Irrigação no Milho: Guia de Manejo e Produtividade [2025]

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Índice

Aqui na lavoura, a gente sabe que depender apenas de São Pedro é um jogo arriscado. Um veranico na hora errada e o lucro de meses evapora. Por isso, a irrigação no milho deixou de ser luxo para virar ferramenta de segurança em muitas propriedades.

Mas ligar a bomba custa dinheiro e energia. O segredo não é só molhar, é saber quanto e quando. Vamos conversar direto ao ponto sobre como manejar isso sem desperdício.

Vale a pena investir em irrigação pro milho?

Essa é a pergunta de um milhão de reais que recebo no WhatsApp toda semana: “Seu Antônio, gasto com pivô ou deixo no sequeiro?” A resposta depende do que você vai colher.

Para quem produz milho grão, a conta é apertada. Geralmente, a margem de lucro do grão comercial não paga o alto investimento de um sistema de irrigação exclusivo para ele. Mas, se você já tem o sistema instalado para outras culturas na rotação, aí a história muda. O milho entra muito bem para aproveitar a estrutura já montada.

Agora, se o seu negócio é milho semente, milho-verde, pipoca ou minimilho, a irrigação é praticamente obrigatória. O motivo é simples: esses produtos têm alto valor agregado. Além de garantir que você vai colher (reduzindo o risco de quebra de safra), a água controlada permite plantar em épocas diferentes das convencionais e melhora muito a qualidade do produto final.


Quanta água o milho bebe de verdade?

Muita gente acha que irrigar é só ligar a torneira quando a terra está seca. Aí a conta de luz vem alta e a produção não muda tanto. Você sabe o quanto sua planta realmente precisa?

O milho não bebe a mesma quantidade de água o tempo todo. Existe o que chamamos de exigência hídrica. No ciclo total, a cultura precisa de 350 mm a 600 mm de água. Essa variação depende de onde você planta, do clima da sua região e do manejo do solo.

Mas o “pulo do gato” é a tal da evapotranspiração. De forma simples, é a soma da água que a planta transpira com a água que evapora do chão quente.


Qual o melhor jeito de molhar a lavoura?

Se você visitar as grandes fazendas do Centro-Oeste hoje, vai ver uma mudança clara na paisagem. O jeito de jogar água mudou.

Antigamente, em áreas de várzea, se usava muito a irrigação por sulco. Mas nos grandes projetos modernos, esse sistema está sumindo. O motivo? Ele desperdiça muita água. O sistema por sulco é “perdulário” — joga fora um recurso que está cada vez mais escasso.

Hoje, o campeão na lavoura de milho é a aspersão via pivô central. Ele cobre grandes áreas e controla melhor a lâmina de água.

Já para o pequeno e médio produtor, ou em áreas onde o pivô não cabe, a aspersão convencional ainda funciona muito bem, principalmente quando o milho entra na sucessão de outras culturas.


Como saber a hora exata de ligar o sistema?

Você rega no “olhômetro” ou tem técnica? O manejo da irrigação é justamente decidir a hora certa e a quantidade certa de água.

Existem três caminhos para tomar essa decisão:

  1. Olhando o Solo: Usando sensores como tensiômetros (que medem a força que a raiz faz para puxar água).
  2. Olhando o Clima: Usando dados de estações meteorológicas e o Tanque Classe A.
  3. Combinando os dois: É o cenário ideal.

Um aliado forte desenvolvido aqui no Brasil, pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), é o Irrigâmetro. É um aparelho prático que mostra a evapotranspiração e ajuda a descontar a chuva que caiu. Ele serve para qualquer cultura e ajuda muito a não errar a mão.

Hoje em dia, o controle eletrônico facilita a vida do encarregado da irrigação, automatizando boa parte desse processo.


Hora de parar: quando desligar a água?

O erro mais comum no final da safra é gastar energia elétrica quando o milho já não precisa mais de água, ou cortar antes da hora e perder peso de grão.

O momento de suspender a irrigação depende do seu objetivo final:

  • Para Grãos: Pode desligar quando atingir a maturação fisiológica. Na prática, você sabe disso quando aparece a “camada preta” na base do grão. Viu o ponto preto? O grão não enche mais. Pode cortar a água.
  • Para Milho-Verde: Irrigue até o dia da colheita. O ponto é quando o “segundo cabelo” do milho seca e se solta fácil da espiga.
  • Para Minimilho: Pare de irrigar assim que terminar a colheita.

Glossário

Evapotranspiração: Processo que soma a perda de água do solo por evaporação e a transpiração das plantas para a atmosfera. É o indicador fundamental para calcular o volume exato de água que deve ser reposto na lavoura.

Lâmina de Água: Medida da quantidade de água aplicada em uma área, expressa em milímetros (mm). No manejo da irrigação, define a profundidade que a água atinge no perfil do solo para suprir a necessidade das raízes.

Estimativa da Produtividade do Milho

Tensiômetro: Instrumento instalado no solo para medir a força com que a água está retida entre as partículas de terra. Permite ao produtor identificar o nível de esforço que a planta faz para absorver umidade e decidir o momento de irrigar.

Plantio Direto: Sistema de manejo que cultiva a terra sobre a palhada da safra anterior, sem revolvimento do solo por arados ou grades. Essa técnica é crucial para conservar a umidade e reduzir a temperatura do solo.

Maturação Fisiológica: Estádio final do desenvolvimento do grão onde ocorre o máximo acúmulo de massa seca e a interrupção do transporte de nutrientes da planta. No milho, é o ponto de segurança para suspender a irrigação sem perda de produtividade.

Tanque Classe A: Equipamento meteorológico padronizado que mede a evaporação direta da água para a atmosfera sob condições locais. Seus dados são utilizados no cálculo de balanço hídrico para ajustar a quantidade de água aplicada via pivô ou aspersão.

Veja como o Aegro ajuda você a dominar a irrigação e os custos

Investir em tecnologia de irrigação exige um olhar atento às finanças para que a conta de luz e o diesel não consumam sua margem. O software de gestão agrícola Aegro facilita esse controle, permitindo que você acompanhe os custos operacionais de cada pivô e registre as atividades de manejo em tempo real. Assim, você garante que cada gota d’água aplicada se transforme em produtividade e lucro real no final da safra.

Além disso, integrar os dados climáticos e os registros de campo ajuda a evitar o desperdício, permitindo decisões mais seguras sobre o momento exato de irrigar. Com relatórios intuitivos e acesso fácil pelo celular, você organiza a rotina da fazenda e ganha clareza sobre o desempenho de cada talhão, facilitando a gestão mesmo para quem está começando a digitalizar a propriedade.

Vamos lá?

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Perguntas Frequentes

Por que a irrigação é mais recomendada para milho especial do que para o milho grão comum?

O milho grão comercial possui margens de lucro mais estreitas, o que torna difícil pagar o alto investimento inicial de um sistema de irrigação exclusivo. Já variedades como milho pipoca, doce ou semente têm alto valor agregado, onde a garantia de produtividade e a qualidade superior justificam o custo tecnológico, protegendo o produtor contra quebras de safra.

O que acontece se faltar água especificamente no período de florescimento do milho?

Este é o momento de maior sensibilidade da planta, conhecido como período crítico. A falta de água durante o pré-florescimento e o enchimento de grãos prejudica diretamente a polinização e a formação da espiga, resultando em grãos leves ou falhados, o que causa uma redução irreversível na produtividade final da lavoura.

Como o Plantio Direto ajuda a economizar água e energia na irrigação?

No sistema de Plantio Direto, a cobertura morta (palhada) sobre o solo atua como um isolante térmico, reduzindo drasticamente a evaporação direta da água da terra. Isso permite que o solo mantenha a umidade por mais tempo, possibilitando intervalos maiores entre as irrigações e, consequentemente, reduzindo o consumo de energia elétrica e água.

Qual é a principal desvantagem da irrigação por sulco comparada ao pivô central?

A irrigação por sulco é considerada pouco eficiente por ser ‘perdulária’, apresentando perdas elevadas por infiltração excessiva no início dos sulcos e escoamento no final. O pivô central, embora exija maior investimento em equipamento, permite aplicar uma lâmina de água uniforme e controlada sobre toda a área, otimizando o recurso hídrico e facilitando o manejo.

Como identificar visualmente o momento certo de desligar o sistema de irrigação?

Para a produção de grãos, o sinal definitivo é o surgimento da ‘camada preta’ na base do grão, que indica que a maturação fisiológica foi atingida e a planta não absorve mais água ou nutrientes. No caso do milho-verde, o ponto de corte é na colheita, identificado quando os cabelos da espiga estão secos e se soltam facilmente.

O uso de sensores de solo é realmente necessário para manejar a irrigação?

Embora seja possível irrigar com base no clima, o uso de sensores como tensiômetros traz uma precisão muito maior ao medir a força que as raízes fazem para extrair água. Essa técnica evita tanto o estresse hídrico quanto o encharcamento do solo, garantindo que o produtor ligue a bomba apenas quando a planta realmente precisa, gerando economia real nos custos operacionais.

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