Irrigação da Pera: Guia Prático para Frutos Maiores [2025]

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Índice

Água na Hora Certa: O Segredo do Tamanho da Fruta

Você já viu aquele pomar bonito, cheio de folhas, mas que na hora da colheita entrega frutas pequenas e leves? A frustração é grande e o prejuízo no bolso é maior ainda. Muitas vezes, o produtor acha que faltou adubo, mas o problema real foi a falta de água no momento exato.

A pereira, assim como a maioria das frutas de clima temperado, precisa de água para fazer as células crescerem. É a pressão da água dentro da planta que “estica” o fruto. Se a planta não passar sede, ela cresce mais e produz mais. Simples assim.

Mas será que precisa irrigar o ano todo? Qual o sistema que dá menos dor de cabeça? Vamos conversar sobre isso direto ao ponto.

A Pereira Precisa de Água o Ano Todo?

Uma dúvida que sempre aparece na roda de conversa é: “Seu Antônio, preciso gastar energia irrigando mesmo quando a planta não está produzindo?”

A resposta curta é: não. A necessidade de água muda conforme a fase da planta.

Durante a fase vegetativa (crescimento de ramos e folhas), se faltar um pouco de água, a planta cresce menos, mas isso não derruba sua produtividade lá na frente. Na dormência (inverno), a água é ainda menos importante.

Agora, preste muita atenção aqui: existem duas fases onde você não pode bobear com a umidade do solo:

  1. Floração e pegamento dos frutos: Se faltar água aqui, a planta aborta e você perde produção antes mesmo dela começar.
  2. Enchimento do fruto (4 a 8 semanas antes da colheita): É a fase de crescimento rápido. Falta de água nesse período significa pera leve e pequena.

Preciso Mesmo Investir em Irrigação ou a Chuva Basta?

Na safra passada, muitos produtores do Sul viram que quem dependia só de São Pedro passou aperto em anos de seca, enquanto quem tinha irrigação garantiu a safra. Mas instalar um sistema custa dinheiro. Quando vale a pena?

Nem sempre é obrigatório. Se a sua região tem chuva bem distribuída e seu solo segura bem a umidade, o investimento pode não se pagar. Mas, para isso funcionar sem irrigação, você precisa ajudar o solo a trabalhar para você.

Como segurar a água no solo sem gastar com irrigação:

  • Aumentar a entrada da água: Cultivo em nível, subsolagem e manter cobertura vegetal (palhada).
  • Aumentar o armazenamento: Corrigir o solo em profundidade (para a raiz descer mais), usar matéria orgânica e fazer camalhões.
  • Diminuir a perda: Controlar o mato (que bebe a água da sua pera), usar cobertura morta (mulching) e quebra-ventos.

Qual Sistema Escolher: Gotejamento, Aspersão ou Sulco?

Quem já tentou irrigar por sulco ou inundação sabe o trabalho que dá e a quantidade de água que se perde. Além disso, molhar a folha da pereira é pedir para ter doença fúngica.

Por isso, na fruticultura moderna, os sistemas localizados (gotejamento e microaspersão) são os campeões.

Por que o localizado é melhor para a pera?

  • Economia: Molha só onde está a raiz.
  • Saúde: Não molha a copa, diminuindo doenças.
  • Controle: Menos água para as plantas daninhas na entrelinha.

Sobre o tipo de solo e o sistema, a regra é prática:

  • Solo Arenoso: Retém pouco. Precisa de irrigações frequentes com pouco volume. Gotejadores de baixa vazão podem não ser ideais se não forem bem manejados.
  • Solo Argiloso: Segura mais. Você pode irrigar com intervalos maiores e volumes maiores.

Comparativo: Gotejamento, Pivô e Sulco na Prática

Muitos produtores que migram de culturas anuais para a fruticultura questionam se podem aproveitar estruturas existentes. Aqui, é preciso ser direto sobre as limitações da irrigação pivô e do sulco para a pereira.

O pivo irrigação (Pivô Central) é imbatível em grandes áreas de grãos, mas na pera ele encontra barreiras físicas e sanitárias. A estrutura do equipamento exige plantas de porte muito baixo, o que limita o manejo do pomar. Além disso, a aspersão por cima da copa cria um microclima úmido nas folhas, facilitando doenças fúngicas como a sarna. Embora existam adaptações, o manejo fitossanitário torna-se mais caro e arriscado com a irrigação pivô.

Já a irrigação sulco é uma técnica tradicional que vem perdendo espaço rapidamente na fruticultura profissional. Apesar do baixo custo de implantação, ela possui baixa eficiência no uso da água e dificulta a fertirrigação precisa. O maior problema, contudo, é a saúde da planta: a irrigação sulco tende a encharcar a região do colo da pereira, aumentando drasticamente o risco de podridões radiculares e morte de plantas por asfixia das raízes em solos pesados.

Como Saber a Hora Exata de Ligar a Bomba?

Você já perdeu produtividade por achar que o solo estava úmido “no olho”, mas na verdade a raiz estava sofrendo? O “chutômetro” é perigoso.

Para manejar bem, a ferramenta mais prática é o tensiômetro. Ele mede a força que a raiz tem que fazer para puxar a água.

A anotação para o caderno de campo (para pereiras):

  • Fases críticas (Floração/Enchimento): Irrigar quando o tensiômetro marcar 40 kPa.
  • Fases menos sensíveis: Pode esperar chegar a 60 kPa.
  • Quando parar de irrigar? Quando o ponteiro baixar para 10 kPa (solo cheio).

Outra forma é fazer o balanço hídrico (conta de quanto choveu menos quanto a planta suou/evapotranspirou), mas isso exige mais cálculo e dados climáticos da região. O tensiômetro é mais direto: olhou, tomou decisão.

O Tipo de Muda e a Região Mudam Tudo?

Aqui no Brasil, a realidade muda muito de ponta a ponta.

No Nordeste, onde é quente e árido, não tem conversa: irrigação é obrigatória ou a pereira não vinga.

No Sul, a história é outra. Pomares antigos, com porta-enxertos vigorosos (raízes grandes) e baixa densidade, muitas vezes produzem bem sem irrigação. Porém, os novos pomares estão mudando isso.

O cenário atual: Estamos plantando mais adensado (mais plantas por hectare) e usando porta-enxertos que “seguram” o crescimento da planta (ananiçam).

  • Porta-enxerto de Marmeleiro: Tem raiz mais rasa e sistema menor. Sofre muito com a seca. Em solos rasos, precisa de irrigação.
  • Porta-enxerto Pyrus: Raiz robusta e profunda. Aguenta mais o tranco em solos férteis sem irrigação.

Fertirrigação: Aproveitando a Viagem da Água

Se você já tem o sistema de gotejamento ou microaspersão instalado, por que entrar com o trator para adubar se a água pode levar o nutriente direto na boca da raiz? Isso é a fertirrigação.

É ideal para as adubações de manutenção. Você dissolve o adubo na água e injeta na rede.

Vantagens:

  • Economia de mão de obra e diesel.
  • Aplicação parcelada (a planta come aos poucos, o que é melhor).
  • Eficiência no uso do adubo.

Mas cuidado! Não tente fazer calagem (calcário) ou adubação foliar pela fertirrigação. Isso continua sendo feito do jeito tradicional. E para grandes pomares, a automação disso pode ficar cara, exigindo equipamentos complexos.

⚠️ CUIDADO PRÁTICO: Antes de misturar tudo no tanque, verifique a compatibilidade dos fertilizantes. Alguns produtos, quando misturados, viram uma “pasta” ou pedra e entopem todos os seus gotejadores. Cheque também o pH e a salinidade da mistura para não queimar as raízes.

Um Detalhe Sobre Telas Antigranizo

Se você usa tela ou cobertura plástica no pomar, saiba que isso muda o jogo da água. A cobertura diminui a radiação solar direta sobre a planta.

Menos sol direto significa que a planta “sua” menos (menor evapotranspiração). Consequentemente, ela consome menos água. O solo seca mais devagar embaixo da tela. Portanto, ajuste seu manejo e olhe o tensiômetro, senão você corre o risco de encharcar o solo achando que está irrigando igual a um pomar a céu aberto.


Glossário

Porta-enxerto: Parte inferior da planta, composta pelas raízes, que serve de suporte para a variedade produtora (copa). No Brasil, influencia diretamente o vigor da planta, a resistência a doenças do solo e a adaptação a diferentes regimes hídricos.

Tensiômetro: Equipamento que mede a tensão com que a água está retida no solo, simulando o esforço que a raiz faz para absorvê-la. É a ferramenta técnica mais prática para o produtor decidir o momento exato de iniciar a irrigação.

Evapotranspiração: Processo que combina a perda de água do solo por evaporação e a perda de água das plantas pela transpiração. É o indicador fundamental para calcular quanta água o pomar realmente consumiu e quanto precisa ser reposto.

Subsolagem: Operação mecanizada para romper camadas compactadas nas profundezas do solo, melhorando a drenagem e a infiltração. Permite que as raízes da pereira cresçam mais fundo, buscando umidade em períodos de seca.

Ananiçante: Característica de porta-enxertos que limitam o crescimento da planta, mantendo-a de porte baixo. Esse efeito é essencial para pomares adensados, mas exige maior rigor na irrigação, pois o sistema radicular costuma ser mais raso.

Fertirrigação: Técnica de aplicar fertilizantes dissolvidos na água através do sistema de irrigação localizado. Garante que o nutriente chegue diretamente à zona de absorção das raízes, aumentando a eficiência do adubo e reduzindo custos operacionais.

Quilopascal (kPa): Unidade de pressão utilizada para medir a sucção da água no solo através de sensores. No campo, valores altos de kPa indicam solo seco, enquanto valores baixos indicam solo úmido ou saturado.

Pegamento dos Frutos: Estágio após a polinização em que a flor se transforma efetivamente em um fruto jovem que permanece na planta. É uma fase crítica onde a falta de água pode causar o abortamento e a queda maciça da futura produção.

Como a tecnologia ajuda a dominar o manejo da água e dos custos

Para que o investimento em sistemas de irrigação e fertirrigação realmente se pague, o produtor precisa sair do “chutômetro” e adotar uma gestão baseada em dados reais. Ferramentas como o Aegro ajudam a resolver esse desafio ao centralizar o planejamento das atividades de campo e o monitoramento dos custos de produção em um só lugar. Ao registrar cada irrigação e aplicação de insumos, você consegue visualizar exatamente o impacto dessas operações na sua margem de lucro por hectare, garantindo que a busca por frutas maiores não comprometa a saúde financeira da fazenda.

Além disso, para quem lida com a complexidade de gerenciar múltiplos talhões ou está em processo de sucessão familiar, o Aegro facilita a organização do histórico da safra e a comunicação entre a equipe. O uso de um sistema intuitivo permite que tanto o produtor tradicional quanto o gestor focado em eficiência acompanhem o desempenho da lavoura pelo celular, garantindo que o manejo hídrico ocorra no tempo certo e que os recursos sejam utilizados com o máximo de economia.

Vamos lá?

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Perguntas Frequentes

Por que a água influencia tanto no tamanho final da pera?

O crescimento do fruto depende da pressão hidrostática (turgor) dentro das células da planta, que atua como uma força que ’estica’ os tecidos. Sem água suficiente, especialmente na fase de enchimento, as células não se expandem adequadamente, resultando em frutas pequenas, leves e com menor valor de mercado.

É realmente necessário irrigar a pereira durante o inverno?

Não é necessário manter o mesmo ritmo de irrigação, pois a planta entra em dormência e reduz drasticamente seu consumo hídrico. O foco deve ser garantir que o solo não seque completamente para manter a viabilidade das raízes e a absorção mínima de nutrientes, mas o investimento pesado em água deve ser guardado para as fases de floração e enchimento de frutos.

Quais são as alternativas para quem não pode instalar um sistema de irrigação agora?

O segredo está em transformar o solo em um reservatório eficiente através da cobertura morta (mulching) para reduzir a evaporação e do aumento da matéria orgânica para melhorar a retenção. Além disso, o controle rigoroso de plantas daninhas e o uso de quebra-ventos ajudam a preservar a umidade que já está disponível no terreno.

Por que o gotejamento é mais recomendado do que a aspersão convencional?

O gotejamento é superior porque aplica a água diretamente na zona radicular, evitando o molhamento das folhas e frutos, o que reduz drasticamente o risco de doenças fúngicas. Além disso, apresenta maior eficiência no uso da água e energia, permitindo também a prática da fertirrigação com maior precisão.

Como o porta-enxerto escolhido influencia o manejo da irrigação?

Porta-enxertos de Marmeleiro possuem raízes mais superficiais e são mais sensíveis à seca, exigindo irrigações mais frequentes e precisas. Já os porta-enxertos do gênero Pyrus tendem a ter raízes mais profundas e robustas, suportando melhor períodos de estiagem, especialmente em solos mais pesados e férteis.

O que deve ser evitado ao utilizar a fertirrigação no pomar?

O maior perigo é a mistura de fertilizantes incompatíveis no tanque, o que pode causar reações químicas e formar sólidos que entopem gotejadores e filtros. Também deve-se evitar a aplicação de calcário por esse sistema e sempre monitorar o pH da solução final para não causar danos químicos às raízes das plantas.

Como as telas antigranizo afetam a necessidade de água da planta?

As telas reduzem a radiação solar direta e a velocidade do vento sobre o dossel, o que diminui a evapotranspiração da planta. Na prática, isso significa que pomares cobertos conservam a umidade do solo por mais tempo e podem exigir um volume de irrigação menor em comparação com pomares a céu aberto.

Artigos Relevantes

  • Irrigação Inteligente: Água Eficiente e Maior Produtividade: Este artigo aprofunda a discussão sobre o uso de dados para a tomada de decisão, complementando a seção do texto principal que incentiva o produtor a sair do ‘chutômetro’. Ele detalha como a tecnologia de irrigação inteligente maximiza a produtividade, conectando-se diretamente ao objetivo de obter frutas maiores e mais pesadas.
  • Irrigação com Drip Protection: Economia de Água e Aplicação Precisa de Insumos: Como o artigo principal destaca o gotejamento como o sistema ideal para a pereira e alerta sobre os riscos da fertirrigação (como o entupimento), este candidato oferece um guia técnico essencial sobre a proteção desses sistemas. Ele agrega valor prático ao ensinar como manter a eficiência da aplicação de insumos e água via gotejamento.
  • Evapotranspiração: Como Otimizar Irrigação e Produtividade Agrícola: Este conteúdo explica a ciência por trás de um conceito fundamental mencionado no texto principal: a perda de água das plantas. Ele é especialmente relevante para a parte que discute o efeito das telas antigranizo no pomar, ajudando o produtor a entender como calcular a necessidade hídrica real da cultura.
  • Solo Arenoso: Características, Manejo e Correção: O texto principal menciona explicitamente que solos arenosos exigem um manejo diferenciado devido à baixa retenção hídrica. Este artigo serve como um guia complementar necessário, detalhando estratégias de manejo e correção específicas para garantir que a pereira não sofra estresse hídrico em terrenos com essa textura.
  • Irrigação de Precisão: Uso Inteligente da Água e Maior Produtividade: Este artigo amplia a visão estratégica sobre o uso eficiente da água, focando em como evitar o estresse hídrico que compromete o crescimento do fruto. Ele reforça a narrativa de que o investimento em tecnologia de precisão é o caminho para garantir a qualidade ’tipo exportação’ mencionada no conteúdo sobre pereiras.