ILPF: Guia Definitivo de Planejamento e Vantagens [2025]

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Índice

Vale a pena investir na Integração Lavoura-Pecuária-Floresta na minha propriedade?

Você já deve ter ouvido falar que sistema integrado é coisa de “produtor gigante” ou que só funciona em planilhas de consultor. Mas a verdade do campo é outra. Lembra daquelas roças antigas das décadas de 50 e 60, onde o pessoal plantava milho junto com capim-jaraguá? Pois é, o princípio é o mesmo.

Seja sua fazenda pequena ou média, se o solo e o clima ajudarem, o sistema funciona. A diferença hoje é o tamanho da sua máquina. Se você tem maquinário pesado, precisa de escala para a conta fechar. O segredo não é o tamanho da terra, é o planejamento da gestão.

Quem adota o sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) busca principalmente uma coisa: segurança. Ter madeira, grão e boi na mesma área diversifica sua renda. Se o preço do boi cai, a madeira segura as pontas. Além disso, a sombra das árvores é um “ar-condicionado” natural pro gado. Animal com menos calor estressa menos, emprenha mais e ganha mais peso.


Como planejar o plantio das árvores sem atrapalhar o trator?

Seu João, lá no interior de Goiás, plantou eucalipto muito perto um do outro e depois não conseguia passar com a colheitadeira de soja. O prejuízo foi grande. Para não cair nesse erro, você precisa pensar no arranjo espacial antes de furar o primeiro buraco.

O jeito mais simples e eficaz que vemos no Centro-Oeste e Sudeste é o plantio em renques (filas de árvores).

O que funciona na prática:

  1. Linhas: Faça linhas simples, duplas ou triplas. Mais que três linhas atrapalha o manejo do gado depois.
  2. Direção: Dê preferência ao sentido Leste-Oeste. Isso garante que o sol “caminhe” sobre as linhas e não faça sombra demais na lavoura ou no pasto o dia todo.
  3. Curva de nível: Se o terreno for caído, respeite a curva de nível para segurar a água e o solo.
  4. Espaçamento: Deixe mais de 20 metros entre um renque e outro.

💡 DICA DE QUEM JÁ FEZ: Meça a largura do seu maior implemento (pulverizador ou plantadeira). O espaço entre as árvores tem que permitir que você manobre sem riscar a pintura ou quebrar galho.


Qual o segredo para o sucesso no plantio da floresta?

Não adianta ter o melhor clone de eucalipto se a formiga cortar tudo na primeira noite. O sucesso do componente florestal depende de fazer o básico bem feito e na hora certa.

Checklist obrigatório para não perder dinheiro:

  • Combate às formigas e cupins: Comece antes do plantio. É sério. Depois que a muda está no chão, o controle é mais difícil.
  • Preparo do solo: O cultivo mínimo é o mais indicado. Use um subsolador florestal na linha onde vai a árvore.
  • Época certa: Plante no início das chuvas.
  • Replantio: Se morreu muda, replante em até 30 dias. Passou disso, a muda nova não acompanha as outras e vira “refugo”.

⚠️ ATENÇÃO: Cuidado com o herbicida da lavoura! Nos primeiros anos, a deriva do veneno que você joga na soja ou no milho pode matar suas árvores. Use bicos antideriva e pulverizadores protegidos.


Quando e como fazer a desrama (poda) das árvores?

Muita gente tem dó de cortar galho, achando que vai atrasar a árvore. Mas no sistema ILPF, a desrama é obrigatória se você quer madeira de qualidade (para serraria) e luz para o pasto.

No monocultivo, a gente espera o dossel fechar (2 a 4 anos). Na integração, como as árvores estão longe umas das outras, elas criam galhos grossos mais cedo.

Como fazer:

  • Objetivo: Limpar o tronco até uns 6 metros de altura. Essa é a parte que vale dinheiro na serraria.
  • Ferramenta: Use serrote de poda. Nada de facão cego que lasca a casca.
  • Cuidado: Não tire galhos demais de uma vez, principalmente no meio da copa, pois é lá que a árvore faz fotossíntese.

Além da desrama, existe o desbaste (cortar as árvores mais finas). Você faz isso quando as árvores começam a competir demais entre si ou a fazer sombra demais no pasto. Uma regra prática: estabeleça uma meta de crescimento do diâmetro. Se o crescimento cair abaixo da meta, é hora de passar a motosserra nas piores para as melhores engordarem.


A pergunta de 1 milhão: Quando posso soltar o gado no meio das árvores?

Essa é a maior ansiedade do produtor. Se soltar cedo demais, o boi quebra as mudas ou come a casca. Se demorar muito, você perde tempo de pasto.

A regra de ouro não é apenas o tempo, é o tamanho da árvore.

  • Para Eucalipto: O gado pode entrar quando a árvore tiver pelo menos 6 cm de diâmetro na altura do peito (a 1,30m do chão) e altura suficiente para a copa não ser atingida.
  • Olho no pasto: A altura do capim também manda. Capim passado obriga o gado a procurar outra coisa pra mastigar (no caso, sua árvore).

📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM: Densidades acima de 150 árvores por hectare começam a diminuir a quantidade de capim por causa da sombra. Porém, a qualidade desse capim (proteína) costuma melhorar. É uma troca: menos volume, mais qualidade.


Casos Reais: Teca e Mogno no Centro-Oeste

Produtores de Mato Grosso têm apostado alto em madeiras nobres. Vamos ver o que funciona para cada uma:

1. Teca (Tectona grandis)

A Teca é exigente. Ela gosta de solo fértil, profundo e não tolera acidez. O pH ideal é entre 6,5 e 7,5. Se faltar Cálcio, a árvore fica raquítica.

  • Arranjo: Linhas simples espaçadas de 15 a 22 metros.
  • Gado: Pode entrar gado jovem (bezerro) com 6 meses de plantio, se a árvore tiver crescido bem. Gado adulto, só depois de 1 ano.
  • Dica: Em solos argilosos com muita chuva, faça leiras (murunduns) para plantar a Teca em cima, evitando encharcamento.

2. Mogno-Africano

O Khaya ivorensis é o mais plantado por crescer reto e rápido.

  • O Perigo: A casca do mogno é “doce” pro gado. Se faltar capim, eles vão descascar a árvore.
  • Solução: Use blocos minerais à base de algas para acalmar os animais e nunca deixe faltar pasto.
  • Poda: O Khaya ivorensis quase não precisa de desrama. Já o Khaya senegalensis (mais rústico e denso) solta muito galho lateral e precisa de poda igual à Teca.

Integração com Seringueira: Soja e Borracha na Mesma Área?

Pode parecer estranho, mas em SP e no Centro-Oeste tem gente colhendo soja no meio do seringal.

Como funciona:

  • Espaçamento: Planta-se a seringueira em linhas distantes 8 metros uma da outra.
  • Janela de cultivo: Nesses 8 metros, você consegue plantar soja ou milho nos primeiros 5 anos. Depois a sombra fecha.
  • Maquinário: Use equipamentos menores (plataforma de 20 pés, pulverizador de barra curta).
  • Cuidado Crítico: Deixe 1 metro de distância entre a linha da soja e a seringueira. Não plante colado. Na hora de passar o herbicida, use bicos especiais e barra baixa. Se o veneno pegar na folha da seringueira jovem, o prejuízo é certo.

💡 DICA DE QUEM JÁ FEZ: Plante a seringueira no final da seca (com irrigação de tanque-pipa) para ela já estar grande quando você for plantar a soja no início das chuvas. Isso ajuda ela a resistir aos defensivos da lavoura.


O Solo Agradece (e o Bolso Também)

Além da madeira e do gado, o sistema ILPF melhora sua terra. Estudos no Cerrado mostraram que o sistema pode aumentar o estoque de carbono no solo em mais de 1 tonelada por hectare ao ano.

Isso acontece porque as raízes das árvores e do capim, junto com a palhada, aumentam a matéria orgânica. Solo com mais matéria orgânica segura mais água e adubo. Ou seja: sua fazenda fica mais resistente à seca e mais produtiva a longo prazo.


Glossário

ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta): Estratégia de produção que integra atividades agrícolas, pecuárias e florestais em uma mesma área, buscando sinergia entre os componentes para diversificar a renda e melhorar a sustentabilidade do solo.

Renques: Fileiras ou linhas de árvores plantadas de forma organizada e com espaçamento planejado para permitir a passagem de máquinas e o desenvolvimento de pasto ou lavoura entre elas.

Desrama: Prática de manejo que consiste na retirada dos galhos inferiores da árvore para garantir a produção de madeira limpa (sem nós) e permitir a entrada de luz solar para o pasto ou cultura agrícola.

Kit de Gestão do Maquinário da Fazenda

Desbaste: Remoção periódica de árvores menos vigorosas ou mal formadas em um plantio para reduzir a competição por recursos e permitir que as árvores remanescentes ganhem mais diâmetro e valor comercial.

DAP (Diâmetro à Altura do Peito): Medida padrão florestal tomada a 1,30 metro do solo para monitorar o crescimento das árvores. É o principal indicador técnico para decidir o momento seguro de entrada do gado no sistema sem danos ao tronco.

Deriva: Desvio da trajetória das gotas de defensivos agrícolas que não atingem o alvo desejado devido ao vento ou evaporação. No sistema integrado, o controle da deriva é crucial para evitar que herbicidas da lavoura atinjam as árvores.

Subsolador Florestal: Implemento agrícola utilizado para romper camadas compactadas do solo em profundidade, especificamente na linha de plantio das árvores, facilitando o crescimento das raízes e a infiltração de água.

Curva de Nível: Técnica de conservação de solo que consiste em plantar seguindo as linhas de mesma altitude do terreno. Ajuda a reduzir a velocidade da enxurrada, evitando a erosão e a perda de nutrientes em áreas declivosas.

Veja como o Aegro pode ajudar a organizar sua fazenda em sistemas integrados

Implementar o sistema ILPF exige um planejamento rigoroso para que a lavoura, o gado e a floresta convivam em harmonia sem gerar prejuízos operacionais ou gargalos financeiros. Ferramentas de gestão como o Aegro ajudam a resolver essa complexidade centralizando o planejamento das atividades em um calendário unificado. Isso permite monitorar desde o combate inicial às formigas até as janelas de poda e entrada do gado, garantindo que a equipe saiba exatamente o que fazer em cada hectare, sem depender apenas da memória ou de anotações em papel.

Além da organização operacional, o controle de custos em uma fazenda diversificada é um desafio constante para quem busca eficiência. O Aegro automatiza o registro de despesas e a emissão de notas fiscais, gerando relatórios financeiros precisos que mostram a rentabilidade real de cada componente do sistema (grãos, carne ou madeira). Com esses dados em mãos, fica muito mais fácil identificar onde reduzir custos e como potencializar os lucros da propriedade de forma segura e profissional.

Vamos lá?

Que tal modernizar a gestão da sua propriedade e ter total controle sobre os seus resultados? Experimente o Aegro gratuitamente e veja na prática como simplificar o gerenciamento da sua Integração Lavoura-Pecuária-Floresta.

Perguntas Frequentes

O sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) é viável apenas para grandes propriedades?

Não, o sistema ILPF é perfeitamente aplicável em pequenas e médias fazendas, pois o seu sucesso depende mais do planejamento da gestão do que do tamanho da área. O produtor deve apenas atentar-se ao tamanho do seu maquinário para definir o espaçamento entre as árvores, garantindo que as máquinas consigam manobrar e operar sem dificuldades.

Por que a orientação Leste-Oeste é a mais indicada para as linhas de árvores?

Essa orientação é estratégica para o manejo da luz solar, permitindo que o sol percorra o caminho por cima das linhas de árvores ao longo do dia. Isso minimiza o sombreamento excessivo sobre a pastagem ou a lavoura, garantindo que o capim e os grãos recebam a radiação necessária para a fotossíntese enquanto oferecem o conforto térmico ideal para o gado.

Como saber o momento exato de soltar o gado no piquete com árvores novas?

O critério principal não é o tempo após o plantio, mas o desenvolvimento físico da árvore. No caso do eucalipto, recomenda-se que o tronco tenha pelo menos 6 cm de diâmetro na altura do peito (DAP) para resistir ao impacto dos animais. Além disso, é crucial que o pasto esteja em boa altura, pois se faltar capim, o gado pode começar a comer a casca das árvores, causando prejuízos.

Qual a diferença prática entre os processos de desrama e desbaste?

A desrama consiste na retirada dos galhos inferiores para limpar o tronco e garantir uma madeira sem nós, valorizada pelas serrarias, além de permitir a entrada de luz para o pasto. Já o desbaste é a remoção seletiva de árvores inteiras que estão muito próximas ou crescendo pouco, abrindo espaço para que as árvores remanescentes engordem com mais vigor e recebam mais recursos.

Quais cuidados específicos devem ser tomados ao plantar Teca ou Mogno-Africano?

A Teca exige solos férteis e com pH corrigido (entre 6,5 e 7,5), não tolerando acidez ou solos encharcados. Já o Mogno-Africano é mais rústico no crescimento, mas exige atenção redobrada com o gado, que aprecia o sabor de sua casca; por isso, o uso de blocos minerais e a manutenção da oferta de pasto são essenciais para evitar que os animais danifiquem o plantio.

Como conciliar a aplicação de herbicidas na lavoura sem prejudicar as árvores do sistema?

A proteção das árvores jovens contra a deriva de defensivos é um dos maiores desafios. Recomenda–se manter uma distância mínima de 1 metro entre a linha da lavoura e as árvores, além de utilizar bicos antideriva e pulverizadores com barras protegidas. Em sistemas com seringueira, por exemplo, antecipar o plantio das mudas para que estejam maiores na época da safra de grãos ajuda na resistência contra eventuais respingos.

Quais são os benefícios reais para o solo ao adotar a integração com árvores?

A presença das árvores combinada com a pastagem aumenta significativamente a matéria orgânica e o estoque de carbono no solo, podendo elevar esses níveis em mais de 1 tonelada por hectare ao ano. Isso resulta em uma terra com maior capacidade de retenção de água e nutrientes, tornando a propriedade muito mais resiliente a períodos de seca e reduzindo a dependência de fertilizantes químicos a longo prazo.

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  • Deriva de Defensivos: 5 Passos Essenciais para Evitar Prejuízos na Lavoura: O artigo principal faz um alerta crítico sobre o risco de herbicidas da lavoura matarem as árvores jovens; este candidato provê a solução técnica detalhada para esse problema. Ele aprofunda os ‘5 passos essenciais’ para controle de deriva, bicos de pulverização e tecnologia de aplicação, garantindo a segurança operacional do sistema integrado.
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