Rentabilidade da Mamona: Nordeste ou Cerrado? [Guia 2025]

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Índice

Onde a conta da mamona fecha melhor: Nordeste ou Cerrado?

Você já deve ter ouvido falar que “mamona dá em qualquer lugar”. Mas, na prática, o que paga as contas não é a planta nascer, é ela dar lucro. E aqui, o Nordeste sai na frente.

No Semiárido, especialmente na Bahia, a mamona tem uma vantagem que o bolso agradece: ela aguenta a seca e o custo para produzir é baixo. Por lá, quem manda é a agricultura familiar. O produtor planta consorciado (misturado) com feijão e milho. Ou seja, na mesma área, você tira o sustento e ainda vende a mamona.

Já no Cerrado ou no Centro-Oeste, o buraco é mais embaixo. A terra é fértil e tem mais água, o que garante produtividades altas. Porém, para competir com soja e milho, você precisa de alta tecnologia e mecanização.


Como saber se vou ter lucro antes de plantar?

Uma dúvida que sempre aparece na roda de conversa é: “Quanto custa e quanto sobra?”. Não adianta achar que vai sobrar dinheiro no final se você não anotar cada centavo gasto no começo.

Para a conta fechar, você precisa comparar seu Custo de Produção com a Previsão de Venda. Parece óbvio, mas muita gente erra aqui:

  1. Registre tudo: Desde a semente até o diesel do trator ou o dia de serviço do funcionário.
  2. Defina o nível tecnológico: Vai usar semente comum ou melhorada? Vai colher na mão ou na máquina?
  3. Compare: Veja se o preço de venda esperado cobre esses custos com folga.

No Nordeste, o custo é baixo porque a mão de obra (que representa uns 80% do gasto) geralmente é da própria família. Já em lavouras tecnificadas, o custo sobe, mas a produção por hectare tem que subir junto para compensar.


Para quem vender? Entendendo o mercado e os preços

Seu João, produtor experiente, sabe que o preço da mamona é igual montanha-russa: sobe e desce rápido. Por que isso acontece?

O preço não depende só da gente. Ele é definido lá fora, principalmente pela Índia, que é a maior produtora do mundo. Se chove bem na Índia, a produção deles aumenta e o preço aqui cai. Se dá seca lá, o preço aqui melhora. É a lei da oferta e da procura.

O mercado funciona assim:

  • O que vende: O principal é o óleo de mamona (para a indústria) e seus derivados.
  • Quem compra: Indústrias de extração (esmagadoras). A Bahia concentra as maiores, mas fábricas de São Paulo e Minas também compram muito.
  • O problema: A venda ainda é desorganizada. O pequeno produtor, muitas vezes endividado, acaba vendendo para o atravessador na hora do aperto e perde dinheiro.

Oportunidade ou furada: O mercado do Biodiesel e a venda conjunta

Muita gente pergunta se o Biodiesel vai salvar a lavoura. O governo tem programas (como o Probiodiesel) e leis que obrigam a mistura de biodiesel no diesel comum. Isso cria uma demanda gigante.

Para atender só a mistura de 2% no diesel (meta inicial dos programas), o Brasil precisa de milhões de litros de óleo. Para o produtor, isso significa que vai ter gente querendo comprar mamona.

Kit Comparativo de Custos de Safra

Mas tem um jeito certo de entrar nessa: Parcerias e Cooperativas.

Sozinho, o pequeno produtor não tem força para negociar preço. Quando se junta em associação ou cooperativa, consegue:

  • Assistência técnica melhor.
  • Máquinas para descascar a mamona (beneficiamento).
  • Venda de grandes lotes direto para a usina de biodiesel.

Existe até modelo de “Reforma Agrária Público-Privada”, onde o agricultor entra na terra com contrato de venda garantida para a indústria. Isso reduz o risco de plantar e não ter para quem vender.


O que fazer com a casca e a torta? (Dinheiro jogado fora)

Na lavoura, nada se perde. Depois de colher e tirar o óleo, sobram dois materiais valiosos:

  1. Casca: Vira matéria orgânica para o solo. É adubo de graça.
  2. Torta de Mamona: É o que sobra da prensagem da semente. É um adubo rico em nitrogênio, excelente para recuperar o solo.

O futuro: Créditos de Carbono e Sustentabilidade

Além do óleo, a mamona pode render dinheiro de um jeito novo: sequestro de carbono.

Pelo Protocolo de Kyoto, plantações que ajudam a limpar o ar (tirar CO2 da atmosfera) podem gerar créditos. Como a mamona é energia renovável (biodiesel) e substitui o petróleo, ela entra no time dos “Mecanismos de Desenvolvimento Limpo”.

Isso ainda é conversa para contratos grandes, mas mostra que quem planta mamona está posicionado em um mercado que o mundo todo valoriza: energia limpa e renovável.


Glossário

Plantio Consorciado: Sistema de cultivo simultâneo de duas ou mais espécies na mesma área, otimizando o uso do solo e dos recursos naturais. Na cultura da mamona, permite ao produtor diversificar a renda e garantir a segurança alimentar com milho ou feijão.

Sementes Melhoradas: Insumos que passaram por seleção genética para apresentar características superiores, como maior teor de óleo e resistência a doenças. São fundamentais para aumentar o teto produtivo, especialmente em sistemas mecanizados de alta tecnologia.

5 planilhas para controle da fazenda

Beneficiamento: Etapa pós-colheita que envolve processos como limpeza, secagem e, principalmente, o descascamento dos frutos da mamona. Realizar essa etapa na propriedade ou via cooperativa agrega valor ao grão e reduz custos de transporte.

Torta de Mamona: Resíduo orgânico obtido após a prensagem das sementes para extração do óleo, sendo um excelente fertilizante rico em nitrogênio. Atua na melhoria da estrutura do solo e no controle de nematoides, mas requer cautela devido à sua toxicidade animal.

Ricina: Proteína tóxica encontrada naturalmente nas sementes de mamona que inviabiliza o uso direto do farelo na alimentação animal sem tratamento prévio. A eliminação desse componente exige processos térmicos ou químicos específicos para garantir a segurança zootécnica.

Sequestro de Carbono: Capacidade da cultura absorver gás carbônico da atmosfera e fixá-lo na planta e no solo, auxiliando na mitigação do efeito estufa. Esse processo abre portas para que o produtor rural acesse mercados de créditos financeiros e certificações de sustentabilidade.

Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL): Modelo de projeto que visa a redução de gases de efeito estufa através de tecnologias limpas, como o uso de biocombustíveis. Lavouras de mamona podem ser inseridas nesse sistema para atrair investimentos focados em energia renovável.

Torne a gestão da sua safra de mamona mais lucrativa e organizada

Para garantir que a conta da mamona feche com lucro, especialmente em áreas de alta tecnologia como o Cerrado ou na agricultura familiar do Nordeste, o controle rigoroso de gastos é fundamental. Softwares de gestão agrícola como o Aegro ajudam a centralizar toda a gestão financeira e o acompanhamento de custos de insumos, permitindo que você visualize o fluxo de caixa em tempo real e identifique exatamente onde é possível economizar.

Além disso, o registro de atividades operacionais via aplicativo mobile permite que cada centavo gasto com diesel, manutenção de máquinas ou mão de obra seja contabilizado na hora, diretamente do campo. Isso evita as “surpresas desagradáveis” mencionadas anteriormente e traz a clareza necessária para o produtor — seja ele tradicional ou em sucessão familiar — tomar decisões baseadas em dados e não apenas no palpite.

Vamos lá?

Quer profissionalizar sua produção de mamona e garantir que cada centavo investido retorne como lucro? Experimente o Aegro gratuitamente e descubra como simplificar a gestão financeira e operacional da sua fazenda agora mesmo.

Perguntas Frequentes

Qual é a principal diferença entre produzir mamona no Nordeste e no Cerrado?

No Nordeste, a produção destaca-se pelo baixo custo e pela agricultura familiar, sendo comum o plantio consorciado com feijão e milho para subsistência e renda. Já no Cerrado, a cultura exige alta tecnologia e mecanização pesada para competir com a rentabilidade da soja e do milho, demandando uma gestão empresarial mais rigorosa.

Por que o preço da mamona no Brasil sofre tantas variações?

O mercado brasileiro é influenciado diretamente pela cotação internacional, onde a Índia dita o ritmo como maior produtora mundial. Fatores climáticos na Ásia alteram a oferta global, fazendo com que o preço no Brasil suba ou desça de acordo com a disponibilidade do produto no mercado externo.

Como o produtor pode evitar perdas financeiras na hora da venda?

A estratégia mais eficaz é fugir dos atravessadores e buscar a venda direta para indústrias esmagadoras ou através de cooperativas. A organização em grupos permite negociar volumes maiores e melhores preços, além de facilitar o acesso a tecnologias de beneficiamento, como máquinas de descascar.

A torta de mamona pode ser usada na pecuária?

Apenas se passar por um processo industrial específico de desintoxicação para remover a ricina, que é altamente tóxica. Caso contrário, seu uso deve ser restrito exclusivamente como adubo orgânico, sendo um excelente fertilizante rico em nitrogênio para a recuperação do solo.

O que deve ser considerado no cálculo do custo de produção da mamona?

É essencial registrar desde o valor das sementes e insumos até custos operacionais como o diesel do trator e a mão de obra, inclusive a familiar. Ter esses dados na ponta do lápis permite comparar o custo real com a previsão de venda e evitar prejuízos por falta de controle financeiro.

Como a mamona pode gerar lucro através da sustentabilidade?

Por ser uma matéria-prima para energia renovável, a mamona se enquadra em mecanismos de desenvolvimento limpo e pode gerar créditos de carbono. Esse potencial de sequestro de CO2 e substituição de combustíveis fósseis posiciona o produtor em um mercado global que valoriza e remunera práticas sustentáveis.

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