Índice
- Onde Está o Dinheiro na Mandioca? Entendendo o Mercado e os Custos
- Quem Produz Mais e Quem Produz Melhor?
- Para Onde Vai a Mandioca que Sai da Roça?
- Quem Compra o Quê? O Gosto do Brasileiro
- Quando Vender para Pegar o Melhor Preço?
- Custos de Produção: Onde o Calo Aperta?
- Glossário
- Como profissionalizar sua gestão e aumentar o lucro na mandioca
- Perguntas Frequentes
- Por que existe uma diferença tão grande na produtividade da mandioca entre os estados brasileiros?
- Vale a pena direcionar a produção para o mercado de alimentação animal?
- Como posso evitar a perda de 10% da produção mencionada no artigo?
- Qual é a estratégia ideal para vender a mandioca por um preço mais alto?
- Quais são os principais custos que o produtor de mandioca deve monitorar?
- É mais vantajoso produzir mandioca para farinha ou para o mercado de mesa (aipim)?
- Artigos Relevantes
Onde Está o Dinheiro na Mandioca? Entendendo o Mercado e os Custos
Muita gente planta mandioca por tradição, mas esquece de fazer as contas na ponta do lápis. O resultado? Trabalha muito e lucra pouco. Para quem vive da terra, a mandioca não é só uma raiz, é um negócio que precisa fechar no azul.
Se você quer saber para quem vender, quando o preço sobe e onde a gente gasta mais na produção, vamos conversar direto ao ponto. Entender esses números é o que separa quem apenas planta de quem realmente ganha dinheiro.
Quem Produz Mais e Quem Produz Melhor?
Você já parou para pensar se a sua produtividade está dentro da média ou se está deixando a desejar?
O Brasil é um gigante nesse mercado, produzindo cerca de 26 a 27 milhões de toneladas por ano. Mas aqui tem um detalhe que faz toda a diferença: produzir muito não é o mesmo que produzir bem.
Historicamente, o Nordeste lidera o volume, entregando mais de 35% de toda a mandioca do país. O Norte vem logo atrás, seguido pelo Sul. Os estados que mandam na produção são o Pará, Bahia e Paraná. Até aí, tudo certo.
O problema aparece quando olhamos a produtividade por hectare. Enquanto em São Paulo os produtores tiram, em média, 22,8 toneladas por hectare, no Maranhão essa média cai para 8,1 toneladas.
Para Onde Vai a Mandioca que Sai da Roça?
Uma dúvida que sempre aparece na cabeça do produtor é: “Será que farinha é o único caminho?”
A resposta curta é: não. E aqui está a maior surpresa para muita gente. A maioria da mandioca no Brasil não vai para o prato da gente, nem para a farinheira.
Segundo dados da FAO, mais de 50% da produção brasileira vai para alimentação animal. É isso mesmo: boi, porco e frango consomem mais da metade da nossa mandioca.
O resto se divide assim:
- 33,4% vai para alimentação humana (farinha, fécula e in natura).
- 10% se perde (desperdício na colheita ou transporte).
- 6,4% tem outros usos.
Dentro do que a gente come, a farinha ainda é rainha (22,1% da produção), seguida pela fécula (10%). O consumo da mandioca de mesa (macaxeira ou aipim) representa apenas 2% do total.
Quem Compra o Quê? O Gosto do Brasileiro
Se você vai vender sua safra, precisa saber quem está comprando. Já notou como o pessoal do Sul prefere a mandioca cozida e o pessoal do Norte não vive sem farinha?
Os números confirmam isso na prática:
- Farinha: A Região Norte é a campeã disparada, com um consumo de 34 kg por pessoa/ano. O estado da Bahia, sozinho, consome 24% de toda a farinha produzida no Brasil.
- Mandioca de Mesa (Aipim/Macaxeira): O campeão é o Acre (quase 17 kg por pessoa/ano), mas o Sul também é forte nisso, com quase 5 kg por pessoa.
- Fécula: A produção é concentrada no Paraná (quase 65%) e Mato Grosso do Sul. Se o seu foco é indústria de fécula, o mercado está lá embaixo, no Centro-Sul.
Quando Vender para Pegar o Melhor Preço?
Sabe aquele ditado “Maria vai com as outras”? Na agricultura, fazer o que todo mundo faz derruba o preço.
O mercado de mandioca tem uma regra clara de oferta e procura. A maioria dos produtores colhe e vende na mesma época. O resultado? Sobra produto e o preço cai.
- Piores Preços: De julho a outubro. É quando concentra a oferta, principalmente na Bahia e no Paraná. Se você vender nessa época, vai receber menos.
- Melhores Preços: De dezembro a abril. Nesse período, tem menos mandioca na praça, e quem tem o produto na mão consegue negociar valores melhores.
Custos de Produção: Onde o Calo Aperta?
No final das contas, o que importa não é quanto você vendeu, mas quanto sobrou no bolso. E os custos mudam muito dependendo de onde você está.
No Centro-Sul (PR, MS, SP), o custo da terra é pesado. Lá, o que mais gasta dinheiro é o arrendamento ou o valor da terra, seguido da colheita mecânica e tratos culturais.

Já no Nordeste, a história é outra. O custo da terra pesa menos, mas gasta-se muito com mão de obra nos tratos culturais (limpa, capina), porque a mecanização ainda é menor.
O custo médio total para produzir uma tonelada gira entre R$ 110,00 e R$ 140,00 (valores de referência histórica baseados nos dados apresentados). Para fechar a conta, o preço de venda tem que cobrir isso e sobrar margem.
Glossário
Produtividade (t/ha): Relação entre o volume total colhido e a área plantada, medida em toneladas por hectare. É o principal indicador de eficiência técnica, mostrando se o manejo e a tecnologia aplicados estão convertendo o potencial da terra em lucro.
Fécula: Amido extraído industrialmente da raiz da mandioca, utilizado como insumo em indústrias alimentícias, têxteis e de papel. Diferente da farinha, é um produto de maior valor agregado e exige variedades com alto teor de amido e processos de lavagem e decantação.
Tratos Culturais: Conjunto de práticas realizadas durante o desenvolvimento da lavoura, como capinas, adubações de cobertura e controle de pragas. No Nordeste, representa uma parte significativa do custo de produção devido à dependência de mão de obra intensiva.
Mandioca de Mesa (Aipim ou Macaxeira): Variedades de mandioca com baixos teores de ácido cianídrico (cianeto), destinadas ao consumo humano direto após cozimento ou fritura. Possuem exigências de mercado específicas quanto ao tempo de cozimento e aparência visual da raiz.
Variedades de Ciclo: Classificação das cultivares de acordo com o tempo necessário para a maturação e acúmulo de amido, podendo ser precoces, médias ou tardias. A escolha correta do ciclo permite ao produtor escalonar a colheita e fugir dos períodos de preços baixos.
In Natura: Refere-se ao produto comercializado em seu estado natural, logo após a colheita, sem passar por processos de industrialização ou transformação. No caso da mandioca, exige logística rápida devido à alta perecibilidade e oxidação das raízes.
Arrendamento: Contrato de aluguel de terras onde o produtor paga um valor fixo ou parte da produção ao proprietário para cultivar na área. É um custo operacional fixo impactante, especialmente em regiões com alta valorização imobiliária como o Centro-Sul.
Como profissionalizar sua gestão e aumentar o lucro na mandioca
Para que a produção de mandioca deixe de ser apenas uma tradição e se torne um negócio realmente lucrativo, é fundamental dominar os números da porteira para dentro. Desafios como a oscilação de preços e o alto custo da mão de obra exigem um acompanhamento rigoroso que o papel e a caneta nem sempre dão conta. Ferramentas como o Aegro ajudam o produtor a centralizar todo o controle financeiro e operacional, permitindo visualizar exatamente o custo por hectare e identificar onde estão os gargalos que reduzem a produtividade.
Além disso, ter um registro claro das atividades de campo e do histórico de vendas facilita a decisão de quando negociar a safra, permitindo que você aproveite as janelas de melhores preços entre dezembro e abril. Com uma interface simples e suporte próximo, o sistema organiza desde a emissão de notas fiscais até o manejo da colheita, garantindo que o sucessor ou o gerente pragmático tomem decisões baseadas em dados reais, e não apenas na intuição.
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Perguntas Frequentes
Por que existe uma diferença tão grande na produtividade da mandioca entre os estados brasileiros?
A variação de produtividade, que vai de 8,1 t/ha no Maranhão a 22,8 t/ha em São Paulo, deve-se principalmente ao nível de tecnologia e manejo aplicados. Enquanto algumas regiões ainda utilizam métodos tradicionais e pouca mecanização, estados com maior rendimento investem em correção de solo, variedades melhoradas e controle rigoroso de pragas, o que maximiza o potencial da terra.
Vale a pena direcionar a produção para o mercado de alimentação animal?
Sim, pois mais de 50% da produção nacional de mandioca é destinada à alimentação de bois, porcos e frangos. Esse mercado é uma excelente alternativa para escoar grandes volumes, especialmente quando a demanda para consumo humano está saturada ou quando a raiz não atende aos padrões estéticos exigidos para a venda in natura.
Como posso evitar a perda de 10% da produção mencionada no artigo?
Para reduzir esse desperdício, é fundamental investir em melhorias na logística de transporte e no treinamento da equipe de colheita para evitar danos físicos às raízes. Além disso, planejar a colheita para que ocorra o mais próximo possível do processamento ou da venda evita que o produto estrague, já que a mandioca tem uma vida útil curta após ser retirada do solo.
Qual é a estratégia ideal para vender a mandioca por um preço mais alto?
A estratégia mais eficiente é fugir do período de safra principal, que ocorre entre julho e outubro, quando a oferta é alta e os preços caem. Planejar o plantio para colher entre dezembro e abril permite que o produtor negocie em um período de escassez no mercado, garantindo margens de lucro significativamente maiores.
Quais são os principais custos que o produtor de mandioca deve monitorar?
Os custos variam por região: no Centro-Sul, o foco deve ser no valor do arrendamento da terra e na manutenção de máquinas; já no Nordeste, o maior peso financeiro costuma ser a mão de obra para capina e tratos culturais. Em ambos os casos, é essencial registrar todos os gastos para garantir que o preço de venda cubra o custo médio de produção, que gira entre R$ 110 e R$ 140 por tonelada.
É mais vantajoso produzir mandioca para farinha ou para o mercado de mesa (aipim)?
Depende da sua localização e estrutura. A farinha tem um mercado consumidor massivo no Norte e Nordeste, facilitando o escoamento de grandes quantidades. Já a mandioca de mesa (aipim/macaxeira) representa apenas 2% do mercado total, mas costuma ter um valor agregado maior por quilo, sendo uma excelente opção para pequenos produtores próximos a centros urbanos no Sul e Sudeste.
Artigos Relevantes
- Custo de Produção Agrícola: O Guia para Calcular e Otimizar Seus Gastos: Este artigo serve como um desdobramento técnico essencial para o produtor de mandioca, detalhando a metodologia de cálculo de custos fixos e variáveis mencionada no texto principal. Ele oferece o passo a passo para que o agricultor identifique exatamente onde sua margem está sendo corroída, complementando a discussão sobre os custos de produção regionalizados.
- Como Vender a Produção Agrícola com Mais Lucro: Estratégias Essenciais: Aprofunda a estratégia de mercado discutida no artigo principal, especialmente sobre a importância de fugir da ‘boca da safra’. Ele fornece ferramentas conceituais para que o produtor de mandioca entenda melhor a comercialização e as janelas de oportunidade, transformando a recomendação de ‘vender na hora certa’ em um plano de ação estruturado.
- Tecnologias Poupa-Terra: Como Aumentar sua Produção Agrícola Sem Expandir a Área: Conecta-se diretamente ao desafio de produtividade apresentado (como a discrepância entre SP e MA), oferecendo soluções tecnológicas para produzir mais no mesmo espaço. É ideal para o produtor que percebeu estar abaixo da média nacional de 14,2 t/ha e busca métodos práticos para otimizar o uso da terra sem expandir a área.
- Custo por Hectare: Como Calcular na Fazenda [Planilha]: Oferece a ferramenta prática (planilha) necessária para implementar a gestão profissional sugerida no encerramento do texto principal. Enquanto o artigo principal diagnostica a necessidade de controle, este candidato fornece o meio para realizar o monitoramento do custo por hectare, facilitando a transição do papel e caneta para o digital.
- O principal insumo da gestão rural não vem da lavoura — vem dos dados: Este artigo reforça a mensagem final de profissionalização, elevando o conceito de ‘fazer as contas’ para uma gestão estratégica baseada em dados reais. Ele ajuda o produtor de mandioca a entender que a informação de mercado e os números internos da fazenda são tão vitais quanto o adubo para garantir que o negócio ‘feche no azul’.

![Imagem de destaque do artigo: Produção de Mandioca: Guia de Mercado e Lucro [2025]](/images/blog/geradas/mandioca-mercado-custos-producao-lucro.webp)