Instalações Pecuária de Corte: Guia para o Lucro [2025]

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Índice

Instalações: O Básico Bem Feito que Evita Prejuízo

Você já viu aquela fazenda cheia de luxo, curral de “cinema”, mas que no fim do mês não fecha a conta? Pois é. O produtor experiente sabe que instalação boa é instalação simples e que aguenta o tranco.

Na pecuária de corte, o lucro por boi é apertado. Por isso, gastar demais com construção faraônica é um tiro no pé. As instalações precisam ter quatro qualidades:

  1. Simplicidade: Fácil de construir e manter.
  2. Durabilidade: Para não ter que refazer ano que vem.
  3. Funcionalidade: O manejo tem que fluir sem estresse.
  4. Segurança: Para você, para o peão e para o gado.

O curral, por exemplo, é o coração do manejo. Ele precisa permitir apartação, vacinação e embarque sem risco de machucar o animal. Ponta de prego exposta ou tábua lascada causam hematomas na carcaça. E carcaça machucada é dinheiro jogado fora no frigorífico.


Cerca Convencional ou Elétrica: Onde Está a Economia?

Uma dúvida que sempre aparece na roda de conversa é: “Vale a pena investir na cerca elétrica ou fico no arame liso?”. Quem faz as contas na ponta do lápis já percebeu a diferença.

No Brasil Central, a gente usa muito o arame liso porque economiza madeira usando balancins. Arame farpado? Nem pense nisso. Machuca o couro, estraga a madeira e custa caro manter.

Agora, se você quer dividir pasto para fazer rotação, a cerca elétrica é a campeã. Olha só a vantagem:

  • Custo muito menor: Fica entre 30% e 35% do valor de uma cerca convencional.
  • Rapidez: Você levanta a cerca num dia e muda ela de lugar no outro.
  • Economia de madeira: Vai muito menos poste e esticador.

Para a divisa da fazenda, mantenha a cerca tradicional de arame liso. Mas, para as divisões internas (invernadas), a elétrica é uma mão na roda para o bolso.


Onde Colocar o Dinheiro: Pasto ou Cocho?

Seu Antônio, imagine a seguinte situação: o vizinho comprou um touro caríssimo, mas o pasto dele está “rapado”, só na terra. O que vai acontecer? Prejuízo na certa.

O principal problema nas fazendas de corte no Brasil ainda é a comida, principalmente na seca. Não adianta ter genética de ponta se o animal passa fome. Por isso, a regra de ouro dos investimentos é clara: a prioridade é a pastagem.

Muitas pastagens estão degradadas, suportando apenas 0,6 Unidade Animal (UA) por hectare. Recuperar esse pasto e adubar, se necessário, dá muito mais retorno que qualquer outra benfeitoria.


Cria, Recria ou Engorda: Qual o Risco do Seu Negócio?

Muitos produtores começam na cria por tradição, mas será que é o que dá mais dinheiro na sua terra? Vamos ser francos sobre os riscos.

A atividade de cria (vender bezerro) é a que exige mais cuidado. Você precisa de mais mão de obra, mais área e o risco de perder bezerro é maior. É considerada a fase menos rentável e mais arriscada se não for muito bem gerida.

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Já quem faz recria e engorda (ou só engorda), gira o dinheiro mais rápido. Você compra o boi magro ou bezerro e vende o boi gordo. O risco é menor e o retorno vem antes.

A escolha depende também da relação de troca. Tem época que o bezerro está caro demais em relação ao boi gordo. Historicamente, essa relação varia muito. Você precisa estar atento ao mercado para saber se vale a pena criar ou comprar pronto para engordar.


Custos que Ninguém Vê: Depreciação e Sanidade

Você vendeu a boiada, pagou as contas do mês e sobrou um dinheiro. Teve lucro, certo? Nem sempre. Tem um “cupim” invisível que come o patrimônio da fazenda: a depreciação.

Sua cerca, seu curral, seu trator… tudo isso está ficando velho e perdendo valor a cada dia. Se você não guardar uma parte do dinheiro para repor esses bens no futuro, um dia a cerca cai e você não tem caixa para levantar outra.

Para calcular simples: Pegue o preço de um trator novo, tire o valor de sucata dele e divida pelos anos que ele vai durar. Esse valor anual é um custo real, mesmo que não saia dinheiro do bolso agora.

Por outro lado, tem gente que quer economizar onde não deve: nos remédios. Não faça isso. Vacinas e vermífugos representam apenas 2% do custo total da fazenda (e uns 5% dos gastos do dia a dia). É um valor ridículo perto do prejuízo de perder um animal ou ter desempenho ruim.


O Ciclo da Pecuária e a Hora de Vender

“Por que o preço da arroba caiu tanto esse ano?” Essa é a pergunta de um milhão de reais. A resposta está no tal do Ciclo da Pecuária.

Funciona assim:

  1. O preço do boi está bom. Todo mundo segura as vacas para produzir mais bezerros.
  2. Faltam bois para o abate imediato, o preço sobe mais.
  3. Passam alguns anos, esses bezerros viram bois. A oferta aumenta muito.
  4. O preço cai. O produtor, apertado, começa a vender até as matrizes para fazer caixa.
  5. A oferta de carne aumenta ainda mais com o abate de fêmeas, jogando o preço lá embaixo.
  6. Faltam bezerros, o preço volta a subir. E tudo recomeça.

Antigamente, esse ciclo levava uns 8 anos. Hoje, como abatemos gado mais jovem, o ciclo está mais curto.

Além disso, temos a safra (pasto verde, muito boi, preço cai em maio) e a entressafra (seca, pouco boi, preço sobe em outubro). O confinamento ajuda a vender na entressafra, mas a conta tem que ser muito bem feita para compensar o custo da ração.


Glossário

Unidade Animal (UA): Unidade de medida padrão utilizada para calcular a lotação das pastagens, correspondendo a um animal de 450 kg de peso vivo. Serve para equilibrar a quantidade de gado com a capacidade de suporte de forragem da fazenda.

Relação de Troca: Indicador econômico que expressa a paridade de valor entre diferentes categorias animais, como quantos bezerros podem ser comprados com a venda de um boi gordo. É essencial para o planejamento financeiro e decisão de compra e venda no mercado pecuário.

5 planilhas para controle da fazenda

Ciclo da Pecuária: Fenômeno de flutuação de preços do gado causado pela retenção ou descarte de fêmeas, que altera a oferta de bezerros ao longo dos anos. Compreender esse movimento ajuda o produtor a decidir o melhor momento para investir ou reduzir o rebanho.

Recria: Fase intermediária da produção bovina que vai do desmame até o início da engorda ou terminação. É o período mais longo do ciclo produtivo e foca no desenvolvimento muscular e crescimento ósseo do animal.

Sanidade Animal: Conjunto de ações preventivas e curativas, como vacinação e controle de parasitas, que garantem a saúde e o bem-estar do rebanho. Um bom status sanitário evita perdas produtivas e é exigência fundamental para a exportação de carne.

Balancim: Peça de madeira ou metal fixada verticalmente entre os postes da cerca de arame liso para manter o distanciamento e a tensão dos fios. Sua utilização permite aumentar a distância entre os mourões, reduzindo significativamente os custos de instalação.

Arroba (@): Unidade comercial de peso utilizada no Brasil para o pagamento do gado, equivalente a 15 kg de carcaça. Representa o rendimento de carne do animal após o abate, descontando-se o peso de couro e vísceras.

Veja como o Aegro pode ajudar a profissionalizar sua gestão

Gerenciar uma fazenda de gado exige mais do que olho no pasto; é preciso ter as contas na ponta do lápis para que a depreciação e os custos ocultos não corroam o seu lucro. O Aegro ajuda a resolver esse desafio ao centralizar o controle financeiro, permitindo visualizar o custo real por arroba e identificar qual fase do ciclo — cria, recria ou engorda — traz o melhor retorno. Além disso, a plataforma oferece relatórios automáticos que facilitam a tomada de decisões estratégicas, ajudando você a saber exatamente o momento certo de investir em infraestrutura ou nutrição sem comprometer o fluxo de caixa.

Vamos lá?

Transforme a gestão da sua pecuária e garanta que cada centavo investido no pasto ou no curral traga o retorno esperado. Experimente o Aegro gratuitamente e veja como simplificar seu controle financeiro e operacional agora mesmo.

Perguntas Frequentes

Por que a cerca elétrica é recomendada para divisões internas em vez da cerca convencional?

A cerca elétrica é a melhor opção para divisões internas porque custa entre 30% e 35% do valor de uma cerca convencional, economizando significativamente em madeira e arame. Além do baixo custo, ela oferece mobilidade, permitindo que o produtor ajuste o sistema de rotação de pastagens com muito mais agilidade e menor esforço de manutenção.

Qual é o risco de priorizar a compra de gado de elite antes de recuperar as pastagens?

O maior risco é o prejuízo financeiro, pois genética de ponta não se expressa sem nutrição adequada; se o animal passa fome no pasto degradado, o investimento no touro caro é desperdiçado. A regra de ouro é investir primeiro na base alimentar, recuperando o solo e o pasto, para só então investir em animais que exijam maior suporte nutricional.

Por que a fase de recria e engorda costuma ser mais indicada para quem busca retorno rápido?

Diferente da cria, que exige ciclos longos, mais mão de obra e possui riscos sanitários elevados com bezerros, a recria e engorda permitem um giro de capital acelerado. Nessa modalidade, o produtor aproveita melhor as variações do mercado de boi magro e gordo, focando no ganho de peso para venda em períodos mais curtos.

Como o produtor deve lidar com a depreciação para não perder patrimônio ao longo do tempo?

O produtor deve encarar a depreciação como um custo real invisível, separando anualmente uma reserva financeira baseada no desgaste de tratores, cercas e currais. Sem esse planejamento, o lucro apurado torna-se ilusório, pois, quando os equipamentos e estruturas precisarem de substituição, não haverá caixa disponível para renovar a fazenda.

Qual a importância de entender o Ciclo da Pecuária na hora de planejar as vendas?

Entender o ciclo permite que o produtor identifique se o mercado está em fase de retenção ou descarte de matrizes, antecipando tendências de preços de bezerros e bois gordos. O gestor que compreende esse movimento evita vender animais em momentos de excesso de oferta e preços baixos, agindo de forma estratégica para lucrar quando a oferta de gado estiver escassa.

Vale a pena economizar em vacinas e medicamentos para reduzir o custo operacional?

Não, pois os gastos com sanidade representam apenas cerca de 2% do custo total da fazenda, um valor ínfimo comparado aos riscos. Economizar em vacinas e vermífugos pode causar a morte de animais ou baixíssimo desempenho produtivo, transformando uma economia pequena em um prejuízo catastrófico para a rentabilidade do negócio.

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