Índice
- Qual o Melhor Sistema de Irrigação para a Manga?
- Quando a Mangueira Bebe Mais Água? (E Quando Cortar)
- Onde Estão as Raízes que Realmente Bebem Água?
- Como Manejar a Irrigação Sem “Chutar” a Quantidade
- Teste Prático: Como Calcular o Tempo de Irrigação na Lavoura
- Glossário
- Como a tecnologia ajuda no manejo da irrigação
- Perguntas Frequentes
- Por que a microaspersão é considerada superior ao gotejamento para o cultivo de manga?
- É necessário suspender totalmente a irrigação durante a fase de indução floral?
- Onde devo instalar os sensores de umidade para monitorar a irrigação da manga?
- Qual é o período crítico em que a falta de água mais prejudica a produção?
- Como o tipo de solo influencia o momento exato de ligar o sistema de irrigação?
- Como posso converter a necessidade de água da planta em tempo de irrigação na prática?
- Artigos Relevantes
Qual o Melhor Sistema de Irrigação para a Manga?
Você já viu produtor gastar uma fortuna em irrigação e a planta continuar sofrendo? Acontece muito. O erro, muitas vezes, não está na falta de água, mas na escolha errada do sistema para o tipo de solo que a gente tem.
Para a cultura da manga, o que a experiência prática e os estudos mostram é claro: a microaspersão é o sistema campeão.
Embora o gotejamento também funcione, o microaspersor leva vantagem, principalmente em solos de textura média a arenosa. O motivo é simples: ele molha uma área muito maior. A mangueira tem um sistema radicular que se espalha, e o gotejamento pode restringir demais a área molhada se não for muito bem planejado.
Se você for usar microaspersores, anote essas recomendações para não errar na compra:
- Prefira os autocompensantes: Eles mantêm a vazão constante, mesmo se houver desnível no terreno.
- Vazão mínima: Escolha modelos com vazão superior a 40 litros por hora.
- Raio de ação: O raio molhado deve ser maior que 2,5 metros.
“Mas eu prefiro gotejamento, posso usar?” Pode, mas exige mais cuidado na instalação. Não adianta passar uma linha reta do lado do tronco e achar que está bom. Para a manga, você precisa de uma destas configurações:
- Anel: Uma linha rodeando a planta com 5 a 6 gotejadores.
- Rabo de porco: Uma ramificação que circunda a planta.
- Linha dupla: Duas linhas de gotejadores por fileira de plantas.
Quando a Mangueira Bebe Mais Água? (E Quando Cortar)
Uma dúvida que sempre aparece na roda de conversa é: “Devo irrigar durante a indução floral?”. A resposta errada aqui pode custar a sua florada inteira.
Para ter uma boa produção, você precisa entender o ciclo de sede da planta. Vamos dividir em três momentos críticos:
1. A Parada Estratégica (Indução Floral)
Aqui está o segredo: a irrigação deve ser evitada na fase de diferenciação do broto floral. A planta precisa desse estresse controlado para entender que é hora de produzir flores, não folhas.
Quando voltar a ligar a água? Assim que você ver as primeiras panículas (flores) emergindo, é hora de reiniciar a irrigação. Não demore, ou o abortamento de flores será alto.
2. O Pico de Consumo (Enchimento de Fruto)
A fase em que a mangueira mais “pede água” é entre a floração e a colheita. Mas o pico máximo acontece na fase de crescimento dos frutos.
Preste atenção redobrada entre a 4ª e a 6ª semana após o pegamento dos frutos. Se faltar água aqui, o fruto não cresce e você perde peso na balança final.
3. O Consumo Diário no Semiárido
Nas nossas condições de semiárido, o consumo varia bastante:
- Início da floração: A planta consome cerca de 3,0 mm/dia.
- Formação de frutos: O consumo salta para 5,5 mm/dia.
Onde Estão as Raízes que Realmente Bebem Água?
Seu João, produtor antigo, dizia: “Adubo e água a gente joga na boca da planta, não no pé”. E ele estava certo. Não adianta molhar onde não tem raiz ativa.
Pesquisas práticas mostram exatamente onde a mangueira busca água. Usando um microaspersor com raio de 2,70m, a distribuição da absorção é a seguinte:
- Distância do tronco: De 60% a 70% da água é sugada pelas raízes que estão a até 1,50 metro do tronco. Se esticar até 2 metros, a absorção chega a 85%.
- Profundidade: A maior parte da atividade (até 50%) acontece nos primeiros 50 cm de profundidade. Se considerarmos até 75 cm, pegamos quase 80% da extração de água.
Como Manejar a Irrigação Sem “Chutar” a Quantidade
Você não precisa ser matemático para calcular a água, mas também não dá para confiar só no “olhômetro”. Existem duas formas práticas de saber a hora e a quantidade certa de irrigar.
1. Usando Tensiômetros (Para saber a HORA de irrigar)
O tensiômetro funciona como uma “raiz artificial”. Ele mede a força que a planta precisa fazer para tirar água do solo (potencial matricial).
Os números mágicos para a Manga:
- Solos Arenosos: Irrigue quando o tensiômetro marcar entre -15 e -25 kPa.
- Solos Argilosos: Irrigue quando marcar entre -30 e -60 kPa.
Onde instalar o sensor?
- Microaspersão: Entre o tronco e 1,5m de distância.
- Gotejamento: A 15 cm de um gotejador, na profundidade das raízes (0 a 60 cm).
2. O Cálculo da Lâmina (Para saber o QUANTO irrigar)
O método mais usado é o balanço de água. A conta básica é: Água que sai (Evapotranspiração) – Água que entra (Chuva)
Para saber o quanto a planta transpira (ETc), usamos o Tanque Classe A e multiplicamos pelos coeficientes da cultura (Kc).
📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM (Coeficientes Kc):
Se você está no Semiárido:
- Floração: use 0,39
- Formação de frutos: use 0,85 (aumente a água!)
- Maturação: baixe para 0,58
Se você está no Meio-Norte:
- Início da floração: use 1,0
- Pico (90 dias após indução): use 1,30
- Maturação: baixe para 1,0
Percebeu a diferença? No Meio-Norte a demanda calculada é maior. Ajuste sua planilha conforme a sua região.
Teste Prático: Como Calcular o Tempo de Irrigação na Lavoura
Saber a lâmina (milímetros) é uma coisa, saber quantos minutos deixar a bomba ligada é outra. Aqui vai um teste de campo simples para calibrar seu sistema:
- Escolha um emissor (microaspersor) no meio do pomar.
- Espalhe coletores (copinhos) numa área quadrada em volta dele, cobrindo todo o raio molhado.
- Ligue a irrigação por 1 hora exata.
- Meça a média de água nos coletores. Isso vai te dar a intensidade do sistema em mm/hora.
A conta final: Se o cálculo do clima pediu uma lâmina de 5 mm e seu sistema aplica 10 mm/hora, você precisa irrigar por 30 minutos.
Faça esse teste periodicamente. Bicos entopem, bombas perdem pressão e, sem conferir, você pode estar aplicando menos água do que imagina.
Glossário
Autocompensantes: Dispositivos de irrigação que possuem um mecanismo interno para manter a vazão de água constante, independentemente de variações na pressão da rede ou desníveis no terreno. Garantem que todas as plantas do pomar recebam a mesma quantidade de água, mesmo em áreas de ladeira.
Indução Floral: Processo fisiológico ou manejo técnico que estimula a planta a iniciar a produção de flores em detrimento do crescimento vegetativo (folhas). No caso da manga, envolve o controle rigoroso da água para criar um estresse necessário à floração.
Panículas: Tipo de inflorescência em formato de cacho ramificado onde se agrupam as flores da mangueira. Sua emergência marca o fim do estresse hídrico e o momento crítico para retomar a irrigação e garantir a fixação dos frutos.
Tensiômetro: Equipamento instalado no solo para medir a força com que a água está retida entre as partículas de terra, simulando o esforço que a raiz faz para absorvê-la. É a ferramenta mais prática para o produtor decidir o momento exato de ligar o sistema de irrigação.
Potencial Matricial: Grandeza física que indica o estado de retenção da água no solo, geralmente expressa em kilopascals (kPa). Quanto mais negativo o valor, mais seco está o solo e maior é a dificuldade da planta em extrair umidade.
Evapotranspiração (ETc): Quantidade total de água que se perde para a atmosfera através da evaporação direta do solo e da transpiração das folhas da planta. Representa a real necessidade de reposição hídrica da cultura em determinado período.
Coeficiente da Cultura (Kc): Fator numérico que ajusta a necessidade de água de acordo com a fase de desenvolvimento da planta. Ele permite que o produtor aumente ou diminua a lâmina de irrigação conforme a mangueira passa da floração para o enchimento de frutos.
Lâmina de Irrigação: Quantidade de água aplicada sobre o solo expressa em milímetros (mm), onde 1 mm equivale a 1 litro por metro quadrado. É a unidade de medida utilizada para converter a necessidade hídrica da planta em tempo de funcionamento das bombas.
Como a tecnologia ajuda no manejo da irrigação
Escolher o sistema ideal e acertar o tempo de rega são passos fundamentais para a produtividade da manga, mas o sucesso financeiro depende de monitorar de perto o impacto desses processos no custo de produção. Ferramentas de gestão como o Aegro ajudam a centralizar o controle operacional e financeiro, permitindo que você acompanhe o gasto com energia e manutenção do sistema de irrigação de forma simples e intuitiva, garantindo que a tecnologia no campo se converta em lucro real.
Além disso, para não se perder nos cálculos de lâmina e nas fases críticas de indução floral, o Aegro possibilita o planejamento de atividades e o registro histórico do manejo em um só lugar. Isso ajuda a transformar dados de clima e solo em decisões seguras, reduzindo desperdícios de água e insumos, o que é essencial para manter a eficiência em regiões desafiadoras como o semiárido.
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Perguntas Frequentes
Por que a microaspersão é considerada superior ao gotejamento para o cultivo de manga?
A microaspersão é preferida porque molha uma área maior de solo, o que acompanha melhor a distribuição natural das raízes da mangueira. Em solos arenosos, essa vantagem é ainda mais clara, pois o gotejamento pode restringir demais a zona úmida, limitando o desenvolvimento da planta. No entanto, o gotejamento pode ser usado com sucesso se for instalado em configurações de anel ou linha dupla.
É necessário suspender totalmente a irrigação durante a fase de indução floral?
Sim, a suspensão ou redução severa da água é uma estratégia fundamental para causar um estresse controlado na planta, sinalizando que é hora de produzir flores em vez de novos brotos de folhas. O manejo correto exige que a irrigação seja retomada imediatamente assim que as primeiras panículas (flores) começarem a emergir, evitando o abortamento da floração.
Onde devo instalar os sensores de umidade para monitorar a irrigação da manga?
Os sensores, como os tensiômetros, devem ser posicionados onde as raízes estão mais ativas: em um raio de até 1,5 metro de distância do tronco. Quanto à profundidade, o ideal é monitorar a faixa entre 50 cm e 60 cm abaixo da superfície. Irrigar ou monitorar muito além dessas medidas resulta em desperdício de água, já que a planta não aproveita o recurso em zonas mais profundas ou distantes.
Qual é o período crítico em que a falta de água mais prejudica a produção?
O pico de consumo de água ocorre durante a fase de crescimento e enchimento dos frutos, especialmente entre a 4ª e a 6ª semana após o pegamento. Nesse intervalo, a demanda hídrica no semiárido pode chegar a 5,5 mm/dia. Se houver déficit hídrico nesse estágio, os frutos não atingirão o tamanho e peso ideais, reduzindo drasticamente a rentabilidade da colheita.
Como o tipo de solo influencia o momento exato de ligar o sistema de irrigação?
O tipo de solo determina a capacidade de retenção de água e, consequentemente, a leitura no tensiômetro. Em solos arenosos, que secam mais rápido, a irrigação deve ser iniciada quando o sensor marcar entre -15 e -25 kPa. Já em solos argilosos, que seguram a umidade por mais tempo, é possível esperar até que a tensão atinja entre -30 e -60 kPa antes de irrigar novamente.
Como posso converter a necessidade de água da planta em tempo de irrigação na prática?
Para saber quantos minutos ligar a bomba, você deve realizar um teste de campo com coletores (copos) espalhados sob o microaspersor para descobrir a intensidade do sistema em mm/hora. Se a planta precisa de uma lâmina de 5 mm e seu sistema aplica 10 mm/hora, o tempo de irrigação será de 30 minutos. Esse teste deve ser repetido periodicamente para ajustar perdas de pressão ou entupimentos.
Artigos Relevantes
- Evapotranspiração: Como Otimizar Irrigação e Produtividade Agrícola: Este artigo é fundamental para aprofundar o conhecimento técnico sobre os cálculos de lâmina mencionados no texto principal. Enquanto o artigo da manga cita o uso de Kc e ETc, este guia explica a ciência por trás da evapotranspiração, ajudando o produtor a entender como o clima e o solo interagem para definir a demanda hídrica real.
- Irrigação por Gotejamento: O Guia Completo para o Produtor: Como o artigo principal apresenta o gotejamento como uma alternativa que exige cuidados específicos na manga (como anéis ou linhas duplas), este guia completo oferece a base técnica necessária sobre os componentes e o funcionamento desse sistema, permitindo que o produtor planeje a instalação sugerida com maior segurança.
- Irrigação de Precisão: Uso Inteligente da Água e Maior Produtividade: Este conteúdo complementa a discussão sobre o uso de tensiômetros e sensores de umidade. Ele expande a visão do produtor sobre como a tecnologia de precisão evita o estresse hídrico e o desperdício, conceitos que são vitais para as fases críticas de indução floral e enchimento de frutos detalhadas no texto da manga.
- Irrigação com Drip Protection: Economia de Água e Aplicação Precisa de Insumos: Este artigo adiciona uma dimensão prática importante: a aplicação de insumos via irrigação. Dado que o manejo da manga exige nutrição precisa durante o pico de consumo de água, o conceito de ‘drip protection’ e quimigação oferece uma solução tecnológica para otimizar o tempo e os recursos do produtor.
- Irrigação Inteligente: O Guia Completo para Produzir Mais com Menos Água: Este artigo funciona como uma ponte entre o manejo técnico e a gestão estratégica mencionada no final do texto principal. Ele ajuda o produtor a visualizar como a automação e o uso de dados (como os do software Aegro) transformam a rotina de irrigação em uma operação mais lucrativa e menos dependente de ‘achismos’.

![Imagem de destaque do artigo: Irrigação de Manga: Gotejo ou Microaspersão? [Guia 2025]](/images/blog/geradas/irrigacao-manga-microaspersao-x-gotejamento.webp)