Índice
- O Básico: Quem Manda na Pesca no Pantanal?
- Petrechos Permitidos: O Que Pode e O Que Dá Multa?
- Onde é Proibido Pescar? (Áreas de Exclusão)
- Documentação: Amador, Profissional e Aquicultor
- Piscicultura: Criar Peixe no Pantanal
- Defeso e Tamanhos Mínimos: Respeitar para Não Faltar
- Glossário
- Como o Aegro facilita a vida do produtor e do aquicultor
- Perguntas Frequentes
- Se houver divergência entre a lei federal e a estadual sobre a pesca, qual devo seguir?
- É permitido utilizar equipamentos de respiração artificial, como cilindros, na pesca subaquática?
- Quais são as distâncias mínimas obrigatórias para pescar perto de cachoeiras e barragens?
- Qual a principal diferença burocrática entre um pescador profissional e um aquicultor?
- Como devo proceder com o estoque de peixes antes do início do período de defeso (Piracema)?
- Posso criar espécies de peixes que não são nativas da bacia do Pantanal, como a Tilápia?
- O que acontece se um pescador amador for pego transportando uma grande quantidade de pescado?
- Artigos Relevantes
Resumo rápido: Entenda as regras da legislação da pesca no Pantanal de forma simples e direta. Saiba quais petrechos são permitidos, a documentação necessária para pescador profissional e amador, como funciona o licenciamento para piscicultura e os períodos de defeso para evitar multas pesadas.
O Básico: Quem Manda na Pesca no Pantanal?
Você já deve ter ouvido no rádio ou na conversa de cerca: “Ah, mas a lei federal diz uma coisa e a estadual diz outra”. Essa dúvida é comum e já causou dor de cabeça para muito produtor que achou que estava certo e acabou multado.
Vamos direto ao ponto: a pesca no Brasil segue a Lei Federal nº 11.959, de 2009. Ela é o “guarda-chuva” geral. Porém, os estados (como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) têm poder para criar as próprias regras.
A regra de ouro é simples: Vale sempre a lei que for mais rigorosa (restritiva). Se a lei federal deixa pescar peixe de 30 cm, mas a estadual exige 40 cm, você obedece a estadual. O objetivo é sempre proteger mais o peixe.
Além disso, não se engane achando que “pesca” é só tirar peixe da água. Pela lei (desde 1967), pescar é extrair qualquer coisa que vive na água: peixe, planta, caranguejo ou molusco. Tirou da água? É pesca e tem regra.
Petrechos Permitidos: O Que Pode e O Que Dá Multa?
Seu João, um vizinho nosso, perdeu todo o equipamento ano passado porque estava usando uma rede que ele jurava ser “pequena demais para dar problema”. O fiscal não quis nem saber. Para você não passar por isso, vamos listar o que a Portaria Ibama nº 03/2008 libera especificamente para o Pantanal.
A lei separa bem quem pesca por esporte (amador) de quem vive disso (profissional).
1. Pesca Amadora (Esportiva/Turismo)
Aqui a regra é diversão, não produção. Você pode usar:
- Linha de mão;
- Caniço simples, molinete ou carretilha;
- Anzóis simples ou múltiplos;
- Puçá (para tirar o peixe da água);
- Arbalete ou espingarda de mergulho (apenas em mergulho livre, nada de respirador artificial);
- Tridente.
2. Pesca Profissional Artesanal
Para quem tem a carteira de pescador profissional e vive disso, as ferramentas aumentam um pouco, mas ainda são controladas:
- Tudo o que o amador usa;
- João bobo: Boia com anzol;
- Cavalinho: (tipo de isca/montagem);
- Anzol de galho: Fixado na vegetação da beira do rio (mata ciliar) ou em estacas no barranco.
Iscas Vivas e Peixes Ornamentais
Para pegar a isca (tuvira, caranguejo, etc.) ou peixes de aquário, a malha tem medida certa. Se a malha for menor que o permitido, é multa na certa.
Para Iscas Vivas (Profissional):
- Tarrafa: Altura máx. 1,80m | Malha entre 20mm e 50mm.
- Peneira: Até 2,20m x 1,20m.
- Jiqui e Covo: Devem ter as medidas exatas e funis que evitem a captura de peixes grandes.
Onde é Proibido Pescar? (Áreas de Exclusão)
Você sabia que pescar muito perto de uma cachoeira pode dar cadeia, mesmo que você esteja com a vara e a licença certas? O lugar importa tanto quanto o equipamento.
A Portaria Ibama nº 03/2008 define zonas de proteção para garantir que os peixes consigam subir o rio para desovar. Fique longe dessas áreas:
- Cachoeiras e Corredeiras: Proibido pescar 200 metros acima (montante) e 200 metros abaixo (jusante).
- Nascentes e Olhos d’água: Mantenha 200 metros de distância.
- Barragens: Proibido pescar 1 km acima e 1 km abaixo.
- Ninhais (pássaros): Mantenha 1 km de distância.
- Bocas de rios (confluências): Para pegar isca viva ou peixe ornamental, fique a pelo menos 200 metros de onde um rio encontra o outro ou entra numa baía.
Documentação: Amador, Profissional e Aquicultor
A burocracia assusta, mas o prejuízo da fiscalização assusta muito mais. Muita gente confunde os registros. Vamos organizar essa papelada.
O documento principal é o RGP (Registro Geral da Atividade Pesqueira), emitido pelo Governo Federal (MPA). Mas cada categoria tem sua exigência.
Quadro Comparativo de Documentação
| Categoria | Quem é? | Exigência Principal | Detalhes Importantes |
|---|---|---|---|
| Pescador Amador | Pesca por lazer ou esporte. | Licença de Pesca Amadora (Estadual ou Federal). | Não pode vender o peixe. Segue cota de transporte estadual. |
| Pescador Profissional | Vive exclusivamente da pesca. | RGP de Pescador Profissional. | Precisa provar que a pesca é a única renda. Recebe seguro-defeso. |
| Aquicultor | Cria peixe em tanque/açude para vender. | Registro de Aquicultor no RGP + Licença Ambiental. | Precisa de projeto técnico. É tratado como produtor rural. |
| Pescador Científico | Pesquisador de Universidade/Instituto. | Autorização SISBIO/ICMBio. | Pode usar petrechos proibidos para coleta, se justificar no projeto. |
Como tirar o RGP (Profissional/Aquicultor): Você vai precisar preencher os formulários do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e apresentar:
- RG e CPF;
- Comprovante de residência;
- PIS/PASEP (se não for o primeiro registro);
- Comprovante de pagamento da taxa;
- Para aquicultores: Projeto da infraestrutura e Licença Ambiental.
Piscicultura: Criar Peixe no Pantanal
Muitos produtores rurais querem aproveitar aquele açude parado para engordar um Pacu ou Pintado. A ideia é ótima, mas a piscicultura (criação) tem regras diferentes da pesca extrativa (rio).
Para legalizar sua produção e evitar que o órgão ambiental embargue sua fazenda, o caminho é:
- Registro de Aquicultor: Feito no MPA.
- Licenciamento Ambiental: Feito no órgão estadual (Sema/Imasul).
- Projeto Técnico: Você vai precisar de um engenheiro ou técnico habilitado para desenhar o projeto. Se for usar águas da União (rios federais para tanque-rede), precisa também da Autorização de Uso de Espaços Físicos.
Espécies Exóticas (de fora): Pode criar Tilápia ou peixes de outras bacias no Pantanal? A lei permite o cultivo de exóticas, MAS a análise do projeto é muito mais rigorosa. Você terá que provar que os tanques são seguros e que os peixes não vão escapar para o rio. Se escapar, é crime ambiental.
Defeso e Tamanhos Mínimos: Respeitar para Não Faltar
Dona Maria, uma antiga pantaneira, sempre diz: “quem come a semente, não tem a fruta depois”. O período de defeso (Piracema) serve justamente para isso: deixar o peixe reproduzir.
Regras do Defeso (Piracema)
- Quando: Normalmente de novembro a fevereiro (verifique a portaria anual, as datas podem mudar).
- Pode pescar? Profissional e Amador NÃO podem pescar espécies nativas. Apenas subsistência (para comer no local) de moradores ribeirinhos é tolerada sob regras estritas.
- Seguro-Desemprego: O pescador profissional registrado recebe um salário mínimo nesse período.
- Comércio: Se você é pescador profissional e tem peixe estocado, precisa declarar o estoque para a Polícia Ambiental/Imasul no início do defeso. Vender peixe fresco ou não declarado na Piracema dá cadeia (1 a 3 anos) e perda do registro.
Tamanhos Mínimos (Portaria nº 3/2008)
Não importa a época, se o peixe for menor que isso, tem que soltar. Alguns exemplos vitais para a Bacia do Paraguai:
- Dourado: Tamanho definido em lei estadual (frequentemente protegido/cota zero, verifique a regra vigente do ano).
- Jaú: Zungaro zungaro (verificar medida atualizada na tabela do estado).
- Pacu: Piaractus mesopotamicus (tamanho mínimo exigido).
- Pintado/Surubim: Pseudoplatystoma corruscans (tamanho mínimo exigido).
Nota: As medidas exatas em centímetros podem sofrer ajustes anuais pelas portarias estaduais de pesca (MS/MT). Sempre tenha a tabela atualizada no barco.
Glossário
RGP (Registro Geral da Atividade Pesqueira): Cadastro obrigatório emitido pelo Ministério da Pesca e Aquicultura que identifica e legaliza o pescador e o aquicultor profissional no Brasil. É o documento essencial para acessar benefícios previdenciários e garantir a regularidade da comercialização da produção.
Piscicultura: Ramo da aquicultura voltado exclusivamente ao cultivo de peixes em ambientes controlados, como tanques escavados ou redes. Exige acompanhamento técnico para o manejo da qualidade da água, nutrição e controle sanitário das espécies.
Mata Ciliar: Vegetação nativa situada às margens de rios e lagos, que funciona como um filtro protetor contra o assoreamento e a poluição. No contexto pesqueiro, é vital para a alimentação e abrigo de diversas espécies de peixes.
Montante e Jusante: Termos de hidrografia que indicam direção: montante refere-se ao sentido da nascente (subindo o rio), enquanto jusante refere-se ao sentido da foz ou desembocadura (descendo o rio). São referências usadas para delimitar áreas de exclusão de pesca perto de cachoeiras.
Espécies Exóticas: Organismos animais ou vegetais que não pertencem originalmente à bacia hidrográfica onde estão sendo cultivados. O manejo dessas espécies exige infraestrutura de contenção rigorosa para evitar escapes que possam desequilibrar a biodiversidade local.
Período de Defeso: Época de proibição legal da pesca de determinadas espécies para garantir sua reprodução e a manutenção dos estoques nos rios. No Pantanal, coincide frequentemente com a piracema, quando os peixes sobem o rio para desovar.
Aquicultura: Produção organizada de organismos aquáticos, abrangendo desde peixes até plantas, moluscos e crustáceos. É tratada juridicamente como uma atividade agropecuária, exigindo licenciamento ambiental e projeto técnico específico.
Como o Aegro facilita a vida do produtor e do aquicultor
Lidar com a burocracia das licenças e garantir que a atividade de piscicultura seja lucrativa exige uma gestão profissional, assim como qualquer outra cultura na fazenda. Ferramentas como o Aegro ajudam a organizar essas informações, permitindo que o produtor centralize o controle financeiro e operacional da propriedade em um só lugar. Isso facilita o acompanhamento de custos com insumos e a gestão de documentos, garantindo que o negócio esteja sempre em dia e com as contas claras.
Além disso, para quem busca modernizar a atividade, o uso de um sistema intuitivo ajuda a digitalizar processos e reduzir erros na prestação de contas. Com o suporte humano do Aegro, você tem mais segurança para gerenciar tanto a produção quanto a parte fiscal, garantindo que a transição do papel para o digital ocorra sem complicações e com total controle sobre os resultados.
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Perguntas Frequentes
Se houver divergência entre a lei federal e a estadual sobre a pesca, qual devo seguir?
Você deve sempre seguir a lei que for mais restritiva (mais rigorosa). No Pantanal, se a norma estadual exigir um tamanho de peixe maior ou proibir um petrecho que a lei federal permite, a regra estadual prevalece para fins de fiscalização, visando a maior proteção do ecossistema local.
É permitido utilizar equipamentos de respiração artificial, como cilindros, na pesca subaquática?
Não, o uso de aparelhos de respiração artificial é terminantemente proibido para a prática da pesca no Pantanal. A modalidade permitida é apenas o mergulho livre (apneia), e o descumprimento dessa norma configura crime ambiental passível de sanções pesadas.
Quais são as distâncias mínimas obrigatórias para pescar perto de cachoeiras e barragens?
Para cachoeiras, corredeiras e bocas de rios, deve-se manter uma distância mínima de 200 metros, tanto acima quanto abaixo do ponto. Já no caso de barragens de hidrelétricas e áreas de ninhais de pássaros, a distância mínima obrigatória de exclusão aumenta para 1.000 metros (1 km).
Qual a principal diferença burocrática entre um pescador profissional e um aquicultor?
O pescador profissional extrai peixes do ambiente natural e precisa do RGP específico, comprovando que a pesca é sua renda exclusiva. Já o aquicultor cria peixes em cativeiro e, além do registro no RGP, exige obrigatoriamente licenciamento ambiental estadual e um projeto técnico assinado por um engenheiro ou técnico habilitado.
Como devo proceder com o estoque de peixes antes do início do período de defeso (Piracema)?
Pescadores profissionais e estabelecimentos comerciais que possuem peixes nativos estocados devem obrigatoriamente declarar esse estoque à Polícia Ambiental ou ao órgão estadual competente logo no início da Piracema. A venda de peixe nativo não declarado ou pescado durante o defeso pode resultar em prisão e perda definitiva do registro de pesca.
Posso criar espécies de peixes que não são nativas da bacia do Pantanal, como a Tilápia?
O cultivo de espécies exóticas é permitido por lei, mas o licenciamento ambiental para esses projetos é significativamente mais rigoroso. O produtor deve comprovar, através de estruturas físicas seguras, que não há qualquer risco de fuga desses peixes para os rios locais, o que causaria um grave desequilíbrio ecológico.
O que acontece se um pescador amador for pego transportando uma grande quantidade de pescado?
A pesca amadora é destinada exclusivamente ao lazer e esporte, sendo proibida a comercialização do produto. Se o pescador for flagrado com quantidades que caracterizem comércio (como centenas de quilos), a fiscalização enquadrará o ato como crime ambiental, resultando em multas, apreensão de veículos e equipamentos, e possível detenção.
Artigos Relevantes
- Compensação Ambiental no Agronegócio: Um Guia Prático para o Produtor Rural: Este artigo complementa a discussão sobre licenciamento para piscicultura no Pantanal, detalhando as obrigações ambientais que o produtor pode enfrentar ao instalar tanques. Ele oferece uma visão prática sobre como regularizar o impacto ambiental da atividade, conectando-se diretamente à exigência de licença ambiental mencionada no texto principal.
- Cadastro Ambiental Rural (CAR): O Guia Completo para o Produtor Rural: O CAR é o documento base para qualquer regularização ambiental citada no artigo principal, especialmente para o aquicultor que precisa de licenciamento estadual. Este guia ajuda o produtor a entender a primeira etapa burocrática necessária para validar sua propriedade antes de solicitar o RGP ou autorizações de uso de água.
- PRAD: O Guia Completo do Plano de Recuperação de Áreas Degradadas: O artigo principal destaca a importância da preservação da mata ciliar e das zonas de exclusão (como nascentes); o PRAD surge como a solução técnica caso o produtor precise recuperar essas áreas para se adequar à legislação. É uma leitura essencial para quem deseja regularizar passivos ambientais em margens de rios pantaneiros.
- Regularização Fundiária Rural: Novas Regras para Legalizar sua Terra: Para obter o Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) e licenças de aquicultura, a posse legal da terra é fundamental. Este artigo explica as novas regras para legalizar a propriedade, preenchendo a lacuna sobre a documentação de posse exigida pelos órgãos ambientais e pelo Ministério da Pesca.
- Bureau Verde do Crédito Rural: O que é e Como Vai Impactar Sua Fazenda: Este artigo apresenta a contrapartida financeira para o produtor que segue as rigorosas leis ambientais do Pantanal. Ele conecta o esforço de conformidade legal discutido no texto principal com benefícios práticos, como melhores condições de crédito para quem mantém sua produção (ou piscicultura) dentro dos critérios sustentáveis.

![Imagem de destaque do artigo: Pesca no Pantanal: Guia de Regras para Evitar Multas [2025]](/images/blog/geradas/legislacao-pesca-pantanal-regras-licenciamento-defeso.webp)