Índice
- Vai começar a Implantação de Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária? Veja por onde começar
- Qual o melhor sistema para o seu caso?
- Sou pecuarista ou lavoureiro: por onde começo?
- O passo a passo da implantação sem erro
- Sistema Santa Fé: Consórcio Milho com Braquiária
- Outros Sistemas que dão Lucro (Barreirão, Santa Brígida e São Mateus)
- Ajuste de Maquinário: Preciso comprar plantadeira nova?
- O Ciclo: Quando tirar o boi e voltar com a soja?
- Glossário
- Como o Aegro facilita a gestão da sua Integração Lavoura-Pecuária
- Perguntas Frequentes
- Qual é a importância de realizar a análise de solo em duas profundidades diferentes (0-20 cm e 20-40 cm)?
- Como um pecuarista sem maquinário agrícola pode implementar a integração lavoura-pecuária?
- No Sistema Santa Fé, como evitar que a braquiária compita excessivamente com o milho?
- Quais as principais diferenças entre os sistemas Barreirão, Santa Brígida e São Mateus?
- Como escolher a espécie de capim ideal para o consórcio com o milho?
- Qual é o momento ideal para encerrar o ciclo do pasto e retornar com a lavoura?
- Artigos Relevantes
Vai começar a Implantação de Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária? Veja por onde começar
Muitos produtores me perguntam se vale a pena misturar o gado com a lavoura ou se isso é só “moda de agrônomo”. A resposta curta é: o bolso agradece, mas dá trabalho. Quem está com o pasto degradado, vendo o gado perder peso na seca, sabe que precisa mudar.
A Integração Lavoura-Pecuária (ILP) ou Integração Lavoura-Pecuária-Floresta não é mágica. É técnica. Vamos falar direto sobre como fazer a implantação desse sistema na sua fazenda, sem rodeios e usando o maquinário que você já tem no galpão.
Qual o melhor sistema para o seu caso?
Seu João, lá do norte do Mato Grosso, tentou fazer plantio direto em cima de um pasto compactado há 20 anos. O resultado? A raiz não desceu e a produtividade foi lá embaixo.
Para escolher o modelo certo, você precisa olhar para o chão que pisa. Basicamente, temos quatro classes de sistemas, mas o que manda é a condição do seu solo:
- Solo Degradado e Seco (Cerrado): Se a terra está pobre, dura e você sofre com veranicos, não adianta teimar com plantio direto logo de cara. Aqui, o preparo convencional (aração e gradagem) é o mais indicado. Você precisa incorporar calcário e adubo lá no fundo para a raiz descer e buscar água.
- Solo Bom e Chuvoso: Se não tem compactação brava e a chuva ajuda, aí sim você pode entrar com o Sistema de Plantio Direto (SPD) desde o início, aplicando gesso e calcário na superfície.
Sou pecuarista ou lavoureiro: por onde começo?
A Dona Maria, que sempre mexeu só com soja, fica de cabelo em pé só de pensar em fazer cerca. Já o vizinho dela, pecuarista nato, acha que plantar soja é muito risco. Quem tem razão?
Depende de quem você é na porteira:
Para o Pecuarista (quer reformar pasto)
O melhor caminho é usar a lavoura para reformar o pasto. Você planeja reformar uma parte da fazenda todo ano. O lucro da lavoura paga a conta da reforma.
- O desafio: Máquinas são caras.
- A solução: Se não quiser comprar trator e plantadeira agora, faça arrendamento ou parceria com um vizinho lavoureiro. Ele planta, colhe, e te devolve o pasto novo e adubado.
Para o Agricultor (quer boi na entressafra)
Você tem duas opções boas:
- Sucessão (Inverno): Colhe a soja/milho e planta forrageira anual ou perene só para cobrir o solo e engordar boi na entressafra. É o jeito mais fácil de começar.
- Rotação: Aqui você deixa o pasto perene rodar por mais tempo.
⚠️ ATENÇÃO: Para o lavoureiro, o maior problema não é plantar o capim, é a estrutura. Você vai precisar de cercas, cochos e bebedouros. Isso pode atrapalhar o trator na safra seguinte se não for bem planejado. Comece devagar.
O passo a passo da implantação sem erro
Você já viu produtor gastar uma fortuna em semente e esquecer de ver se tinha pé-de-grade no solo? O prejuízo é certo.
Para implantar o sistema de ILP, siga esta ordem lógica:
- Diagnóstico: Faça análise de solo de 0 a 20 cm e também de 20 a 40 cm. Você precisa saber se tem alumínio ou compactação lá embaixo.
- Limpeza: Arranque toco, raiz velha e acabe com os cupinzeiros.
- Correção Pesada: Aplique o calcário pelo menos 60 dias antes do plantio. Se o solo estiver compactado, entre com subsolador ou escarificador (de preferência com o solo seco para quebrar bem).
- Adubação de Fundo: Especialmente no Cerrado, incorpore o adubo fundo. Isso faz a raiz buscar nutriente lá embaixo e aguentar a seca.
Depois desse “tratamento de choque” inicial, nos anos seguintes você consegue manter tudo no sistema de plantio direto.
Sistema Santa Fé: Consórcio Milho com Braquiária
Muita gente tem medo do “capim comer o milho”. É uma preocupação real, mas se você acertar a mão, colhe o grão e ainda ganha o pasto ou a palhada.
Esse consórcio (chamado Sistema Santa Fé) serve para produzir grão, silagem e palha.
Como evitar que o capim abafe o milho?
- População de plantas: Não exagere na semente de braquiária.
- Herbicida: Use subdoses de herbicida graminicida (seletivo ao milho) para segurar o capim. A dose tem que ser precisa: se for pouca, não adianta; se for muita, mata o pasto.
- Plantio Defasado: Plante o milho primeiro e o capim depois (10 a 15 dias).
- Vantagem: O milho sai na frente sem competição.
- Desvantagem: Gasta mais diesel (duas operações) e se faltar chuva, o capim não nasce bem.
💡 DICA DE QUEM JÁ FEZ: Se for plantar silagem, lembre-se que você vai tirar a planta inteira do campo. O solo fica “pelado”. Nesse caso, a braquiária é obrigatória para repor matéria orgânica e proteger sua terra.
Outros Sistemas que dão Lucro (Barreirão, Santa Brígida e São Mateus)
Na conversa de cerca, você ouve vários nomes. Vamos traduzir o que cada um faz:
1. Sistema Barreirão
Focado em recuperar pasto degradado.
- O segredo: Aração profunda com arado de aivecas no início das chuvas.
- O que faz: Enterra as sementes de pragas e plantas daninhas lá no fundo e traz terra “nova” para cima. Você planta arroz ou milho junto com o capim novo.
2. Sistema Santa Brígida
Aqui entra uma terceira planta: a leguminosa (geralmente o Guandu-anão).
- O consórcio: Milho + Braquiária + Guandu.
- O ganho: O Guandu fixa nitrogênio no solo, o que ajuda muito na nutrição do sistema e na proteína do pasto depois.
3. Sistema São Mateus
Muito usado no Mato Grosso do Sul (Bolsão).
- A estratégia: Corrige o solo e planta soja em plantio direto para pagar a conta da recuperação da pastagem. Diversifica o caixa e dilui o risco.
Ajuste de Maquinário: Preciso comprar plantadeira nova?
O vendedor da concessionária vai jurar que sim. Mas a verdade é que dá para se virar com o que tem.
Se você não tem plantadeira com caixa para sementes miúdas (caixa de pastagem), use a criatividade e a técnica:
- Mistura no Adubo: Misture a semente do capim com o adubo (ou com gesso/calcário se for a lanço).
- Terceira Caixa: Se puder investir um pouco, adapte uma caixa extra na sua plantadeira de grãos.
- Discos: Se for plantar na linha, troque os discos para o tamanho da semente da forrageira.
📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM: No consórcio, se você usar espaçamento maior no milho, prefira braquiárias que alastram (decumbentes) como a Ruziziensis. As que crescem em touceira (como Mombaça ou Piatã) podem deixar buracos no solo se o espaçamento for muito largo.
O Ciclo: Quando tirar o boi e voltar com a soja?
Não existe uma regra escrita em pedra. Depende do seu bolso e do estado do pasto.
Geralmente, nos dois primeiros anos após a lavoura, o pasto “explode” de bom, porque aproveita o adubo residual da soja/milho. Depois disso, a produção cai.
Quando a produtividade do capim cair:
- Ou você aduba o pasto (o que pode ser caro);
- Ou você entra com lavoura de novo para reformar o sistema.
Se o seu foco é grão, gire rápido. Se o foco é boi, tente segurar o pasto produtivo o máximo possível com manejo correto, até a conta pedir uma nova reforma.
O segredo do sucesso na Integração Lavoura-Pecuária não é a máquina, é o planejamento. Comece pequeno, aprenda a lidar com as duas culturas e vá expandindo conforme o lucro entra.
Glossário
Sistema de Plantio Direto (SPD): Técnica de cultivo que dispensa o revolvimento do solo por arados ou grades, mantendo a cobertura de palhada sobre a superfície. É fundamental para proteger a terra contra a erosão e conservar a umidade e a biologia do solo no contexto tropical brasileiro.
Pé-de-grade: Camada de solo altamente compactada que se forma logo abaixo da profundidade atingida pelos implementos de preparo convencional. Essa barreira física impede que as raízes das plantas busquem água e nutrientes em camadas mais profundas, aumentando o risco de perdas em períodos de seca.

Sistema Santa Fé: Modelo de produção que utiliza o consórcio de culturas de grãos, geralmente o milho, com forrageiras tropicais. O objetivo é colher o grão e, simultaneamente, formar uma pastagem vigorosa ou palhada de qualidade para o plantio direto subsequente.
Escarificação: Operação mecânica que utiliza hastes metálicas para romper camadas compactadas do solo sem a necessidade de inversão da terra. É uma técnica essencial para recuperar pastagens degradadas e melhorar a infiltração de água e o desenvolvimento radicular.
Adubo Residual: Nutrientes que permanecem no solo após a colheita de uma cultura principal e ficam disponíveis para a cultura seguinte. Na integração, o pasto aproveita os restos de fertilizantes aplicados na soja ou milho, o que otimiza o investimento em adubação da propriedade.
Herbicida Graminicida (Subdose): Produto químico utilizado em baixas dosagens no consórcio milho-braquiária para apenas paralisar temporariamente o crescimento do capim. Essa técnica evita que a forrageira abafe a cultura principal (o milho) durante sua fase inicial de desenvolvimento.
Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN): Processo realizado por leguminosas (como o Guandu-anão no Sistema Santa Brígida) que capturam o nitrogênio do ar e o depositam no solo via raízes. Essa adubação natural reduz a necessidade de fertilizantes químicos nitrogenados no sistema produtivo.
Como o Aegro facilita a gestão da sua Integração Lavoura-Pecuária
Implementar um sistema de ILP traz grandes benefícios, mas também aumenta significativamente a complexidade da gestão, exigindo que você cuide de dois negócios ao mesmo tempo. Para garantir que o lucro da lavoura realmente pague a reforma do pasto, ferramentas como o Aegro ajudam a centralizar o controle financeiro e o planejamento de insumos. Com ele, você consegue registrar as atividades operacionais — como o ajuste preciso de herbicidas no Sistema Santa Fé — e acompanhar a rentabilidade de cada talhão em tempo real, evitando surpresas no caixa e erros no manejo.
Além disso, o uso de um software de gestão facilita a sucessão e a prestação de contas, transformando dados brutos em relatórios visuais que mostram exatamente onde o dinheiro está sendo aplicado. Assim, o planejamento deixa de ser um desafio e se torna o motor do crescimento da sua fazenda.
Vamos lá?
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Perguntas Frequentes
Qual é a importância de realizar a análise de solo em duas profundidades diferentes (0-20 cm e 20-40 cm)?
A análise em duas camadas é fundamental para identificar impedimentos químicos, como o alumínio tóxico, e físicos, como a compactação, que ocorrem abaixo da superfície. No sistema de integração, entender o que acontece na camada de 20-40 cm permite realizar correções profundas que garantem que as raízes busquem água e nutrientes em áreas mais baixas, aumentando a resistência das culturas a períodos de seca.
Como um pecuarista sem maquinário agrícola pode implementar a integração lavoura-pecuária?
O caminho mais viável é através de parcerias ou arrendamentos com agricultores vizinhos. Nessa modalidade, o agricultor utiliza a área para o plantio de grãos, responsabilizando-se pelo maquinário e insumos, e entrega ao pecuarista um pasto reformado, adubado e com solo corrigido após a colheita. Essa estratégia permite diversificar a fazenda sem a necessidade de um alto investimento imediato em tratores e plantadeiras.
No Sistema Santa Fé, como evitar que a braquiária compita excessivamente com o milho?
O controle dessa competição é feito principalmente através do manejo da densidade de sementes da forrageira e do uso de subdoses de herbicidas graminicidas, que retardam o crescimento do capim sem matá-lo. Outra técnica eficaz é o plantio defasado, semeando a braquiária cerca de 10 a 15 dias após o milho, garantindo que a cultura principal se estabeleça primeiro e tenha vantagem competitiva.
Quais as principais diferenças entre os sistemas Barreirão, Santa Brígida e São Mateus?
O Sistema Barreirão foca na recuperação de pastos degradados via aração profunda para enterrar sementes de daninhas. O Santa Brígida introduz leguminosas, como o guandu-anão, para fixar nitrogênio biologicamente no solo. Já o São Mateus é uma estratégia comum em regiões de transição, onde a cultura da soja é utilizada em plantio direto para financiar e viabilizar a renovação das pastagens de forma economicamente sustentável.
Como escolher a espécie de capim ideal para o consórcio com o milho?
A escolha depende do espaçamento e do objetivo do produtor. Braquiárias de crescimento decumbente, como a Ruziziensis, são ideais para espaçamentos maiores, pois se alastram e cobrem melhor o solo. Já espécies que crescem em touceiras, como o Mombaça ou Piatã, exigem um manejo mais atento para não deixarem áreas de solo exposto entre as fileiras do milho, o que facilitaria o surgimento de plantas daninhas.
Qual é o momento ideal para encerrar o ciclo do pasto e retornar com a lavoura?
Geralmente, o pasto apresenta sua máxima produtividade nos primeiros dois anos após a lavoura devido ao efeito residual da adubação dos grãos. Quando a capacidade de suporte do capim começa a cair e a produtividade animal diminui, o produtor deve avaliar se vale a pena investir em adubação direta na pastagem ou se é o momento de entrar com a lavoura novamente para reiniciar o ciclo de correção e renovação do sistema.
Artigos Relevantes
- Integração Lavoura-Pecuária: Guia para Aumentar Produtividade: Este artigo funciona como a base técnica fundamental que aprofunda os conceitos de fertilidade do solo e recuperação de pastagens citados no texto principal. Ele oferece um embasamento teórico robusto sobre o aumento da produtividade, validando a abordagem prática do guia de implantação.
- Consórcio Milho-Braquiária: Como Aumentar a Produtividade da Soja: Enquanto o artigo principal introduz o Sistema Santa Fé, este texto foca especificamente nos detalhes operacionais do consórcio, como espaçamentos e manejo químico. É o complemento ideal para o produtor que decidiu implementar essa técnica e precisa de orientações agronômicas mais minuciosas.
- Sistema ILPF: O que é, Vantagens e Como Implementar na sua Fazenda: O artigo principal foca em ILP, mas menciona brevemente o componente florestal. Este conteúdo expande o horizonte do leitor ao explicar como a integração de árvores (ILPF) pode trazer benefícios adicionais, como bem-estar animal e diversificação de renda a longo prazo.
- Brachiaria Ruziziensis: O Guia Completo de Manejo para Lavoura e Pecuária: O texto principal destaca a Ruziziensis como ideal para o consórcio devido ao seu crescimento decumbente. Este artigo oferece um guia completo sobre essa forrageira específica, detalhando seu manejo e características, o que é crucial para o sucesso da formação do pasto ou palhada.
- Embuchamento no Plantio Direto: Como Evitar Paradas e Perdas: Um dos maiores desafios práticos da ILP é o manejo da palhada pesada para o plantio da cultura seguinte. Este artigo resolve um problema operacional direto mencionado no guia (ajuste de maquinário), ensinando como evitar paradas e perdas causadas pelo acúmulo de biomassa na semeadora.

![Imagem de destaque do artigo: Integração Lavoura-Pecuária: Como Começar na Prática [2025]](/images/blog/geradas/ilp-integracao-lavoura-pecuaria-como-comecar.webp)