Índice
- Qual sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) funciona na minha fazenda?
- Como escolher o capim certo para não “sufocar” o milho?
- Boi Safrinha: O lucro está na seca
- Quantos quilos de semente jogar por hectare? (Cuidado com o erro básico)
- Quando colocar o gado no pasto safrinha sem estragar tudo?
- O pisoteio do gado vai compactar meu solo e prejudicar a soja?
- Manejo de Herbicidas: Como segurar a braquiária?
- Estrutura da Fazenda: O tamanho ideal do piquete
- Glossário
- Veja como o Aegro pode ajudar a superar esses desafios
- Perguntas Frequentes
- O sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) é viável apenas para grandes propriedades?
- Por que a ‘Urochloa ruziziensis’ é a gramínea mais recomendada para quem foca em grãos?
- Como evitar que o capim compita excessivamente com o milho no consórcio?
- Qual é o ajuste necessário ao utilizar sementes peletizadas no plantio do pasto?
- O pisoteio do gado realmente pode prejudicar a produtividade da safra de soja seguinte?
- Como definir o momento ideal para a entrada dos animais no pasto safrinha?
- Qual a melhor estratégia de cercamento para não atrapalhar o trânsito de máquinas agrícolas?
- Artigos Relevantes
Qual sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) funciona na minha fazenda?
Você olha para a fazenda do vizinho e vê o gado gordo na seca enquanto colhe uma safrinha cheia, e se pergunta: “Será que isso serve pra mim?”. A verdade é que, no Centro-Oeste e Sudeste, o tamanho não é documento. O sistema funciona tanto para o pequeno quanto para o grande.
No entanto, o que vemos na prática é que fazendas acima de 500 hectares lideram essa adoção. Mas o jogo está mudando. Se você é produtor de grãos, a tendência forte é adotar o “boi safrinha”. Se você é pecuarista, o foco tem sido usar a lavoura para recuperar pasto degradado.
A modalidade que menos cresce é aquela rotação contínua (pasto-lavoura o tempo todo). O produtor prático prefere sistemas mais diretos, como a consorciação para ter cobertura de solo e boi gordo na entressafra.
Como escolher o capim certo para não “sufocar” o milho?
Todo mundo tem aquele medo: “Vou plantar o capim junto com o milho e vai virar uma macega só, perdendo produtividade”. Esse receio é comum, mas tem solução técnica.
Para quem vem da agricultura, o consórcio campeão é Milho ou Sorgo com Urochloa ruziziensis (Braquiária Ruziziensis). Por que a Ruziziensis? Porque ela é mais fácil de manejar e dessecar depois para o plantio da soja.
Agora, se a sua área era de pecuária e você quer voltar com gado forte depois, a Ruziziensis pode ser fraca (ela pega muita cigarrinha). Nesse caso, prefira:
- Braquiárias: Marandu, Xaraés ou Piatã.
- Panicum: Tanzânia, Mombaça ou Massai.
Para diminuir a competição e não atrapalhar o milho, o segredo está no plantio defasado (sobressemeadura) ou usar subdoses de herbicida para segurar o capim no começo.
💡 DICA DE QUEM JÁ FEZ: Se sua região chove bem para uma segunda safra, o padrão ouro é: Soja na primeira safra, e na segunda safra entra Milho/Sorgo consorciado com Braquiária. Se a chuva corta cedo, o consórcio já entra no verão.
Boi Safrinha: O lucro está na seca
Seu Antônio, imagine suas vacas ganhando peso em agosto, enquanto a maioria do gado da região está perdendo carcaça. Isso não é conversa fiada, é o sistema “Boi Safrinha”.
A ideia é simples: você usa o pasto formado no consórcio com o milho para alimentar o gado na seca (inverno) e ainda deixa palhada para o Plantio Direto (SPD) da próxima soja. É intensificar o uso da terra. Em vez de deixar o chão parado, você produz o ano todo.
Um exemplo prático do sudoeste goiano mostra o potencial: pecuaristas fazem a estação de monta em novilhas em agosto, com nascimentos em abril. Em maio/junho, as vacas já caem no pasto safrinha recém-formado. O resultado? A taxa de reconcepção dessas vacas dispara.
Os benefícios reais na ponta do lápis:
- Diluição de custos: A mesma área paga duas contas.
- Segurança: Se o preço do milho cai, o boi segura as pontas (e vice-versa).
- Mão de obra: Você mantém seus funcionários ocupados o ano todo.
Quantos quilos de semente jogar por hectare? (Cuidado com o erro básico)
Uma dúvida que sempre aparece no balcão da agropecuária: “Quantos quilos eu jogo?”. Se errar aqui, ou fica ralo demais e enche de bucha, ou fica denso demais e compete com o milho.
Para formar um pasto safrinha rápido, a recomendação técnica é direta:
- Condições boas: 4 kg/ha de sementes puras viáveis (VC 400).
- Condições difíceis: 5 kg/ha (VC 500).
- Sobressemeadura (na soja ou arroz): 5 kg/ha a 8 kg/ha.
A meta é ter 15 a 20 plantas por metro quadrado nascidas.
⚠️ ATENÇÃO: Vai usar semente peletizada? O peso dela é de duas a três vezes maior que a semente comum por causa do revestimento. Se você usar a mesma regulagem da semente comum, vai cair pouca semente e o pasto vai falhar. Calcule sempre pelo número de sementes puras viáveis, e dobre ou triplique o peso se for peletizada.
Quando colocar o gado no pasto safrinha sem estragar tudo?
Você colheu o milho, o capim está lá. E agora? Solta a boiada hoje ou espera? O erro mais comum é soltar cedo demais e o gado arrancar a touceira, ou tarde demais e o capim passar do ponto.
Existem dois cenários para o Centro-Oeste:
Cenário 1: Ainda vai chover (Melhor dos mundos) Se depois de semear o capim você ainda tiver uns 60 dias de chuva:
- Coloque animais leves (desmama, até 220kg).
- Entrada: 35 a 45 dias após semeadura (altura do capim não pode passar de 35cm).
- Ajuste a lotação para sobrar capim pro fim das águas.
Cenário 2: A chuva cortou (Pior cenário) Se tiver menos de 60 dias de chuva previstos:
- Você precisa de pelo menos 100mm a 120mm de chuva acumulada.
- Não coloque o gado cedo. Espere o capim atingir o máximo de massa no final das chuvas. Só entre com os animais depois disso.
O pisoteio do gado vai compactar meu solo e prejudicar a soja?
Essa é a pergunta de um milhão de reais. Muita gente deixa de ganhar dinheiro com boi safrinha porque tem medo de compactar a terra para a soja seguinte.
Vamos aos fatos: em um experimento de longa duração no Cerrado (13 anos!), a compactação não atingiu níveis que atrapalhassem a lavoura.
O que acontece é uma compactação superficial, que é temporária e reversível. A soja rompe isso. O problema real acontece quando:
- Você coloca gado demais (sobrepastoreio).
- O solo está muito úmido no pisoteio.
- Você usa capins que formam moitas (touceiras), como o Panicum. Eles distribuem pior o peso do boi do que as braquiárias.
💡 DICA DE QUEM JÁ FEZ: Para evitar compactação, o segredo não é tirar o boi, é manejar a altura do pasto. Nunca deixe o gado “rapar” o pasto até o chão. Se sobrar folha e palha cobrindo o solo, a estrutura da terra se preserva.
Manejo de Herbicidas: Como segurar a braquiária?
Se você plantar milho e braquiária juntos e não fizer nada, o capim pode engolir o milho. Você precisa “travar” o crescimento do capim temporariamente.
Os herbicidas mais usados para essa supressão (dar uma “segurada” no capim) são:
- Nicosulfuron
- Mesotrione
- Atrazine (em subdoses)
Mas cuidado: Atrazine na hora do plantio simultâneo (junto com a semente do capim) pode matar a braquiária antes dela nascer. O ideal é aplicar depois que nascer, dependendo do número de folhas e perfilhos.
Como a dose muda muito conforme o tipo de capim e o tamanho dele, aqui não tem jeito: chame seu agrônomo para regular a dose fina. Um erro aqui mata o pasto ou deixa o milho sujo.
Estrutura da Fazenda: O tamanho ideal do piquete
Para quem vai integrar lavoura e pecuária, as cercas não podem atrapalhar as máquinas. Esqueça aqueles piquetes minúsculos e cheios de cantos mortos.
O arranjo que mais funciona:
- Talhões grandes: Entre 120 a 200 hectares cercados com cerca convencional.
- Subdivisões móveis: Dentro desses talhões, use cerca elétrica para dividir os lotes conforme a água e o manejo.
- Lotes de animais: Tente trabalhar com lotes de 50 a 100 cabeças. Facilita a contagem, a vacina e o rodeio.
📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM: A taxa de lotação no boi safrinha varia muito, mas é comum ver entre 1,5 e 5 cabeças por hectare. Lembre-se: quanto mais gado, mais suplemento no cocho (0,3% a 1,2% do peso vivo) você vai precisar fornecer, principalmente se o pasto tiver muito talo de milho e pouca folha de capim.
Glossário
Boi Safrinha: Estratégia de produção onde o gado é recriado ou engordado no pasto formado durante a entressafra de grãos, aproveitando a área que ficaria ociosa após a colheita principal. Garante rentabilidade extra e gera palhada de qualidade para o sistema de plantio direto.
Valor Cultural (VC): Índice que mede a qualidade real de um lote de sementes, obtido pela multiplicação da porcentagem de pureza pela porcentagem de germinação. É o parâmetro essencial para calcular a quantidade exata de sementes a serem depositadas por hectare.

Sobressemeadura: Técnica que consiste em semear as forrageiras sobre uma cultura já estabelecida, como a soja em fase final de maturação, antes de sua colheita. Permite que o pasto já esteja em desenvolvimento no momento em que a lavoura sai do campo, antecipando o uso da área.
Sistema de Plantio Direto (SPD): Manejo agrícola em que o solo não é revolvido e permanece sempre coberto por restos vegetais (palhada). Ajuda na preservação da umidade, controle de erosão e ciclagem de nutrientes no solo brasileiro.
Dessecação: Aplicação de herbicidas para interromper o ciclo vital da pastagem ou de plantas daninhas, transformando o material verde em palhada seca. É o passo fundamental para preparar o terreno para o plantio da safra seguinte sem competição vegetal.
Sementes Peletizadas: Sementes que recebem um revestimento de materiais como nutrientes, inseticidas e polímeros, alterando seu peso e formato para maior proteção. Exigem atenção redobrada na regulagem da semeadora, pois o volume ocupado é maior que o das sementes comuns.
Supressão: Uso estratégico de subdoses de herbicidas para retardar temporariamente o crescimento do capim, impedindo que ele sufoque a cultura do milho ou sorgo. Garante que a forrageira sobreviva no sub-bosque sem prejudicar a produtividade dos grãos.
Veja como o Aegro pode ajudar a superar esses desafios
Implementar a integração lavoura-pecuária exige um controle rigoroso para que a complexidade de gerenciar duas atividades no mesmo talhão não se torne um gargalo operacional. O Aegro ajuda a organizar esse cenário ao centralizar o planejamento das atividades e o controle de custos em uma única plataforma. Com ele, você consegue visualizar exatamente a rentabilidade de cada área, separando os gastos com sementes de capim, insumos do milho e suplementação do gado, o que garante que a estratégia de diluição de custos seja baseada em números reais e não apenas em estimativas.
Além disso, para lidar com o manejo fino de herbicidas e a entrada do gado no momento certo, o aplicativo mobile permite que você e sua equipe registrem todas as operações diretamente do campo. Isso facilita o acompanhamento do desenvolvimento da pastagem e ajuda a evitar a compactação do solo por excesso de lotação, já que o histórico de movimentação dos animais fica sempre à mão. Com dados precisos e relatórios visuais, a tomada de decisão fica muito mais segura tanto para quem está modernizando a fazenda quanto para quem precisa de eficiência máxima no dia a dia.
Vamos lá?
Experimente o Aegro gratuitamente para gerenciar sua integração lavoura-pecuária com mais precisão e transformar seus dados em lucro.
Perguntas Frequentes
O sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) é viável apenas para grandes propriedades?
Não, o sistema ILP é altamente escalável e funciona tanto para pequenos quanto para grandes produtores. Enquanto grandes fazendas acima de 500 hectares lideram a adoção, pequenos produtores podem utilizar a técnica para diversificar a renda e reformar pastagens degradadas com baixo custo, aproveitando melhor a área disponível durante todo o ano.
Por que a ‘Urochloa ruziziensis’ é a gramínea mais recomendada para quem foca em grãos?
A Ruziziensis é a favorita dos agricultores porque possui um sistema radicular agressivo que melhora o solo, mas é facilmente manejada e dessecada quimicamente para o plantio da soja subsequente. Ela oferece uma excelente cobertura de solo (palhada) para o Sistema Plantio Direto, embora exija atenção por ser mais sensível a pragas como a cigarrinha em comparação a outros cultivares.
Como evitar que o capim compita excessivamente com o milho no consórcio?
O segredo para o milho não ser ‘sufocado’ pelo capim está na supressão química ou no plantio defasado. Utilizam-se subdoses de herbicidas como Nicosulfuron ou Mesotrione para retardar o crescimento inicial da braquiária, permitindo que o milho se estabeleça primeiro e garanta sua produtividade antes que o pasto se desenvolva plenamente.
Qual é o ajuste necessário ao utilizar sementes peletizadas no plantio do pasto?
Sementes peletizadas são significativamente mais pesadas (duas a três vezes mais) que as sementes comuns devido ao seu revestimento. Se o produtor não ajustar a regulagem da semeadora, a quantidade de sementes puras viáveis por metro quadrado será insuficiente, resultando em um pasto ralo e com falhas na formação.
O pisoteio do gado realmente pode prejudicar a produtividade da safra de soja seguinte?
A compactação causada pelo gado é geralmente superficial e temporária, não afetando o desenvolvimento das raízes da soja se o manejo for correto. O risco real só ocorre em casos de sobrepastoreio (pastos rapados) ou quando o gado entra em solo excessivamente úmido; manter pelo menos 4 toneladas de palhada seca por hectare protege a estrutura do solo.
Como definir o momento ideal para a entrada dos animais no pasto safrinha?
A entrada depende do regime de chuvas: se ainda houver previsão de chuvas (pelo menos 60 dias), animais leves podem entrar cedo, cerca de 35 a 45 dias após a semeadura. Caso as chuvas cessem precocemente, o ideal é esperar o capim atingir o máximo de massa foliar no final do período úmido para só então iniciar o pastejo, preservando a reserva de forragem para a seca.
Qual a melhor estratégia de cercamento para não atrapalhar o trânsito de máquinas agrícolas?
A recomendação é trabalhar com talhões grandes (120 a 200 hectares) delimitados por cercas convencionais fixas nas divisas principais. Internamente, utiliza-se a cerca elétrica móvel para subdividir os piquetes conforme a necessidade de manejo do gado, o que facilita a operação de tratores e colheitadeiras sem obstáculos fixos no meio da lavoura.
Artigos Relevantes
- Consórcio Milho-Braquiária: Como Aumentar a Produtividade da Soja: Este artigo detalha a execução técnica do principal sistema discutido no conteúdo principal, aprofundando em aspectos como espaçamento e manejo de herbicidas. Ele oferece o passo a passo prático que complementa a visão estratégica do ‘boi safrinha’, permitindo ao produtor implementar o consórcio com maior segurança técnica.
- Brachiaria Ruziziensis: O Guia Completo de Manejo para Lavoura e Pecuária: Como o artigo principal identifica a Ruziziensis como o ‘padrão ouro’ para agricultores, este guia especializado torna-se essencial ao detalhar as particularidades de manejo desta espécie. Ele expande a compreensão sobre a sensibilidade à cigarrinha e o manejo para plantio direto, pontos que foram apenas citados no texto base.
- Integração Lavoura-Pecuária: Guia para Aumentar Produtividade: Este artigo fornece a fundamentação conceitual e os benefícios agronômicos de longo prazo (como fertilidade do solo e recuperação de pastagens) que sustentam as decisões práticas mencionadas. Ele ajuda o leitor a entender o ‘porquê’ dos resultados econômicos do sistema ILP apresentados no artigo principal.
- Fazenda Quatro Maravilhas: Melhorando a Fazenda na Amazônia com Plantação, Gado e o Aegro: Este estudo de caso oferece a prova social e a aplicação prática necessária para validar as estratégias de ILP discutidas. Ele demonstra como a gestão de dados e o uso de software, mencionados na conclusão do artigo principal, são aplicados em uma fazenda real para superar desafios de produtividade.
- Brachiaria: O Guia Completo para Pastagem, Palhada e Integração Lavoura-Pecuária: Este guia complementa o tema ao oferecer uma visão sistêmica da braquiária além do milho, focando na formação de palhada e recuperação de solo. Ele é valioso para o ‘pecuarista’ citado no texto principal que deseja usar a lavoura especificamente para reformar o pasto de forma eficiente.

![Imagem de destaque do artigo: ILP Milho e Gado na Safrinha: Guia Prático de Manejo [2025]](/images/blog/geradas/ilp-milho-gado-safrinha-centro-oeste-sudeste.webp)