Mandioca para Suínos: 7 Opções para Reduzir Custos [2025]

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Índice

Mandioca: A Raiz que Pode Substituir o Milho (Mas Cuidado com a Proteína)

Sabe quando o preço do milho dispara e a conta da ração não fecha no final do mês? Pois é, muitos produtores aqui da região tentaram trocar o milho pela mandioca e acabaram vendo o porco engordar menos do que devia. O motivo é simples, mas pega muita gente desprevenida.

A raiz da mandioca é uma excelente fonte de energia, rica em carboidratos fáceis de digerir. Na prática, a raspa integral de mandioca pode substituir totalmente o milho para suínos em crescimento e terminação.

Mas tem um “pulo do gato”: a mandioca é muito pobre em proteína. Enquanto o milho tem lá seus 8%, a mandioca quase não tem nada.

Como fazer do jeito certo:

  • Secagem: Pique a mandioca (com casca e tudo) e seque ao sol ou em terreiro até ficar com uns 14% de umidade. Isso vira a “raspa integral”.
  • Balanceamento: Se você tira o milho e põe mandioca, precisa aumentar o concentrado, o farelo de soja ou usar um núcleo proteico forte.
  • Gordura extra: A mandioca tem menos energia bruta que o milho em alguns casos. Pode ser necessário adicionar um pouco de óleo ou gordura na mistura para o porco não perder rendimento.

E a parte aérea (folhas e ramas)? As folhas têm muita proteína, mas não podem ser dadas frescas. Elas têm toxinas perigosas. O segredo é picar e deixar secar ao sol por dois ou três dias (até a umidade cair pra 12%). Depois de seca e moída, essa farinha pode entrar em até 25% da dieta de crescimento e terminação.

⚠️ ATENÇÃO: Nunca dê a folha da mandioca fresca para os porcos. O risco de intoxicação é alto. Tem que secar bem antes.


Cana-de-açúcar e Melaço: Energia Barata, Mas Cuidado com a Diarreia

Você já deve ter visto vizinho dando cana picada pro porco e achando que tá resolvendo a vida. O problema é que o porco não é boi. O estômago dele não lida bem com aquela fibra toda da cana in natura.

Para aproveitar o canavial sem dar prejuízo no cocho, você precisa separar o que serve pra quem:

  1. Cana picada (toletes): Só serve para matrizes em gestação. Elas aguentam a fibra e isso ajuda a saciar a fome sem engordar demais.
  2. Garapa (Caldo de cana): É energia pura. Pode dar à vontade para suínos acima de 15 kg e matrizes. Mas lembre-se: garapa não tem proteína. Tem que manter o concentrado no cocho.
  3. Melaço: O porco gosta, mas é perigoso.

A regra do melaço: Se passar de 15% da dieta, solta o intestino da criação. E nunca, jamais, dê melaço para leitões com menos de 15 kg, porque a diarreia é certa e pode matar.

📊 NÚMEROS QUE IMPORTAM: Para um suíno de 55kg a 95kg (terminação), você pode fornecer 1,65 kg de concentrado e deixar o caldo de cana à vontade. O caldo substitui parte do milho, mas o concentrado garante a carne.


Soro de Leite: O “Ouro Líquido” que Muita Gente Joga Fora

Se na sua região tem queijaria por perto, você pode estar perdendo uma das melhores fontes de comida barata. O soro de leite é tão bom que o porco bebe com gosto e cresce rápido.

O soro integral tem proteína de alta qualidade, cálcio, fósforo e vitaminas. Mas ele é basicamente água (mais de 90%). O erro comum é achar que só o soro sustenta. Não sustenta.

Como usar sem errar:

  • Leitões: O soro em pó é ótimo (tem muita lactose). O líquido pode ser usado na creche também.
  • Crescimento e terminação: Pode misturar na ração ou dar em comedouro separado.

Se você for substituir parte da ração pelo soro, siga esta proporção para animais em terminação (55-95kg):

  • Se usar 70% de ração e 30% de soro: O porco vai comer uns 2,45 kg de ração e beber uns 15 litros de soro por dia.
  • Importante: Aumente o premix (vitaminas e minerais) na ração. Se tirou 30% da comida sólida, tem que concentrar as vitaminas no que sobrou.

⚠️ ATENÇÃO: O soro de leite geralmente já vem salgado da queijaria. Não coloque mais sal na ração. Excesso de sal mata o porco por intoxicação se faltar água fresca.


Feijão e Guandu: Proteína no Cocho, Mas Só Se Cozinhar

Sabe aquele feijão que carunchou ou quebrou na colheita e não serve pra venda? A tentação de jogar direto pro porco é grande, mas quem faz isso vê a criação parar de comer e perder peso.

O motivo? O feijão cru (e o Guandu também) tem “fatores antinutricionais”. Trocando em miúdos: tem substâncias que travam a digestão do bicho.

O segredo do fogo: Para usar feijão ou guandu, você tem que cozinhar.

  • Processo: Cozinhe em água fervente por 30 a 40 minutos. Depois seque ao sol ou em forno.
  • Guandu: Se for o grão cozido e seco, substitui parte do farelo de soja.
  • Limite: Mesmo cozido, não ultrapasse 20% da dieta. Se for dar cru (o que não recomendo), o limite é 10% e o desempenho vai cair.

Restos de Cozinha e Lavagem: Economia ou Risco de Doença?

Essa é clássica. Desde o tempo dos avós, a “lavagem” vai pro chiqueiro. Mas hoje em dia, quem quer lucrar de verdade precisa ter cuidado.

O problema de resto de comida (de casa ou restaurante) é a doença. Peste suína, salmonela e outras pragas vêm nesses restos. Além disso, é difícil balancear. Num dia tem arroz e carne, no outro só tem alface. O porco não cresce igual.

Se for usar, siga a regra de ouro: Ferva tudo! Tem que cozinhar a 100°C por pelo menos 30 minutos. Isso esteriliza e mata os bichos que causam doenças.

💡 DICA DE QUEM JÁ FEZ: Restos de padaria (pão velho, farinha de bolacha, biscoito quebrado) são muito mais seguros e funcionam como milho (energia pura). Podem substituir até 100% do milho, mas mande analisar o sal e a gordura antes.


Ossos e Sobras de Abatedouro: Aproveitamento Total

Dá para usar osso de boi e sobras de frango? Dá, mas não jogue fresco no cocho.

Assim como a lavagem, o risco de transmitir doenças (como aftosa ou tuberculose) é gigante. Para usar, esse material precisa passar por autoclave. É uma panela de pressão industrial: 100°C por 30 minutos no mínimo. Depois, prensa e mói.

Isso vira farinha de carne e ossos, fonte de cálcio, fósforo e proteína. Se não tiver como esterilizar direito na propriedade, é melhor não arriscar a saúde do plantel inteiro.


Batata-Doce e Outras Raízes

A batata-doce é uma velha conhecida da roça. O que nem todo mundo sabe é que a raspa de batata-doce seca pode substituir o milho todo.

  • Crua: Pode dar à vontade, mas precisa complementar com uma ração rica em proteína (concentrado).
  • Cozida: O aproveitamento é melhor.
  • Raspa seca: Se você picar e secar, ela fica com 89% de matéria seca. Substitui o milho, mas como ela tem menos energia, o ideal é colocar um pouco de óleo na ração para compensar.

E a abóbora? Muita gente joga abóbora achando que tá abafando. A verdade: abóbora é 95% água. Enche a barriga do porco, mas não nutre quase nada.

  • Leitões: Não dê.
  • Terminação: Máximo de 6 kg por dia. Mais que isso, o porco deixa de comer a ração balanceada (que engorda) porque está cheio de água de abóbora.

Glossário

Raspa Integral: Produto obtido através do picamento, secagem e moagem da raiz de mandioca inteira, incluindo a casca e entrecasca. É utilizada na nutrição animal como um substituto energético eficiente para o milho.

Fatores Antinutricionais: Substâncias presentes naturalmente em vegetais, como o feijão cru, que interferem na digestão ou absorção de nutrientes pelo animal. No manejo prático, o tratamento térmico (cozimento) é a forma mais comum de inativar esses compostos.

Matéria Seca: Parte do alimento que sobra após a retirada de toda a sua água através de secagem. É o parâmetro técnico real para comparar o valor nutricional entre diferentes alimentos, como a abóbora (baixa matéria seca) e o milho (alta).

Premix: Mistura concentrada de microingredientes, como vitaminas, minerais e aminoácidos, adicionada à ração em pequenas quantidades. Garante que as necessidades nutricionais básicas sejam atingidas quando se utiliza alimentos alternativos na dieta.

Autoclave: Equipamento que utiliza vapor de água sob alta pressão e temperatura para esterilizar resíduos. Na suinocultura, é essencial para eliminar agentes patogênicos de sobras de abatedouro antes de transformá-las em farinha para o cocho.

Matrizes: Fêmeas reprodutoras da granja destinadas à produção de leitões. Possuem exigências nutricionais diferentes dos animais de engorda, suportando dietas com maior teor de fibras para controle do peso durante a gestação.

Crescimento e Terminação: Fases finais da criação de suínos, que vão desde a saída da creche até o abate. Exigem dietas de alta densidade energética e proteica para garantir o ganho de peso rápido e a qualidade da carcaça.

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Encontrar alternativas para baratear a ração, como o uso da mandioca ou do soro de leite, é uma estratégia inteligente, mas que exige um controle financeiro rigoroso para garantir que a economia não resulte em perda de desempenho. O Aegro ajuda você a enfrentar esse desafio ao centralizar a gestão de custos de produção, permitindo comparar o impacto de diferentes dietas no fechamento do mês e acompanhar o uso de insumos em tempo real. Com relatórios visuais e automáticos, fica muito mais fácil decidir quando vale a pena substituir o milho e como manter a rentabilidade da sua criação.

Além disso, organizar o estoque desses diversos subprodutos e planejar as atividades de preparo (como a secagem da raspa ou o cozimento do feijão) exige coordenação. O software de gestão agrícola do Aegro simplifica essa operação, oferecendo um controle de estoque eficiente e um planejamento de atividades que evita desperdícios e garante que o manejo seja feito no tempo certo. Assim, você moderniza a gestão da sua propriedade com segurança, trocando as planilhas manuais por decisões baseadas em dados precisos.

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Perguntas Frequentes

Por que não se deve oferecer folhas de mandioca frescas aos porcos?

As folhas de mandioca frescas contêm substâncias tóxicas que podem causar intoxicações graves e até a morte dos animais. Para utilizá-las com segurança, é necessário picar e secar o material ao sol por dois ou três dias até atingir cerca de 12% de umidade, transformando-as em uma farinha proteica segura para o consumo.

Qual o limite recomendado de melaço para evitar problemas de saúde no rebanho?

O melaço deve ser limitado a, no máximo, 15% da dieta total dos suínos, pois o excesso pode causar diarreia severa. Além disso, o melaço é estritamente proibido para leitões com menos de 15 kg, devido à alta sensibilidade do sistema digestivo nessa fase.

É necessário ajustar a quantidade de sal na ração ao fornecer soro de leite?

Sim, é fundamental ter cuidado, pois o soro de leite industrializado geralmente já contém sal em sua composição. Adicionar sal extra na ração pode levar a uma intoxicação por sódio, que é fatal se o animal não tiver acesso constante a água fresca e limpa para diluir o excesso.

Por que o feijão e o guandu precisam ser cozidos antes de serem servidos?

Esses grãos possuem fatores antinutricionais quando crus, que são substâncias que travam a digestão e impedem o aproveitamento dos nutrientes, fazendo o porco perder peso. O cozimento em água fervente por 30 a 40 minutos neutraliza esses componentes, transformando o feijão em uma excelente fonte de proteína para a ração.

Quais são as principais precauções ao alimentar suínos com restos de cozinha ou restaurantes?

O maior risco da ’lavagem’ é a transmissão de doenças graves como a peste suína e a salmonela. Para garantir a segurança sanitária, todo o resíduo deve ser fervido a 100°C por, no mínimo, 30 minutos para esterilizar o alimento e eliminar microrganismos patogênicos antes do trato.

A abóbora pode substituir o milho na dieta de crescimento e terminação?

Não, a abóbora não deve ser usada como substituta principal de energia, pois é composta por 95% de água e tem baixíssima densidade nutricional. Se fornecida em grandes quantidades (mais de 6 kg/dia), ela ocupa espaço no estômago e impede que o animal consuma a ração balanceada necessária para o ganho de peso.

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