Irrigação do Amendoim: Guia para Máxima Produtividade [2025]

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Índice

Vale a pena investir em irrigação para o amendoim?

Você já deve ter ouvido na roda de conversa no armazém: “Amendoim é cultura rústica, aguenta desaforo”. Mas quem vive da terra sabe que “aguentar” é diferente de “lucrar”. A verdade é que, no Semiárido ou em regiões onde a chuva falha na hora H, contar apenas com a sorte é arriscado demais.

O amendoim tem um ciclo curto. Se faltar água na hora errada, não dá tempo de recuperar. Em regiões onde chove bem e regular, você até dispensa a irrigação. Mas se você enfrenta aqueles veranicos longos ou planta no Semiárido, a irrigação não é luxo, é segurança de safra.


Qual o melhor sistema: Aspersão, Gotejamento ou Sulco?

Muita gente me pergunta: “Antônio, qual o melhor jeito de molhar o amendoim sem jogar dinheiro fora?”. A resposta depende do tamanho da sua área e do seu bolso, mas tem uma regra de ouro que não pode ser quebrada.

Aqui estão as opções que funcionam:

  1. Aspersão (Pivô ou Convencional): Ótimo para áreas maiores. Como o amendoim é plantado bem junto (adensado), esse sistema cobre bem.
  2. Microaspersão: Funciona bem para áreas menores.
  3. Sulcos: Pode usar? Pode. Mas exige que o terreno esteja muito bem nivelado (sistematizado) para não empoçar água.

⚠️ ATENÇÃO: O ERRO QUE MATA A LAVOURA Nunca, em hipótese alguma, use inundação total no amendoim. Essa planta não suporta ficar com o “pé molhado” por muito tempo. A inundação tira o ar do solo, e como as vagens crescem debaixo da terra, elas apodrecem ou a planta morre sufocada.


Como saber a hora certa de ligar a bomba?

Sabe aquele vizinho que espera a folha murchar para ligar o pivô? Pois é, ele já está perdendo dinheiro.

O amendoim tem uma manha: às vezes a folha murcha no sol quente do meio-dia, mesmo com terra úmida, só para se proteger. Se você irrigar nessa hora sem conferir o solo, gasta água, energia e ainda arrisca criar doenças por excesso de umidade.

Por outro lado, se a folha murchar porque falta água mesmo, a produção já foi comprometida.

O jeito certo de monitorar:

  • Não confie só no olho: O ideal é monitorar a umidade do solo.
  • Use tecnologia: Hoje existem sondas (tipo TDR) que medem a água no solo na hora.
  • Cálculo técnico: O agrônomo calcula o quanto a planta “suou” (evapotranspiração) e repõe exatamente essa quantia. Leva em conta o clima e a fase da cultura (o tal do Kc).

Drenagem: O segredo que ninguém conta

Seu João plantou amendoim numa baixada e, depois de uma chuva forte, a água parou ali por três dias. Resultado? Perda total naquela mancha.

Drenagem não é só “tirar água”. É garantir que as raízes respirem. O solo é feito de terra, água e ar. Se a água ocupa todo o espaço (encharcamento), falta oxigênio (anoxia). O amendoim é muito sensível a isso.

A regra dos 3 dias:

  • 1 dia de encharcamento: A planta fica amarela, sofre, mas ainda consegue se recuperar.
  • 2 a 3 dias de encharcamento: O dano é irreversível. A raiz morre e a produção vai para o brejo.

Se você vê afloramento de rocha ou sabe que aquela área empoça fácil, cuidado. O ideal é fazer o projeto de drenagem junto com o da irrigação.


O Perigo do Solo Salinizado (e como evitar)

Aqui o assunto é sério, principalmente para quem está no Semiárido ou tem solo de baixada (alagado). Sabe aquela crosta branca que aparece em cima da terra? Aquilo é sal, e é o fim da picada para o amendoim.

A salinização acontece quando a água sobe do lençol freático, evapora e deixa o sal na superfície, ou quando usamos água de má qualidade sem drenagem.

Por que isso é um desastre?

  1. Sódio: Ele desmancha a estrutura do solo. A terra vira uma “farinha” e, quando molha, vira uma pasta que não deixa a água entrar.
  2. Difícil de arrumar: Recuperar solo salino é caro e difícil. Exige gesso, drenagem induzida e muita lavagem.

⚠️ ATENÇÃO: Adubo também saliniza! Em solos de textura fina (argilosos/aluviais) e com drenagem ruim, evite ureia e cloreto de potássio. Prefira Sulfato de Amônio e Sulfato de Potássio. Eles têm enxofre e ajudam a diminuir o risco.


Fertirrigação: Aproveitando a viagem da água

Se você já tem o sistema de irrigação montado (gotejamento, microaspersão ou pivô), por que entrar com o trator para adubar?

A fertirrigação é aplicar o adubo junto com a água.

  • Vantagem: O adubo cai já dissolvido, pertinho da raiz. A planta come mais rápido e melhor.
  • Economia: Menos entrada de máquina na lavoura, menos compactação e menos diesel.

Para o amendoim, essa técnica funciona muito bem, garantindo que os nutrientes cheguem na dose certa durante todo o ciclo, sem desperdício.


Glossário

Cultivo de Sequeiro: Sistema de produção agrícola que depende exclusivamente da água das chuvas para o suprimento hídrico das plantas. No Brasil, é o modelo que deixa o produtor mais vulnerável aos efeitos de veranicos e secas prolongadas.

Evapotranspiração: Soma da perda de água do solo por evaporação e da água transpirada pelas plantas para a atmosfera. É o cálculo fundamental para determinar a lâmina de água exata que deve ser reposta pelo sistema de irrigação.

Kc (Coeficiente da Cultura): Fator que ajusta a necessidade de água de acordo com a fase de desenvolvimento da planta, desde o plantio até a colheita. Permite ao produtor aplicar volumes diferentes de água conforme a exigência real do amendoim em cada estágio.

Sistematização do Terreno: Trabalho de nivelamento e correção da topografia do solo para permitir que a água flua de forma controlada e uniforme pela área. É essencial para o sucesso da irrigação por sulcos e para evitar o acúmulo de água em baixadas.

Anoxia: Estado de falta total de oxigênio no solo causado pelo encharcamento prolongado, que impede a respiração das raízes. No amendoim, a anoxia leva ao amarelamento rápido, apodrecimento das vagens e morte da planta.

Salinização: Acúmulo de sais minerais na camada superficial do solo, comum em regiões de clima seco ou onde a drenagem é deficiente. Esse fenômeno degrada a estrutura da terra e dificulta a absorção de água e nutrientes pela lavoura.

Fertirrigação: Técnica de aplicação de fertilizantes líquidos ou solúveis por meio do sistema de irrigação. Permite que o nutriente chegue diretamente à raiz de forma fracionada, aumentando a eficiência do adubo e reduzindo o uso de máquinas.

Sonda TDR: Equipamento eletrônico que mede a umidade do solo em tempo real através de pulsos eletromagnéticos. Ferramenta de agricultura de precisão que ajuda o produtor a decidir o momento exato de ligar a bomba de irrigação.

Como o Aegro potencializa os resultados da sua irrigação

Investir em sistemas de irrigação e fertirrigação exige um controle rigoroso para que o custo da energia e dos insumos não comprometa a sua rentabilidade. Ferramentas de gestão como o Aegro ajudam a transformar essa tecnologia em lucro real, permitindo o acompanhamento detalhado de todos os custos operacionais e o registro preciso das atividades no campo. Ao centralizar as informações, você deixa de depender apenas do “olhômetro” e passa a tomar decisões baseadas em dados, garantindo que cada gota de água e grama de adubo aplicados se convertam em sacas de amendoim.

Além disso, o uso de um software especializado simplifica a organização financeira da fazenda, automatizando relatórios que mostram exatamente onde o seu dinheiro está sendo investido. Isso traz mais segurança para o produtor que deseja modernizar a operação, reduzindo erros manuais e otimizando o tempo gasto com planilhas ou cadernos.

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Perguntas Frequentes

Se o amendoim é considerado uma cultura rústica, por que o investimento em irrigação é recomendado?

Embora o amendoim suporte condições adversas, a irrigação elimina a dependência da sorte com as chuvas e pode até dobrar a produtividade ao garantir água nas fases críticas do ciclo. Em regiões como o Semiárido ou locais com veranicos frequentes, o sistema deixa de ser um luxo para se tornar uma segurança de safra e rentabilidade para o produtor.

Qual o principal risco de utilizar o método de irrigação por inundação no amendoim?

O método de inundação é extremamente prejudicial porque o amendoim não tolera solos encharcados, já que suas vagens se desenvolvem sob a terra e precisam de oxigênio para crescer. O excesso de água retira o ar do solo (anoxia), causando o apodrecimento das vagens e a morte das plantas por sufocamento em poucos dias.

Como identificar o momento exato de ligar a irrigação sem desperdiçar recursos?

O ideal é não confiar apenas na observação visual das folhas, que podem murchar ao meio-dia apenas como defesa ao calor, mesmo com solo úmido. A recomendação técnica é utilizar sensores de umidade (sondas TDR) ou realizar o cálculo da evapotranspiração baseada no clima para repor exatamente o que a planta consumiu, evitando gastos desnecessários com energia.

Por que a drenagem do solo é considerada tão importante quanto a própria irrigação?

A drenagem garante que o excesso de água saia rapidamente do campo para que as raízes e vagens possam respirar. Como o amendoim sofre danos irreversíveis após apenas dois ou três dias de solo alagado, um bom sistema de drenagem previne perdas totais em áreas que acumulam água facilmente após chuvas fortes.

Quais tipos de adubo são mais indicados para evitar a salinização do solo em áreas irrigadas?

Para minimizar o risco de salinização, especialmente em solos de textura fina e drenagem lenta, recomenda-se priorizar o Sulfato de Amônio e o Sulfato de Potássio. Deve-se evitar o uso excessivo de Ureia e Cloreto de Potássio, que possuem alto índice salino e podem degradar a estrutura do solo a longo prazo.

Quais as principais vantagens de adotar a fertirrigação no cultivo de amendoim?

A fertirrigação permite aplicar o adubo já dissolvido na água diretamente na zona radicular, o que otimiza a absorção de nutrientes pela planta. Além da eficiência nutricional, essa técnica gera economia ao reduzir a necessidade de entrada de tratores na lavoura, o que diminui gastos com diesel e evita a compactação do solo.

Artigos Relevantes

  • Evapotranspiração: Como Otimizar Irrigação e Produtividade Agrícola: Este artigo detalha a base científica por trás do cálculo de Kc e balanço hídrico citados no texto principal. Ele oferece o suporte técnico necessário para que o produtor compreenda como otimizar o momento de ligar a bomba, indo além do glossário para a aplicação prática da engenharia de irrigação.
  • Drenagem Agrícola: Guia Completo para Manejar o Excesso de Água na Lavoura: Como o artigo principal enfatiza que o amendoim não suporta ‘pé molhado’ e anoxia, este guia técnico sobre drenagem complementa perfeitamente o conteúdo ao ensinar como manejar o excesso de água. Ele fornece soluções práticas para evitar o apodrecimento das vagens mencionado no texto base.
  • Irrigação com Drip Protection: Economia de Água e Aplicação Precisa de Insumos: Este artigo aprofunda a seção de fertirrigação do texto principal, focando na tecnologia de proteção e manutenção de sistemas de gotejamento. Ele adiciona valor ao discutir a aplicação precisa de insumos, o que é crucial para evitar a salinização do solo alertada no artigo de amendoim.
  • Guia Completo do Cultivo de Amendoim: Do Plantio à Lucratividade: Enquanto o artigo principal foca especificamente em irrigação, este guia expande a jornada do usuário para o ciclo completo da cultura e sua importância na rotação com cana-de-açúcar. Ele contextualiza o investimento em irrigação dentro de uma estratégia de rentabilidade e manejo integral da lavoura.
  • Solo Arenoso: Características, Manejo e Correção: O amendoim é tipicamente cultivado em solos de textura leve; este artigo explica as características de baixa retenção de água e nutrientes desses solos. Ele justifica tecnicamente por que o monitoramento com sondas TDR (mencionado no texto principal) é vital em áreas arenosas para evitar o estresse hídrico rápido.