Irrigação do Maracujá: Como Aumentar a Produtividade [2025]

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Índice

Vale a pena investir na irrigação do maracujá?

Você já deve ter ouvido vizinho dizer que “maracujá dá em qualquer lugar”. Mas quem vive da terra sabe que a diferença entre sobreviver e lucrar está no manejo. Uma dúvida que sempre aparece na roda de conversa é: “Será que o custo da irrigação se paga?”.

Vamos aos fatos, sem rodeios. O maracujazeiro responde muito rápido à água. Com um sistema bem ajustado e boa tecnologia, a produtividade pode passar de 50 toneladas por hectare no primeiro ano e 30 toneladas no segundo.

Além do peso na balança, tem outras vantagens que mexem direto no seu bolso:

  • Colheita mais cedo: A produção pode começar apenas 6 meses após o transplantio.
  • Vida longa ao pomar: Plantas irrigadas duram mais, podendo passar de 3 anos produzindo (se as pragas deixarem, claro).
  • Florada o ano todo: Se a sua região tem mais de 11 horas de sol por dia, a água garante que a planta continue soltando flor sem parar.
  • Fruto de primeira: O maracujá sai maior e mais bonito, o que garante melhor preço no mercado de fruta fresca (in natura).

Gotejamento ou Aspersão: Qual o melhor sistema?

Seu João, lá no interior da Bahia, perdeu boa parte da florada na safra passada. O motivo? Ele ligava a aspersão bem na hora do almoço. A água molhava o pólen, e a flor não vingava fruto.

Para o maracujá, o sistema campeão é o gotejamento.

Embora a aspersão e a microaspersão existam, elas têm problemas sérios para essa cultura:

  1. Doenças: Molhar as folhas cria um clima úmido que fungos adoram.
  2. Mato: Molha a área toda, fazendo o mato crescer mais rápido e exigindo mais roçada.
  3. Polinização: Se molhar a flor aberta (que abre depois do meio-dia), o grão de pólen estoura e adeus fruto.

Já o gotejamento joga a água direto na raiz, economiza energia e água. O custo inicial é um pouco maior, mas compensa rápido.


Quanta água a planta precisa de verdade?

Aqui é onde muito produtor erra a mão. Achar que “quanto mais água melhor” pode matar sua planta afogada ou trazer doenças de raiz. A necessidade muda conforme a idade da lavoura.

Veja a “sede” média do maracujazeiro-azedo por dia:

  • Fase Inicial (até 90 dias): Bebe pouco. Cerca de 2,9 litros por planta/dia.
  • Florada e Produção (90 a 300 dias): É o pico. Sobe para 23,4 litros por planta/dia.
  • Final de ciclo (300 a 360 dias): Cai para 14,5 litros por planta/dia.

Como definir o turno de rega (frequência)?

Não adianta ter o melhor equipamento e ligar na hora errada. O maracujá tem raízes rasas e não gosta de passar sede, mas também não tolera pé encharcado.

O segredo é manter o solo sempre perto da “capacidade de campo” (úmido, mas não empapado).

  • Solo Arenoso: A água desce rápido. Precisa irrigar todo dia (frequência diária).
  • Solo Argiloso: Segura mais a umidade. Pode irrigar a cada 1 ou 2 dias.

Se você deixar o solo secar demais e depois encharcar, a planta sofre “estresse hídrico”. Isso trava o crescimento muito antes de a folha murchar visivelmente. Quando você vê a folha triste, o prejuízo na produção já aconteceu.

O perigo do excesso: Água demais traz a podridão do colo e a murcha de Fusarium. Se o seu solo já tem histórico desses fungos, a umidade alta vai espalhar a doença rápido.


Fertirrigação: O “pulo do gato” na produtividade

A fertirrigação nada mais é do que aproveitar a água da rega para levar a comida (adubo) direto na boca da planta.

As vantagens são claras:

  1. Economia: Você aplica o adubo parcelado, a planta come aos poucos e perde-se menos nutriente.
  2. Praticidade: Menos gente entrando na roça com saco de adubo nas costas.
  3. Resultado: Pode aumentar a produção em mais de duas vezes se bem feito.

E não precisa de nada de outro mundo. O equipamento mais prático e usado é o injetor Venturi. Ele é barato, simples de instalar e funciona bem. O custo de um sistema de injeção de adubo costuma ser apenas 2% a 10% do valor total da irrigação.


Quais adubos usar e como parcelar?

Na hora de misturar o adubo na água, o critério principal é a solubilidade (se ele dissolve bem). Os mais usados para maracujá são:

  • Nitrogenados: Ureia, Nitrato de Potássio, Sulfato de Amônio.
  • Potássicos: Cloreto de Potássio (o branco é melhor que o vermelho para não entupir), Nitrato de Potássio.

Cuidado com o Fósforo: ele costuma entupir gotejador se não souber manejar bem o pH da água.

Frequência de aplicação: O ideal é dar comida para a planta “de colherinha”, ou seja, pouco e sempre.

  • Nitrogênio e Potássio: Aplicar a cada 3 a 7 dias (uma ou duas vezes por semana).
  • Em solo arenoso: Prefira a cada 3 dias, pois a chuva/água leva o adubo embora rápido.

Planejamento da Adubação (Fase de Ouro): A planta muda o apetite conforme cresce. Veja onde focar a adubação de Nitrogênio (N) e Potássio (K):

  1. Crescimento (10-100 dias): A dose é baixa, aumentando devagar.
  2. Produção Forte (250-340 dias): Aqui é o consumo máximo. Quase 20% de todo o adubo do ciclo vai só nesse período. É hora de caprichar no Potássio para encher o fruto.

Glossário

Capacidade de Campo: É o limite máximo de água que o solo consegue reter após a drenagem do excesso pela gravidade. Representa a condição ideal de umidade onde a planta encontra água disponível sem comprometer a oxigenação das raízes.

Gotejamento: Sistema de irrigação localizada que aplica água em gotas diretamente na zona radicular através de emissores. É o método mais eficiente para o maracujá por economizar água e evitar o molhamento das flores e folhas, prevenindo doenças.

Estresse Hídrico: Estado de deficiência de água que afeta os processos vitais da planta, como crescimento e fotossíntese. No maracujazeiro, esse estresse pode causar o aborto de flores e a queda prematura de frutos, mesmo antes de sinais visíveis de murchamento.

Fertirrigação: Técnica que utiliza a água do sistema de irrigação para levar nutrientes (adubos) diretamente ao solo. Permite a nutrição da planta de forma parcelada e precisa, otimizando a absorção e reduzindo custos com mão de obra.

Injetor Venturi: Dispositivo hidromecânico simples que utiliza a diferença de pressão na tubulação para succionar o adubo líquido para o sistema de irrigação. É uma solução de baixo custo e alta eficiência para realizar a fertirrigação em pequenas e médias propriedades.

Turno de Rega: Refere-se ao intervalo de tempo entre duas irrigações sucessivas em uma mesma área. No Brasil, esse intervalo é ajustado conforme a textura do solo (arenoso ou argiloso) e o clima da região para manter a umidade constante.

Fusarium: Gênero de fungos de solo causadores da murcha vascular, uma das doenças mais graves do maracujazeiro. O controle rigoroso da umidade via irrigação é essencial para evitar o favorecimento e a disseminação deste patógeno no pomar.

Como o Aegro ajuda a transformar a irrigação em lucro real

Investir em tecnologia de irrigação e fertirrigação exige um controle rigoroso para que os custos não saiam do planejado. Ferramentas como o Aegro simplificam esse processo, permitindo que você registre as atividades de campo e controle o estoque de insumos usados na fertirrigação de forma intuitiva. Ao centralizar os dados da lavoura, o sistema gera relatórios que mostram exatamente quanto cada hectare está custando, ajudando você a entender se a produtividade alcançada está trazendo o retorno financeiro esperado.

Além disso, para quem busca modernizar a gestão sem complicações, o Aegro facilita o acompanhamento do cronograma de manutenção dos equipamentos e a organização financeira. Isso evita surpresas com gastos excessivos e garante que as decisões sejam tomadas com base em números reais, protegendo o seu bolso e a saúde do pomar.

Vamos lá?

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Perguntas Frequentes

Por que o sistema de gotejamento é considerado superior à aspersão para o cultivo de maracujá?

O gotejamento é preferível porque aplica a água diretamente na raiz, evitando molhar as folhas e flores. Isso previne o surgimento de doenças fúngicas e protege o pólen, que costuma estourar em contato com a água da aspersão, garantindo assim uma polinização eficiente e maior vingamento de frutos.

Qual é a fase do ciclo do maracujazeiro que exige maior atenção com a rega?

A fase crítica ocorre entre a florada e o pico de produção, especificamente entre os 90 e 300 dias após o plantio. Nesse período, a planta chega a consumir 23,4 litros de água por dia, e qualquer falta de umidade pode causar prejuízos irreversíveis na produtividade e na qualidade dos frutos.

Como o tipo de solo da minha propriedade altera a frequência da irrigação?

A frequência depende da capacidade de retenção de água: solos arenosos drenam rápido e exigem irrigações diárias. Já solos argilosos retêm umidade por mais tempo, permitindo um intervalo de 1 a 2 dias entre as regas, sempre cuidando para não encharcar e evitar doenças como a podridão do colo.

O que acontece se eu irrigar o pomar no período da tarde utilizando aspersores?

Irrigar à tarde com aspersão é altamente prejudicial, pois as flores do maracujazeiro abrem a partir do meio-dia. A água molha o estigma e o pólen, impedindo a fecundação e resultando na queda das flores sem a formação de frutos, o que reduz drasticamente a colheita.

Quais são as principais vantagens de utilizar a fertirrigação no manejo do maracujá?

A fertirrigação permite entregar nutrientes de forma parcelada e diretamente na zona de absorção das raízes, o que aumenta a eficiência do adubo e pode dobrar a produção. Além disso, reduz drasticamente o custo com mão de obra para adubação manual e permite um ajuste preciso conforme a necessidade da planta em cada estágio.

Quais cuidados devo ter ao escolher os adubos para o sistema de irrigação?

É essencial utilizar adubos com alta solubilidade, como a ureia e o cloreto de potássio branco, para evitar o entupimento de gotejadores e filtros. Adubos menos solúveis ou misturas incompatíveis podem gerar resíduos sólidos que danificam o sistema e prejudicam a uniformidade da aplicação da água.

Como posso saber se o investimento no sistema de irrigação está realmente trazendo lucro?

Para medir o retorno, é fundamental utilizar softwares de gestão como o Aegro, que registram os custos de insumos e manutenção em relação à produtividade alcançada. Ao cruzar esses dados, o produtor consegue visualizar o custo por hectare e confirmar se o aumento no peso e na qualidade dos frutos está gerando a margem de lucro esperada.

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