Índice
- ILPF dá lucro ou prejuízo no leite? A verdade sobre a produtividade
- Qual vaca colocar no sistema? Não adianta ter Ferrari em estrada de terra
- O Segredo do Cocho: Quem come o quê?
- Altura do Pasto: O erro que mata o capim
- Eucalipto e Sombra: Quando a árvore atrapalha o milho?
- Adubação Inteligente: Dois coelhos com uma cajadada só
- Mato no Pasto: Roçadeira não resolve
- Quando as vacas podem entrar na área nova?
- Glossário
- Como a tecnologia ajuda a lucrar com o ILPF
- Perguntas Frequentes
- A presença de árvores no pasto realmente reduz a produção total de leite da fazenda?
- Por que a genética do gado é tão importante no sistema de integração?
- Como deve ser feita a divisão do rebanho para aproveitar melhor o alimento produzido?
- Qual é a altura ideal para colocar as vacas no pasto rotacionado?
- O que fazer quando a sombra das árvores começa a prejudicar a lavoura de milho?
- É possível economizar com adubos ao adotar a integração lavoura-pecuária?
- Quais cuidados devo ter ao soltar o gado na área nova de ILPF pela primeira vez?
- Artigos Relevantes
Aqui está o corpo principal do artigo, focado na linguagem prática do campo e baseado estritamente nos dados fornecidos.
ILPF dá lucro ou prejuízo no leite? A verdade sobre a produtividade
Você já deve ter ouvido no sindicato ou na roda de conversa: “Seu Antônio, se plantar árvore no pasto, vai faltar capim e a produção de leite cai”. Essa é uma dúvida que tira o sono de muito produtor que pensa em entrar na Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).
Vamos ser francos: se a sua fazenda hoje já está no topo da eficiência, produzindo o máximo que o chão aguenta, tirar um pedaço da área para por árvore pode, sim, diminuir o volume total de leite num primeiro momento. Mas a realidade da maioria é outra.
Na prática, o que vemos é que o sistema tradicional quase nunca está no seu potencial máximo. Quando você adota a integração, você melhora a qualidade do capim o ano todo e dá sombra para a vacada. Vaca com menos calor come mais e produz mais.
O ganho que você tem no conforto animal e na oferta de comida na seca compensa a área ocupada pelas árvores. Sem contar que sua renda não vem mais só do leite: tem a venda da madeira, dos grãos e dos animais. O sistema fica mais eficiente e a conta fecha no azul.
Qual vaca colocar no sistema? Não adianta ter Ferrari em estrada de terra
Um erro comum que vejo por aí é o produtor investir pesado num sistema de integração, com pasto adubado e sombra, e soltar um gado “pé-duro” ou de baixo potencial lá dentro. A conta não vai fechar.
O sistema de ILPF é uma máquina de alta performance. Ele exige animais que respondam a essa comida boa e ao ambiente confortável. As raças especializadas são as que pagam o investimento:
- Holandesa
- Jersey
- Girolando
Usar gado mestiço de corte ou animais com problemas de reprodução nesse sistema é jogar dinheiro fora. É ineficiência econômica na certa.
O Segredo do Cocho: Quem come o quê?
Seu João, lá de Minas, aprendeu do jeito difícil: dar a melhor silagem para vaca seca é prejuízo. No sistema de integração, você vai ter muita variedade de alimento. O segredo aqui é o escalonamento.
Você precisa dividir o rebanho e a comida. Funciona assim:
- Lote de Ponta (As “campeãs”): Vacas recém-paridas e de alta produção. Elas recebem a melhor pastagem (primeiro acesso ao piquete) e a silagem de milho/sorgo na seca.
- Lote de Repasse (As “médias”): Vacas em final de lactação ou menor produção. Elas entram no pasto depois que o lote de ponta saiu.
- Lote de Fundo: Vacas secas e novilhas não lactantes. Essas vão para as pastagens diferidas (aquele capim vedado, que tem volume mas menos qualidade).
Altura do Pasto: O erro que mata o capim
Você sabe a hora exata de tirar o gado do piquete? Muitos produtores olham o calendário (“deixar 30 dias”), mas o certo é olhar a altura do capim.
No sistema integrado, com árvores fazendo sombra, escolher o capim certo e respeitar a altura é lei. Espécies como Braquiária (Urochloa) e Panicum (Mombaça, Tanzânia) aguentam bem o sombreamento moderado.
Para não errar, anote aí as alturas de entrada (quando o gado deve entrar):
- Mombaça: 90 cm
- Tanzânia-1: 70 cm
- Massai: 50 cm
- Marandú (Braquiária): 25 a 30 cm
- Xaraés: 35 cm
- Capim-elefante (Cameroon): 100 cm
Respeitar isso evita que o capim vire talo ou morra. O manejo rotacionado ideal pede de 1 a 5 dias de uso e 21 a 45 dias de descanso.
Eucalipto e Sombra: Quando a árvore atrapalha o milho?
Uma preocupação real: “Se as árvores crescerem demais, a lavoura debaixo não morre?”. A resposta é: depende do seu manejo.
Dados da Embrapa mostram que a produtividade da silagem de milho cai com o tempo. No primeiro ano, pode passar de 50 toneladas/ha. Lá no quarto ano, com as árvores grandes, pode cair para 35 toneladas/ha.
O remédio para isso chama-se desbaste. Você precisa cortar parte das árvores para a luz entrar.
- Em áreas com 400 árvores/ha: Primeiro desbaste (tirar 50% das árvores) entre 4 e 5 anos.
- Em áreas com 250 árvores/ha: Desbaste entre 7 e 8 anos.
O Eucalipto é o mais usado porque cresce rápido, tem mercado, copa alta e a gente já sabe lidar com ele.
Adubação Inteligente: Dois coelhos com uma cajadada só
Aqui está o “pulo do gato” da integração para economizar insumo. Quando você planta o milho para silagem junto com o capim, você não precisa adubar o pasto no plantio.
Como assim? Simples: Você faz a calagem e a adubação focada no milho (que é mais exigente). O capim vai pegar “carona” nesses nutrientes. O que garante o milho, garante o pasto.
O passo a passo funciona assim:
- Plantio: Adube pensando na meta de produção do milho.
- Colheita: Tirou o milho para silagem (cortando o capim junto).
- Cobertura: Cerca de 30 dias após esse corte, aí sim você faz a adubação de cobertura no pasto (focada em Nitrogênio, uns 50 kg/ha).
Para as árvores, o adubo vai na cova. Mas cuidado: coloque o adubo no fundo do sulco ou da cova, longe das raízes da muda, para não queimar a planta com o sal do adubo.
Mato no Pasto: Roçadeira não resolve
Sabe aquela roçada que a gente dá no pasto achando que limpou o mato? Na verdade, o controle mecânico (roçadeira) muitas vezes é jogar dinheiro fora. Além de cortar o capim junto (reduzindo a comida da vaca), as plantas daninhas rebrotam rápido.
O controle manual (enxada/foice) fica caro demais na mão de obra.
O que funciona de verdade é o controle químico bem feito. Mas não saia aplicando qualquer coisa.
- Identifique o mato: Saber o que tem na área ajuda a escolher o herbicida certo.
- Aplicação localizada: Se a infestação for menor que 40% da área, use bomba costal ou “burrojet” só onde precisa.
- Aplicação no toco: Para arbustos duros, corte e passe o veneno no toco imediatamente.
Quando as vacas podem entrar na área nova?
Depois de todo esse trabalho de plantio do sistema (milho + capim + eucalipto), a ansiedade bate. Quando posso soltar o gado?
A regra é clara:
- Plantou tudo junto no mesmo dia.
- Colheu o milho para silagem.
- Espere de 30 a 60 dias.
Nesse ponto, o pasto já deve estar pronto. Se você optar por ensilar o capim também, corte e espere mais 30 a 60 dias para o pastejo direto.
O detalhe crucial: No primeiro ano, as árvores ainda são “crianças”. Se você soltar o gado sem proteger as linhas de eucalipto (geralmente com cerca elétrica), as vacas vão quebrar ou comer as mudas. Proteção é obrigatória no início.
Glossário
ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta): Estratégia de produção sustentável que combina atividades agrícolas, pecuárias e florestais em uma mesma área. Busca otimizar o uso da terra e diversificar a renda do produtor através de interações biológicas positivas entre solo, planta e animal.
Pastagem Diferida: Técnica que consiste em selecionar áreas de pasto e vedá-las ao pastejo no final do período chuvoso. O objetivo é garantir uma reserva estratégica de alimento (massa de forragem) para o gado durante o período de seca.
Desbaste: Operação florestal de remoção seletiva de parte das árvores de um plantio. É fundamental no sistema integrado para permitir a entrada de luz solar para as pastagens e culturas debaixo da copa, além de acelerar o crescimento das árvores restantes.
Manejo Rotacionado: Sistema de pastejo onde a área é dividida em piquetes, permitindo períodos alternados de ocupação e descanso. Isso garante que o capim se recupere após o consumo, evitando a degradação do solo e maximizando o aproveitamento nutritivo da forragem.
Calagem: Aplicação de calcário para reduzir a acidez do solo e fornecer cálcio e magnésio às plantas. É uma etapa essencial para neutralizar o alumínio tóxico e aumentar a eficiência dos fertilizantes em solos brasileiros.
Adubação de Cobertura: Aplicação de nutrientes realizada com a planta já em desenvolvimento, visando suprir as necessidades nutricionais em fases de rápido crescimento. No sistema integrado, é crucial para garantir a produtividade do capim após a retirada da cultura anual (milho).
Estresse Térmico: Desconforto fisiológico sofrido pelos animais quando a temperatura ambiente supera sua capacidade de dissipar calor. Em vacas leiteiras, esse quadro reduz o apetite e a produção de leite, sendo combatido pelo sombreamento das árvores no sistema ILPF.
Como a tecnologia ajuda a lucrar com o ILPF
Gerenciar um sistema de integração exige um olhar atento tanto para o financeiro quanto para o operacional. Ferramentas como o Aegro facilitam essa organização, centralizando o controle de custos do leite, dos grãos e da madeira em um só lugar. Isso ajuda a entender a rentabilidade real de cada atividade, permitindo que você tome decisões seguras para manter a conta sempre no azul.
Além disso, para não perder o ponto exato da altura do pasto ou o prazo da adubação de cobertura, o aplicativo do Aegro permite planejar e registrar todas as atividades de campo pelo celular. Com esse histórico na palma da mão, você evita desperdícios de insumos e garante que o manejo seja feito no momento certo, aumentando a eficiência de toda a fazenda.
Vamos lá?
Quer simplificar a gestão do seu sistema ILPF e ter total controle sobre os seus lucros? Experimente o Aegro gratuitamente e veja como transformar a sua produtividade com decisões baseadas em dados.
Perguntas Frequentes
A presença de árvores no pasto realmente reduz a produção total de leite da fazenda?
Embora as árvores ocupem uma parcela da área, o sistema ILPF compensa essa perda através do bem-estar animal e da qualidade da forragem. Vacas que sofrem menos estresse térmico graças à sombra tendem a comer mais e produzir leite com maior constância. Além disso, a rentabilidade da fazenda aumenta com a diversificação, somando a venda de madeira e grãos ao faturamento do leite.
Por que a genética do gado é tão importante no sistema de integração?
O ILPF é um sistema de alta performance que oferece alimento de excelente qualidade, funcionando como uma ‘máquina’ que exige animais produtivos. Utilizar gado de baixo potencial genético desperdiça o investimento feito em pasto adubado e silagem de ponta. Raças especializadas como Holandesa, Jersey ou Girolando são as que melhor transformam esse conforto e nutrição em lucro real.
Como deve ser feita a divisão do rebanho para aproveitar melhor o alimento produzido?
O ideal é realizar o escalonamento por lotes, priorizando as vacas de maior produção (lote de ponta) com o primeiro acesso aos piquetes e à melhor silagem. O lote de repasse (vacas em final de lactação) entra em seguida, enquanto o lote de fundo (vacas secas e novilhas) fica com as pastagens de manutenção. Essa estratégia garante que a energia mais cara seja entregue para quem produz mais leite.
Qual é a altura ideal para colocar as vacas no pasto rotacionado?
A altura depende da espécie do capim: para o Mombaça a entrada é com 90 cm, para o Tanzânia com 70 cm e para a Braquiária (Marandú) entre 25 a 30 cm. Respeitar essas medidas é fundamental para garantir que o gado consuma folhas nutritivas e não apenas talos. Se o produtor errar o tempo de entrada, corre o risco de comprometer a rebrota e a vida útil da pastagem.
O que fazer quando a sombra das árvores começa a prejudicar a lavoura de milho?
A solução técnica para o excesso de sombreamento é o desbaste, que consiste no corte seletivo de parte das árvores para permitir a entrada de luz. Em sistemas com 400 árvores por hectare, o primeiro desbaste deve ocorrer entre o 4º e o 5º ano de plantio. Esse manejo é essencial para manter a produtividade da silagem de milho, que tende a cair naturalmente à medida que as copas das árvores crescem.
É possível economizar com adubos ao adotar a integração lavoura-pecuária?
Sim, a integração permite a chamada ‘adubação de carona’, onde o capim aproveita os nutrientes aplicados originalmente para a lavoura de milho. Como o milho é mais exigente, a calagem e adubação feitas para ele garantem o estabelecimento do pasto sem custos extras de implantação. Após a colheita da silagem, basta complementar com adubação de cobertura nitrogenada para manter o vigor do capim.
Quais cuidados devo ter ao soltar o gado na área nova de ILPF pela primeira vez?
O gado pode entrar na área geralmente entre 30 a 60 dias após a colheita do milho, desde que o pasto esteja na altura correta. No entanto, é obrigatório proteger as mudas de árvores jovens com cercas (preferencialmente elétricas) para evitar que os animais as quebrem ou comam. Essa proteção deve ser mantida até que as árvores atinjam um porte que não seja mais ameaçado pelo pastejo.
Artigos Relevantes
- Sistema ILPF: O que é, Vantagens e Como Implementar na sua Fazenda: Este artigo funciona como a base teórica essencial, detalhando o que é e as vantagens estruturais do sistema ILPF que o conteúdo principal aplica especificamente à pecuária de leite. Ele oferece uma visão sistêmica que complementa as dicas práticas do texto principal, ajudando o produtor a compreender o conceito antes da execução.
- Milho Silagem: O Guia Completo do Plantio à Colheita para Máxima Produtividade: Como o artigo principal destaca a silagem de milho como o ‘banquete’ necessário para vacas de alta genética no sistema integrado, este guia técnico aprofunda o conhecimento sobre como produzir esse alimento com máxima qualidade. Ele preenche a lacuna técnica sobre o manejo da cultura do milho, garantindo que o potencial nutricional mencionado seja alcançado.
- Brachiaria: O Guia Completo para Pastagem, Palhada e Integração Lavoura-Pecuária: O texto principal menciona alturas específicas de manejo para a Braquiária dentro do sistema ILPF, e este artigo expande esse conhecimento ao detalhar o uso da gramínea tanto para forragem quanto para palhada. É um complemento vital para entender a planta que servirá de base para o pastejo sombreado discutido no conteúdo principal.
- Custo do Milho Silagem: Como Calcular por Hectare e Definir o Preço de Venda: O artigo principal foca intensamente no dilema ’lucro ou prejuízo’. Este conteúdo selecionado oferece as ferramentas metodológicas para que o produtor possa calcular exatamente os custos de produção da silagem, permitindo que a gestão financeira sugerida no texto principal seja aplicada de forma quantitativa e precisa.
- Fazenda Quatro Maravilhas: Melhorando a Fazenda na Amazônia com Plantação, Gado e o Aegro: Este estudo de caso oferece a prova social e a aplicação prática em um cenário real dos conceitos de integração discutidos. Ele conecta a teoria do manejo sustentável e o uso de tecnologia (Aegro) citados no artigo principal com os desafios e sucessos de uma fazenda real, aumentando a confiabilidade da estratégia para o leitor.

![Imagem de destaque do artigo: ILPF no Leite na Prática: 8 Passos para Mais Lucro [2025]](/images/blog/geradas/ilpf-aumenta-lucro-producao-leite-manejo-sustentavel.webp)