Cultivo de Mamona: Guia de Sementes e Produtividade [2025]

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Índice

De onde vem essa planta que nasce até na beira da estrada?

Você já deve ter reparado: a mamona nasce em qualquer lugar. Seja no terreno baldio da cidade ou na beira da cerca da fazenda, ela está lá. Muita gente acha que ela é nativa do Brasil por causa dessa facilidade toda, mas a verdade é outra.

A mamona veio de longe, provavelmente da antiga Abissínia (hoje Etiópia), na África. Quem trouxe foram os escravizados, e ela se adaptou tão bem ao nosso clima tropical que virou praticamente “de casa”. Antigamente, todo sítio tinha um pé no quintal para fazer remédio caseiro ou óleo para lamparina.

Hoje, essa planta que você vê crescendo sozinha por aí virou “selvagem”. Ela serve para contar história, mas não serve para a sua lavoura comercial. E eu vou te explicar o porquê agora, para você não perder dinheiro.


Por que não posso usar a semente da mamona “tigüera”?

Aqui entre nós, produtor: a tentação é grande. Você vê aquela mamoneira carregada no fundo do pasto, resistente, sem ninguém cuidar, e pensa: “Vou pegar essa semente e plantar, é de graça e aguenta o tranco”.

Planilha de Estimativa de Perdas na Colheita

Como escolher a variedade certa: Seca, Ciclo e Óleo

Seu João, lá no semiárido, me perguntou outro dia: “Qual a mágica para a mamona aguentar tanta seca?”. Não é mágica, é genética.

Quando os pesquisadores (como o pessoal da Embrapa) vão desenvolver uma variedade nova, eles buscam plantas com raiz pivotante vigorosa. É aquela raiz que desce fundo buscar água onde as outras não alcançam. Eles também escolhem plantas com folhas que têm uma cera especial, que evita que a planta transpire demais e perca água no sol quente.

Mas na hora de escolher sua semente, fique de olho em três coisas:

  1. Potencial de Óleo: A genética da mamona pode chegar a 62% de óleo, mas isso é em laboratório. Na lavoura, com sol, chuva e adubo do dia a dia, a média fica em 48%. Se você conseguir entre 50% e 52%, já está excelente.
  2. Ciclo (Precocidade):
    • Precoce: Ciclo abaixo de 120 dias (ideal para quem quer “safrinha” ou rotação rápida). Elas crescem menos, mas você pode plantar mais pés por metro para compensar.
    • Médio/Tardio: Acima de 200 dias (como as variedades tradicionais do Nordeste).
  3. Adaptação Regional:
    • Nordeste/Semiárido: Variedades como BRS Nordestina (1,90m de altura) e BRS Paraguaçu (1,60m). Elas demoram uns 250 dias para fechar o ciclo e produzem bem (média de 1.500 kg/ha se chover normal).
    • São Paulo/Sul: Variedades como a linha IAC (Guarani, 80, 226) ou a Al Guarany 2002.

Híbridos ou Variedades: O que compensa mais?

Essa é uma dúvida que mexe no bolso. “Vale a pena pagar mais caro na semente híbrida?”

Vamos direto ao ponto.

  • Híbridos: São cruzamentos de duas linhas puras. A vantagem é que a lavoura fica um “tapete”: todas as plantas nascem iguais, crescem na mesma altura e maduram juntas. Isso facilita demais a colheita mecanizada e aumenta a produtividade. O lado ruim? A semente é cara e, se der uma doença, ela pega na lavoura inteira de uma vez, porque todas as plantas são “irmãs gêmeas”.
  • Variedades: Têm um pouco mais de variação entre uma planta e outra. Isso pode ser bom, porque algumas plantas podem resistir melhor a uma praga que mataria o vizinho. É mais seguro para quem tem menos tecnologia.

Se você busca colheita mecanizada, prefira híbridos de porte baixo e frutos que não abrem (indeiscentes). Mas prepare o maquinário para descascar, porque a casca desses frutos costuma ser dura de tirar.


Posso fazer minha própria semente na fazenda?

Poder, pode. Mas o risco é alto. A mamona é “namoradeira”: ela faz polinização cruzada com muita facilidade. O vento leva o pólen de uma planta para a outra.

Se você pegar a semente da sua melhor planta e plantar no ano seguinte, pode nascer uma planta fraca. Por quê? Porque ela pode ter cruzado com aquela mamona selvagem do vizinho ou da beira da estrada.


O futuro: Transgênicos e como tirar o veneno

Você deve ouvir falar muito de soja e milho transgênico, mas e a mamona?

Por enquanto, não existe variedade comercial de mamona transgênica. Fazer um transgênico custa muito caro e demora demais. O melhoramento clássico (cruzamento no campo) tem resolvido bem os problemas de pragas e seca.

Mas os cientistas não estão parados. O grande sonho da pesquisa é resolver o maior problema da mamona: a toxicidade. A semente tem a ricina, que é tóxica. O objetivo da biotecnologia hoje é tentar “desligar” o gene que produz esse veneno ou criar variedades sem ele.

Enquanto isso não chega, o foco é na genética tradicional para aumentar o teor de óleo e facilitar a vida de quem está no campo com máquinas melhores.

Artigos Relevantes

  • Sementes Piratas: O Guia Completo Sobre Riscos e Como Evitar Prejuízos: Este artigo complementa perfeitamente o alerta do conteúdo principal sobre os riscos de utilizar sementes de ‘beira de estrada’ ou sem procedência. Ele detalha os prejuízos técnicos e legais das sementes não certificadas, reforçando por que a economia imediata com sementes ‘salvas’ de forma inadequada compromete a produtividade final.
  • Colheita Mecanizada: Como Identificar e Reduzir Perdas de Grãos: O texto principal enfatiza que a grande vantagem das variedades melhoradas de mamona é a resistência à deiscência (abertura dos frutos), permitindo a colheita mecânica. Este artigo oferece o suporte prático necessário para o produtor identificar e reduzir perdas durante esse processo, transformando a teoria da semente melhorada em lucro real no campo.
  • Semente de Soja: O Guia Completo para Escolher, Manejar e Garantir a Qualidade: Embora focado em outra cultura, este guia completo estabelece os fundamentos de como escolher e manejar sementes de alta qualidade para garantir o estande da lavoura. Ele ajuda o leitor a aprofundar os conceitos de ciclo e potencial produtivo mencionados na mamona, aplicando uma lógica de gestão de insumos profissional.
  • Amendoim-bravo (leiteiro): como identificar e controlar essa planta daninha: A mamona é frequentemente tratada como planta voluntária (tigüera) em outras culturas. Este artigo sobre o amendoim-bravo, que pertence à mesma família botânica da mamona (Euphorbiaceae), ajuda o produtor a entender o manejo de plantas espontâneas e o risco de contaminação cruzada, algo crucial mencionado no tópico de produção de sementes próprias.
  • Plantas de Cobertura: O Guia Completo para Proteger e Enriquecer seu Solo: Este artigo oferece uma visão sistêmica sobre como integrar diferentes culturas para proteção e enriquecimento do solo. Como a mamona é uma planta rústica e com raiz pivotante profunda, sua escolha como cultura comercial ou de rotação se beneficia diretamente das estratégias de saúde do solo discutidas neste guia.