, onde o gado consome a planta rente ao solo. Utilizando o pastejo rotacionado e respeitando a altura de saída do pasto (deixando cerca de 20% de sobra), a palhada protege a terra e a estrutura do solo permanece ideal para a plantadeira de grãos.

Quais são os principais benefícios sanitários da rotação entre pasto e lavoura?

A alternância de culturas quebra o ciclo biológico de diversos parasitas, como carrapatos e vermes gastrointestinais, que não encontram hospedeiros durante o período da lavoura. Isso resulta em uma pastagem sanitariamente mais limpa quando o gado retorna à área, reduzindo significativamente os custos com banhos e medicamentos veterinários.

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  • Sistema ILPF: O que é, Vantagens e Como Implementar na sua Fazenda: Este artigo serve como a base conceitual necessária para o leitor que se interessou pelas vantagens econômicas citadas no texto principal. Ele detalha os aspectos técnicos de implementação e os diferentes sistemas (silvipastoril, agrossilvipastoril), preenchendo a lacuna entre o ‘porquê investir’ e o ‘como estruturar’ a fazenda.
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  • Plantio de Soja 2025: Guia Completo com Calendário, Custos e Estratégias: Este artigo endereça diretamente o ‘gargalo de setembro’ citado no texto principal. Ao oferecer um guia completo sobre calendário e estratégias de plantio, ele ajuda o produtor a planejar a transição exata do gado para a soja, garantindo que a janela climática não seja perdida, conforme alertado na seção de manejo operacional.