Índice
- Qual o Sistema Certo para a Sua Região?
- Como Recuperar Pasto Degradado Sem Gastar Muito?
- O Segredo do Manejo: Quantos Dias o Gado Fica no Pasto?
- Quais Plantas Escolher? (Não Erre na Semente)
- Boi Safrinha e Suplementação: Como Engordar na Seca?
- Vale a Pena Colocar Árvore no Meio? (ILPF)
- Planejamento: A Chuva é Quem Manda
- Glossário
- Veja como o Aegro pode ajudar a superar esses desafios
- Perguntas Frequentes
- Como escolher o sistema de ILPF mais adequado para a minha região no Nordeste?
- O que são os sistemas Santa Fé e Barreirão e como eles reduzem custos?
- Por que o período de descanso do capim muda entre a época das águas e a seca?
- Quais as melhores opções de capim para regiões com pouca chuva, como a Caatinga?
- O plantio de árvores (ILPF) não atrapalha o uso de máquinas agrícolas na fazenda?
- O que é o ‘boi safrinha’ e qual a vantagem para a plantação de soja no ano seguinte?
- Artigos Relevantes
Qual o Sistema Certo para a Sua Região?
Você já deve ter conversado com algum vizinho que tentou copiar o que viu na televisão e deu errado, certo? Isso acontece porque o Nordeste é gigante e o que funciona no Cerrado do Piauí não serve para o Sertão de Pernambuco.
Para não errar na escolha da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), vamos dividir o mapa do jeito que a gente conhece na prática:
- Cerrado Nordestino (Oeste da BA, Sul do MA e PI): Aqui o foco é grão. O sistema campeão é plantar soja na safra principal (ocupando 2/3 da área) e deixar 1/3 para milho com capim. Depois que colhe o milho, o boi entra na entressafra (o famoso “boi safrinha”).
- Pré-Amazônia Maranhense: A terra aqui é de pecuária forte. O problema é o pasto degradado. O sistema ideal usa a lavoura (arroz na baixada ou milho no alto) só para reformar o pasto. Você planta o capim junto com a lavoura para “limpar” a terra e pagar a conta da reforma.
- Caatinga, Agreste e Zona da Mata: Aqui a propriedade costuma ser menor e o gado é o chefe. O sistema agrossilvipastoril é o mais indicado. Um exemplo que funciona muito bem é consorciar gliricídia com milho e capim-braquiarão.
Como Recuperar Pasto Degradado Sem Gastar Muito?
Seu José, lá do Agreste, vivia reclamando que o capim estava fraco e o gado perdendo peso. A solução dele não foi comprar mais terra, foi usar o sistema Santa Fé ou Barreirão.
Na prática, funciona assim:
- Você planta o milho em toda a área.
- Junto com o milho, você planta o capim (geralmente Urochloa).
- Se quiser árvore (o componente florestal), planta mudas de Gliricídia logo depois que o milho e o capim nascerem.
- Espaçamento da Gliricídia: Linhas afastadas de 6 metros, com 1,5 metro entre plantas.
Depois que você colhe o milho, a mágica acontece: o pasto já está formado lá embaixo, pronto para o gado. O lucro do milho paga o custo da semente e do adubo do pasto.
O Segredo do Manejo: Quantos Dias o Gado Fica no Pasto?
Não adianta ter pasto novo e deixar o gado pisotear tudo até acabar. O manejo rotacionado é o “pulo do gato” para o sistema durar anos.
Muitos produtores perdem dinheiro porque erram no descanso do capim. A regra prática recomendada para o nosso sistema com gliricídia e braquiarão é:
- Na época das chuvas: 7 dias de uso e 35 dias de descanso.
- Na época da seca: 7 dias de uso e 49 dias de descanso.
Para fazer isso rodar, você vai precisar de 6 piquetes nas águas e 8 na seca.
Quais Plantas Escolher? (Não Erre na Semente)
Uma dúvida que sempre aparece na roda de conversa: “Qual capim eu planto?” A resposta depende do seu chão e da chuva.
Aqui vai a lista do que funciona no Nordeste:
- Cerrado e Pré-Amazônia: Use Urochloa ruziziensis ou Marandú (Braquiarão). Se preferir Panicum, vá de Tanzânia, Mombaça ou Massai.
- Ovinos (Ovelhas): O capim Massai e o Aruana são os melhores.
- Caatinga (Seco): O Buffel e o Braquiarão vão bem em terra boa. Se o solo for fraco, use Andropogon.
- Agreste Seco: Recomenda-se a Urochloa mosambisensis.
Para as árvores, se você quer madeira rápida e o solo é bom, o Eucalipto é rei. Se o solo é mais fraco (tabuleiros costeiros), a Acácia (Acacia mangium) aguenta mais o tranco e ainda ajuda a fixar nitrogênio na terra.
Boi Safrinha e Suplementação: Como Engordar na Seca?
Todo mundo sabe que na seca o pasto perde força. No sistema ILP do Cerrado, a gente usa o conceito de “boi safrinha”. O animal entra no pasto recém-formado (após a colheita do milho) e fica lá por 90 a 120 dias.
Mas cuidado: mesmo nesse sistema, o pasto seca. Quando a chuva para, o valor nutritivo cai.
O que fazer? Você precisa dar um empurrão no cocho. Use misturas múltiplas feitas com o que tem na região (resíduos da agroindústria ou da própria fazenda).
- A conta é simples: forneça até 1% do peso vivo do animal em suplemento.
- Se você tem triturador e misturador na fazenda, use a quirela e resíduos da pré-limpeza dos grãos. Sai muito mais barato.
Vale a Pena Colocar Árvore no Meio? (ILPF)
Muitos produtores torcem o nariz para a floresta. “Demora muito”, “atrapalha o trator”. Mas vamos olhar os números de quem já fez.
O plantio de árvores (como Eucalipto) é feito em renques (filas), com faixas largas de 14 ou 28 metros entre elas. Isso deixa espaço de sobra para o trator passar e para o pasto crescer.
O ciclo funciona assim:
- Anos 1 a 3: Você planta lavoura nas faixas entre as árvores.
- Anos 3 a 7: A sombra aumenta, entra o gado no pasto consorciado. O animal ganha conforto térmico (bem-estar) e engorda mais.
- Ano 7: Você corta a madeira para vender (carvão, lenha, celulose). É uma “poupança” que você saca depois de alguns anos.
Planejamento: A Chuva é Quem Manda
No Nordeste, a gente não pode brincar com a chuva. Ela é irregular e, se perder a janela, já era.
Para o sistema de integração dar certo, a regra de ouro é: Plante o consórcio (milho + capim) logo nas primeiras chuvas.
Por que essa pressa? Porque você precisa colher o milho e garantir que ainda caia alguma chuva para o capim se estabelecer bem antes da seca brava chegar.
Se a sua região permite plantar soja precoce:
- Plante soja no início das águas.
- Colha até fevereiro.
- Plante o milho safrinha com capim imediatamente.
Glossário
ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta): Estratégia de produção que combina atividades agrícolas, pecuárias e florestais em uma mesma área para otimizar o uso da terra. Visa a recuperação de solos degradados e a diversificação de renda com a venda de grãos, carne e madeira.
Sistema Santa Fé: Técnica de plantio simultâneo de culturas de grãos, geralmente milho, com gramíneas forrageiras para formação de pasto ou palhada. É fundamental para o sistema de plantio direto e para garantir alimento ao gado logo após a colheita do cereal.

Unidade Animal (UA): Índice padrão utilizado para calcular a taxa de lotação de uma pastagem, equivalente a um animal de 450 kg de peso vivo. Permite ao produtor planejar quantos animais o pasto suporta sem causar degradação.
Manejo Rotacionado: Sistema de pastejo que divide a área em divisões menores (piquetes) para alternar períodos de uso e de descanso da gramínea. Essa técnica assegura que o capim tenha tempo para se recuperar e produzir folhas novas com alto valor nutritivo.
Fixação Biológica de Nitrogênio: Processo natural onde plantas leguminosas captam nitrogênio da atmosfera e o depositam no solo através de raízes e folhas. Reduz a dependência de adubos químicos e melhora a fertilidade da terra de forma sustentável.
Agrossilvipastoril: Sistema de produção que integra árvores, pastagens e animais em uma mesma propriedade de forma planejada. Foca no bem-estar animal através do conforto térmico da sombra e na proteção contra ventos e erosão.
Renques: Fileiras de árvores plantadas em linhas com espaçamentos definidos dentro de sistemas de integração. São organizados para permitir a entrada de luz solar para o pasto e a livre circulação de máquinas agrícolas entre as árvores.
Veja como o Aegro pode ajudar a superar esses desafios
Gerenciar um sistema de integração como o ILPF exige um planejamento rigoroso, já que você passa a coordenar várias frentes — grãos, gado e floresta — simultaneamente. O Aegro simplifica essa complexidade ao centralizar o controle operacional e financeiro, permitindo que você acompanhe o custo exato de cada hectare e a rentabilidade real do seu ‘boi safrinha’ diretamente pelo celular. Com os registros de atividades integrados, fica muito mais fácil monitorar o manejo dos piquetes e garantir que a rotação do pasto ocorra no tempo certo, evitando prejuízos e otimizando o ganho de peso dos animais.
Além de organizar o dia a dia no campo, a plataforma automatiza a gestão de notas fiscais e o fluxo de caixa, eliminando erros manuais e economizando o tempo de quem precisa de uma gestão pragmática e eficiente. É a solução ideal para garantir que a transição entre a lavoura e a pecuária aconteça com precisão de dados, segurança fiscal e lucratividade para o negócio familiar.
Vamos lá?
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Perguntas Frequentes
Como escolher o sistema de ILPF mais adequado para a minha região no Nordeste?
A escolha depende do seu bioma e objetivo principal. No Cerrado nordestino, o foco costuma ser a produção de grãos com boi na entressafra; já na Caatinga e Agreste, o sistema agrossilvipastoril com gliricídia e milho é mais eficiente para pequenas propriedades. O segredo é observar se a prioridade é a reforma de pasto ou a sucessão de safras de grãos.
O que são os sistemas Santa Fé e Barreirão e como eles reduzem custos?
Esses sistemas consistem no plantio simultâneo de uma cultura anual (como o milho) e uma forrageira (capim). A grande vantagem econômica é que a venda da colheita do milho paga todos os custos de implantação, sementes e adubação, deixando o pasto formado ‘de graça’ para o gado logo após a colheita.
Por que o período de descanso do capim muda entre a época das águas e a seca?
O capim cresce mais devagar na seca devido à falta de umidade, exigindo um descanso maior (49 dias) para recuperar sua massa foliar sem degradar. Nas águas, o crescimento é acelerado, permitindo um retorno mais rápido do gado (35 dias). Respeitar esse tempo é essencial para manter a longevidade do pasto e a taxa de lotação ideal.
Quais as melhores opções de capim para regiões com pouca chuva, como a Caatinga?
Para áreas mais secas, os destaques são o capim Buffel e o Andropogon, que possuem alta tolerância ao estresse hídrico. No Agreste seco, a Urochloa mosambisensis é uma excelente recomendação, enquanto para a criação de ovinos, o capim Massai tem se mostrado muito eficiente pela sua estrutura e resistência.
O plantio de árvores (ILPF) não atrapalha o uso de máquinas agrícolas na fazenda?
Não, desde que o planejamento do espaçamento seja bem feito. Ao plantar árvores em renques (filas) com distâncias de 14 ou 28 metros, cria-se um corredor amplo que permite a passagem livre de tratores e colheitadeiras. Além da madeira ser uma ‘poupança’ futura, a sombra das árvores melhora o bem-estar animal, acelerando o ganho de peso.
O que é o ‘boi safrinha’ e qual a vantagem para a plantação de soja no ano seguinte?
O boi safrinha é o animal que entra para pastar na entressafra, aproveitando a forragem plantada junto com o milho. Além do ganho de peso do gado (até 4,5 arrobas), o sistema beneficia a agricultura, pois a palhada deixada pelo capim protege o solo e pode aumentar a produtividade da soja subsequente em até 7 sacas por hectare.
Artigos Relevantes
- Sistema ILPF: O que é, Vantagens e Como Implementar na sua Fazenda: Este artigo funciona como a base conceitual necessária para o leitor do texto principal, detalhando as vantagens e desvantagens gerais do sistema que complementam o guia regional focado no Nordeste. Ele oferece uma visão sistêmica sobre a implementação, essencial para quem está decidindo entre os modelos agrossilvipastoris citados.
- Integração Lavoura-Pecuária: Guia para Aumentar Produtividade: Enquanto o artigo principal menciona o ‘boi safrinha’ e a reforma de pastos, este candidato fornece o passo a passo técnico do consórcio milho-braquiária e fertilidade do solo. Ele aprofunda a metodologia prática para aumentar a produtividade, validando os conceitos de recuperação de áreas degradadas discutidos no texto principal.
- Fazenda Quatro Maravilhas: Melhorando a Fazenda na Amazônia com Plantação, Gado e o Aegro: Este estudo de caso oferece a prova social e prática necessária, conectando a teoria da integração com o uso da tecnologia Aegro mencionada no final do texto principal. Ele demonstra como os desafios de gestão em biomas de transição (como a Pré-Amazônia citada no artigo) são superados no dia a dia de uma fazenda real.
- Milho Safrinha: O Guia Completo do Plantio à Colheita Lucrativa: O milho é o componente central da integração no Cerrado nordestino para a viabilização do ‘boi safrinha’. Este guia complementa o artigo principal ao detalhar a escolha de híbridos e janelas de plantio, garantindo que o produtor tenha sucesso na safra de grãos que financiará a formação do seu pasto.
- Preparo do Solo para Milho: Escolha o Sistema Ideal para sua Propriedade: O sucesso dos sistemas Santa Fé e Barreirão descritos no texto principal depende criticamente de um solo bem preparado para receber o consórcio. Este artigo técnico preenche a lacuna sobre quais sistemas de manejo (como o plantio direto) são mais adequados para garantir que tanto o milho quanto o capim se estabeleçam com vigor.

![Imagem de destaque do artigo: ILPF no Nordeste: Guia Completo para Lucrar Mais [2025]](/images/blog/geradas/ilpf-nordeste-sistema-integracao-lavoura-pecuaria.webp)