Pesca no Pantanal: Guia de Regras para Evitar Multas [2025]

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Índice

Resumo rápido: Entenda as regras da legislação da pesca no Pantanal de forma simples e direta. Saiba quais petrechos são permitidos, a documentação necessária para pescador profissional e amador, como funciona o licenciamento para piscicultura e os períodos de defeso para evitar multas pesadas.


O Básico: Quem Manda na Pesca no Pantanal?

Você já deve ter ouvido no rádio ou na conversa de cerca: “Ah, mas a lei federal diz uma coisa e a estadual diz outra”. Essa dúvida é comum e já causou dor de cabeça para muito produtor que achou que estava certo e acabou multado.

Vamos direto ao ponto: a pesca no Brasil segue a Lei Federal nº 11.959, de 2009. Ela é o “guarda-chuva” geral. Porém, os estados (como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) têm poder para criar as próprias regras.

A regra de ouro é simples: Vale sempre a lei que for mais rigorosa (restritiva). Se a lei federal deixa pescar peixe de 30 cm, mas a estadual exige 40 cm, você obedece a estadual. O objetivo é sempre proteger mais o peixe.

Além disso, não se engane achando que “pesca” é só tirar peixe da água. Pela lei (desde 1967), pescar é extrair qualquer coisa que vive na água: peixe, planta, caranguejo ou molusco. Tirou da água? É pesca e tem regra.


Petrechos Permitidos: O Que Pode e O Que Dá Multa?

Seu João, um vizinho nosso, perdeu todo o equipamento ano passado porque estava usando uma rede que ele jurava ser “pequena demais para dar problema”. O fiscal não quis nem saber. Para você não passar por isso, vamos listar o que a Portaria Ibama nº 03/2008 libera especificamente para o Pantanal.

A lei separa bem quem pesca por esporte (amador) de quem vive disso (profissional).

1. Pesca Amadora (Esportiva/Turismo)

Aqui a regra é diversão, não produção. Você pode usar:

  • Linha de mão;
  • Caniço simples, molinete ou carretilha;
  • Anzóis simples ou múltiplos;
  • Puçá (para tirar o peixe da água);
  • Arbalete ou espingarda de mergulho (apenas em mergulho livre, nada de respirador artificial);
  • Tridente.

2. Pesca Profissional Artesanal

Para quem tem a carteira de pescador profissional e vive disso, as ferramentas aumentam um pouco, mas ainda são controladas:

  • Tudo o que o amador usa;
  • João bobo: Boia com anzol;
  • Cavalinho: (tipo de isca/montagem);
  • Anzol de galho: Fixado na vegetação da beira do rio (mata ciliar) ou em estacas no barranco.

Iscas Vivas e Peixes Ornamentais

Para pegar a isca (tuvira, caranguejo, etc.) ou peixes de aquário, a malha tem medida certa. Se a malha for menor que o permitido, é multa na certa.

Para Iscas Vivas (Profissional):

  • Tarrafa: Altura máx. 1,80m | Malha entre 20mm e 50mm.
  • Peneira: Até 2,20m x 1,20m.
  • Jiqui e Covo: Devem ter as medidas exatas e funis que evitem a captura de peixes grandes.

Onde é Proibido Pescar? (Áreas de Exclusão)

Você sabia que pescar muito perto de uma cachoeira pode dar cadeia, mesmo que você esteja com a vara e a licença certas? O lugar importa tanto quanto o equipamento.

A Portaria Ibama nº 03/2008 define zonas de proteção para garantir que os peixes consigam subir o rio para desovar. Fique longe dessas áreas:

  1. Cachoeiras e Corredeiras: Proibido pescar 200 metros acima (montante) e 200 metros abaixo (jusante).
  2. Nascentes e Olhos d’água: Mantenha 200 metros de distância.
  3. Barragens: Proibido pescar 1 km acima e 1 km abaixo.
  4. Ninhais (pássaros): Mantenha 1 km de distância.
  5. Bocas de rios (confluências): Para pegar isca viva ou peixe ornamental, fique a pelo menos 200 metros de onde um rio encontra o outro ou entra numa baía.

Documentação: Amador, Profissional e Aquicultor

A burocracia assusta, mas o prejuízo da fiscalização assusta muito mais. Muita gente confunde os registros. Vamos organizar essa papelada.

O documento principal é o RGP (Registro Geral da Atividade Pesqueira), emitido pelo Governo Federal (MPA). Mas cada categoria tem sua exigência.

Quadro Comparativo de Documentação

CategoriaQuem é?Exigência PrincipalDetalhes Importantes
Pescador AmadorPesca por lazer ou esporte.Licença de Pesca Amadora (Estadual ou Federal).Não pode vender o peixe. Segue cota de transporte estadual.
Pescador ProfissionalVive exclusivamente da pesca.RGP de Pescador Profissional.Precisa provar que a pesca é a única renda. Recebe seguro-defeso.
AquicultorCria peixe em tanque/açude para vender.Registro de Aquicultor no RGP + Licença Ambiental.Precisa de projeto técnico. É tratado como produtor rural.
Pescador CientíficoPesquisador de Universidade/Instituto.Autorização SISBIO/ICMBio.Pode usar petrechos proibidos para coleta, se justificar no projeto.

Como tirar o RGP (Profissional/Aquicultor): Você vai precisar preencher os formulários do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e apresentar:

  1. RG e CPF;
  2. Comprovante de residência;
  3. PIS/PASEP (se não for o primeiro registro);
  4. Comprovante de pagamento da taxa;
  5. Para aquicultores: Projeto da infraestrutura e Licença Ambiental.

Piscicultura: Criar Peixe no Pantanal

Muitos produtores rurais querem aproveitar aquele açude parado para engordar um Pacu ou Pintado. A ideia é ótima, mas a piscicultura (criação) tem regras diferentes da pesca extrativa (rio).

Para legalizar sua produção e evitar que o órgão ambiental embargue sua fazenda, o caminho é:

  1. Registro de Aquicultor: Feito no MPA.
  2. Licenciamento Ambiental: Feito no órgão estadual (Sema/Imasul).
  3. Projeto Técnico: Você vai precisar de um engenheiro ou técnico habilitado para desenhar o projeto. Se for usar águas da União (rios federais para tanque-rede), precisa também da Autorização de Uso de Espaços Físicos.

Espécies Exóticas (de fora): Pode criar Tilápia ou peixes de outras bacias no Pantanal? A lei permite o cultivo de exóticas, MAS a análise do projeto é muito mais rigorosa. Você terá que provar que os tanques são seguros e que os peixes não vão escapar para o rio. Se escapar, é crime ambiental.


Defeso e Tamanhos Mínimos: Respeitar para Não Faltar

Dona Maria, uma antiga pantaneira, sempre diz: “quem come a semente, não tem a fruta depois”. O período de defeso (Piracema) serve justamente para isso: deixar o peixe reproduzir.

Regras do Defeso (Piracema)

  • Quando: Normalmente de novembro a fevereiro (verifique a portaria anual, as datas podem mudar).
  • Pode pescar? Profissional e Amador NÃO podem pescar espécies nativas. Apenas subsistência (para comer no local) de moradores ribeirinhos é tolerada sob regras estritas.
  • Seguro-Desemprego: O pescador profissional registrado recebe um salário mínimo nesse período.
  • Comércio: Se você é pescador profissional e tem peixe estocado, precisa declarar o estoque para a Polícia Ambiental/Imasul no início do defeso. Vender peixe fresco ou não declarado na Piracema dá cadeia (1 a 3 anos) e perda do registro.

Tamanhos Mínimos (Portaria nº 3/2008)

Não importa a época, se o peixe for menor que isso, tem que soltar. Alguns exemplos vitais para a Bacia do Paraguai:

  • Dourado: Tamanho definido em lei estadual (frequentemente protegido/cota zero, verifique a regra vigente do ano).
  • Jaú: Zungaro zungaro (verificar medida atualizada na tabela do estado).
  • Pacu: Piaractus mesopotamicus (tamanho mínimo exigido).
  • Pintado/Surubim: Pseudoplatystoma corruscans (tamanho mínimo exigido).

Nota: As medidas exatas em centímetros podem sofrer ajustes anuais pelas portarias estaduais de pesca (MS/MT). Sempre tenha a tabela atualizada no barco.


Glossário

RGP (Registro Geral da Atividade Pesqueira): Cadastro obrigatório emitido pelo Ministério da Pesca e Aquicultura que identifica e legaliza o pescador e o aquicultor profissional no Brasil. É o documento essencial para acessar benefícios previdenciários e garantir a regularidade da comercialização da produção.

Piscicultura: Ramo da aquicultura voltado exclusivamente ao cultivo de peixes em ambientes controlados, como tanques escavados ou redes. Exige acompanhamento técnico para o manejo da qualidade da água, nutrição e controle sanitário das espécies.

Mata Ciliar: Vegetação nativa situada às margens de rios e lagos, que funciona como um filtro protetor contra o assoreamento e a poluição. No contexto pesqueiro, é vital para a alimentação e abrigo de diversas espécies de peixes.

Montante e Jusante: Termos de hidrografia que indicam direção: montante refere-se ao sentido da nascente (subindo o rio), enquanto jusante refere-se ao sentido da foz ou desembocadura (descendo o rio). São referências usadas para delimitar áreas de exclusão de pesca perto de cachoeiras.

Espécies Exóticas: Organismos animais ou vegetais que não pertencem originalmente à bacia hidrográfica onde estão sendo cultivados. O manejo dessas espécies exige infraestrutura de contenção rigorosa para evitar escapes que possam desequilibrar a biodiversidade local.

Período de Defeso: Época de proibição legal da pesca de determinadas espécies para garantir sua reprodução e a manutenção dos estoques nos rios. No Pantanal, coincide frequentemente com a piracema, quando os peixes sobem o rio para desovar.

Aquicultura: Produção organizada de organismos aquáticos, abrangendo desde peixes até plantas, moluscos e crustáceos. É tratada juridicamente como uma atividade agropecuária, exigindo licenciamento ambiental e projeto técnico específico.

Como o Aegro facilita a vida do produtor e do aquicultor

Lidar com a burocracia das licenças e garantir que a atividade de piscicultura seja lucrativa exige uma gestão profissional, assim como qualquer outra cultura na fazenda. Ferramentas como o Aegro ajudam a organizar essas informações, permitindo que o produtor centralize o controle financeiro e operacional da propriedade em um só lugar. Isso facilita o acompanhamento de custos com insumos e a gestão de documentos, garantindo que o negócio esteja sempre em dia e com as contas claras.

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Perguntas Frequentes

Se houver divergência entre a lei federal e a estadual sobre a pesca, qual devo seguir?

Você deve sempre seguir a lei que for mais restritiva (mais rigorosa). No Pantanal, se a norma estadual exigir um tamanho de peixe maior ou proibir um petrecho que a lei federal permite, a regra estadual prevalece para fins de fiscalização, visando a maior proteção do ecossistema local.

É permitido utilizar equipamentos de respiração artificial, como cilindros, na pesca subaquática?

Não, o uso de aparelhos de respiração artificial é terminantemente proibido para a prática da pesca no Pantanal. A modalidade permitida é apenas o mergulho livre (apneia), e o descumprimento dessa norma configura crime ambiental passível de sanções pesadas.

Quais são as distâncias mínimas obrigatórias para pescar perto de cachoeiras e barragens?

Para cachoeiras, corredeiras e bocas de rios, deve-se manter uma distância mínima de 200 metros, tanto acima quanto abaixo do ponto. Já no caso de barragens de hidrelétricas e áreas de ninhais de pássaros, a distância mínima obrigatória de exclusão aumenta para 1.000 metros (1 km).

Qual a principal diferença burocrática entre um pescador profissional e um aquicultor?

O pescador profissional extrai peixes do ambiente natural e precisa do RGP específico, comprovando que a pesca é sua renda exclusiva. Já o aquicultor cria peixes em cativeiro e, além do registro no RGP, exige obrigatoriamente licenciamento ambiental estadual e um projeto técnico assinado por um engenheiro ou técnico habilitado.

Como devo proceder com o estoque de peixes antes do início do período de defeso (Piracema)?

Pescadores profissionais e estabelecimentos comerciais que possuem peixes nativos estocados devem obrigatoriamente declarar esse estoque à Polícia Ambiental ou ao órgão estadual competente logo no início da Piracema. A venda de peixe nativo não declarado ou pescado durante o defeso pode resultar em prisão e perda definitiva do registro de pesca.

Posso criar espécies de peixes que não são nativas da bacia do Pantanal, como a Tilápia?

O cultivo de espécies exóticas é permitido por lei, mas o licenciamento ambiental para esses projetos é significativamente mais rigoroso. O produtor deve comprovar, através de estruturas físicas seguras, que não há qualquer risco de fuga desses peixes para os rios locais, o que causaria um grave desequilíbrio ecológico.

O que acontece se um pescador amador for pego transportando uma grande quantidade de pescado?

A pesca amadora é destinada exclusivamente ao lazer e esporte, sendo proibida a comercialização do produto. Se o pescador for flagrado com quantidades que caracterizem comércio (como centenas de quilos), a fiscalização enquadrará o ato como crime ambiental, resultando em multas, apreensão de veículos e equipamentos, e possível detenção.

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